{"id":6004,"date":"2016-10-04T08:00:29","date_gmt":"2016-10-04T08:00:29","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=6004"},"modified":"2019-03-28T09:42:10","modified_gmt":"2019-03-28T09:42:10","slug":"a-controversa-origem-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2016\/10\/04\/a-controversa-origem-do-mundo\/","title":{"rendered":"A controversa origem do mundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/patriciapascoal.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9098\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/patriciapascoal-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>A opini\u00e3o de&#8230;<\/strong><br \/>\nPatr\u00edcia Pascoal, terapeuta sexual e vice-presidente da SPSC<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 Outubro 2016<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Foto de <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/500px.com\/LailaTorres\">Laila Torres<\/a><\/strong><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/image6-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6019 alignright\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/image6-1-300x251.jpeg\" alt=\"image6\" width=\"300\" height=\"251\" \/><\/a>A pintura denominada <em>A Origem do Mundo, <\/em>da autoria do pintor Gustave Courbet, datada de 1866, continua a ser uma das poucas representa\u00e7\u00f5es amplamente difundidas da zona genital feminina. Esta obra \u00e9, desde 1995, ponto de destaque do Museu d\u2019Orsay em Paris. Curiosamente, o quadro ganhou ainda maior celebridade mundial quando a rede social <em>Facebook <\/em>o baniu por ter sido denunciada como imagem impr\u00f3pria. O que pode levar a que tantas pessoas se sintam chocadas e incomodadas com a representa\u00e7\u00e3o dos genitais femininos? Afinal o quadro apenas representa, como o t\u00edtulo sugere, a zona do corpo por onde a maioria das pessoas nasce. Contudo, apesar de cerca de metade da popula\u00e7\u00e3o ter uma vulva, uma p\u00fabis e uma vagina, o conhecimento acerca das caracter\u00edsticas anat\u00f3micas dos genitais femininos \u00e9 escasso. Esta realidade aparece de forma evidente nas consultas de terapia sexual ou psicoterapia quando se questionam mulheres e seus\/suas companheiros\/as: Sabe qual a parte da vulva e dos \u00f3rg\u00e3os genitais que, quando estimulada, causa mais prazer? Invariavelmente surge a confus\u00e3o entre vulva e vagina (convido-vos a procurar a defini\u00e7\u00e3o dos conceitos) e um conjunto de ideias que na maioria dos casos pouco ajudam \u00e0 explora\u00e7\u00e3o plena do prazer genital (por exemplo, a de que as vulvas s\u00e3o todas iguais). Esta situa\u00e7\u00e3o foi ilustrada de forma bem-disposta por um v\u00eddeo divulgado no jornal <em>The Guardian<\/em> (pode v\u00ea-lo <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/lifeandstyle\/video\/2016\/sep\/23\/vagina-dispatches-part-one-what-vulvas-look-like?CMP=Share_iOSApp_Other\">aqui<\/a>, mas aten\u00e7\u00e3o, que tem imagens e linguagem expl\u00edcita), onde se mostra o qu\u00e3o pouco se conhece acerca da anatomia genital feminina.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos todo\/as de gostar de ver vulvas, ou de nos sentir confort\u00e1veis com a exposi\u00e7\u00e3o de uma zona do corpo que para a maioria das pessoas \u00e9 do foro privado e \u00edntimo, contudo a quest\u00e3o coloca-se, entre outros, ao n\u00edvel do bem-estar sexual: o desconhecimento e tabu \u00e0 volta da imagem dos genitais femininos salvaguarda homens e mulheres de qu\u00ea? Ou ent\u00e3o: n\u00e3o estar\u00e1 o conhecimento e familiariza\u00e7\u00e3o com os genitais femininos associada a n\u00edveis altos de bem-estar sexual? Num <a href=\"http:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/abs\/10.1080\/0167482X.2016.1233172?journalCode=ipob20\">estudo muito recente<\/a>, que consistia em mostrar fotos de diferentes vulvas a mulheres jovens, foi demonstrado que este procedimento teve um impacto positivo, nomeadamente ajudando estas jovens a pensar de forma mais positiva acerca da sua pr\u00f3pria vulva. Pergunto-me se este estudo fosse desenvolvido com mulheres que t\u00eam repulsa ou nojo dos genitais femininos ou mesmo nojo e repulsa dos seus pr\u00f3prios genitais apenas, se nesses casos n\u00e3o se correria o risco de acentuar esse sentimento aversivo? Pergunto-me, ainda, de que forma podemos n\u00f3s ajudar homens e mulheres a pacificarem-se com a representa\u00e7\u00e3o dos genitais, aumentando o conhecimento, o bem-estar, e aceitando a diversidade das formas e apar\u00eancia f\u00edsica.<\/p>\n<p>Esta reflex\u00e3o acerca das imagens da vulva surge ancorada, ou atrelada, a uma outra: a da flexibiliza\u00e7\u00e3o dos costumes. A censura aplicada pelo <em>Facebook<\/em> ao quadro de Coubert complexifica a cren\u00e7a de que \u00e0 medida que o tempo passa se ultrapassam os tabus e atitudes negativas face \u00e0 sexualidade. H\u00e1 flexibiliza\u00e7\u00e3o ineg\u00e1vel de muitas atitudes e comportamentos, mas tamb\u00e9m h\u00e1 retrocessos e polariza\u00e7\u00e3o de discursos e a sexualidade e express\u00e3o da sexualidade feminina continua em muitos aspetos a causar inc\u00f3modo. De que outra forma se pode explicar que uma obra de arte de m\u00e9rito e interesse reconhecidos internacionalmente n\u00e3o sobreviva ao escrut\u00ednio moralizante da maior rede social do mundo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] A opini\u00e3o de&#8230; Patr\u00edcia Pascoal, terapeuta sexual e vice-presidente da SPSC Data 4 Outubro 2016 Foto de Laila Torres[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text] A pintura denominada A Origem do Mundo, da autoria do pintor Gustave Courbet, datada de 1866, continua a ser uma das poucas representa\u00e7\u00f5es amplamente difundidas da zona genital feminina. 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