{"id":6175,"date":"2016-11-02T19:01:17","date_gmt":"2016-11-02T19:01:17","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=6175"},"modified":"2019-03-28T09:36:09","modified_gmt":"2019-03-28T09:36:09","slug":"arte-e-sexo-explicito-sim-mas-nao-tanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2016\/11\/02\/arte-e-sexo-explicito-sim-mas-nao-tanto\/","title":{"rendered":"Arte e sexo expl\u00edcito? Sim, mas n\u00e3o tanto!"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/fotobolaespecialistanovembro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6189\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/fotobolaespecialistanovembro-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>A opini\u00e3o de&#8230;<\/strong><br \/>\nLu\u00eds Herberto, pintor e professor na Universidade da Beira Interior<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 Novembro 2016<\/p>\n<p><strong>Website do autor<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.luisherberto.com\">www.luisherberto.com<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<figure id=\"attachment_6177\" aria-describedby=\"caption-attachment-6177\" style=\"width: 194px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Caraglio_MuseumCopenhaga_PanDiana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6177 size-medium\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Caraglio_MuseumCopenhaga_PanDiana-194x300.jpg\" width=\"194\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6177\" class=\"wp-caption-text\">Pan e Diana, de Gian Giacomo Caraglio, Museu Nacional de Arte de Copenhaga<\/figcaption><\/figure>\n<p><span id=\"FSGcaller1\"><span class=\"FSG_texto\">Quando juntamos arte e sexo expl\u00edcito, entramos de imediato na esfera da controv\u00e9rsia. Em conjunto, configuram-se como dois campos culturais que permitem tantas afinidades como colis\u00f5es. E nesta situa\u00e7\u00e3o, consentem leituras muito variadas, dificultando um entendimento claro para o que viabilize definir uma rela\u00e7\u00e3o consensual. Podem permitir uma leitura art\u00edstica, sobretudo quando as rela\u00e7\u00f5es formais e t\u00e9cnicas se aproximam de certos n\u00edveis de realismo, como os que <span id=\"eL_1_texto\"><span class=\"FSG_erroOrtografico\">Courbet<\/span><\/span> anunciou, ou s\u00e3o facilmente lan\u00e7adas para o campo da pornografia e do que esta representa, como \u00e9 vis\u00edvel na obra fotogr\u00e1fica de Jeff <span id=\"eL_2_texto\"><span class=\"FSG_erroOrtografico\">Koons<\/span><\/span> ou Natacha <span id=\"eL_3_texto\"><span class=\"FSG_erroOrtografico\">Merrit<\/span><\/span>. A quest\u00e3o da aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 pornografia permite ainda alguma discuss\u00e3o, j\u00e1 que o termo tem algumas varia\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas no que representa, sem beliscar a atual leitura.<br \/>\nDe qualquer modo, as representa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas sexualmente expl\u00edcitas que vamos tendo a oportunidade de fruir, <span id=\"eL_4_texto\"><span class=\"FSG_erroSintatico\">s\u00e3o errada<\/span><\/span> e frequentemente associadas ao obsceno e caracterizadas como vulgares. Restam as resistentes exce\u00e7\u00f5es e as leituras atentas do Foucault, que passou ao papel a Hist\u00f3ria de parte desta ideia de repress\u00e3o do sexo, o que muito nos ajuda no entendimento destas quest\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p>Na sociedade portuguesa, realidade que determina grande parte do meu trabalho pl\u00e1stico, s\u00e3o muito reduzidas as manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas de relevo e em espa\u00e7os p\u00fablicos, estando muitas outras dispon\u00edveis a n\u00edvel privado e no paradoxo p\u00fablico da internet. Como um ineg\u00e1vel exemplo de resist\u00eancia \u00e0 beatifica\u00e7\u00e3o instalada, a pintura de Barahona Possollo, na exposi\u00e7\u00e3o <em>All We Can Eat<\/em>, de 2013, sendo a sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o dedicada inteiramente \u00e0 tem\u00e1tica, explorando c\u00f3digos e rituais comuns \u00e0 pornografia. \u00c9 uma pintura realizada para consumo privado e a sua exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica demonstrou que poderia ter ficado por a\u00ed, apesar de todos os elogios \u00e0s quest\u00f5es t\u00e9cnicas e estil\u00edsticas. De qualquer modo, esta tem\u00e1tica picante n\u00e3o teve qualquer efeito negativo na sua imagem p\u00fablica, j\u00e1 que foi o escolhido para a realiza\u00e7\u00e3o do retrato presidencial do anterior Chefe de Estado.<\/p>\n<p>No feminino, encontramos uma artista quase desconhecida do grande p\u00fablico e que produziu, sobretudo nos anos 90, obra muito reflexiva, em evidentes cita\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, mas erradamente adornada como <em>proto porn<\/em>. Refiro-me a Ac\u00e1cia Maria Thiele, que prop\u00f5e um contexto intimista pr\u00f3ximo das primeiras representa\u00e7\u00f5es er\u00f3ticas na Pintura, como a ic\u00f3nica V\u00e9nus que Tiziano pinta para um colecionador privado. A sua obra n\u00e3o \u00e9 apenas orientada para o espa\u00e7o p\u00fablico, como na verdade, tamb\u00e9m lhe passa ao lado. A autorrepresenta\u00e7\u00e3o que apresenta tamb\u00e9m lhe ditou a exclus\u00e3o, talvez pela associa\u00e7\u00e3o a uma carga subversiva, em conjunto com a condi\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<figure id=\"attachment_6176\" aria-describedby=\"caption-attachment-6176\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Aca\u0301cia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6176 size-medium\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/Aca\u0301cia-300x261.jpg\" alt=\"acacia\" width=\"300\" height=\"261\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-6176\" class=\"wp-caption-text\">Maya Yo, de Ac\u00e1cia Maria Thiele (1995)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Neste sentido, o enquadramento geogr\u00e1fico e cultural em que nos movemos, o mesmo que possibilitou importantes revolu\u00e7\u00f5es sociais, com particular relev\u00e2ncia a partir da d\u00e9cada de 1960 e com especial aten\u00e7\u00e3o para quest\u00f5es da sexualidade, permite ainda, de um modo geral, a fus\u00e3o entre arte e sexo como demasiado inc\u00f3moda, configurando nas rela\u00e7\u00f5es sociais, um recatado cofre-forte para a aus\u00eancia do pudor, aberto apenas em ocasi\u00f5es \u00edntimas e em privado.<\/p>\n<p>Refletindo um pouco no que a cultura Ocidental nos oferece nesta tem\u00e1tica, encontramos na Hist\u00f3ria das Artes, deliciosas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que se fundem a sensa\u00e7\u00f5es de prazer visual e intelectual e quem sabe, como poss\u00edveis catalisadores de e para o desejo. Um dos exemplos mais medi\u00e1ticos est\u00e1 dispon\u00edvel em Pompeia, uma cidade que albergava na sua estrutura decorativa uma verdadeira ementa de prazeres carnais e que permitiu posteriormente, leituras de rejei\u00e7\u00e3o, constru\u00eddas \u00e0 volta de uma mitifica\u00e7\u00e3o do pecado, que surge como consequ\u00eancia e exemplo da sua destrui\u00e7\u00e3o, ajudando na estrutura\u00e7\u00e3o do pudor atual. \u00c9 precisamente nesta constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, que se definem alguns valores morais ainda em uso e que permitem discuss\u00f5es intermin\u00e1veis \u00e0 volta das representa\u00e7\u00f5es sexualmente expl\u00edcitas. S\u00e3o muitas as refer\u00eancias visuais e liter\u00e1rias que nos mostram esta discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Como um exemplo significativo e que poderia mesmo ser atual, na Renascen\u00e7a Italiana, os <em>Sonnetti Lussuriosi<\/em> que Pietro Aretino escreveu, em conjunto com os <em>I Modi<\/em>, as gravuras sexualmente expl\u00edcitas de Marcantonio Raimondi para ilustrar tais palavras atrevidas. Esta parceria protagonizou um dos esc\u00e2ndalos mais irrevers\u00edveis e de propor\u00e7\u00f5es inimagin\u00e1veis para o futuro das artes visuais com conte\u00fados indecorosos. A t\u00edtulo de curiosidade, Raimondi era disc\u00edpulo de Giulio Pippi, autor dos desenhos originais. Este, por sua vez, era um perfeito homem da Renascen\u00e7a e assistente privilegiado de Rafael, o que lhe confere de imediato uma aura respeit\u00e1vel. Os desenhos s\u00e3o encomendados pelo Marqu\u00eas de M\u00e2ntua, Federico Gonzaga, conhecido colecionador de pintura \u2018n\u00e3o-religiosa\u2019, desafiando o consenso da \u00e9poca. Quanto a Raimondi, foi preso pela execu\u00e7\u00e3o das gravuras e todas as c\u00f3pias foram confiscadas, de acordo com as narrativas de Vasari. Melhor sorte teve o seu disc\u00edpulo, Gian Caraglio, tamb\u00e9m conhecido como Giovanni C., que produziu a s\u00e9rie de gravuras com o convincente t\u00edtulo <em>\u2018Os Amores dos Deuses\u2019<\/em>, uma das duas s\u00e9ries de gravuras sexualmente expl\u00edcitas mais conhecidas na \u00e9poca, que originaram uma grande procura, at\u00e9 porque est\u00e3o j\u00e1 consolidados meios significativos de reprodu\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica. Ao contr\u00e1rio da realidade direta dos <em>I Modi<\/em>, que mostrava sem pudor, um bom cat\u00e1logo de posi\u00e7\u00f5es sexuais, estas imagens s\u00e3o sustentadas nas mem\u00f3rias mitol\u00f3gicas e cl\u00e1ssicas dos amores dos deuses, fornecendo um meio oportuno para a representa\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias sexualmente sugestivas, mas na verdade, n\u00e3o expl\u00edcitas, apesar de alguma genit\u00e1lia acentuada.<\/p>\n<p>Por sua vez, Aretino, amigo \u00edntimo de Tiziano, det\u00e9m na sua obra liter\u00e1ria, fortes cr\u00edticas \u00e0 hipocrisia moral da sua \u00e9poca e protagoniza uma inesperada situa\u00e7\u00e3o, ao enviar uma pol\u00e9mica carta a denunciar a indec\u00eancia das imagens no Ju\u00edzo Final, na Capela Sistina. Este enquadramento moral e religioso obriga posteriormente Danielle de Volterra, disc\u00edpulo de Michelangelo e ap\u00f3s a morte do seu mentor, a pintar v\u00e9us de pudor sobre os nus mais provocantes da Sistina. Por causa desta incumb\u00eancia e ordem direta de Paulo IV, conseguiu ficar conhecido para a hist\u00f3ria com o apelido de \u2018<em>braghettone\u2019<\/em> (o \u2018calcinhas\u2019). Executa o trabalho contrariado, repartindo com alguma modera\u00e7\u00e3o os cens\u00f3rios panejamentos, levando futuramente a nova empresa p\u00fadica, sem mesmo ter sido exclu\u00edda a hip\u00f3tese da sua destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o que mudou nas mentalidades no presente, no que diz respeito \u00e0s artes licenciosas? De um modo geral, muito pouco. A constru\u00e7\u00e3o dos c\u00f3digos morais e sociais estabelecidos nas sociedades ocidentais, solidifica as rela\u00e7\u00f5es que privilegiam o confronto entre bem e mal. Especificamente, entre virtudes e pecados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] A opini\u00e3o de&#8230; Lu\u00eds Herberto, pintor e professor na Universidade da Beira Interior Data 4 Novembro 2016 Website do autor www.luisherberto.com[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text] Quando juntamos arte e sexo expl\u00edcito, entramos de imediato na esfera da controv\u00e9rsia. Em conjunto, configuram-se como dois campos culturais que permitem tantas afinidades como colis\u00f5es. 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