{"id":11029,"date":"2025-11-10T18:14:33","date_gmt":"2025-11-10T18:14:33","guid":{"rendered":"https:\/\/spsc.pt\/?p=11029"},"modified":"2025-11-21T10:51:18","modified_gmt":"2025-11-21T10:51:18","slug":"dor-pelvica-cronica-uma-condicao-ainda-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2025\/11\/10\/dor-pelvica-cronica-uma-condicao-ainda-invisivel\/","title":{"rendered":"Dor P\u00e9lvica Cr\u00f3nica: uma condi\u00e7\u00e3o ainda invis\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pexels-pixabay-236151-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-11037\" src=\"https:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pexels-pixabay-236151-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a>A dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que afeta milh\u00f5es de mulheres por todo o mundo, atualmente. Sabia que, uma em cada quatro mulheres, sofre com este tipo de dor? Ainda assim, apesar da sua preval\u00eancia alta e do peso que isto representa a n\u00edvel individual e coletivo, esta condi\u00e7\u00e3o permanece pouco estudada, pouco reconhecida na comunidade m\u00e9dica e na popula\u00e7\u00e3o geral, subfinanciada em termos de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, deixando-a numa esp\u00e9cie de nuvem de invisibilidade.<\/p>\n<p>Define-se como uma dor persistente percebida nas estruturas da p\u00e9lvis e est\u00e1 frequentemente associada a consequ\u00eancias negativas a n\u00edvel cognitivo, comportamental, sexual e emocional. Ou seja, este tipo de condi\u00e7\u00e3o traz consequ\u00eancias negativas em v\u00e1rias dimens\u00f5es da vida da pessoa com dor. Esta pode, ainda, traduzir-se em disfun\u00e7\u00f5es com sintomas urin\u00e1rios, sexuais, intestinais, do pavimento p\u00e9lvico ou ginecol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Afetando uma grande fatia da popula\u00e7\u00e3o feminina mundial, estamos perante uma epidemia invis\u00edvel e silenciosa. Silenciosa, porque ainda existem in\u00fameras barreiras, tanto da parte da pr\u00f3pria pessoa com dor, como dos profissionais ou sistema de sa\u00fade no seu reconhecimento, diagn\u00f3stico, tratamento adequado e interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Deste modo, \u00e9 importante reconhecermos as barreiras existentes, para que as possamos ultrapassar. Muitas vezes, esta invisibilidade acaba por ser perpetuada devido a quest\u00f5es como:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Cren\u00e7as culturais e estigma social:\u00a0<\/strong>a normaliza\u00e7\u00e3o da dor ou desconforto \u00e9 ainda comum e isto pode levar \u00e0 minimiza\u00e7\u00e3o ou desvaloriza\u00e7\u00e3o deste tipo de dor. A cren\u00e7a de que \u201cter dor \u00e9 normal\u201d ou \u201cnatural\u201d (quer sexual, quer p\u00e9lvica), pode levar a que se perpetuem ciclos de dor e at\u00e9 agravamento da intensidade e\/ou sintomas da dor ao longo do tempo, assim como a uma aus\u00eancia de pedido de ajuda, baseados nesta falsa cren\u00e7a.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Emo\u00e7\u00f5es negativas em torno da sa\u00fade sexual e reprodutiva:\u00a0<\/strong>a vergonha, o desconforto ou constrangimento em falar sobre temas ligados \u00e0 sexualidade (como a dor sexual ou os sintomas genitais), pode ser um bloqueio no pedido de ajuda. Existe ainda algum tabu e vergonha ligados aos temas do sexo, da sexualidade, dos genitais como \u201cheran\u00e7a cultural\u201d e hist\u00f3rica. Tamb\u00e9m o medo do julgamento pode estar por detr\u00e1s de um pedido de ajuda por parte da pessoa com dor.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Limita\u00e7\u00f5es dos profissionais de sa\u00fade:\u00a0<\/strong>a falta de forma\u00e7\u00e3o dirigida e adequada, o desconhecimento sobre os quadros de dor e\/ou os preconceitos e estigma sobre os temas da sexualidade, podem levar a atrasos no diagn\u00f3stico de dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica ou, at\u00e9 mesmo, conduzir a tratamentos inadequados e\/ou pr\u00e1ticas desnecess\u00e1rias ou prejudiciais.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os estudos mostram, ainda, que apenas cerca de 40% das mulheres com dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica pede ajuda m\u00e9dica e, desta percentagem, muitas nunca s\u00e3o referenciadas para um especialista. Acresce que cerca de 50% n\u00e3o recebe terapia adequada para a condi\u00e7\u00e3o de dor. Ao refletirmos sobre este tema, facilmente percebemos que a balan\u00e7a fica desequilibrada quando mais de metade das pessoas com dor p\u00e9lvica n\u00e3o pede ajuda e, por consequ\u00eancia, n\u00e3o est\u00e1 a receber o tratamento e interven\u00e7\u00e3o adequados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como podemos mudar este paradigma?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Criar consci\u00eancia para abordagens centradas na pessoa com dor, por forma a promover redes de apoio consistentes e fidedignas;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Informar e empoderar pessoas com dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica para que expressem as suas dificuldades e as suas experi\u00eancias de dor junto de profissionais de sa\u00fade;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Validar a dor, o sofrimento, os sintomas negativos e as consequ\u00eancias da viv\u00eancia de dor nas v\u00e1rias esferas da vida da pessoa (que dela sofre);<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Incentivar a participa\u00e7\u00e3o das pessoas com dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica em investiga\u00e7\u00e3o sobre o tema;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Promover a abertura por parte da comunidade m\u00e9dica e t\u00e9cnica aos testemunhos e partilhas das viv\u00eancias de dor por forma a desenvolver ferramentas de diagn\u00f3stico inovadoras, tratamentos mais eficazes e pol\u00edticas mais adequadas na melhoria dos cuidados na dor p\u00e9lvica;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Priorizar o tratamento transdisciplinar na pessoa com dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica, com abordagens multifacetadas e complementares, em \u00e1reas como a ginecologia, a fisioterapia p\u00e9lvica, a sexologia cl\u00ednica, a urologia, medicina da dor, entre outras;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Promover informa\u00e7\u00e3o sobre a dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica e a literacia do corpo;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Desmistificar falsas cren\u00e7as, desinforma\u00e7\u00e3o ou mitos sobre o pavimento p\u00e9lvico, sexualidade ou interven\u00e7\u00f5es\/tratamentos;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Oferecer tratamentos psicol\u00f3gicos adequados para reduzir ou tratar a disfun\u00e7\u00e3o sexual decorrente deste tipo de dor;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Oferecer respostas de tratamento em fisioterapia p\u00e9lvica por forma a melhorar a qualidade de vida e a fun\u00e7\u00e3o sexual da pessoa com dor p\u00e9lvica;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Oferecer tratamento psicol\u00f3gico a par do tratamento f\u00edsico na preven\u00e7\u00e3o e tratamento dos quadros depressivos e\/ou ansiosos derivados deste diagn\u00f3stico, que promovam estrat\u00e9gias de\u00a0<em>coping<\/em>\u00a0\u00fateis e eficazes na redu\u00e7\u00e3o de sintomatologia negativa a n\u00edvel individual e relacional.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, n\u00e3o esquecer que pessoas com dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica desempenham um papel fundamental na mudan\u00e7a deste cen\u00e1rio invis\u00edvel. Que as pessoas com dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica n\u00e3o \u201cfiquem de fora\u201d, com vista \u00e0 melhoria desta condi\u00e7\u00e3o, procurando ajuda e falando sobre as suas viv\u00eancias. Que os profissionais de sa\u00fade \u201cqueiram saber\u201d, estudando\/procurando forma\u00e7\u00e3o especializada, perguntando, escutando atentamente e encaminhando as pessoas com estas queixas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>European Association of Urology. (2025).\u00a0<em>EAU Guidelines on Chronic Pelvic Pain: Limited Update March 2025<\/em>. European Association of Urology.\u00a0https:\/\/uroweb.org\/guidelines\/chronic-pelvic-pain<\/p>\n<p>Villegas-Echeverri, J. D., Robert, M., Carrillo, J. F., Green, I., Meinhold-Heerlein, I., Attar, R. et al. (2025). FIGO\u2013IPPS consensus statement: Addressing the global unmet needs of women with chronic pelvic pain. <em>International Journal of Gynecology &amp; Obstetrics, 169*<\/em>(3), 1140\u20131145.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>National Institute for Health and Care Excellence. (2021, June).\u00a0<em>Pelvic floor dysfunction: Prevention and non-surgical management. Draft for consultation<\/em>. National Institute for Health and Care Excellence.\u00a0https:\/\/www.nice.org.uk<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dor p\u00e9lvica cr\u00f3nica \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o que afeta milh\u00f5es de mulheres por todo o mundo, atualmente. Sabia que, uma em cada quatro mulheres, sofre com este tipo de dor? Ainda assim, apesar da sua preval\u00eancia alta e do peso que isto representa a n\u00edvel individual e coletivo, esta condi\u00e7\u00e3o permanece pouco estudada, pouco reconhecida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1097,"featured_media":11037,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[837,838,1],"tags":[],"class_list":["post-11029","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boas-praticas","category-desejo-prazer-e-satisfacao-sexual-resposta-sexual","category-variadas"],"featured_image_src":{"landsacpe":["https:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pexels-pixabay-236151-1140x445.jpg",1140,445,true],"list":["https:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pexels-pixabay-236151-463x348.jpg",463,348,true],"medium":["https:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pexels-pixabay-236151-300x200.jpg",300,200,true],"full":["https:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pexels-pixabay-236151-scaled.jpg",2560,1709,false]},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1097"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11029"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11029\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11038,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11029\/revisions\/11038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11037"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}