{"id":5997,"date":"2016-10-04T12:00:29","date_gmt":"2016-10-04T12:00:29","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=5997"},"modified":"2019-03-28T09:40:41","modified_gmt":"2019-03-28T09:40:41","slug":"muitas-duvidas-dos-jovens-nao-estao-nos-livros-na-internet-ou-nas-conversas-com-os-amigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2016\/10\/04\/muitas-duvidas-dos-jovens-nao-estao-nos-livros-na-internet-ou-nas-conversas-com-os-amigos\/","title":{"rendered":"&#8220;Muitas d\u00favidas dos jovens n\u00e3o est\u00e3o nos livros, na Internet ou nas conversas com os amigos&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/anabeatocirculo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6034\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/anabeatocirculo-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 conversa com&#8230;<\/strong><br \/>\nAna Beato, coordenadora da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em terapia sexual da SPSC<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 de Outubro 2016<\/p>\n<p><strong>Entrevista<\/strong><br \/>\nIsabel Freire[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Ana Beato, psic\u00f3loga cl\u00ednica, terapeuta sexual e coordenadora da Consulta de Sexualidade Adolescente do <a href=\"http:\/\/pin.pai.pt\/\"><em>Centro de Desenvolvimento PIN &#8211; Progresso Infantil<\/em><\/a> (Pa\u00e7o de Arcos) reflete acerca das preocupa\u00e7\u00f5es de jovens e pais que passam por este atendimento.<\/p>\n<p>\u201cAdmir\u00e1vel\u201d, mas \u201cparadoxal\u201d, \u00e9 assim o mundo em que hoje vivemos, em mat\u00e9ria de informa\u00e7\u00e3o e exposi\u00e7\u00e3o sobre sexualidade, concretamente se pensarmos em adolescentes \u00e0 procura de perguntas e respostas, no mundo real e virtual, e do seu lugar no meio deles.<\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013 Gera\u00e7\u00f5es anteriores foram profundamente marcadas por uma\u00a0educa\u00e7\u00e3o sexual silenciadora e repressiva. O que marca genericamente a educa\u00e7\u00e3o sexual das crian\u00e7as\/jovens na atualidade?<\/strong><br \/>\nAna Beato <strong>\u2013<\/strong> Um paradoxo! O \u201cadmir\u00e1vel mundo novo\u201d do acesso a muita informa\u00e7\u00e3o e a conte\u00fados sexuais, por um lado, e a dificuldade em realmente educar para a sexualidade e a intimidade, por outro. O desenvolvimento tecnol\u00f3gico e a internet abriram janelas nunca antes abertas. Embora hoje tenhamos oportunidade de saber mais sobre sexualidade, \u00e9 question\u00e1vel a validade, rigor e adequa\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um contrassenso entre a quantidade de material sobre sexo acess\u00edvel e aquilo que realmente capacita e educa as crian\u00e7as\/jovens para a viv\u00eancia de uma intimidade e sexualidade adaptativa. Muitas d\u00favidas dos jovens s\u00e3o complexas. N\u00e3o est\u00e3o nos livros, na internet ou nas conversas com os amigos. Quando uma rapariga nos pergunta como convencer o namorado a usar preservativo (sem que ele se zangue), entramos na esfera dos afetos, das escolhas, da capacidade de agir com base no saber pensar, saber sentir, saber agir, saber ser.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Enquanto pais, h\u00e1 ideias essenciais em torno da sexualidade,\u00a0que devo preocupar-me em fazer chegar \u00e0 minha filha\/filho, durante\u00a0a sua inf\u00e2ncia?<\/strong><br \/>\nAB <strong>\u2013 <\/strong>Educar para a sexualidade\/intimidade n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil para a maioria dos pais. \u00c9 importante que os pais respondam de forma franca e sincera \u00e0s d\u00favidas das crian\u00e7as, sem evitamentos. As crian\u00e7as mais novas s\u00e3o habitualmente mais curiosas \u2013 pode ser um desafio para os pais, mas tamb\u00e9m um facilitador da conversa.<br \/>\nPassar mensagens que ajudem a crian\u00e7a a ter no\u00e7\u00e3o de regras e normas sociais, dos limites e do direito \u00e0 privacidade, do bom\/mau segredo, do bom\/mau toque, parecem-me aspetos cruciais. Por exemplo: n\u00e3o tocar em zonas privadas dos outros, n\u00e3o deixar que pessoas adultas brinquem com partes do corpo da crian\u00e7a e vice-versa, n\u00e3o mostrar partes privadas do corpo em p\u00fablico. Existem sites na internet que fornecem gui\u00f5es de conversa para estes temas.<br \/>\nOs pais podem tamb\u00e9m fomentar conversas sobre quest\u00f5es relacionadas com a sexualidade a partir de not\u00edcias, hist\u00f3rias passadas com pessoas amigas, tem\u00e1ticas lecionadas na escola, acontecimentos do quotidiano (por exemplo, a gata l\u00e1 de casa teve gatinhos). Acima de tudo, os pais devem transmitir que est\u00e3o interessados e dispon\u00edveis para conversar sobre sexualidade quando os filhos necessitarem.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Quando a minha filha tinha 4 anos, numa consulta m\u00e9dica de rotina a pediatra abordou espontaneamente o tema do abuso sexual: &#8220;J\u00e1 tens namorado? Ter namorado pode ser uma coisa boa, mas\u00a0aten\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as s\u00f3 podem namorar com crian\u00e7as e os adultos com\u00a0adultos&#8221;. Como v\u00ea esta iniciativa?<\/strong><br \/>\nAB <strong>\u2013<\/strong> O papel do m\u00e9dico \u00e9 tratar, cuidar e prevenir problemas de sa\u00fade, mas tamb\u00e9m promover o bem-estar e sa\u00fade (f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual) das pessoas. A pediatra provavelmente tamb\u00e9m ter\u00e1 alertado para a import\u00e2ncia de lavar os dentes, de tomar um bom pequeno-almo\u00e7o, entre outros conselhos. A melhor forma de interven\u00e7\u00e3o \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o. Se essa funcionar, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio remediar. N\u00e3o alertar ou silenciar o tema do abuso sexual infantil \u00e9 aumentar o risco de ele ocorrer. Quebrar o sil\u00eancio \u00e9 responsabilidade de todos, desde a fam\u00edlia \u00e0 comunidade em geral.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que livros sobre sexualidade recomenda para leitura conjunta, entre pais e filhos pequenos?<br \/>\nAB \u2013 <\/strong>H\u00e1 uma enorme heterogeneidade de livros. Correndo o risco de me estar esquecer de alguns, destaco, entre as edi\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas:<\/p>\n<p>&#8211; Cole\u00e7\u00e3o <em>A Minha Sexualidade,<\/em> de Jocelyne Robert;<\/p>\n<p><em>&#8211; O que \u00e9 um Homem Sexual?<\/em>, de Ilda Taborda e G\u00e9meo Lu\u00eds;<\/p>\n<p>&#8211; O Guia da <em>Vida Sexual da Malta Nova, <\/em>de\u00a0H\u00e9l\u00e8ne Bruller;<\/p>\n<p>&#8211; <em>A Viagem de Peludim, <\/em>de V\u00e2nia Beliz e Sara Rodi;<\/p>\n<p>&#8211; <em>O que me Acontece na Puberdade,<\/em> de Mariela Castro Esp\u00edn;<\/p>\n<p>&#8211; <em>Sou um Adolescente<\/em> \/ <em>Sou uma Adolescente,<\/em> de N\u00faria Roca;<\/p>\n<p>&#8211; <em>Pontos nos Is,<\/em> da Associa\u00e7\u00e3o para o Planeamento da Fam\u00edlia, organiza\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m disponibiliza uma agenda \u00fatil e did\u00e1tica dirigida a jovens (a <em>Agenda APF<\/em>).<\/p>\n<p>Cada um destes livros dirige-se a crian\u00e7as e jovens de idades distintas. Tamb\u00e9m em portugu\u00eas do Brasil existem algumas refer\u00eancias:<\/p>\n<p>&#8211; <em>Mam\u00e3e, como eu Nasci?<\/em>, de Marcos Ribeiro;<\/p>\n<p><em>&#8211; Uma Viv\u00eancia de Amor: Falando de Sexo dos 6 anos 9 anos<\/em>, Gilbert Tordjman e Claude Morand.<\/p>\n<p>No caso dos mais novos, a leitura e reflex\u00e3o conjunta com os pais ou em fam\u00edlia e amigos pode ser uma boa sugest\u00e3o. Com adolescentes, \u00e9 importante avaliar a disponibilidade e motiva\u00e7\u00e3o deles para explorar estes recursos com os outros.<\/p>\n<h3><strong><em>Acima de tudo, os pais devem transmitir que est\u00e3o interessados e dispon\u00edveis para conversar sobre sexualidade quando os filhos necessitarem.<\/em><\/strong><\/h3>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que assuntos preocupam os jovens que procuram na <\/strong><strong>Consulta de Sexualidade Adolescente do centro de desenvolvimento PIN &#8211; Progresso Infantil<\/strong><strong>?<\/strong><br \/>\nAB \u2013 A Consulta \u00e9 procurada por jovens, mas tamb\u00e9m por pais, t\u00e9cnicos e professores\/educadores. Em alguns casos, as queixas est\u00e3o associadas a comportamentos sexuais considerados impr\u00f3prios (tendo em conta a idade e o contexto da crian\u00e7a), disfuncionais ou de risco (para o pr\u00f3prio ou para os outros). Vejamos ent\u00e3o que queixas, em concreto, surgem na consulta: quest\u00f5es relativamente normativas relacionadas com a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade e intimidade em diferentes fases de vida; dificuldades dos jovens com a viv\u00eancia da sua orienta\u00e7\u00e3o sexual e escolhas sexuais; din\u00e2micas dos relacionamentos amorosos e\/ou sexuais e com a identidade de g\u00e9nero; necessidade de integra\u00e7\u00e3o e ajustamento ap\u00f3s experi\u00eancias sexuais traum\u00e1ticas ou negativas; dificuldades ou perturba\u00e7\u00f5es sexuais (mais raramente). Como a consulta se insere num centro de desenvolvimento, s\u00e3o muitas vezes encaminhados casos em que o funcionamento sexual ou afetivo pode estar comprometido por problemas de sa\u00fade ou por perturba\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas (frequentemente perturba\u00e7\u00f5es do neurodesenvolvimento).<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 E os pais que procuram ajuda no PIN?<\/strong><br \/>\nAB \u2013 Mais do que crian\u00e7as ou jovens, s\u00e3o os pais que procuram a Consulta de Sexualidade. As preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o variadas: orienta\u00e7\u00e3o sexual dos filhos (e a sua desorienta\u00e7\u00e3o enquanto cuidadores perante essa evid\u00eancia); disforia de g\u00e9nero dos filhos (e a sua necessidade que lhes garantirmos que os mi\u00fados n\u00e3o ir\u00e3o fazer nenhum disparate); comportamentos inapropriados na escola (e um pedido de ajuda para que eles se extingam); contactos sexualizados considerados desajustados estabelecidos com pessoas mais novas, da mesma idade ou mais velhas, online ou na vida real. Enfim, a lista estender-se-ia a muitas outras tem\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Recentemente, uma amiga falava-me das suas preocupa\u00e7\u00f5es centrais, quando a filha de 16 anos teve o primeiro namorado: que a jovem se fotografasse\/deixasse fotografar (nua ou situa\u00e7\u00f5es sexuais), e que essas imagens chegassem \u00e0s redes sociais. Fen\u00f3menos como o &#8220;sexting&#8221; (mensagens com fotos\/v\u00eddeos de conte\u00fado sexual), o &#8220;aftersex&#8221; (fotos tiradas ap\u00f3s as rela\u00e7\u00f5es sexuais, e expostas nas\u00a0redes sociais), o &#8220;revenge porn&#8221; (upload de fotografias\/v\u00eddeos sexuais, como vingan\u00e7a face ao fim de um relacionamento) s\u00e3o hoje preocupa\u00e7\u00f5es centrais de quem trabalha em torno das quest\u00f5es da\u00a0 sexualidade, junto de jovens?<\/strong><br \/>\nAB \u2013 Cada vez mais. Entre o que os jovens sabem que deviam fazer e o que fazem, h\u00e1 uma dist\u00e2ncia que importa compreender. A adolesc\u00eancia caracteriza-se por uma viv\u00eancia do entusiasmo no imediato, sem antecipa\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias. H\u00e1 uma minimiza\u00e7\u00e3o dos riscos \u2013 \u201ctoda a gente o faz\u201d, \u201ceu confio naquela pessoa, ela nunca seria capaz de me fazer mal\u201d, \u201cn\u00e3o estava a fazer nada de mal\u201d \u2013, que acaba por justificar o envolvimento neste tipo de trocas de dados e conversa\u00e7\u00f5es. Quase todos os adolescentes que acompanho (e que t\u00eam ou tiveram rela\u00e7\u00f5es amorosas ou \u201camigos coloridos\u201d) j\u00e1 o fizeram. Na verdade, este \u00e9 fen\u00f3meno muito dif\u00edcil de controlar. \u00c9 fundamental incentivar os jovens a pensarem sobre os riscos antes de agirem. Como ouvi algu\u00e9m dizer recentemente, ajuda fazer a pergunta: \u201cisto \u00e9 algo que a minha av\u00f3 pudesse ver?\u201d. Na eventualidade de haver partilhas indesejadas, \u00e9 necess\u00e1rio estar preparado. Com base no que tenho visto, o risco \u00e9 maior quanto mais expl\u00edcito for o conte\u00fado (por exemplo, imagens, v\u00eddeos ou conversa\u00e7\u00f5es que exponham partes privadas do corpo e atividades sexuais como a masturba\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Entre os anos 1960 e 1970, foi muito importante afirmar a\u00a0ideia de que o privado era p\u00fablico. Estamos agora em contraciclo, precisando afirmar a ideia que o \u00edntimo \u00e9 afinal privado?<\/strong><br \/>\nAB \u2013 O ser humano tem uma curiosidade natural pelo que \u00e9 privado e sabe-se que \u00e0 medida que os limites dessa privacidade se alargam, a curiosidade diminui. O acesso f\u00e1cil que temos \u00e0 nudez, enquanto ve\u00edculo para chamar a aten\u00e7\u00e3o de consumidores na publicidade, as mensagens de cariz sexual em qualquer capa de revista, os pop ups que se abrem constantemente no nosso ecr\u00e3 e que redirecionam para sites de pornografia, tornaram o sexo t\u00e3o banal como invasivo. N\u00e3o digo a partir de um ponto de vista moralista ou tradicional, de todo\u2026 simplesmente acredito que acontecem v\u00e1rios movimentos. A dessensibiliza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos est\u00edmulos sexuais, a objetifica\u00e7\u00e3o do corpo, a imagem deturpada do que \u00e9 a sexualidade a partir de filmes pornogr\u00e1ficos, a facilidade de obten\u00e7\u00e3o de gratifica\u00e7\u00e3o imediata, s\u00e3o apenas alguns exemplos de trajet\u00f3rias sociais que parecem estar a suceder atualmente. Recordo-me de ter lido h\u00e1 uns meses atr\u00e1s que um do <em>reality show <\/em>de uma televis\u00e3o privada acabou mais cedo do que previsto por falta de audi\u00eancias. O p\u00fablico queixou-se que havia exposi\u00e7\u00e3o do corpo e atividades sexuais com demasiada frequ\u00eancia e facilidade, aborrecendo e cansando quem gosta de apreciar os jogos de atra\u00e7\u00e3o habituais deste tipo de programa e que mant\u00eam o <em>suspense<\/em> dos espetadores. Talvez sim, estejamos a passar do \u201cdeixa-me espreitar\u201d para o \u201cguarda isso para ti\u201d.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 O que pensa sobre a possibilidade de pais controlarem\u00a0conte\u00fados e conversas de filhos menores em redes sociais ou\u00a0aplica\u00e7\u00f5es como o WhatsApp, o Instagram, o Snapchat, o Facebook,\u00a0 por exemplo?<\/strong><br \/>\nAB \u2013 O tema do controlo parental \u00e9 sens\u00edvel e merece bom senso na hora de agir. Permite bloquear websites e outros dados que tenham conte\u00fado inapropriado para os filhos (pornografia, viol\u00eancia, sexting, cybersex). O controlo tamb\u00e9m \u00e9 ajustado ao n\u00edvel de desenvolvimento da crian\u00e7a, sendo mais restritivo em crian\u00e7as mais novas. Por\u00e9m, o recurso a este tipo de software pode aumentar a tens\u00e3o e conflito entre pais e filhos, e os pais podem confiar tanto nele que acabam por colocar em segundo plano o seu papel ativo na educa\u00e7\u00e3o sexual dos filhos, nomeadamente em orientar a pesquisa de informa\u00e7\u00e3o adequada. Muitos pais tamb\u00e9m se queixam que os filhos descobrem formas alternativas de aceder a estes conte\u00fados (usando o telem\u00f3vel de um amigo) ou que a rapidez com que estes conte\u00fados surgem no ecr\u00e3 \u00e9 tal que o programa pode n\u00e3o conseguir ser eficaz na hora de restringir o acesso aos mesmos. S\u00f3 bloquear conte\u00fados n\u00e3o chega. Comunicar, estar dispon\u00edvel e atento \u00e9 fundamental na preven\u00e7\u00e3o de riscos a que todos estamos sujeitos no momento atual.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Quais s\u00e3o os direitos de cidadania da intimidade (ou sexualidade) que devem ser considerados na educa\u00e7\u00e3o para a\u00a0sexualidade nos nossos dias?<\/strong><br \/>\nAB \u2013 Partindo da premissa basilar de que a sexualidade \u00e9 uma parte integrante da personalidade e desenvolvimento saud\u00e1vel do ser humano, \u00e9 importante promover um ambiente favor\u00e1vel \u00e0 viv\u00eancia de uma sexualidade saud\u00e1vel, sem repress\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o, culpa, vergonha ou sil\u00eancios. Que direitos promover? O direito \u00e0 igualdade, \u00e0 liberdade e prote\u00e7\u00e3o, para que jovens n\u00e3o sejam discriminados com base nas suas manifesta\u00e7\u00f5es sexuais, g\u00e9nero ou sexualidade. O direito a que diferentes express\u00f5es tenham uma voz ativa na sociedade, sem serem oprimidas ou silenciadas. Que a sua privacidade seja respeitada sem interfer\u00eancias e exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Que haja acesso a cuidados m\u00e9dicos e psicol\u00f3gicos para a preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico e tratamento de problemas, perturba\u00e7\u00f5es, doen\u00e7as e outras quest\u00f5es relacionadas com a sexualidade. Que a sexualidade de quem n\u00e3o \u00e9 maioria seja encarada como uma componente natural do desenvolvimento humano, quer se tenha defici\u00eancia f\u00edsica, motora ou doen\u00e7a cr\u00f3nica. Que tenham direito a n\u00e3o ceder \u00e0 press\u00e3o dos outros, sem que se sintam coagidos a seguir a norma sem que isso lhes fa\u00e7a sentido. Que tenham direito a sentir desejo e prazer, mas que tamb\u00e9m possam optar por n\u00e3o o ter, caso seja essa a sua escolha.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com&#8230; Ana Beato, coordenadora da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em terapia sexual da SPSC Data 4 de Outubro 2016 Entrevista Isabel Freire[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Ana Beato, psic\u00f3loga cl\u00ednica, terapeuta sexual e coordenadora da Consulta de Sexualidade Adolescente do Centro de Desenvolvimento PIN &#8211; Progresso Infantil (Pa\u00e7o de Arcos) reflete acerca das preocupa\u00e7\u00f5es de jovens e pais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[815,56],"tags":[171,170,169],"class_list":["post-5997","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","category-saude-sexual","tag-prevencao-do-abuso-sexual","tag-sexting","tag-sexualidade-juvenil"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5997","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5997"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5997\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9288,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5997\/revisions\/9288"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}