{"id":5363,"date":"2016-08-22T14:04:49","date_gmt":"2016-08-22T14:04:49","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=5363"},"modified":"2019-03-28T10:03:27","modified_gmt":"2019-03-28T10:03:27","slug":"a-sexualidade-na-deficiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2016\/08\/22\/a-sexualidade-na-deficiencia\/","title":{"rendered":"A quest\u00e3o da sexualidade na defici\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/foto-Lui\u0301sa-Beltrao-jpg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-5365\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/foto-Lui\u0301sa-Beltrao-jpg-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>A opini\u00e3o de&#8230;<\/strong><br \/>\nLu\u00edsa Beltr\u00e3o, diretora da associa\u00e7\u00e3o Pais-em-Rede<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\nAgosto 2016[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\"><strong><span style=\"font-family: Times;\">A Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica convidou Lu\u00edsa Beltr\u00e3o, presidente da <\/span><\/strong><em><b><span style=\"font-family: Times;\">Associa\u00e7\u00e3o Pais-em-Rede<\/span><\/b><\/em><strong><span style=\"font-family: Times;\"> para abrir um ciclo de reflex\u00f5es em torno de um tema da maior import\u00e2ncia: a sexualidade e a defici\u00eancia. Conhe\u00e7a a opini\u00e3o desta especialista!<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">A sexualidade continua a ser uma pedra no sapato dos pais que querem educar os filhos o melhor poss\u00edvel. A nossa pr\u00f3pria sexualidade, na maioria dos casos, continua a n\u00e3o ser a melhor poss\u00edvel, e vamo-nos resolvendo no aqui e agora, sem levantar muitas ondas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">\u2013 <em>\u00d3 m\u00e3e, o Jo\u00e3ozinho meteu as m\u00e3os nos meus jeans e eu gostei<\/em> \u2013 a Ritinha demonstra um esp\u00edrito aberto, pouco vulgar nas crian\u00e7as europeias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">A m\u00e3e sente um soco no est\u00f4mago, o que responder \u00e0 filha de cinco anos, como falar sobre o prazer, sobre o que \u00e9 l\u00edcito ou il\u00edcito, sobre o que se tem de fazer sozinho, n\u00e3o porque \u00e9 feio mas porque \u00e9 \u00edntimo, e continuar a atender aos porqu\u00eas que as explica\u00e7\u00f5es mais ou menos atamancadas provocam na Ritinha que nesta idade ainda tem um esp\u00edrito mais ou menos limpo de preconceitos, embora j\u00e1 cheio de conte\u00fados dif\u00edceis que vai esquecendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">H\u00e1 os meninos como a Ritinha que falam com os pais naturalmente at\u00e9 serem travados. H\u00e1 os meninos que n\u00e3o falam porque t\u00eam vergonha, mas v\u00e3o falando com os amiguinhos \u00e0 socapa, com muitos risinhos c\u00famplices, interpretando as coisas proibidas ao sabor das imagens e das frases que lhes chegam. H\u00e1 ainda os meninos que n\u00e3o falam com ningu\u00e9m. Por fim, h\u00e1 os meninos que n\u00e3o podem falar com ningu\u00e9m porque n\u00e3o t\u00eam oportunidade de o fazer e sobretudo n\u00e3o t\u00eam capacidade para pensar sobre si, e cujos pais se sentem desnorteados perante este filho diferente dos outros e anteveem um futuro hipotecado a ajudas externas que n\u00e3o abundam e s\u00e3o inadequadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">Agora pensem, m\u00e3es e pais que me est\u00e3o a ler, como se sentir\u00e3o os pais destes meninos que v\u00e3o crescer e tornar-se adultos. Os problemas que se lhes apresentam desde o in\u00edcio s\u00e3o t\u00e3o graves que nem lhes passa pela cabe\u00e7a preocuparem-se com os pormenores mais delicados como, por exemplo, a sua sexualidade. Isso s\u00f3 vir\u00e1 depois, por alturas da adolesc\u00eancia. E nessa altura j\u00e1 os pais est\u00e3o virados do avesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">Quase todos os pais sentem um pequeno aperto quando o filho ou a filha come\u00e7a a evidenciar sinais como os pelos p\u00fabicos, ou quando, de repente, o rapazinho se masturbou na cama. Ter um filho crian\u00e7a \u00e9 muito mais f\u00e1cil porque se julga ter um dom\u00ednio sobre ele, a crian\u00e7a \u00e9 dependente. Os medos acodem uns atr\u00e1s dos outros, se aos onze anos a menina quer ir a uma festa de garagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">Aos onze anos? Ela furiosa, julga que eu n\u00e3o cres\u00e7o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">Ou como dizia um garoto \u00e0 m\u00e3e que o abra\u00e7ava, aproveite enquanto pode.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">Agora pensem nos pais que veem os corpos dos filhos transformarem-se. Pensem na ang\u00fastia insuport\u00e1vel que eles n\u00e3o aguentam e por isso continuam a trat\u00e1-los, os seus filhos adolescentes ou adultos, como se tivessem cinco anos. Mas a ang\u00fastia n\u00e3o os larga. E l\u00e1 por terem uma defici\u00eancia, os filhos n\u00e3o deixam de ser pessoas com direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">Se a sexualidade \u00e9 uma pedra no sapato de todos n\u00f3s, a sexualidade das pessoas com defici\u00eancia \u00e9 um problema muito dif\u00edcil e n\u00e3o devemos escamote\u00e1-lo. Talvez se procurarmos refletir sobre esse problema que nos pertence um bocadinho por sermos humanos, atrav\u00e9s dele nos apare\u00e7am novas ideias e novos caminhos para resolver os nossos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;\">A Associa\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.paisemrede.pt\"><em>Pais-em-Rede<\/em><\/a>, com n\u00facleos em quase todos os distritos, procura lutar pela inclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia e suas fam\u00edlias. Venha colaborar connosco.<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\"><\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] A opini\u00e3o de&#8230; Lu\u00edsa Beltr\u00e3o, diretora da associa\u00e7\u00e3o Pais-em-Rede Data Agosto 2016[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text] A Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica convidou Lu\u00edsa Beltr\u00e3o, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Pais-em-Rede para abrir um ciclo de reflex\u00f5es em torno de um tema da maior import\u00e2ncia: a sexualidade e a defici\u00eancia. Conhe\u00e7a a opini\u00e3o desta especialista! 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