{"id":6609,"date":"2017-01-03T08:17:00","date_gmt":"2017-01-03T08:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=6609"},"modified":"2019-03-28T09:22:42","modified_gmt":"2019-03-28T09:22:42","slug":"etica-profissional-no-trabalho-com-familias-homoparentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/01\/03\/etica-profissional-no-trabalho-com-familias-homoparentais\/","title":{"rendered":"\u00c9tica profissional no trabalho com fam\u00edlias homoparentais"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/gato-redondo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6694\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/gato-redondo-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>A opini\u00e3o de\u2026<\/strong><br \/>\nJorge Gato, Psic\u00f3logo, Investigador de P\u00f3s-Doutoramento, Terapeuta Familiar e Membro da Sociedade Portuguesa de Sexologia (<a href=\"http:\/\/www.spsc.pt:2095\/cpsess4075070747\/horde\/imp\/dynamic.php?page=mailbox#\">jorgegato@fpce.up.pt<\/a>)<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\"><\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 Janeiro 2017<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\"><\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Um n\u00famero crescente de pessoas l\u00e9sbicas, gays, bissexuais e transg\u00e9neros (LGBT) est\u00e3o a formar fam\u00edlia. Esta \u00e9 efetivamente uma tem\u00e1tica que tem ganho alguma visibilidade em Portugal, principalmente por via de altera\u00e7\u00f5es legislativas que passaram a proteger os v\u00ednculos existentes nestas fam\u00edlias, a garantir a igualdade no acesso \u00e0 ado\u00e7\u00e3o ou o acesso \u00e0 procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida para todas as mulheres, independentemente do seu estatuto relacional, da sua orienta\u00e7\u00e3o sexual e das suas condi\u00e7\u00f5es de fertilidade.<\/p>\n<p>Inicialmente vistas com alguma desconfian\u00e7a e alarme social na d\u00e9cada de 1970, as fam\u00edlias homoparentais depressa se constitu\u00edram como um foco de estudo da Psicologia, sendo este, portanto, um corpo de investiga\u00e7\u00e3o com mais de 40 anos. Resumidamente, verificou-se, de forma consistente e reiterada, que s\u00e3o mais as semelhan\u00e7as do que as diferen\u00e7as entre fam\u00edlias hetero e homoparentais. No entanto, sabemos que as pessoas LGBT e as suas fam\u00edlias continuam a enfrentar desconhecimento, preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o, nomeadamente em contextos t\u00e3o importantes como a escola, os servi\u00e7os de sa\u00fade ou em situa\u00e7\u00f5es de apoio psicol\u00f3gico e social. Nesta medida, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es profissionais como a Academia Americana de Pediatria, a Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psicologia ou a Ordem dos Psic\u00f3logos Portugueses t\u00eam produzido diretrizes que, al\u00e9m de inclu\u00edrem informa\u00e7\u00e3o cientificamente validada sobre as fam\u00edlias homoparentais, encorajam os seus membros a ser competentes nas suas interven\u00e7\u00f5es junto destas pessoas. Estas chamadas \u201ccompet\u00eancias culturais\u201d compreendem tr\u00eas aspetos: conhecimento (i.e., compreens\u00e3o das trajet\u00f3rias psicossociais dos\/as clientes), aptid\u00e3o (i.e., desenvolvimento de interven\u00e7\u00f5es sens\u00edveis \u00e0s necessidades espec\u00edficas destas pessoas) e consci\u00eancia (i.e., capacidade de refletir acerca dos pr\u00f3prios enviesamentos, pressupostos e limita\u00e7\u00f5es enquanto t\u00e9cnico\/a). \u00c9 sobre esta \u00faltima quest\u00e3o que nos temos debru\u00e7ado e relativamente \u00e0 qual gostar\u00edamos de partilhar alguma informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, procur\u00e1mos, no \u00e2mbito de um doutoramento defendido em 2012 na Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto, identificar que tipo de caracter\u00edsticas pessoais podem influenciar as atitudes face \u00e0s fam\u00edlias homoparentais, nomeadamente no que diz respeito a aprecia\u00e7\u00f5es acerca da compet\u00eancia de l\u00e9sbicas e gays enquanto m\u00e3es e pais e \u00e0 forma como o desenvolvimento psicossocial dos seus filhos \u00e9 encarado. Porque a desinforma\u00e7\u00e3o e o preconceito podem ter um car\u00e1cter particularmente lesivo em contextos nos quais a rela\u00e7\u00e3o de ajuda assume maior preponder\u00e2ncia, inquirimos um conjunto de pessoas que, sendo provenientes de diferentes \u00e1reas t\u00e9cnicas (Psicologia, Servi\u00e7o Social, Medicina, Enfermagem e Ensino Pr\u00e9-Escolar e B\u00e1sico), apresentam um aspeto em comum, isso \u00e9, lidar\u00e3o profissionalmente com crian\u00e7as, adultos e as suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Sucintamente, verific\u00e1mos que alguns atributos pessoais dos\/as participantes estavam efetivamente associados a uma maior \u201cdesconfian\u00e7a\u201d, quer relativamente \u00e0 compet\u00eancia parental de l\u00e9sbicas e gays, quer no que diz respeito ao desenvolvimento dos seus filhos. Assim, foram sobretudo as pessoas que n\u00e3o tinham amigos n\u00e3o heterossexuais, as pessoas que apresentavam uma vis\u00e3o mais r\u00edgida dos pap\u00e9is de g\u00e9nero e as pessoas com n\u00edveis mais elevados de homofobia que apresentaram tamb\u00e9m atitudes mais negativas relativamente \u00e0 homoparentalidade. Curiosamente, estas caracter\u00edsticas influenciavam mais os posicionamentos face ao desenvolvimento das crian\u00e7as educadas em contexto homoparental, do que as opini\u00f5es relativas \u00e0 compet\u00eancia parental de l\u00e9sbicas e gays. Por outras palavras, os\/as participantes mostraram-se sobretudo preocupados\/as com as crian\u00e7as, algo que parece ser mais aceit\u00e1vel quer do ponto de vista da norma social, quer do ponto de vista profissional.<\/p>\n<p>Mas, voltando um pouco atr\u00e1s, como explicar a associa\u00e7\u00e3o entre determinadas caracter\u00edsticas pessoais dos\/s participantes e as suas atitudes face \u00e0 homoparentalidade? No que diz respeito ao contacto interpessoal, sabemos desde h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas que a familiaridade com pessoas pertencentes a grupos estigmatizados facilita a desconstru\u00e7\u00e3o de fantasmas e estere\u00f3tipos. Tamb\u00e9m vis\u00f5es r\u00edgidas de quais devem ser os atributos dos homens e das mulheres, conhecidas por \u201cconservadorismo de g\u00e9nero\u201d, est\u00e3o, como se esperaria, associadas a atitudes mais negativas face \u00e0 homoparentalidade. Finalmente, um dos contributos mais interessantes do estudo consistiu em verificar que a homofobia \u00e9 indissoci\u00e1vel das atitudes negativas face \u00e0 homoparentalidade. Nesta medida, clivagens atitudinais patentes em afirma\u00e7\u00f5es como \u201cn\u00e3o tenho nada contra os gays, mas a parentalidade \u00e9 outra coisa\u201d n\u00e3o encontraram corrobora\u00e7\u00e3o. Efetivamente, quanto maior a homofobia maior a desconfian\u00e7a relativamente \u00e0s configura\u00e7\u00f5es homoparentais.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rias as implica\u00e7\u00f5es destes resultados para a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais que lidam com crian\u00e7as, adultos e fam\u00edlias. Em primeiro lugar, porque as atitudes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fam\u00edlias homoparentais parecem encaixar-se num sistema de cren\u00e7as mais alargado que define de forma inflex\u00edvel quais s\u00e3o os pap\u00e9is apropriados para os homens e para as mulheres, as estrat\u00e9gias educacionais que desencorajam o conservadorismo de g\u00e9nero podem ser usadas para desconstruir o preconceito contra as pessoas LGBT e as suas fam\u00edlias. Em segundo lugar, dado que contato interpessoal com l\u00e9sbicas e gays influencia as atitudes em rela\u00e7\u00e3o a esses indiv\u00edduos e \u00e0s suas fam\u00edlias, promover atividades formativas que envolvam o contacto interpessoal com pessoas LGBT pode ser uma estrat\u00e9gia recomend\u00e1vel. Adicionalmente, dado que os maiores receios dizem respeito ao desenvolvimento das crian\u00e7as, \u00e9 particularmente relevante fornecer informa\u00e7\u00e3o cientificamente validada sobre este aspeto. Para al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o, a reflex\u00e3o pessoal sobre atributos e valores pessoais que est\u00e3o mais associados a atitudes enviesadas, \u00e9 da maior import\u00e2ncia. Uma das linhas orientadoras da APA para a interven\u00e7\u00e3o junto de pessoas pertencentes a minorias sexuais encoraja os psic\u00f3logos\/as a reconhecer de que forma as suas atitudes e o seu conhecimento sobre as minorias sexuais podem influenciar a avalia\u00e7\u00e3o e a interven\u00e7\u00e3o junto destas pessoas. Idealmente, esta diretriz \u00e9tica dever-se-ia estender, na nossa opini\u00e3o, a outras \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, nomeadamente \u00e0 sexologia.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] A opini\u00e3o de\u2026 Jorge Gato, Psic\u00f3logo, Investigador de P\u00f3s-Doutoramento, Terapeuta Familiar e Membro da Sociedade Portuguesa de Sexologia (jorgegato@fpce.up.pt) Data 4 Janeiro 2017 [\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Um n\u00famero crescente de pessoas l\u00e9sbicas, gays, bissexuais e transg\u00e9neros (LGBT) est\u00e3o a formar fam\u00edlia. Esta \u00e9 efetivamente uma tem\u00e1tica que tem ganho alguma visibilidade em Portugal, principalmente por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[816,36,55],"tags":[239,238,240,237,241,114,242],"class_list":["post-6609","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-de-opiniao","category-noticias","category-noticias-relacionadas","tag-academia-americana-de-pediatria","tag-adocao-por-gays-e-lesbicas","tag-associacao-americana-de-psicologia","tag-familias-homoparentais","tag-homoparentalidade","tag-ordem-dos-psicologos-portugueses","tag-procriacao-medicamente-assistida"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6609"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9279,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6609\/revisions\/9279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}