BEST WISHES Fundador da SPSC, Francisco Allen Gomes

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Francisco Allen Gomes
Fundador da SPSC

Em 2016, o cenário sexual em Portugal apresentou-se moldado pelas transformações da sexualidade que se processaram nas últimas décadas. Afirma-se pela diversidade e pelo respeito das minorias. De uma concepção bipolar, a sexualidade tornou-se mais plástica, em termos de género, orientação e identidade. A pulverização dos modelos tradicionais abanou algumas das estruturas sociais mais conservadoras, gerando dúvidas e inquietações. Houve, naturalmente uma certa desregulação, com as inevitáveis perplexidades, temores e alguma sensação de caos. Mas é nas situações caóticas que se geram soluções criativas. O aparelho jurídico tem acompanhado o borbulhar social e hoje resistimos bem à comparação com outros países com legislações mais avançadas no respeito dos indivíduos, das suas vivências e das suas opções. O poder da web e das redes sociais veio aumentar o trepidar social e criar novos desafios. Há que refletir e desenvolver grelhas de interpretação que separem o que pode ser criativo do que pode ser alienante. A construção de novos viveres da sexualidade passa por múltiplos saberes: medicina, psicologia, sociologia e pelas diversas manifestações artísticas onde a sexualidade teve sempre o seu lugar (literatura e música, pintura e fotografia, teatro e cinema).

Mas atenção, ainda há muito para fazer. Preocupa-me muito a violência doméstica nas suas variadas formas. A sua prevenção passa por todos nós, e tem que fazer parte das agendas das sociedades científicas que estudam o comportamento sexual. Quer-se uma sexualidade em que se respeite o outro. Consentimento informado e esclarecido deve ser sempre o apanágio de qualquer interação sexual. Também me preocupa a imparável exploração comercial do sexo. O sexo continua a vender-se e a fazer vender. Mas esboçam-se transformações interessantes: o novo calendário Pirelli onde pontificam, como mais “velhas”, Helen Mirren e Charlotte Rampling (70 e 71 anos), mas em que a média de idades das 14 escolhidas (Kate Winslet, Nicole Kidman, Penélope Cruz, Alicia Vikander, Julliane Moore, Lupita Nyang’o, Rooney Mata, Jessica Chastain, Uma Thurman, Lea Seydoux, Zang Ziyl, Robin Wright e as já referidas Helen Mirren e Charlotte Rampling) é de 44 anos! Estou seguro que o Pireli 2017 será uma referência no futuro.

Neste balanço de final de 2016, confronto-me com emoções diversas e contraditórias em relação ao ano que se aproxima. Vivemos num mundo perigoso em que aconteceram eventos muito, mas muito, preocupantes. Mas há também alegria e um “sentimentozinho” de orgulho no nosso país, que não receando o caos, soube construir soluções criativas e que vão ao encontro, tudo indica, dos anseios do nosso povo. Era bom que os anglo-saxónicos e os europeus da miitteleuropa olhassem para o exemplo português e se inspirassem nele para evitar derivas autoritárias, egocêntricas e xenófobas. A sexualidade paga sempre duros preços por estas derivas.

Resta-me expressar os meus melhores votos para a Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC). Tenho orgulho de ter estado nas suas origens. Ao contrário de algumas congéneres por este mundo fora, a SPSC não estagnou, porque tem sabido renovar-se, sem excluir ninguém. Embora privilegiando a clínica, sempre acolheu no seu seio todos os saberes que dão à sexologia a sua universalidade. Entre os seus membros encontram-se estudiosos da sexualidade humana com meritórios currículos internacionais.

Espero uma SPSC atenta a todas as manifestações da sexualidade e que se constitua sempre como um espaço aberto de debate e reflexão para os seus sócios e simpatizantes. A formação deve continuar a ser um instrumento privilegiado de aperfeiçoamento e enriquecimento teórico e prático.

E que a terapia sexual nunca cesse de se renovar, promovendo a indispensável e harmoniosa integração dos aspectos fisiológicos, afetivos e eróticos do ser sexuado em sofrimento.

NB: um agradecimento carinhoso à direção da SPSC pelo convite que me endereçou e um abraço aos meus queridos colegas e amigos, Afonso de Albuquerque, Júlio Silveira Nunes e António Pacheco Palha.

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