Conversa sobre Sexualidade e Religião, no Museu da Farmácia

Data da Notícia: Setembro 27, 2018

Conversa sobre Sexualidade e Religião, no Museu da Farmácia

Uma reflexão de…
João Neto, Diretor do Museu da Farmácia

 

Percurso 
Museólogo, historiador, monárquico e sportinguista.

 

Data
17 de Janeiro de 2019

 

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No dia 28 de Março tem lugar a conversa sobre Sexualidade e Religião, no Auditório do Museu da Farmácia, pelas 19h00.

Nesta sessão serão apresentadas três perspectivas diferentes de especialistas ligados às religiões Judaica, Cristã e Islâmica. Vão estar presentes Joshua Ruah (médico), José Manuel Pereira de Almeida (padre e médico) e Sheik David Munir (imã).

A peça do Museu em destaque é um preservativo do século XVIII, feito de pele de ovelha. Estima-se que a utilização dos preservativos recua até aos antigos egípcios, mas é a partir do séc. XVI, e sobretudo do séc. XVIII, devido ao deflagrar da sífilis, que o seu uso como método de proteção de contágio de doenças sexualmente transmissíveis se tornou mais popular. Surgiram desde então, posições menos tolerantes questionando o seu uso. Ao longo dos tempos, a sexualidade tem sido condicionada por aspectos de saúde e moral religiosa, transformando-se numa questão pública com profundas implicações afectas ao poder, religião e à economia.

O Ciclo de Conversas sobre Sexualidade é uma iniciativa coordenada por João Neto, director do Museu da Farmácia, e Isabel Pires, responsável dos Serviços Educativos da ANF. Conta com o apoio da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC) e da World Association for Sexual Health (WAS). A moderação desta conversa cabe a Maria Joana Almeida, psicóloga clínica, terapeuta sexual e membro da Direcção da SPSC.

Esta é a quinta conversa do ‘Ciclo de Conversas sobre Sexualidade – Uma Peça, um Tema’, que o Museu da Farmácia está a organizar ao longo de um ano.

O Museu da Farmácia é um espaço de conhecimento único em Portugal e no Mundo. Cerca de 17.000 peças genuínas (não existem reproduções) que ilustram 7000 anos da maravilhosa viagem humana pela História, em dois espaços museológicos – Lisboa e Porto. A coleção do Museu não ficou delimitada ao espaço geográfico de Portugal, nem à temática da Farmácia. O Museu reflete a globalidade histórica do ser Humano e a sua relação com a Saúde.

As peças são magníficas, oriundas de civilizações e culturas distantes no tempo e no espaço: Mesopotâmia, Egito, Grécia, Roma, Pré Colombianos-Incas, Astecas e Maias, Árabe/Islâmica, Tibete, China, Japão, e finalmente, a nossa Farmácia desde a Idade Média até aos nossos dias. Como são por exemplo as farmácias portáteis usadas no Space Shuttle “Endeavour” e na secção russa da Estação Espacial Internacional? Neste momento estão a questionar-vos: onde é que o sexo entra nesta História?

Tudo começou por uma conferência e uma visita temática organizada pelo Museu com a seguinte designação: 5000 anos de história da sexualidade… no Museu da Farmácia. Percorrendo a coleção, foram selecionadas algumas peças das diversas culturas e civilizações que estavam relacionadas com a história da sexualidade. Placas mesopotâmicas, almofarizes egípcios para cosméticos, frascos de perfumes gregos, amuletos de fertilidade romanos, recipientes para beber cacau da cultura maia, um cinto dito de “castidade” para proteger as mulheres de ataques sexuais e violações, um preservativo raro dos séculos XVII e XVIII, para a prevenção da sífilis, ou um vibrador medicinal para o tratamento da histeria, são o motivo para que a história da sexualidade possa ser contada sem interdições físicas ou morais.

Porquê partir para um ciclo de conversas? Porque queremos partilhar o Prazer que temos tido neste Projeto com outros colegas de outras áreas da psiquiatria, da psicologia, da história, do direito, da sociologia, da antropologia e de outras áreas do conhecimento.

Este é o nosso desafio. Partilhar e refletir sobre sexualidade e sobre as diversas formas de a assumir e sentir. Fazêmo-lo com o inestimável apoio da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC) e da Associação Mundial para a Saúde Sexual (WAS). Este ciclo de conversas vai decorrer mensalmente ao longo de um ano. Falaremos de cosmética, gravidez, VIH-Sida, sedução e violência,  género, religião, educação, mitos e magia, pensaremos a sexualidade no Antigo Egito, os hábitos sexuais na viragem do século XIX pelo mundo e as sexualidades no momento de transição da Revolução dos Cravos.

Esperamos por si, sem interdições.

João Neto, Diretor do Museu da Farmácia

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