{"id":11082,"date":"2026-02-26T22:35:20","date_gmt":"2026-02-26T22:35:20","guid":{"rendered":"https:\/\/spsc.pt\/?page_id=11082"},"modified":"2026-02-26T22:40:02","modified_gmt":"2026-02-26T22:40:02","slug":"parecer-tecnico-cientifico-da-sociedade-portuguesa-de-sexologia-clinica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/parecer-tecnico-cientifico-da-sociedade-portuguesa-de-sexologia-clinica\/","title":{"rendered":"PARECER T\u00c9CNICO-CIENT\u00cdFICO DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE SEXOLOGIA CL\u00cdNICA"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; css_params=&#8221;&#8221;]<strong>PARECER T\u00c9CNICO-CIENT\u00cdFICO DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE<\/strong><br \/>\n<strong>SEXOLOGIA CL\u00cdNICA, sobre o Projeto de Lei n.\u00ba 391\/XVII\/1.\u00aa, proposto pelo<\/strong><br \/>\n<strong>partido Chega<br \/>\n<\/strong><br \/>\nContributo de profissionais das \u00e1reas cl\u00ednicas da Medicina (Medicina Geral e Familiar, Psiquiatria e Psiquiatria<br \/>\nda inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia) e Psicologia com compet\u00eancia em Sexologia reconhecida pelas respetivas ordens<br \/>\nprofissionais e membros da Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica (SPSC); com colabora\u00e7\u00e3o e subscri\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo Grupo de Estudos de Diversidades Sexuais e de G\u00e9nero da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Medicina Geral e<br \/>\nFamiliar (APMGF), de profissionais m\u00e9dicos do departamento de Psiquiatria da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia da<br \/>\nULS Santa Maria, e da Associa\u00e7\u00e3o para o Planeamento da Fam\u00edlia (APF)<\/p>\n<p><strong>I. Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica (SPSC) emite o presente parecer em resposta \u00e0<br \/>\nsubmiss\u00e3o do Projeto de Lei n.\u00ba 391\/XVII\/1.\u00aa, com o objetivo de salvaguardar o rigor cient\u00edfico e a<br \/>\nintegridade do acesso a cuidados de sa\u00fade de popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis em Portugal. Pretendemos<br \/>\nalertar para o facto de o Projeto de Lei n.\u00ba 391\/XVII\/1.\u00aa assentar em premissas que contradizem o<br \/>\nconsenso cl\u00ednico internacional. Ao propor retrocessos baseados em desinforma\u00e7\u00e3o, a proposta<br \/>\nignora a evid\u00eancia emp\u00edrica e amea\u00e7a gravemente a sa\u00fade mental de uma popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 vulner\u00e1vel.<br \/>\nA SPSC interv\u00e9m, assim, para garantir que as decis\u00f5es legislativas protejam a vida e o bem-estar<br \/>\nde todos os cidad\u00e3os, alicer\u00e7ando-se em ci\u00eancia e n\u00e3o em preconceitos.<\/p>\n<p><strong>II. Incongru\u00eancia e disforia de g\u00e9nero n\u00e3o s\u00e3o \u201cideologia\u201d &#8211; s\u00e3o entidades e conceitos<\/strong><br \/>\n<strong>cl\u00ednicos e cient\u00edficos<\/strong><br \/>\nA proposta caracteriza erroneamente a disforia de g\u00e9nero como uma &#8220;ideologia&#8221;. No entanto, a<br \/>\nevid\u00eancia demonstra que se trata de uma condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica reconhecida no DSM-5-TR e na<br \/>\nICD-11[1-2]. A par disto, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade moveu a &#8220;incongru\u00eancia de g\u00e9nero&#8221; para o<br \/>\ncap\u00edtulo de sa\u00fade sexual precisamente para reduzir a estigmatiza\u00e7\u00e3o e garantir cuidados de sa\u00fade<br \/>\ne aconselhamentos adequados a esta popula\u00e7\u00e3o.[2]<br \/>\nA base neurobiol\u00f3gica suportada pela comunidade cient\u00edfica \u00e9 sustentada por dados robustos:[3-5]<br \/>\n\u25cf Gen\u00e9tica: G\u00e9meos id\u00eanticos apresentam maior probabilidade de concord\u00e2ncia (39,1%)<br \/>\ncom uma identidade de g\u00e9nero trans, enquanto g\u00e9meos dizig\u00f3ticos n\u00e3o apresentaram o mesmo<br \/>\ngrau de concord\u00e2ncia, o que sugere uma base biol\u00f3gica programada. [4]<br \/>\n\u25cf Neuroimagem: Estudos em pessoas trans n\u00e3o tratadas revelam padr\u00f5es cerebrais<br \/>\nconsistentes com a sua identidade de g\u00e9nero e n\u00e3o com o sexo biol\u00f3gico.<br \/>\n\u25cf Resili\u00eancia: Em pessoas intersexo, a identidade de g\u00e9nero resiste comprovadamente a<br \/>\ncirurgias genitais precoces e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o social imposta.[3-4]<br \/>\nAssim, rotular uma realidade cl\u00ednica com base biol\u00f3gica como &#8220;ideologia&#8221; \u00e9 um ato de<br \/>\nnegacionismo cient\u00edfico. Ao ignorar estes dados, a proposta falha na sua fundamenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, ao<br \/>\ntentar legislar sobre uma condi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica atrav\u00e9s de uma lente ideol\u00f3gica que a ci\u00eancia j\u00e1 refutou.<\/p>\n<p><strong>III. A analogia da disforia de g\u00e9nero com a BIID \u00e9 cientificamente desadequada<\/strong><br \/>\nA proposta utiliza a Body Integrity Identity Disorder (BIID) para argumentar contra interven\u00e7\u00f5es<br \/>\nm\u00e9dicas, mas a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 tecnicamente inv\u00e1lida. O DSM-5-TR distingue-as explicitamente:[1] a<br \/>\nBIID implica um desejo de amputa\u00e7\u00e3o de membros saud\u00e1veis sem benef\u00edcio terap\u00eautico, enquanto<br \/>\na disforia de g\u00e9nero envolve o alinhamento de caracter\u00edsticas sexuais com a identidade, com<br \/>\nevid\u00eancia robusta j\u00e1 estabelecida de benef\u00edcio para a sa\u00fade mental.[6-8] Ao contr\u00e1rio da BIID, as<br \/>\ninterven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas afirmativas (p.e. hormonal e cir\u00fargico) resultam em melhorias cl\u00ednicas<br \/>\nmensur\u00e1veis.[9-11]<br \/>\nEsta analogia \u00e9 uma distor\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica que ignora o sucesso terap\u00eautico dos cuidados afirmativos.<br \/>\nEquiparar cuidados de sa\u00fade que salvam vidas a uma amputa\u00e7\u00e3o sem benef\u00edcio cl\u00ednico \u00e9 uma<br \/>\ntentativa de manipular a opini\u00e3o p\u00fablica atrav\u00e9s do medo.<\/p>\n<p><strong>IV. Problemas de sa\u00fade mental est\u00e3o associados ao estigma social ligado \u00e0 disforia<\/strong><br \/>\n<strong>de g\u00e9nero &#8211; n\u00e3o s\u00e3o uma contraindica\u00e7\u00e3o para interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas afirmativas<\/strong><br \/>\nA proposta cita um estudo alem\u00e3o que indica uma elevada preval\u00eancia de diagn\u00f3sticos<br \/>\npsiqui\u00e1tricos como comorbilidade associada \u00e0 disforia de g\u00e9nero. Contudo, omite que estas<br \/>\ncomorbilidades s\u00e3o consequ\u00eancia do minority stress (stress de minoria), e n\u00e3o a causa da<br \/>\ndisforia.[12-14] Uma meta-an\u00e1lise de 2025 confirma a elevada preval\u00eancia de depress\u00e3o (13,5-85%)<br \/>\ne ansiedade (5-36,1%) nesta popula\u00e7\u00e3o. [15]<br \/>\nFundamentalmente, a evid\u00eancia demonstra que estes quadros melhoram com cuidados afirmativos:<br \/>\n\u25cf Redu\u00e7\u00e3o da taxa de pensamentos e comportamentos autolesivos: os jovens que<br \/>\nreceberam bloqueadores ou hormonas tiveram 60% menos probabilidades de depress\u00e3o grave e<br \/>\n73% menos probabilidades de autoles\u00e3o ou pensamentos suicidas [8]<br \/>\n\u25cf Satisfa\u00e7\u00e3o de Vida: Estudos prospetivos mostram que tratamento hormonal de<br \/>\nafirma\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero aumenta o afeto positivo e a satisfa\u00e7\u00e3o geral, diminuindo a ansiedade.[7]<br \/>\nPortanto, a proposta inverte a l\u00f3gica cl\u00ednica ao usar o sofrimento mental causado pela disforia de<br \/>\ng\u00e9nero como motivo para negar cuidados. Restringir o acesso a tratamentos agrava a patologia que<br \/>\nse diz querer evitar, o que torna a lei um fator de risco para a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>V. Persist\u00eancia e a distin\u00e7\u00e3o cr\u00edtica entre crian\u00e7as e adolescentes<\/strong><br \/>\nA proposta refere uma taxa de persist\u00eancia de incongru\u00eancia e disforia de 36,4% ap\u00f3s 5 anos, mas<br \/>\nomite deliberadamente que este dado se refere a crian\u00e7as pr\u00e9-p\u00faberes. O consenso cl\u00ednico<br \/>\nreconhece que:<br \/>\n\u25cf A persist\u00eancia \u00e9 consideravelmente superior em jovens que iniciaram a puberdade e<br \/>\nfizeram transi\u00e7\u00e3o social, comparativamente a outras popula\u00e7\u00f5es mais jovens. [17]<br \/>\n\u25cf &#8220;A persist\u00eancia da disforia apenas pode ser avaliada de forma confi\u00e1vel ap\u00f3s os<br \/>\nprimeiros sinais de puberdade&#8221;. [4]<br \/>\n\u25cf Quando a disforia \u00e9 exacerbada pela puberdade, raramente existe regress\u00e3o. [18]<br \/>\n\u00c9 metodologicamente inv\u00e1lido usar dados de crian\u00e7as pequenas como argumento para impedir o<br \/>\ntratamento de adolescentes. Esta generaliza\u00e7\u00e3o grosseira ignora a realidade biol\u00f3gica da<br \/>\npuberdade e visa retirar cuidados cr\u00edticos a quem deles mais necessita.<\/p>\n<p><strong>VI. Bloqueadores pubert\u00e1rios e a evid\u00eancia atual<\/strong><br \/>\nOs bloqueadores pubert\u00e1rios permitem oferecer tempo adicional para o desenvolvimento e<br \/>\nexplora\u00e7\u00e3o da identidade antes de mudan\u00e7as irrevers\u00edveis, ao mesmo tempo que melhoram o<br \/>\nfuncionamento global e diminuem a idea\u00e7\u00e3o suicida.[19-22] Embora existam riscos (como a densidade<br \/>\nmineral \u00f3ssea), estes s\u00e3o monitorizados e verificaram-se totalmente ou parcialmente revers\u00edveis<br \/>\nconsoante as popula\u00e7\u00f5es estudadas.[20-21]<br \/>\nProibir bloqueadores \u00e9 uma intromiss\u00e3o pol\u00edtica na pr\u00e1tica m\u00e9dica. A quest\u00e3o \u00e9tica n\u00e3o \u00e9 a<br \/>\nproibi\u00e7\u00e3o absoluta, mas a garantia de uma avalia\u00e7\u00e3o multidisciplinar rigorosa, como j\u00e1 defendem as<br \/>\nguidelines da Endocrine Society e da WPATH.[4, 6]<\/p>\n<p><strong>VII. Arrependimento e destransi\u00e7\u00e3o: preval\u00eancia real<\/strong><br \/>\nA proposta baseia-se em amostras de conveni\u00eancia de 100 pessoas, mas a evid\u00eancia sistem\u00e1tica<br \/>\nde 2024 e 2025 mostra que:<br \/>\n\u25cf As taxas de descontinua\u00e7\u00e3o de hormonas variam entre 1,6% e 9,8%.[23]<br \/>\n\u25cf Apenas 4% dos jovens reportam arrependimento ap\u00f3s cuidados m\u00e9dicos.[24]<br \/>\n\u25cf As raz\u00f5es para destransi\u00e7\u00e3o s\u00e3o variadas, incluindo falta de apoio social e financeiro, e<br \/>\nmuitos mant\u00eam identidades n\u00e3o-bin\u00e1rias.[25-26]<br \/>\nLegislar com base na exce\u00e7\u00e3o para punir a maioria (96% de satisfa\u00e7\u00e3o) \u00e9 uma resposta<br \/>\ndesproporcional e inadequada. As raras taxas de arrependimento e destransi\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem<br \/>\njustificar a nega\u00e7\u00e3o de cuidados a quem deles beneficia.<\/p>\n<p><strong>VIII. Barreiras legais: evid\u00eancia robusta de dano<\/strong><br \/>\nO reconhecimento legal est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 sa\u00fade mental. Uma meta-an\u00e1lise de 2025<br \/>\ndemonstra que o reconhecimento jur\u00eddico (atrav\u00e9s do nome social pretendido e do g\u00e9nero com que<br \/>\na pessoa se identifica) est\u00e1 associado a:[27]<br \/>\n\u25cf Menor idea\u00e7\u00e3o suicida (OR=0,75) e menor distress psicol\u00f3gico (OR=0,53).<br \/>\n\u25cf Documenta\u00e7\u00e3o concordante com o g\u00e9nero reduz a taxa de plano suicida (0,75).[28]<br \/>\nInversamente, legisla\u00e7\u00f5es anti-trans aumentam sintomas de ansiedade e stress p\u00f3s-traum\u00e1tico,<br \/>\nelevando as pesquisas online por termos relacionados com depress\u00e3o e suic\u00eddio.[16, 29-30]<\/p>\n<p><strong>IX. Conclus\u00e3o &#8211; proposta de lei sem evid\u00eancia cient\u00edfica sustentada<\/strong><br \/>\nA SPSC conclui que o Projeto de Lei n.\u00ba 391\/XVII\/1.\u00aa carece de qualquer fundamento emp\u00edrico<br \/>\ns\u00f3lido. A proposta:<br \/>\n1. Ignora o consenso internacional sobre a base biol\u00f3gica da identidade de g\u00e9nero.<br \/>\n2. Descontextualiza dados sobre comorbilidades e persist\u00eancia de disforia de g\u00e9nero para<br \/>\nvalidar preconceitos.<br \/>\n3. Despreza a evid\u00eancia de que barreiras legais e restri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas agravam o risco de<br \/>\nsuic\u00eddio.<br \/>\nQualquer medida que limite o reconhecimento jur\u00eddico ou os cuidados afirmativos baseia-se numa<br \/>\nnega\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Do ponto de vista t\u00e9cnico-cient\u00edfico, esta proposta \u00e9 um retrocesso cl\u00ednico<br \/>\nperigoso que ter\u00e1 um custo humano incalcul\u00e1vel na sa\u00fade mental de uma popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 vulner\u00e1vel<br \/>\ne sujeita ao estigma social. Cabe ao Estado garantir que a lei n\u00e3o espelha agendas pol\u00edticas e<br \/>\nideol\u00f3gicas discriminat\u00f3rias, assentes em preconceito, e assegurar que os direitos de todas as<br \/>\npessoas s\u00e3o consagrados e preservados no tempo.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12px;\"><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">1. American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed., text rev.).<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">https:\/\/doi.org\/10.1176\/appi.books.9780890425756<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">2. Robles, R., Fres\u00e1n, A., Vega-Ram\u00edrez, H., Saracco-\u00c1lvarez, R., Real\u2011T. C., Reed, G. M., et al. (2016). Removing transgender<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">identity from the classification of mental disorders: A Mexican field study for ICD\u201111. The Lancet Psychiatry, 3(9),<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">850\u2013860.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">3. Winter, S., Diamond, M., Green, J., Karush, D., Reed, G. M., Whittle, S., &amp; Wylie, K. (2016). Transgender people: Health at<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">the margins of society. The Lancet, 388(10042), 390\u2013400.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">4. Hembree, W. C., Cohen\u2011Kettenis, P. T., Gooren, L., Hannema, S. E., Meyer, W. J., Murad, M. H., et al. (2017). Endocrine<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">treatment of gender\u2011dysphoric\/gender\u2011incongruent persons: An Endocrine Society clinical practice guideline. The Journal<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism, 102(11), 3869\u20133903.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">5. Safer, J. D., &amp; Tangpricha, V. (2019). Care of transgender persons. The New England Journal of Medicine, 381(25),<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">2451\u20132460.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">6. Dakkak, M., Kriegel, D. L. II, &amp; Tauches, K. (2023). Caring for transgender and gender\u2011diverse people: Guidelines from<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">WPATH. American Family Physician, 107(3), 263\u2013272.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">7. Chen, D., Berona, J., Chan, Y. M., Ehrensaft, D., Garofalo, R., Hidalgo, M. A., et al. (2023). Psychosocial functioning in<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">transgender youth after 2 years of hormones. The New England Journal of Medicine, 388(3), 240\u2013250.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">8. Tordoff, D. M., Wanta, J. W., Collin, A., Stepney, C., Inwards\u2011Breland, D. J., &amp; Ahrens, K. (2022). Mental health outcomes in<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">transgender and nonbinary youths receiving gender\u2011affirming care. JAMA Network Open, 5(2), e220978.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">9. Brugger, P., Christen, M., Jellestad, L., &amp; H\u00e4nggi, J. (2016). Limb amputation and other disability desires as a medical<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">condition. The Lancet Psychiatry, 3(11), 1010\u20131011.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">10. Blom, R. M., Hennekam, R. C., &amp; Denys, D. (2012). Body integrity identity disorder. PLoS ONE, 7(4), e34702.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">11. Giummarra, M. J., Bradshaw, J. L., Nicholls, M. E., Hilti, L. M., &amp; Brugger, P. (2011). Body integrity identity disorder:<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">Deranged body processing, right fronto\u2011parietal dysfunction, and phenomenological experience of body incongruity.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">Neuropsychology Review, 21(4), 320\u2013333.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">12. Nunes\u2011Moreno, M., Buchanan, C., Cole, F. S., Diaz\u2011Stransky, A., Gieseke, S., Gorski, S., et al. (2022). Behavioral health<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">diagnoses in youth with gender dysphoria compared with controls: A PEDSnet study. The Journal of Pediatrics, 241,<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">147\u2013153.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">13. de Freitas, L. D., L\u00e9da\u2011R\u00eago, G., Bezerra\u2011Filho, S., &amp; Miranda\u2011Scippa, \u00c2. (2020). Psychiatric disorders in individuals<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">diagnosed with gender dysphoria: A systematic review. Psychiatry and Clinical Neurosciences, 74(2), 99\u2013104.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">14. Mueller, S. C., De Cuypere, G., &amp; T&#8217;Sjoen, G. (2017). Transgender research in the 21st century: A selective critical review<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">from a neurocognitive perspective. The American Journal of Psychiatry, 174(12), 1155\u20131162.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">15. Hainey, K. J., Connolly, D. J., Thomson, R., et al. (2025). Mental health outcomes in transgender and nonbinary people.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">JAMA Psychiatry. Advance online publication.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">16. Restar, A., Layland, E. K., Hughes, L., et al. (2024). Antitrans policy environment and depression and anxiety symptoms in<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">transgender and nonbinary adults. JAMA Network Open, 7(5), e249454.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">17. Wagner, S., Panagiotakopoulos, L., Nash, R., et al. (2021). Progression of gender dysphoria in children and adolescents:<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">A longitudinal study. Pediatrics, 148(2), e20200130.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">18. Mahfouda, S., Moore, J. K., Siafarikas, A., Zepf, F. D., &amp; Lin, A. (2017). Puberty suppression in transgender children and<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">adolescents. The Lancet Diabetes &amp; Endocrinology, 5(10), 816\u2013826.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">19. Tornese, G., Di Mase, R., Munarin, J., et al. (2025). Use of gonadotropin\u2011releasing hormone agonists in transgender and<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">gender diverse youth: A systematic review. Frontiers in Endocrinology. Advance online publication.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">20. Betsi, G., Goulia, P., Sandhu, S., &amp; Xekouki, P. (2023). Puberty suppression in adolescents with gender dysphoria: An<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">emerging issue with multiple implications. Frontiers in Endocrinology, 14, 1162450.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">21. Nos, A. L., Klein, D. A., Adirim, T. A., et al. (2022). Association of gonadotropin\u2011releasing hormone analogue use with<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">subsequent use of gender\u2011affirming hormones among transgender adolescents. JAMA Network Open, 5(11), e2239758.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">22. Turban, J. L., Thornton, J., &amp; Ehrensaft, D. (2025). Biopsychosocial assessments for pubertal suppression to treat<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">adolescent gender dysphoria. Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry. Advance online<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">publication.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">23. Feigerlova, E. (2025). Prevalence of detransition in persons seeking gender\u2011affirming hormonal treatments: A systematic<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">review. The Journal of Sexual Medicine. Advance online publication.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">24. Olson, K. R., Raber, G. F., &amp; Gallagher, N. M. (2024). Levels of satisfaction and regret with gender\u2011affirming medical care<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">in adolescence. JAMA Pediatrics. Advance online publication.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">25. MacKinnon, K. R., Gould, W. A., Enxuga, G., et al. (2022). Exploring the gender care experiences and perspectives of<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">individuals who discontinued their transition or detransitioned in Canada. PLoS ONE, 17(6), e0269397.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">26. MacKinnon, K. R., Kia, H., Salway, T., et al. (2022). Health care experiences of patients discontinuing or reversing prior<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">gender\u2011affirming treatments. JAMA Network Open, 5(7), e2219460.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">27. Scheim, A. I., Restar, A. J., Zubizarreta, D., et al. (2025). Legal gender recognition and the health of transgender and<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">gender diverse people: A systematic review and meta\u2011analysis. Social Science &amp; Medicine. Advance online publication.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">28. Scheim, A. I., Perez\u2011Brumer, A. G., &amp; Bauer, G. R. (2020). Gender\u2011concordant identity documents and mental health<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">among transgender adults in the USA: A cross\u2011sectional study. The Lancet Public Health, 5(4), e196\u2013e203.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">29. Last, B. S., Tran, N. K., Lubensky, M. E., et al. (2025). U.S. state policies and mental health symptoms among sexual and<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">gender minority adults. JAMA Network Open. Advance online publication.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">30. Cunningham, G. B., Watanabe, N. M., &amp; Buzuvis, E. (2021). Anti\u2011transgender rights legislation and internet searches<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 12px;\">pertaining to depression and suicide. PLoS ONE, 16(1), e0244463.<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text css=&#8221;&#8221; css_params=&#8221;&#8221;]PARECER T\u00c9CNICO-CIENT\u00cdFICO DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE SEXOLOGIA CL\u00cdNICA, sobre o Projeto de Lei n.\u00ba 391\/XVII\/1.\u00aa, proposto pelo partido Chega Contributo de profissionais das \u00e1reas cl\u00ednicas da Medicina (Medicina Geral e Familiar, Psiquiatria e Psiquiatria da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia) e Psicologia com compet\u00eancia em Sexologia reconhecida pelas respetivas ordens profissionais e membros da Sociedade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-11082","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/11082","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11082"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/11082\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11086,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/11082\/revisions\/11086"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}