Reforçar os laços das nossas sexualidades


Reforçar os laços das nossas sexualidades

A mensagem de…
Sandra Vilarinho, Presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica. Psicóloga clínica, terapeuta sexual e instrutora de mindfulness.

 

Data
Dia Mundial da Saúde Sexual, 4 de setembro de 2017

 

A Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica junta-se à Associação Mundial para a Saúde Sexual (World Association for Sexual Health, WAS) na comemoração de 4 de setembro, Dia Mundial da Saúde Sexual. Este ano, celebramos “amor, laços e intimidade”, o tema proposto por esta organização internacional de quem somos parceiros.

Independentemente da forma sexual assumida por cada pessoa, a tónica coloca-se na possibilidade de todas as pessoas poderem ter acesso ao amor, à intimidade e às emoções vivenciadas no contexto dos relacionamentos amorosos. (Mensagem da WAS)

Na época que hoje vivemos, as relações entre as pessoas variam muito. Casamento tradicional, amizades coloridas, relações poliamorosas, entre muitas outras possibilidades. Todos os modelos estão bem, quando as pessoas se sentem felizes e livres, nas suas escolhas amorosas e sexuais.

Apesar de importantíssimas conquistas que nos facilitaram mais verdade, mais igualdade, mais diversidade, mais justiça, mais liberdade e mais saúde na forma de vivermos a nossa sexualidade, podemos ainda apostar em reforçar as nossas relações de amor, os nossos laços, a nossa intimidade. Vivemos mais apressadamente. Queremos tudo mais imediato, mais acessível, mais fácil. Às vezes o prazer também entra nessa ânsia. Agendas sobrecarregadas e outras indisponibilidades impedem-nos de investir em nós e na outra pessoa. Dificultam-nos a criação e o reforço dos nossos laços.

A um nível individual, diria que é importante mais tempo para estar com quem amamos. Que é importante sentir o encontro sexual como um prazer e não como uma obrigação. Confiar no corpo. Ter coragem para escolher e curiosidade para crescer sexualmente. Exprimirmo-nos, escutarmo-nos, entregarmo-nos. Agradecer os pequenos momentos de partilha, cumplicidade e prazer.

Ao nível coletivo, persistem – infelizmente – as situações de desrespeito, de abuso, de violação de direitos humanos e sexuais, em Portugal e no mundo: tráfico de seres humanos, mutilação genital feminina, violações, abuso sexual (incluindo intrafamiliar), assédio sexual no trabalho, casamentos forçados, interrupções de gravidez não assistidas, desigualdade e violência de género, discriminação LGBTQI. Embora inaceitáveis, continuam a inscrever sofrimento na vida de muitas pessoas. E este sofrimento não pode ser ignorado.

No mundo e em Portugal, muitas questões continuam a precisar de investigação, debate e legislação adequada. A Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica quer promover a reflexão sobre a forma como nos relacionamos hoje em dia, afetiva e sexualmente, defendendo as relações de intimidade como um direito plural, de todas as pessoas. Precisamos conhecer, respeitar e integrar identidades, orientações, laços, intimidades e vivências muito diversas, que se inscrevem no universo das nossas sexualidades. Queremos continuar a investir na formação de profissionais, que possam intervir ao nível clínico, da terapia sexual, mas também em termos de counseling e de educação sexual. É importante haver especialistas competentes e acreditados, a trabalhar em áreas como a saúde (garantindo cada vez mais consultas no serviço nacional), a educação ou a justiça. Profissionais qualificados que possam apoiar na sensibilização, na prevenção, na sinalização, no diagnóstico e na resolução de questões relacionadas com os direitos e a saúde sexual, lutando pela igualdade e diversidade de direitos, independentemente do género, da idade, da etnia, do contexto socioeconómico, da condição física e mental.

A SPSC quer caminhar de necessidades sexuais não atendidas para a necessária satisfação sexual. Dar mais atenção a grupos menos considerados (alguns negligenciados) na sua sexualidade: pessoas idosas, com doenças crónicas, com deficiências, físicas e mentais. Necessitamos criar plataformas de encontro, de discussão e de partilha, precisamos apostar em material didático, adaptado, ilustrativo, audiovisual.

Ao longo do último ano, a SPSC trabalhou a desconstrução de mitos em torno da sexualidade (mote proposto pela WAS na comemoração do Dia Mundial da Saúde Sexual, a 4 de setembro de 2016). No nosso website escutámos especialistas, ativistas, associações e instituições, acerca da sexualidade humana e da sexologia, em geral. No ano que se aproxima, continuaremos a fazê-lo, focando também as grandes e as pequenas questões do “amor, dos laços e das intimidades”, numa lógica em que todas as pessoas têm lugar.

A sexualidade é uma esfera vital da vida humana, entrelaçando tudo aquilo que somos!

 

Mensagem de Sandra Vilarinho, Presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC), por ocasião da comemoração do Dia Mundial da Saúde Sexual (4 de setembro de 2017), proposta pela Associação Mundial para a Saúde Sexual