{"id":10546,"date":"2023-10-27T22:31:44","date_gmt":"2023-10-27T22:31:44","guid":{"rendered":"https:\/\/spsc.pt\/?p=10546"},"modified":"2025-11-22T13:17:01","modified_gmt":"2025-11-22T13:17:01","slug":"comportamento-sexual-compulsivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2023\/10\/27\/comportamento-sexual-compulsivo\/","title":{"rendered":"Comportamento Sexual Compulsivo"},"content":{"rendered":"<section class=\"toggle active\">De acordo com a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID-11), da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, a perturba\u00e7\u00e3o do comportamento sexual compulsivo (PCSC), inserida nos transtornos de controlo de impulsos, \u00e9 caraterizada por uma incapacidade persistente em controlar os impulsos sexuais intensos e repetitivos, resultando em comportamentos sexuais recorrentes, com uma dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 6 meses. Estas atividades sexuais frequentes podem levar \u00e0 neglig\u00eancia de outros aspetos da vida, podendo ocorrer numerosos esfor\u00e7os fracassados para reduzir estes sintomas. Este padr\u00e3o deve provocar ang\u00fastia acentuada ou uma deteriora\u00e7\u00e3o significativa na esfera pessoal, familiar, social, educacional, ocupacional, ou outras esferas importantes do bom funcionamento individual. Sublinha-se que, caso o sofrimento seja inteiramente relacionado com julgamentos morais ou desaprova\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para que o indiv\u00edduo seja diagnosticado com a perturba\u00e7\u00e3o. A sintomatologia n\u00e3o deve ser causada por outra condi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, pelo efeito de um f\u00e1rmaco ou pelo consumo de subst\u00e2ncias psicoativas(Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, 2018). Estes comportamentos podem incluir masturba\u00e7\u00e3o, m\u00faltiplos parceiros\/as sexuais, uso persistente de pornografia, pr\u00e1tica de sexo inseguro, cibersexo e encontros com profissionais do sexo de forma compulsiva. A defini\u00e7\u00e3o desta perturba\u00e7\u00e3o e da sua natureza n\u00e3o tem sido consensual. S\u00e3o v\u00e1rios os termos utilizados para a descrever, tais como hipersexualidade, desejo sexual excessivo ou adi\u00e7\u00e3o sexual. Alguma literatura tem-se referido a este transtorno como uma perturba\u00e7\u00e3o obsessiva compulsiva, considerando a exist\u00eancia de pensamentos intrusivos que levam a compuls\u00f5es, neste caso comportamentos sexuais repetitivos, com o objetivo de dissipar o malestar gerado pelas obsess\u00f5es. Tem sido tamb\u00e9m amplamente disseminada a ideia de que esta ser\u00e1 uma perturba\u00e7\u00e3o aditiva, caraterizada pela escalada de comportamentos, sintomas de craving e de abstin\u00eancia, bem como disfuncionalidade na gest\u00e3o do tempo e atividades quotidianas, com dificuldade em reduzir ou parar as atividades sexuais. A evid\u00eancia cient\u00edfica recente n\u00e3o sustenta a exist\u00eancia de \u201cadi\u00e7\u00e3o sexual\u201d, diagn\u00f3stico que foi rejeitado pela OMS e pela DSM-5. Muitas das pessoas que procuram apoio psicoterap\u00eautico n\u00e3o cumprem os crit\u00e9rios de diagn\u00f3stico proposto pela CID-11, sendo que o seu sofrimento deve continuar a merecer aten\u00e7\u00e3o. Frequentemente, procuram este apoio devido ao mal-estar psicol\u00f3gico que apresentam, e que poder\u00e1 manifestar-se de diversas formas, como, por exemplo, atrav\u00e9s de sintomatologia depressiva e\/ou ansiosa ou consumo de subst\u00e2ncias. As queixas apresentadas dever\u00e3o ser formuladas como sintomas que refletem problem\u00e1ticas subjacentes, para as quais existem modelos de interven\u00e7\u00e3o psicoterap\u00eautica e psicossexual, devendo evitar-se a patologiza\u00e7\u00e3o destes comportamentos sexuais. Numa primeira fase de avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 importante a realiza\u00e7\u00e3o de um diagn\u00f3stico diferencial, que permita distinguir entre comorbilidades e outros transtornos que tenham o comportamento sexual compulsivo como sintoma, tais como algumas perturba\u00e7\u00f5es neuropsiqui\u00e1tricas. Atualmente, existem modelos psicoterap\u00eauticos integrativos e sex-positive que poder\u00e3o nortear a pr\u00e1tica cl\u00ednica, como \u00e9 o caso do modelo de Braun-Harvey e Vigorito (2016) ou do modelo das tr\u00eas fases de Silva Neves (2021). Os modelos de interven\u00e7\u00e3o baseados no conceito de adi\u00e7\u00e3o sexual s\u00e3o tendencialmente problem\u00e1ticos, uma vez que encorajam o evitamento sistem\u00e1tico de est\u00edmulos sexuais como forma de atenuar os comportamentos sexuais, levando \u00e0 repress\u00e3o de aspetos saud\u00e1veis e fundamentais da sexualidade humana. O conhecimento sobre o Modelo de Controlo Dual (Bancroft &amp; Janssen, 2009) poder\u00e1 ajudar numa fase de psicoeduca\u00e7\u00e3o. Embora de forma muito simplificada, enquadrar as dificuldades apresentadas como resultantes do equil\u00edbrio de mecanismos neurofisiol\u00f3gicos de excita\u00e7\u00e3o e de inibi\u00e7\u00e3o sexual, poder\u00e1 ajudar a uma maior compreens\u00e3o por parte do\/a cliente. A este prop\u00f3sito, far\u00e1 sentido consultar as Escalas de Inibi\u00e7\u00e3o Sexual e Excita\u00e7\u00e3o Sexual, validadas para a popula\u00e7\u00e3o portuguesa (Quinta Gomes et al. 2018). Ainda no que diz respeito \u00e0 interven\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 ser necess\u00e1rio a articula\u00e7\u00e3o entre v\u00e1rias especialidades m\u00e9dicas, e o recurso a diversas abordagens psicoterap\u00eauticas, nomeadamente terapia individual e terapia de casal ou familiar, dado o impacto negativo que esta perturba\u00e7\u00e3o tem nos relacionamentos interpessoais.<\/p>\n<div class=\"toggle-content\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Abaixo deixamos alguns documentos de acesso aberto, que poder\u00e3o ser \u00fateis:<\/p>\n<p>ICD-11 for Mortality and Morbidity Statistics (who.int)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/icd.who.int\/browse11\/l-m\/en#\/http:\/\/id.who.int\/icd\/entity\/1630268048\">ICD-11 for Mortality and Morbidity Statistics (who.int)<\/a><\/p>\n<p>AASECT Position on Sex Addiction | AASECT:: American Association of Sexuality Educators, Counselors and Therapists<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.aasect.org\/position-sex-addiction\">AASECT Position on Sex Addiction | AASECT:: American Association of Sexuality Educators, Counselors and Therapists<\/a><\/p>\n<p>B\u0151the, B., Ko\u00f3s, M., Nagy, L., Kraus, S. W., Demetrovics, Z., Potenza, M. N., \u2026Vaillancourt-Morel, M-P. (submitted). Compulsive sexual behavior disorder in 43 countries: Insights from the International Sex Survey and introduction of standardized assessment tools.\u00a0<em>Lancet<\/em><em>\u00a0Psychiatry.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/osf.io\/4yfrz\/?view_only=bd924feb5d8b4829a3058f4e81a726ea\">https:\/\/osf.io\/4yfrz\/?view_only=bd924feb5d8b4829a3058f4e81a726ea<\/a><\/p>\n<p>Hypersexuality and High Sexual Desire: Exploring the Structure of Problematic Sexuality | The Journal of Sexual Medicine | Oxford Academic (oup.com)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/jsm\/article-abstract\/12\/6\/1356\/6980096?redirectedFrom=fulltext&amp;login=false\">Hypersexuality and High Sexual Desire: Exploring the Structure of Problematic Sexuality | The Journal of Sexual Medicine | Oxford Academic (oup.com)<\/a><\/p>\n<p>Prause et al. (2017). Data do not support sex as addictive. The Lancet. Correspondence, 4 [Available Online]: <a href=\"http:\/\/www.thelancet.com\/psychiatry\">www.thelancet.com\/psychiatry<\/a><\/p>\n<p>Quinta Gomes, A.L., Janssen, E., Santos-Iglesias, P., Pinto-Gouveia, J., Fonseca, L.M., &amp; Nobre, P.J. (2018) Validation of the Sexual Inhibition and Sexual Excitation Scales (SIS\/SES) in Portugal: Assessing Gender Differences and Predictors of Sexual Functioning, Archives of Sexual Behaviour, 47, 1721-1732. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10508-017-1137-8\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s10508-017-1137-8<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bibliografia utilizada de acesso restrito <\/strong><\/p>\n<p>Bancroft, J., Graham, C. A., Janssen, E., &amp; Sanders, S. A. (2009). The dual control model: Current status and future directions. Journal of sex research, 46(2-3), 121-142. Braun-Harvey, D. and<\/p>\n<p>Vigorito, A.M. (2016). Treating out of control sexual behavior: rethinking sex addiction. New York: Springer Publishing Company.<\/p>\n<p>Neves, S. (2021). Compulsive Sexual Behaviours: A Psycho-Sexual Treatment Guide for Clinicians. New York, NY, Abingdon, Oxon: Routledge, Taylor &amp; Francis<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as (CID-11), da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, a perturba\u00e7\u00e3o do comportamento sexual compulsivo (PCSC), inserida nos transtornos de controlo de impulsos, \u00e9 caraterizada por uma incapacidade persistente em controlar os impulsos sexuais intensos e repetitivos, resultando em comportamentos sexuais recorrentes, com uma dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10547,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[837,838],"tags":[845,754,844],"class_list":["post-10546","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boas-praticas","category-desejo-prazer-e-satisfacao-sexual-resposta-sexual","tag-boas-praticas","tag-desejo","tag-prazer-e-satisfacao-sexual-resposta-sexual"],"featured_image_src":{"landsacpe":["https:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/como_parar_de_pensar_em_sexo_263_orig-724x445.jpg",724,445,true],"list":["https:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/como_parar_de_pensar_em_sexo_263_orig-463x348.jpg",463,348,true],"medium":["https:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/como_parar_de_pensar_em_sexo_263_orig-300x200.jpg",300,200,true],"full":["https:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/como_parar_de_pensar_em_sexo_263_orig.jpg",724,483,false]},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10546"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10546\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10549,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10546\/revisions\/10549"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10547"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}