{"id":6888,"date":"2017-03-04T22:32:21","date_gmt":"2017-03-04T22:32:21","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=6888"},"modified":"2019-03-28T08:54:11","modified_gmt":"2019-03-28T08:54:11","slug":"a-enfermagem-tem-um-papel-de-primeira-linha-na-promocao-da-saude-sexual-e-reprodutiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/03\/04\/a-enfermagem-tem-um-papel-de-primeira-linha-na-promocao-da-saude-sexual-e-reprodutiva\/","title":{"rendered":"A enfermagem tem um papel de primeira linha na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade sexual e reprodutiva"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Manu.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6922\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/Manu-195x300.jpg\" alt=\"\" width=\"195\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 conversa com\u2026<\/strong><br \/>\nManuela Madeira, enfermeira, terapeuta sexual e membro da Assembleia Geral da SPSC<br \/>\nmadeiramanuela@sapo.pt<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 de Mar\u00e7o de 2017<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong>Entrevista<\/strong><\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>Isabel Freire<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>Manuela Madeira \u00e9 enfermeira, mestre em sexologia e terapeuta sexual. Coordena a equipa de enfermagem da <em>Ginemed<\/em>, empresa que presta servi\u00e7os na \u00e1rea da infertilidade. Embora defenda que a sexualidade tem hoje maior e melhor cobertura nos servi\u00e7os de sa\u00fade, Manuela Madeira considera que h\u00e1 ainda muito por fazer, e que \u00e0\/ao enfermeira\/o cabe um papel de primeira linha, o de educador. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013 O assunto da sexualidade (para al\u00e9m da fun\u00e7\u00e3o reprodutiva) j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 \u2018delicado\u2019 de abordar no universo dos cuidados de sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Manuela Madeira \u2013<\/strong> A sexualidade tem sofrido uma progress\u00e3o enorme dentro do universo dos cuidados de sa\u00fade. Os utentes falam cada vez mais sobre o assunto e os profissionais come\u00e7aram a ser \u2018obrigados\u2019 ter conhecimentos, a atualiz\u00e1-los, a buscar respostas para as d\u00favidas que lhes s\u00e3o colocadas. Apesar disso, ainda s\u00e3o muitos os profissionais que chutam para o canto os assuntos da sexualidade. Se n\u00e3o houver na equipa um s\u00f3 elemento que tenha especial apre\u00e7o por esta \u00e1rea, as perguntas correm o risco de ficar sem resposta. E a vida de muitas pessoas prossegue com as mesmas lacunas.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Os discursos da <em>sa\u00fade sexual e reprodutiva<\/em> dirigem-se ao homem e \u00e0 mulher, numa medida de equil\u00edbrio, ou dirigem-se sobretudo \u00e0 mulher? Porqu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MM \u2013<\/strong> O foco esteve sempre mais na mulher. Porque o tempo de fertilidade \u00e9 mais curto para elas, da\u00ed a maior urg\u00eancia em educar e informar. Porque eram maioritariamente culpabilizada pelo insucesso em projetos reprodutivos. Porque a mulher sempre teve uma maior dificuldade na viv\u00eancia em pleno da sua <em>sa\u00fade sexual<\/em>.<\/p>\n<p>Hoje em dia, tenta-se que haja um equil\u00edbrio nos discursos. O homem assume j\u00e1 um papel importante na medicina de reprodu\u00e7\u00e3o, seja pelos estudos que levam ao diagn\u00f3stico do problema do casal ou pela informa\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 prestada no sentido de alertar para o que pode afetar a sua fertilidade. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m se come\u00e7a a aconselhar casais homossexuais, dando-lhes alternativas e possibilidades de participar ou de conceber uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 A <em>sa\u00fade sexual<\/em> e a <em>sa\u00fade reprodutiva<\/em> s\u00e3o tratadas nos servi\u00e7os de sa\u00fade, de forma conectada e dialogante?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MM \u2013<\/strong> A grande maioria das institui\u00e7\u00f5es tem uma consulta de planeamento familiar a funcionar. \u00c9 um trabalho que est\u00e1 a ser feito h\u00e1 muitos anos. Podemos afirmar orgulhosamente que somos um dos pa\u00edses mais avan\u00e7ados nesta \u00e1rea. Mas existem v\u00e1rias condicionantes que podem alterar significativamente este di\u00e1logo, nomeadamente a cultura ou cren\u00e7as religiosas, n\u00e3o s\u00f3 dos utentes, mas tamb\u00e9m dos profissionais de sa\u00fade. Essa conex\u00e3o entre <em>sa\u00fade sexual<\/em> e <em>sa\u00fade reprodutiva<\/em> poder\u00e1 verificar-se eventualmente num servi\u00e7o de Ginecologia ou de Psiquiatria, mas a sua dissocia\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 bem vis\u00edvel. O que se pretende sobretudo em mat\u00e9ria de <em>sa\u00fade sexual<\/em> \u00e9 evitar uma gravidez n\u00e3o planeada. E a <em>sa\u00fade reprodutiva<\/em> tem como fim a obten\u00e7\u00e3o de uma gravidez, recorrendo aos meios poss\u00edveis e dispon\u00edveis, muitas vezes sem que seja perguntado ao casal como se relacionam sexualmente. Tenho a sensa\u00e7\u00e3o que a <em>sa\u00fade sexual<\/em> acaba por ser o parente pobre deste di\u00e1logo.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 A falta de <em>sa\u00fade sexual<\/em> coloca em risco a <em>sa\u00fade reprodutiva<\/em>, por exemplo quando&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>MM \u2013<\/strong> Os casais vivem separados, \u00e0 dist\u00e2ncia de muitos quil\u00f3metros. Esta realidade da emigra\u00e7\u00e3o, t\u00e3o comum hoje em dia, pode dificultar a concretiza\u00e7\u00e3o do projeto reprodutivo, mais ainda se existir alguma condicionante org\u00e2nica do casal. Para al\u00e9m disto, refira-se que existem ainda nos nossos tempos, casais sem no\u00e7\u00e3o do ciclo da mulher, casais com dificuldades sexuais que se habituaram a esse registo, acabando por nunca procurar ajuda.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 E o contr\u00e1rio? Exemplos recorrentes de falta de <em>sa\u00fade reprodutiva<\/em> que ponham em causa a <em>sa\u00fade sexual<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MM \u2013<\/strong> A infertilidade (\u00e1rea em que trabalho diariamente) traz muitas condicionantes a um casal. Muitas mulheres referem que n\u00e3o se sentem completas, por n\u00e3o conseguirem dar um filho ao parceiro. Este sentimento pode afetar gravemente a sexualidade. Retira muitas vezes erotismo e prazer \u00e0 vida \u00edntima. O ato sexual torna-se uma tentativa para alcan\u00e7ar um objetivo. Outro fator de peso \u00e9 a idade. O plano de ter um filho \u00e9 cada vez mais adiado. Quando chega a altura, se n\u00e3o surge logo a gravidez, o casal pode come\u00e7ar a entrar em stresse. E a not\u00edcia de um problema de infertilidade pode levar a uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es pessoais e relacionais. Se o afeto e a comunica\u00e7\u00e3o falharem, a rela\u00e7\u00e3o do casal pode entrar em rutura. Tamb\u00e9m existem situa\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias, de maior uni\u00e3o perante a adversidade. A interven\u00e7\u00e3o especializada (o mais precocemente poss\u00edvel) tem um papel determinante no futuro destas pessoas, e na manuten\u00e7\u00e3o de uma <em>sa\u00fade sexual<\/em> satisfat\u00f3ria para ambos.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 A \u00e1rea da (in)fertilidade est\u00e1 cheia de novidades&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>MM \u2013<\/strong> Esta \u00e9 uma \u00e1rea que est\u00e1 agora em grande evolu\u00e7\u00e3o, nomeadamente com o alargamento da permiss\u00e3o para mulheres solteiras e casais de l\u00e9sbicas recorrerem a t\u00e9cnicas de Procria\u00e7\u00e3o Medicamente Assistida. Hoje h\u00e1 a possibilidade de se fazer fertiliza\u00e7\u00e3o rec\u00edproca: uma das mulheres d\u00e1 o \u00f3vulo (que origina um embri\u00e3o ao ser inseminado com esperma de dador) e a outra mulher pode receber esse embri\u00e3o, criando-se assim a participa\u00e7\u00e3o das duas na gravidez. Temos tamb\u00e9m a gesta\u00e7\u00e3o de substitui\u00e7\u00e3o para mulheres que haviam visto o seu sonho de ser m\u00e3es totalmente afastado. Estes progressos fazem-me acreditar num futuro melhor. Todos os esfor\u00e7os dos sonhadores que enveredaram um dia pela \u00e1rea da sexualidade, est\u00e3o realmente a dar fruto.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Em que servi\u00e7os do sistema de sa\u00fade \u00e9 imprescind\u00edvel o di\u00e1logo entre <em>reprodu\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>sexualidade<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MM \u2013 <\/strong>Devemos preocupar-nos com um maior aprofundamento deste di\u00e1logo nos servi\u00e7os de oncologia, de fisiatria, de cardiologia, diabetologia \u2013 h\u00e1 muitas fragilidades nestas \u00e1reas e o papel de uma pessoa que possa aconselhar, far\u00e1 verdadeiramente toda a diferen\u00e7a no continuum <em>sa\u00fade sexual e reprodutiva<\/em>. Mas este di\u00e1logo deve ser uma realidade em todos os servi\u00e7os, pois estas componentes est\u00e3o presentes ao longo da vida.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que pap\u00e9is pode assumir o\/a enfermeiro\/a neste des\u00edgnio de conectar a <em>sa\u00fade sexual<\/em> com a <em>sa\u00fade reprodutiva<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MM \u2013 <\/strong>Quero salientar o papel do enfermeiro como profissional de primeira linha. Est\u00e1 sempre acess\u00edvel ao utente. \u00c9 normalmente uma refer\u00eancia para falar do que quer que seja. Da\u00ed ser t\u00e3o importante esta classe de profissionais ter alguma base sobre a tem\u00e1tica da <em>sa\u00fade sexual<\/em> e <em>reprodutiva<\/em>. \u00c9 o\/a enfermeiro\/a que faz a primeira abordagem, independentemente da faixa et\u00e1ria. \u00c9 ele\/a que ir\u00e1 transmitir seguran\u00e7a para que o utente confie receios e ang\u00fastias. O enfermeiro tem um papel fundamental de educador. A consulta de enfermagem tem vindo a ser mais e mais implementada. Possibilita tirar d\u00favidas, contestar informa\u00e7\u00e3o, \u201ctrocar por mi\u00fados\u201d o que foi dito pelo m\u00e9dico.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 O que podem os enfermeiros fazer em termos de preven\u00e7\u00e3o da <em>sa\u00fade sexual e reprodutiva<\/em> juntos dos jovens?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MM \u2013<\/strong> \u00c9 preciso informar para as pr\u00e1ticas saud\u00e1veis desde pequenino (idade pr\u00e9-escolar). Esta interven\u00e7\u00e3o precoce conduz a uma boa <em>sa\u00fade sexual<\/em>, e tem por consequ\u00eancia uma boa <em>sa\u00fade reprodutiva<\/em>. Ainda hoje n\u00e3o estamos despertos para o facto de as infe\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis afetarem drasticamente a fertilidade. Nos centros de sa\u00fade, nas consultas de planeamento familiar, a preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser somente a de evitar uma gravidez indesejada, mas tamb\u00e9m de prevenir as infe\u00e7\u00f5es recorrentes, e mal medicadas, que conduzem muitas vezes \u00e0 infertilidade. Educar para o cuidado do corpo, para uma boa alimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso refor\u00e7ar que o \u00e1lcool, o tabaco e as drogas t\u00eam um papel importante como agentes causadores de altera\u00e7\u00f5es na fertilidade (dos pr\u00f3prios e dos descendentes). Aconselho a consulta deste <a href=\"http:\/\/www.conheceatuafertilidade.com\"><strong>site<\/strong><\/a>, onde \u00e9 poss\u00edvel fazer uma avalia\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria fertilidade e obter conselhos de acordo com a informa\u00e7\u00e3o prestada pelo visitante.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Onde deve desenvolver-se o trabalho com os jovens?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MM \u2013<\/strong> O ideal ser\u00e1 ir ao encontro dos jovens nas escolas, nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, mas tamb\u00e9m levar esse conhecimento a outros lugares. Festivais de m\u00fasica e bancas de rua perto dos locais de divers\u00e3o, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Como \u00e9 que as quest\u00f5es da sa\u00fade sexual surgiram no seu espectro de interesses?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MM \u2013<\/strong> Quando terminei o curso de enfermagem e comecei a dar aulas numa escola profissional fascinei-me pelo ensino. Posteriormente trabalhei no servi\u00e7o de obstetr\u00edcia de um hospital, onde via que muitas das quest\u00f5es colocadas pelas gr\u00e1vidas sobre sexualidade causavam constrangimentos em alguns elementos da equipa. Eu chegava-me sempre \u00e0 frente para fazer esses ensinos e desmistificar quest\u00f5es. Quando decidi que queria continuar a minha forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, deparei-me com o mestrado em sexologia, e <em>a posteriori<\/em> fiz o curso de terapeuta sexual. Tem sido um percurso com muitos ganhos pessoais. Tem sido um orgulho poder levar a muitos s\u00edtios diferentes, informa\u00e7\u00e3o sobre quest\u00f5es conotadas como banais, mas que na pr\u00e1tica ainda constituem verdadeiros tabus.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com\u2026 Manuela Madeira, enfermeira, terapeuta sexual e membro da Assembleia Geral da SPSC madeiramanuela@sapo.pt &nbsp; Data 4 de Mar\u00e7o de 2017 &nbsp; Entrevista Isabel Freire &nbsp; &nbsp; [\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Manuela Madeira \u00e9 enfermeira, mestre em sexologia e terapeuta sexual. 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