{"id":5329,"date":"2016-08-16T10:02:32","date_gmt":"2016-08-16T10:02:32","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=5329"},"modified":"2019-03-28T09:59:44","modified_gmt":"2019-03-28T09:59:44","slug":"a-historia-da-cultural-visual-da-medicina-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2016\/08\/16\/a-historia-da-cultural-visual-da-medicina-em-portugal\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da cultura visual da medicina em Portugal"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Ant\u00f3nio_Fernando_Cascais.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5330\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Ant\u00f3nio_Fernando_Cascais.png\" alt=\"\" width=\"290\" height=\"299\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 conversa com&#8230;<\/strong><br \/>\nFernando Cascais<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\nAgosto 2016<\/p>\n<p><strong>Entrevista<\/strong><br \/>\nIsabel Freire[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Fernando Cascais, investigador da Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e coordenador do <a href=\"http:\/\/www.cecl.com.pt\/culturavisualmedicina\/index.html\">Projeto <em>Hist\u00f3ria da Cultura Visual da Medicina em Portugal<\/em><\/a> (financiado pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e Tecnologia) \u00a0fala sobre o alcance desta\u00a0pesquisa\u00a0pioneira, que recolheu e estudou mais de dez mil imagens produzidas no contexto m\u00e9dico portugu\u00eas\u00a0entre as \u00faltimas d\u00e9cadas\u00a0do s\u00e9culo XIX e a primeiras do s\u00e9culo XX. Anatomia normal e patol\u00f3gica, viola\u00e7\u00e3o, estupro, sodomia,\u00a0hermafroditismo, intersexualidade, prostitui\u00e7\u00e3o e\u00a0\u00a0s\u00edfilis s\u00e3o os assuntos\u00a0mais visados\u00a0nos esp\u00f3lios visuais relativos ao\u00a0tema da\u00a0sexualidade.<\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica<\/strong>:\u00a0Enquanto coordenador deste projeto, que impress\u00e3o tem do interesse da medicina portuguesa pelo seu passado?<\/p>\n<p><strong>Fernando Cascais:<\/strong> O interesse \u00e9 muito escasso. \u00c9 frequentemente oportunista, pois serve prop\u00f3sitos circunstanciais do presente (por exemplo, a legitima\u00e7\u00e3o &#8220;historicizante&#8221; de qualquer facto ou pr\u00e1tica atual por interm\u00e9dio da invoca\u00e7\u00e3o de um nome c\u00e9lebre ou de um evento, ou de um avan\u00e7o cient\u00edfico passado), muito mais do que valoriza os factos hist\u00f3ricos por si mesmos. Assenta mais numa curiosidade diletante do que em projetos rigorosamente concebidos e metodologicamente refletidos. As muito raras e muito not\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es confirmam a regra.<\/p>\n<p><strong>SPSC:\u00a0O projeto Hist\u00f3ria da Cultura Visual da Medicina em Portugal teve in\u00edcio em 2008. Em que momento se encontra atualmente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> Formalmente, a pesquisa est\u00e1 encerrada; informalmente, prossegue em quest\u00f5es delimitadas. Os produtos, nomeadamente os livros, continuam a ser publicados. O pr\u00f3ximo ser\u00e1: Hospital Miguel Bombarda 1968. Fotografias de Jos\u00e9 Fontes, organiza\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Fernando Cascais e Margarida Medeiros, Documenta, 2016. Seguem-se artigos em revistas cient\u00edficas sobre a fotografia psiqui\u00e1trica no Hospital Miguel Bombarda e sobre a fotografia da microcefalia; mais tarde, um livro sobre a Hist\u00f3ria da Cultura Visual da Medicina, com m\u00faltiplos exemplos portugueses.<\/p>\n<p><strong>SPSC:\u00a0O projeto incide sobre que per\u00edodo de produ\u00e7\u00e3o de imagens m\u00e9dicas e antropom\u00e9tricas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> O projeto incide sobretudo sobre a \u00e9poca de ouro da produ\u00e7\u00e3o de imagens m\u00e9dicas, que \u00e9 a da introdu\u00e7\u00e3o da fotografia na medicina, sensivelmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX e d\u00e9cadas iniciais do s\u00e9culo XX, mas inclui imagens impressas e objetos visuais (pe\u00e7as anat\u00f3micas, ceroplastias, diafaniza\u00e7\u00f5es, etc.) de todas as \u00e9pocas.<\/p>\n<p><strong>SPSC:\u00a0Os esp\u00f3lios visuais encontrados superaram as expectativas da equipa em termos de quantidade e qualidade? Em que medida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> Superaram de longe. Temos esp\u00f3lios riqu\u00edssimos nos Museus de Medicina, nas sec\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas das Faculdades de Medicina e dos Hospitais, bem como dos Institutos de Medicina Legal e em outras bibliotecas. As cole\u00e7\u00f5es s\u00e3o, em regra, extensas, e documentam exaustivamente as \u00e1reas disciplinares a que respeitam. Infelizmente, o estado de conserva\u00e7\u00e3o dos esp\u00f3lios \u00e9 genericamente mau, devido em parte a prolongada desaten\u00e7\u00e3o e neglig\u00eancia institucional, subfinanciamento, desinteresse pela pesquisa e ignor\u00e2ncia do real valor dos esp\u00f3lios.<\/p>\n<p><strong>SPSC:\u00a0Da pesquisa j\u00e1 efetuada, que dom\u00ednios da medicina produziram maior esp\u00f3lio fotogr\u00e1fico entre o final do s\u00e9culo XIX e o s\u00e9culo XX? E como se explica esse maior interesse de representa\u00e7\u00e3o visual?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> De salientar as cole\u00e7\u00f5es de imagiologia m\u00e9dica, dermatologia, oncologia, anatomia normal e patol\u00f3gica, medicina legal e psiquiatria forense e, evidentemente, as cole\u00e7\u00f5es dos hospitais psiqui\u00e1tricos. Esse facto deve-se essencialmente \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 c\u00e2mara fotogr\u00e1fica, incomparavelmente menos dispendiosa do que a ilustra\u00e7\u00e3o impressa, o que em parte explica, por exemplo, a pen\u00faria de tratados de anatomia de origem portuguesa, com a exce\u00e7\u00e3o, j\u00e1 muito tardia na Hist\u00f3ria da Medicina, da muito rica escola anat\u00f3mica portuguesa de Henrique de Vilhena.<\/p>\n<p><strong>SPSC:\u00a0Genericamente, como foi o trabalho de recolha dos materiais visuais nos museus e arquivos? Facilitado pela organiza\u00e7\u00e3o e cataloga\u00e7\u00e3o pr\u00e9via ou procuraram muitas agulhas no palheiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> Sobretudo agulhas no palheiro. Confront\u00e1mo-nos sistematicamente com o facto de sermos os primeiros a pesquisar cole\u00e7\u00f5es e esp\u00f3lios, muitos deles simplesmente n\u00e3o musealizados e at\u00e9 mesmo esquecidos em salas fechadas. O acolhimento institucional foi, em regra, de uma abertura e amabilidade extrema, tendo nomeadamente em conta a precariedade da situa\u00e7\u00e3o em que se encontravam in\u00fameros esp\u00e9cimes e as deficientes condi\u00e7\u00f5es de trabalho de t\u00e9cnicos e bibliotec\u00e1rios sobrecarregados e dispersos por m\u00faltiplas tarefas e a s\u00f3s, sem verdadeiras equipas indispens\u00e1veis \u00e0 simples manuten\u00e7\u00e3o dos esp\u00f3lios. Mesmo assim, existem pelo menos dois grandes projetos museol\u00f3gicos nacionais de excelente qualidade abertos ao p\u00fablico e com produ\u00e7\u00e3o impressa not\u00e1vel, al\u00e9m de outros menores. Num ou noutro caso, absolutamente excecional, n\u00e3o pudemos deixar de estranhar o mais completo fechamento e recusa obstinada de acesso, por parte de um ou outro respons\u00e1vel, ao arrepio dos princ\u00edpios fundadores das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>SPSC:\u00a0\u00c9 poss\u00edvel aceder a diversas imagens no site do projeto. Este esp\u00f3lio online \u00e9 apenas uma pequena parte?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> Embora qualitativamente representativa, \u00e9 uma \u00ednfima parte de um conjunto recolhido de cerca de dez mil imagens.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><em>Temos esp\u00f3lios riqu\u00edssimos nos Museus de Medicina, nas sec\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas das Faculdades de Medicina e dos Hospitais, bem como dos Institutos de Medicina Legal e em outras bibliotecas. As cole\u00e7\u00f5es s\u00e3o, em regra, extensas, e documentam exaustivamente as \u00e1reas disciplinares a que respeitam<\/em><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5331\" aria-describedby=\"caption-attachment-5331\" style=\"width: 171px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Col\u00f3quio_Um_Olhar_Sobre_a_Hist\u00f3ria_da_Cultura_Visual_da_Medicina-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5331 size-medium\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Col\u00f3quio_Um_Olhar_Sobre_a_Hist\u00f3ria_da_Cultura_Visual_da_Medicina-1-171x300.jpg\" alt=\"Col\u00f3quio_Um_Olhar_Sobre_a_Hist\u00f3ria_da_Cultura_Visual_da_Medicina (1)\" width=\"171\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5331\" class=\"wp-caption-text\">Cartaz do col\u00f3quio realizado em 2012 no \u00e2mbito do projeto<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SPSC:\u00a0\u00a0Ao n\u00edvel da sexualidade, que dom\u00ednios da medicina geraram maior produ\u00e7\u00e3o de imagens? Que leitura faz dela?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> De longe, a Medicina Legal e a Psiquiatria Forense, sobretudo as imagens respeitantes \u00e0 viola\u00e7\u00e3o e ao estupro, bem como \u00e0 sodomia. Existem tamb\u00e9m imagens de anatomia normal e patol\u00f3gica sobre o aparelho reprodutor, tanto masculino como feminino, em \u00e1reas como a urologia e a ginecologia. De notar igualmente as imagens referentes ao hermafroditismo ou pseudo-hermafroditismo, \u00e0s hipospadias e \u00e0 intersexualidade. Na Medicina Legal, encontram-se imagens de homens homossexuais (as mulheres s\u00e3o absolutamente excecionais), designadamente recolhidas para identifica\u00e7\u00e3o policial e prisional pelo m\u00e9todo do bertillonage. A prostitui\u00e7\u00e3o suscitou imensa aten\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da ent\u00e3o denominada Higiene Social, mas a produ\u00e7\u00e3o de imagens \u00e9 escassa. Idem para a s\u00edfilis, mas sobre a qual existem esp\u00f3lios absolutamente fabulosos de ceroplastias (modelos em cera) &#8211; sobretudo o do antigo Hospital do Desterro &#8211; que representam as espetaculares les\u00f5es dos est\u00e1dios avan\u00e7ados da doen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>SPSC:\u00a0Que tipo de imag\u00e9tica encontraram em torno da homossexualidade e do transg\u00e9nero, e o que nos diz este esp\u00f3lio acerca da forma como a medicina se cruzava com as viv\u00eancias homossexuais e as interpretava?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> Na sequ\u00eancia do que j\u00e1 foi indicado na resposta anterior, a Medicina interceta a homossexualidade no cruzamento com o Direito e a Psiquiatria. Na Hist\u00f3ria da Cultura Visual da Medicina em Portugal, a homossexualidade \u00e9 exclusivamente uma patologia psiqui\u00e1trica com eventuais incid\u00eancias criminais. N\u00e3o h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es. Percebe-se que o sil\u00eancio dos saberes m\u00e9dicos portugueses acerca da homossexualidade se explica, a partir de determinada \u00e9poca, pela obsolesc\u00eancia devida \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da toler\u00e2ncia social, provavelmente mais do que a uma revis\u00e3o das conce\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas pelos m\u00e9dicos portugueses.<\/p>\n<p><strong>SPSC: A avaliar pelo site do projeto, \u201cestupro e viola\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 tamb\u00e9m um tema com significativa produ\u00e7\u00e3o de imagens. Como se interpreta esta produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> Na verdade, o grosso dessa produ\u00e7\u00e3o deve-se a Asdr\u00fabal Ant\u00f3nio de Aguiar, a um tempo diretor do Instituto de Medicina Legal de Lisboa. As raz\u00f5es prendem-se essencialmente com o elevado n\u00famero de per\u00edcias legais solicitadas desde sempre ao Instituto. Note-se, no entanto, que outras pessoas ligadas ao Instituto, como Azevedo Neves e Francisco Ferraz de Macedo, foram dos maiores colecionadores de imagens e objetos visuais da Medicina nacional.<\/p>\n<p><strong>SPSC:\u00a0H\u00e1 outros temas em torno da sexualidade que tenham merecido a aten\u00e7\u00e3o do projeto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> Essencialmente, as imagens do hermafroditismo e intersexualidade, da homossexualidade e da prostitui\u00e7\u00e3o, cuja investiga\u00e7\u00e3o continua ainda de maneira informal, mas sistematicamente, e de que dever\u00e3o sair publica\u00e7\u00f5es. A inten\u00e7\u00e3o de retomar o projeto em \u00e1reas mais especializadas mant\u00e9m-se.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5332\" aria-describedby=\"caption-attachment-5332\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Olhares_sobre_cultura_visual_medicina_ebook.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5332 size-medium\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Olhares_sobre_cultura_visual_medicina_ebook-210x300.jpg\" alt=\"Olhares_sobre_cultura_visual_medicina_ebook\" width=\"210\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-5332\" class=\"wp-caption-text\">Livro editado no \u00e2mbito do projeto.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SPSC: A norte-americana Janice Irvine defende que em certos contextos acad\u00e9micos a sexualidade \u00e9 ainda vista como um objeto de estudo \u201cmenor\u201d, como \u00abtrabalho sujo\u00bb. Esta caracteriza\u00e7\u00e3o faz algum sentido no contexto das ci\u00eancias sociais em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>FC:<\/strong> Infelizmente, faz todo o sentido. Ela adv\u00e9m de um vi\u00e9s origin\u00e1rio, que tem a ver com o facto de se identificar sexualidade com sexo e pr\u00e1ticas sexuais (a cujo respeito se acredita que a psicologia, a psiquiatria e o direito j\u00e1 disseram sempre tudo e que o que h\u00e1 para saber e dizer n\u00e3o \u00e9 mais do que o senso-comum sempre disse acerca do assunto), ignorando a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do &#8220;facto&#8221; sexualidade, a hist\u00f3ria das pr\u00e1ticas discursivas e n\u00e3o-discursivas que o constitu\u00edram historicamente, a produ\u00e7\u00e3o moderna dos seres sexuais que somos, das nossas subjetividades modernas inteiramente referidas \u00e0 categoria m\u00e9dica da sexualidade, que assim moldam as rela\u00e7\u00f5es sociais e do indiv\u00edduo consigo pr\u00f3prio, a constru\u00e7\u00e3o social bin\u00e1ria da masculinidade e da feminilidade, bem como da oposi\u00e7\u00e3o entre homossexualidade e sexualidade, etc. Consequentemente, da abordagem cient\u00edfica e acad\u00e9mica de algo como a &#8220;sexualidade&#8221; acredita-se que nada pode advir de verdadeiramente fulcral ou universalmente relevante e produtivo para quaisquer outras \u00e1reas de estudo. &#8220;Sexualidade&#8221; \u00e9 encarada como &#8220;mau objeto&#8221; e os seus pesquisadores como pessoas votadas a uma mediocridade e marginalidade insuper\u00e1veis, devidas \u00e0 natureza do pr\u00f3prio objeto, por outro lado comprometedor para uma carreira acad\u00e9mica com pretens\u00f5es de ser levada a s\u00e9rio. Mais, quando por vezes se percebe de que \u00e9 que efetivamente se trata quando se pesquisa a sexualidade, percebe-se que essa pesquisa \u00e9 de molde a p\u00f4r em causa conce\u00e7\u00f5es adquiridas e pressupostos tidos como certezas inabal\u00e1veis em que longamente assentou o prest\u00edgio cient\u00edfico de certas disciplinas, e ent\u00e3o a\u00ed a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeiramente traum\u00e1tica e defensiva.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com&#8230; Fernando Cascais Data Agosto 2016 Entrevista Isabel Freire[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Fernando Cascais, investigador da Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e coordenador do Projeto Hist\u00f3ria da Cultura Visual da Medicina em Portugal (financiado pela Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e Tecnologia) \u00a0fala sobre o alcance desta\u00a0pesquisa\u00a0pioneira, que recolheu [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[816,58],"tags":[109,105,104,71,108,106,107,110],"class_list":["post-5329","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-de-opiniao","category-divulgacao-de-estudos-em-curso","tag-cultura-visual","tag-estudos-sociais-da-sexualidade","tag-historia-da-medicina","tag-homossexualidade","tag-inter-sexo","tag-prostituicao","tag-sifilis","tag-transgenero"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5329"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5329\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9293,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5329\/revisions\/9293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}