{"id":6157,"date":"2016-11-03T18:25:42","date_gmt":"2016-11-03T18:25:42","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=6157"},"modified":"2019-03-28T09:34:17","modified_gmt":"2019-03-28T09:34:17","slug":"em-politica-que-linha-separa-a-vida-publica-da-vida-privada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2016\/11\/03\/em-politica-que-linha-separa-a-vida-publica-da-vida-privada\/","title":{"rendered":"Em pol\u00edtica, que linha separa a vida p\u00fablica da vida privada?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/patriciapascoal.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9098\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/patriciapascoal-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>A opini\u00e3o de&#8230;<\/strong><br \/>\nPatr\u00edcia Pascoal, terapeuta sexual e vice-presidente da SPSC<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 Novembro 2016<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Foto de <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/500px.com\/LailaTorres\">Laila Torres<\/a><\/strong><\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]A banda feminista russa Pussy Riot &#8211; conhecida por as mulheres que a comp\u00f5em terem sido presas na sequ\u00eancia de um concerto que fizeram numa igreja russa &#8211; lan\u00e7ou um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Bp-KeVBNz0A\">novo v\u00eddeo<\/a>. Neste clip, ao celebrar a vagina assumem uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Alegam que pode ser uma resposta \u00e0s observa\u00e7\u00f5es feitas pelo candidato \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, Donald Trump, em que este partilhava que quando conhecia uma mulher que o atraia sexualmente a agarrava na zona genital (no original: \u201dgrab her by the pussy\u201d). O v\u00eddeo da banda russa \u00e9 apenas o culminar de uma s\u00e9rie de declara\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es oriundas de diversos setores que se t\u00eam rebelado contra a misoginia do candidato americano. Curiosamente, ao referir-se \u00e0s suas afirma\u00e7\u00f5es, Trump aproveita para evocar o esc\u00e2ndalo sexual que envolveu Bill Clinton e assim hostilizar a sua opositora Hillary Clinton, argumentando que a pr\u00f3pria atacou no passado as mulheres alegadamente abusadas pelo marido. Pol\u00edtica e sexo. No seu pior.<\/p>\n<p>Esta campanha \u00e9 um bom exemplo, entre tantos outros, de como as posi\u00e7\u00f5es acerca da sa\u00fade sexual e reprodutiva, assim como a vida sexual de candidato\/a, s\u00e3o uma arma propagand\u00edstica poderosa. Como sexualidade e pol\u00edtica n\u00e3o est\u00e3o separados.<\/p>\n<p>As campanhas eleitorais anteriores nos Estados Unidos estiveram escudadas de grandes abalos nesta \u00e1rea, foram disputadas entre \u201cbons homens de fam\u00edlia\u201d. Tudo tranquilo. Menos tranquilo quando se falou de pol\u00edtica e sa\u00fade sexual e reprodutiva, e o candidato, e posteriormente presidente Barack Obama, tal como a atual candidata Hillary Clinton, se posicionou favoravelmente aos direitos sexuais e reprodutivos, o que tem repercuss\u00f5es nas pol\u00edticas de sa\u00fade, mas tamb\u00e9m na garantia de direitos, como por exemplo o do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas n\u00e3o s\u00e3o estas as tem\u00e1ticas sexuais que t\u00eam ganho maior visibilidade quer na campanha em curso quer na sua cobertura.<\/p>\n<p>A sexualidade serve para construir uma imagem do\/a pol\u00edtica e ser um dos fatores que quando jogados no espa\u00e7o medi\u00e1tico podem moldar e mudar inten\u00e7\u00f5es de voto. A este n\u00edvel, esta \u00e9 das campanhas presidenciais mais interessantes. Para j\u00e1 porque as pessoas que se candidatam s\u00e3o elas pr\u00f3prias figuras medi\u00e1ticas fora do campo pol\u00edtico: Trump por ser um multimilion\u00e1rio que chegou a ter o seu pr\u00f3prio programa de televis\u00e3o, Hillary pela visibilidade que ganhou quando o seu marido, Bill Clinton, se viu envolvido num esc\u00e2ndalo sexual, e tamb\u00e9m pelos rumores persistentes acerca da sua sexualidade que duram h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Donald Trump \u00e9 habitualmente acusado de objetificar sexualmente as mulheres, quer explicitamente em eventos p\u00fablicos, quer em alegados abusos e agress\u00f5es sexuais. O n\u00famero de personalidades pol\u00edticas oriundas do seu partido, o Republicano, que lhe retiraram o apoio publicamente, que lhe pediram que se retirasse, ou que declararam publicamente o seu apoio a Hillary Clinton, n\u00e3o para de crescer. A sua misoginia poder\u00e1 vir a ser o fator mais importante para a sua eventual derrota.<\/p>\n<p>Quando se pretende fragilizar Hillary Clinton, a sexualidade \u00e9 tamb\u00e9m a grande arma de arremesso. Ora \u00e9 a sua coniv\u00eancia, ou n\u00e3o, com as rela\u00e7\u00f5es extraconjugais do marido, ora \u00e9 a sua bissexualidade, o seu lesbianismo &#8216;armariado&#8217;, ou os seus in\u00fameros casos com outras mulheres, culminando na tese de que entre Hillary e Bill Clinton existe um pacto pol\u00edtico e um casamento de fachada, que permite que cada um usufrua das liberdades sexuais a que t\u00eam direito.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o escrut\u00ednio das qualidades morais e do car\u00e1ter do\/as representantes dos cidad\u00e3os se deve estender ao dom\u00ednio do que \u00e9 habitualmente considerado a esfera privada? O facto de um\/a pol\u00edtico\/a ter rela\u00e7\u00f5es extraconjugais, ser l\u00e9sbica ou bissexual, ter prefer\u00eancias sexuais consideradas minorit\u00e1rias, \u00e9 mat\u00e9ria relevante para a avalia\u00e7\u00e3o da sua compet\u00eancia para o cargo que se prop\u00f5e ocupar? E se houver discrep\u00e2ncia entre as posi\u00e7\u00f5es que toma politicamente e a sua pr\u00f3pria conduta? Nesse caso, a informa\u00e7\u00e3o acerca da vida privada serve para avaliar retid\u00e3o moral? Em absoluto, poderemos dizer que h\u00e1 uma separa\u00e7\u00e3o clara entre a vida p\u00fablica e a vida privada? Caso se admita que h\u00e1, esta separa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais ou menos r\u00edgida quando falamos das pessoas que v\u00e3o ocupar o cargo pol\u00edtico mais importante de uma na\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Estas quest\u00f5es s\u00f3 t\u00eam significado por ainda haver um grupo grande de pessoas que se veem privadas dos direitos sexuais e reprodutivos plenos. A defesa dos direitos sexuais e reprodutivos (e.g., o direito ao acesso ao planeamento familiar, o acesso \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez, o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, entre outros) s\u00e3o \u00e1reas onde o\/as pol\u00edticas se posicionam, mostrando uma orienta\u00e7\u00e3o mais ou menos liberal, o que lhes vai granjear mais ou menos apoiantes em fa\u00e7\u00f5es do eleitorado que s\u00e3o sens\u00edveis ao apelo emocional destas tem\u00e1ticas. E s\u00e3o \u00e1reas onde pode haver transforma\u00e7\u00e3o social efetiva. J\u00e1 relativamente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da credibilidade moral de um\/a candidata atrav\u00e9s da inspe\u00e7\u00e3o e exposi\u00e7\u00e3o da sua conduta sexual, esta s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por ainda haver constru\u00e7\u00f5es sociais r\u00edgidas acerca do que \u00e9 uma sexualidade aceit\u00e1vel: a da conjugalidade heterossexual.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] A opini\u00e3o de&#8230; Patr\u00edcia Pascoal, terapeuta sexual e vice-presidente da SPSC Data 4 Novembro 2016 Foto de Laila Torres[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]A banda feminista russa Pussy Riot &#8211; conhecida por as mulheres que a comp\u00f5em terem sido presas na sequ\u00eancia de um concerto que fizeram numa igreja russa &#8211; lan\u00e7ou um novo v\u00eddeo. 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