Abstraindo #3 – Saúde sexual no envelhecimento: Uma investigação sobre sexualidade e autoimagem em séniores Europeus

Data da Notícia: Dezembro 28, 2018

Abstraindo #3 – Saúde sexual no envelhecimento: Uma investigação sobre sexualidade e autoimagem em séniores Europeus

Abstraindo é uma rubrica que apresenta de forma resumida a investigação em sexologia que se faz em Portugal.

Ana Carvalheira é psicoterapeuta, professora auxiliar no ISPA, investigadora no William James Center for Research. Ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.

Foto: Pedro Correa da Silva

Projeto de Investigação: Healthy sexual aging: A mixed-method research of sexual function and sexual well-being in older European adults

 

Investigadores Principais: Bente Træen, Erick Janssen, Ana Alexandra Carvalheira, Cynthia Graham, Gert Martin Hald, Aleksandar Štulhofer

 

Financiamento: Research Council of Norway (grant 250637).

Este projeto foi desenvolvido com uma amostra probabilística de 3,814 homens e mulheres de 60 – 75 anos em quatro países Europeus: Noruega = 1,270 (676 homens e 594 mulheres), Dinamarca = 1,045 (530 homens e 515 mulheres), Bélgica = 990 (318 homens e 672 mulheres), e Portugal = 509 (236 homens e 273 mulheres). Uma subamostra de casais foi recolhida aleatoriamente da amostra total (n=677) o que permitiu análises diádicas. Os participantes foram recrutados por telefone constituindo amostras probabilísticas em todos os países. Os dados foram recolhidos em 2016 através de questionários anónimos enviados por correio. A taxa de resposta foi de 68% na Noruega, 52% na Dinamarca, 57% na Bélgica e 26% em Portugal. Foi usada metodologia quantitativa e qualitativa para levar a cabo um conjunto de estudos com o objectivo geral de analisar vários aspectos da saúde sexual e autoimagem na população sénior. Foram estudadas variáveis psicológicas, relacionais, socioculturais e sexuais. Uma metodologia mista – quantitativa, qualitativa e análise de díades – foi usada para analisar atitudes, comportamentos e problemas sexuais, bem como narrativas de vida, bem-estar sexual e várias dimensões da autoimagem.

Alguns exemplos de resultados quantitativos mostram que no grupo dos homens a percentagem de participantes sexualmente ativos durante o ano anterior varia entre 83% em Portugal e 91% na Noruega. No grupo de mulheres, essa percentagem oscila entre 61% na Bélgica e 78% na Dinamarca. Relativamente à frequência da atividade sexual coital durante o mês anterior à recolha de dados, os homens Portugueses reportam maior frequência de atividade sexual coital que os homens dos restantes países. Relativamente à masturbação, a maioria dos homens (58%) e mulheres (73%) Portugueses reportaram não ter tido comportamentos masturbatórios no último mês. A masturbação foi mais frequente nos homens (65%) e mulheres (40%) Noruegueses. Nos quatro países 40–60% dos participantes reportaram ter satisfação sexual. Os homens Portugueses e as mulheres Dinamarquesas reportaram os níveis mais altos de satisfação sexual. Ter parceiro foi o predictor significativo mais importante da atividade e satisfação sexual em todos os grupos excepto nos homens Portugueses. A atividade sexual com parceiro foi mais frequente no Sul da Europa e a atividade sexual a solo mais frequente no Norte da Europa. Os seguintes subgrupos apresentaram os níveis mais baixos de atividade e satisfação sexual: 1) Mulheres, 2) Indivíduos sem parceiros, 3) Homens e mulheres acima dos 70 anos; e 4) Mulheres com baixo nível educacional. Os resultados revelaram uma elevada prevalência de problemas sexuais a durarem 3 ou mais meses nos quatro países mas, muitos homens referem baixos níveis de distress. Os homens Portugueses reportam um nível de distress relativamente aos problemas sexuais significativamente mais elevado comparativamente com os homens Dinamarqueses e Noruegueses. Este estudo identificou vários problemas de saúde mental, física e relacional associados com o número de problemas sexuais e o nível de distress.

Este projeto com uma grande amostra probabilística, permite comparações em diversos países e tem importantes implicações clínicas e sociais. É fundamental os profissionais de saúde encararem a saúde sexual dos seniores e fazerem-no numa abordagem multifactorial e pluridisciplinar.

 

Alguns artigos já publicados:

Træen, B., Stulhofer, A., Janssen, E., Carvalheira, A., Hald, G.M., Lange, T., Graham, C.. Sexual Activity and Sexual Satisfaction among Older Adults in Four European Countries. Archives of Sexual Behavior 2018 s. 1-15.

Træen, B., Carvalheira, A., Hald, G.M., Lange, T., Kvalem, I.. Attitudes Towards Sexuality in Older Men and Women Across Europe: Similarities, Differences, and Associations with Their Sex Lives. Sexuality & Culture 2018 s. 1-25.

Træen, B., Carvalheira, A., Kvalem, I., Hald, G.M.. European Older Adults’ Use of the Internet and Social Networks for Love and Sex. Cyberpsychology : Journal of Psychosocial Research on Cyberspace 2018 ;Volum 12.(3).

Stulhofer, A., Hinchliff, S., Jurin, T., Carvalheira, A., Træen, B.. Successful aging, change in sexual interest and sexual enjoyment in couples from four European countries. European Journal of Ageing 2018.

Encontra uma lista de referências dos artigos deste projeto já publicados ou aceites para publicação aqui: https://www.anacarvalheira.com/investigacao