{"id":6159,"date":"2016-12-03T15:44:20","date_gmt":"2016-12-03T15:44:20","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=6159"},"modified":"2019-03-28T09:24:07","modified_gmt":"2019-03-28T09:24:07","slug":"o-amor-o-sexo-a-relacao-o-dialogo-e-a-negociacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2016\/12\/03\/o-amor-o-sexo-a-relacao-o-dialogo-e-a-negociacao\/","title":{"rendered":"O amor, o sexo, a rela\u00e7\u00e3o, o di\u00e1logo e a negocia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text][us_single_image image=&#8221;6274&#8243;][vc_column_text][\/vc_column_text][vc_column_text]<a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/julio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9058\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/julio-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>\u00c0 conversa com\u2026<\/strong><br \/>\nJ\u00falio Machado Vaz<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 de dezembro de 2016<\/p>\n<p><strong>Entrevista<\/strong><br \/>\nIsabel Freire[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>J\u00falio Machado Vaz &#8211; psiquiatra, sex\u00f3logo e uma voz hist\u00f3rica (televisiva, radiof\u00f3nica e editorial) na visibiliza\u00e7\u00e3o e \u2018destabuiza\u00e7\u00e3o\u2019 dos afetos e sexualidades, nas \u00faltimas d\u00e9cadas em Portugal &#8211; acredita que o medo de ficar \u201csozinho\u201d, o medo da intimidade, da entrega e do compromisso, se infiltram recorrentemente nas viv\u00eancias globalizadas da nossa \u00e9poca.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica &#8211; Existe consenso relativamente ao que deve ser incondicional no sexo (consentimento e seguran\u00e7a). E no amor? Haver\u00e1 algo de incondicional no amor entre pessoas do mesmo sexo ou sexo diferente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00falio Machado Vaz &#8211;<\/strong> Para o amor ser tranquilo s\u00f3 me ocorrem duas palavras: confian\u00e7a e di\u00e1logo.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; Por que motivo se fala t\u00e3o pouco do lado negro do amor?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> E qual \u00e9 o lado negro do amor?<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 O amor que violenta, f\u00edsica ou psicologicamente&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> Quando violentamos, h\u00e1 raiva, posse, ajuste de contas, eu sei l\u00e1! Mas o amor j\u00e1 fugiu, horrorizado e firmemente decidido a n\u00e3o servir de \u00e1libi a tais atos.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; Duas pessoas amam-se. Fazem vida juntas. Separam-se. A rela\u00e7\u00e3o transforma-se um inferno. Resta um \u00f3dio visceral. \u00c0 semelhan\u00e7a de certas doen\u00e7as o amor pode ser degenerativo? Se sim, \u00e9 poss\u00edvel apontar uma(s) \u2018c\u00e9lula(s)\u2019\/\u2019tecido(s)\u2019 que tendencialmente desperte(m) essa degenera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> Se ap\u00f3s uma separa\u00e7\u00e3o resta um \u00f3dio visceral &#8211; e duradouro&#8230; &#8211; o progn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 bom &#8211; deixaram de estar juntos, mas uma terr\u00edvel forma de depend\u00eancia se mant\u00e9m, o \u00f3dio n\u00e3o nos deixa livres para seguir em frente. Quanto ao tecido, gostamos de acreditar que \u00e9 o card\u00edaco a estar envolvido. E no entanto s\u00e3o os neur\u00f3nios que d\u00e3o <em>tilt<\/em>&#8230;<\/p>\n<h3><em>O sexo deve ter a import\u00e2ncia que cada um de n\u00f3s lhe d\u00e1, mas &#8220;a partir de dentro&#8221; e n\u00e3o pelo receio de n\u00e3o corresponder a &#8220;normalidades culturais&#8221;.<\/em><\/h3>\n<p><strong>SPSC &#8211; O fim de um relacionamento (namoro, casamento, uni\u00e3o de facto) \u00e9 ainda visto na nossa cultura (nomeadamente pelas fam\u00edlias) como um infort\u00fanio, um desaire, uma fatalidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> Ainda existem fam\u00edlias que cultivam a imagem &#8220;entre n\u00f3s ningu\u00e9m se separa&#8221;, \u00e9 verdade. Mas uma liga\u00e7\u00e3o que pressupunha um projeto de futuro acaba sempre com um travo amargo, as coisas n\u00e3o correram como desej\u00e1vamos. \u00c9 tempo de evitar fugas para a frente, fazer o luto e acolher a vida e a pessoa seguinte sem pedras no sapato.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; Quando um casal se ama&#8230; e um desses elementos morre, como pode esse amor devir?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> O amor n\u00e3o depende da presen\u00e7a f\u00edsica, ao longo de quarenta anos de cl\u00ednica ouvi algumas pessoas dizerem-me com a maior simplicidade que aquele amor n\u00e3o permitira o aparecimento de outro. Ou pode tornar-se numa grata recorda\u00e7\u00e3o que n\u00e3o impediu um novo enamoramento.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; Recentemente, num encontro sobre educa\u00e7\u00e3o sexual que teve lugar numa escola secund\u00e1ria, escutei dos adolescentes (idades entre 15 e 18 anos) duas quest\u00f5es que gostaria de lhe colocar. A primeira: \u201cMas o sexo \u00e9 t\u00e3o importante assim?\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> O sexo deve ter a import\u00e2ncia que cada um de n\u00f3s lhe d\u00e1, mas &#8220;a partir de dentro&#8221; e n\u00e3o pelo receio de n\u00e3o corresponder a &#8220;normalidades culturais&#8221;.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; A segunda quest\u00e3o colocada por estes jovens: \u201cAlgo pode afetar quando praticamos o ato sexual pela primeira vez sem sentimentos?\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> N\u00e3o necessariamente, se houve liberdade e informa\u00e7\u00e3o. Mas se nem carinho existiu, convenhamos que foi um in\u00edcio pouco prometedor da vida sexual&#8230;<br \/>\n<strong>SPSC &#8211; \u00c9 poss\u00edvel identificar fatores que contribuam para uma certa (co)incid\u00eancia na frequ\u00eancia do desejo sexual no quotidiano de um casal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> N\u00e3o, h\u00e1 muito de acaso envolvido. Por exemplo, algu\u00e9m poder\u00e1 preferir sexo matinal e outro vespertino e isso n\u00e3o significa desejar menos o outro. O sexo \u00e9 apenas parte de uma rela\u00e7\u00e3o,\u00a0 por isso est\u00e1 sujeito \u00e0 constante negocia\u00e7\u00e3o sem a qual ela corre o risco de petrificar.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; Temos como adquirido que certos relacionamentos persistem na aus\u00eancia de sexo, gra\u00e7as ao amor. Mas vislumbramos mais dificilmente que os relacionamentos possam sobreviver \u00e0 falta de amor, apenas por via da satisfa\u00e7\u00e3o sexual&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> \u00c9 mais raro, efetivamente, embora aconte\u00e7a. \u00c9 complicado fazer durar uma rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se alimenta de livros, discos, humor e um afago no cabelo ao chegar a casa.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; A pessoa X ama profundamente a pessoa Y, mas sente-se atra\u00edda sexualmente pela pessoa Z. No poliamor esta &#8216;f\u00f3rmula&#8217; \u00e9 vivida sem conflitos pessoais e interpessoais. Numa rela\u00e7\u00e3o monog\u00e2mica que d\u00favidas desencadeia e como podemos ajudar a desconstru\u00ed-las?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> No poliamor \u00e9 vivida sem consequ\u00eancias&#8230;, \u00e0s vezes, a teoria nem sempre se traduz na pr\u00e1tica, com frequ\u00eancia somos animais possessivos e inseguros. Numa rela\u00e7\u00e3o entendida como monog\u00e2mica ser\u00e1 preciso verificar a dimens\u00e3o dos danos e decidir se algu\u00e9m parte, fica ou \u00e9 mandado embora. Nenhuma das hip\u00f3teses garante contra arrependimento ulterior&#8230;<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; Ao longo da hist\u00f3ria da sexualidade na humanidade, o medo foi um componente muito presente (pelas repres\u00e1lias morais, pelos interditos religiosos, pelos riscos de gravidez, pelos riscos de morte no parto, pelos abusos e viola\u00e7\u00f5es, pelas infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis, etc.). Que novos medos se infiltram hoje em dia no nosso corpo\/mente, em termos sexuais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> Na \u00e9poca da globaliza\u00e7\u00e3o ou\u00e7o muito falar do medo de ficar s\u00f3. Outras vezes de &#8220;apenas&#8221; ficar sozinho&#8230; Mas na outra face da moeda mora ami\u00fade um enorme receio da intimidade, da entrega e do compromisso.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; No contexto nacional portugu\u00eas coexistem culturas diversas. Povos africanos influenciaram e foram influenciados pela nossa cultura, desde h\u00e1 centenas de anos. Sabemos alguma coisa sobre a forma como os afrodescendentes vivem os afetos, as sexualidades e os relacionamentos aqui e agora?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JMV &#8211;<\/strong> N\u00e3o sou um especialista em diferen\u00e7as culturais, em termos, por exemplo, de tradi\u00e7\u00f5es, interditos, etc&#8230; No que ao afeto puro e duro diz\u00a0 respeito gosto de pensar que todos procuramos as mesmas coisas, sejamos afrodescendentes, judeus, celtas, etc&#8230; Como escreveu Bautista &#8211; amar e ser amados e n\u00e3o morrermos depois dos nossos filhos.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text][us_single_image image=&#8221;6274&#8243;][vc_column_text][\/vc_column_text][vc_column_text] \u00c0 conversa com\u2026 J\u00falio Machado Vaz Data 4 de dezembro de 2016 Entrevista Isabel Freire[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]J\u00falio Machado Vaz &#8211; psiquiatra, sex\u00f3logo e uma voz hist\u00f3rica (televisiva, radiof\u00f3nica e editorial) na visibiliza\u00e7\u00e3o e \u2018destabuiza\u00e7\u00e3o\u2019 dos afetos e sexualidades, nas \u00faltimas d\u00e9cadas em Portugal &#8211; acredita que o medo de ficar \u201csozinho\u201d, o medo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[815,36,56],"tags":[209,183,139],"class_list":["post-6159","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","category-noticias","category-saude-sexual","tag-amor","tag-poliamor","tag-sexo"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6159","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6159"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6159\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9280,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6159\/revisions\/9280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}