{"id":6892,"date":"2017-03-09T23:54:58","date_gmt":"2017-03-09T23:54:58","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=6892"},"modified":"2019-03-28T08:46:17","modified_gmt":"2019-03-28T08:46:17","slug":"existe-a-percecao-generalizada-de-que-a-saude-sexual-e-reprodutiva-do-homem-tem-vindo-a-piorar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/03\/09\/existe-a-percecao-generalizada-de-que-a-saude-sexual-e-reprodutiva-do-homem-tem-vindo-a-piorar\/","title":{"rendered":"\u201cExiste a perce\u00e7\u00e3o generalizada de que a sa\u00fade sexual e reprodutiva do homem tem vindo a piorar\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/DR.-NUNO-LOURO-ANDROLOGIA_21-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-6954\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/DR.-NUNO-LOURO-ANDROLOGIA_21-1-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" \/><\/a>\u00c0 conversa com\u2026<\/strong><br \/>\nNuno Louro, urologista, andrologista, respons\u00e1vel da consulta de Andrologia do Centro Hospitalar do Porto, <a href=\"mailto:nunorlouro@gmail.com\">nunorlouro@gmail.com<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n9 de Mar\u00e7o de 2017<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong>Entrevista<\/strong><\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>Isabel Freire<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>H\u00e1bitos de vida pouco saud\u00e1veis colocam em risco a vida sexual e reprodutiva do homem. Nuno Louro, urologista e andrologista, <\/strong><strong>alerta para esta evid\u00eancia. Na consulta de Andrologia do Centro Hospitalar do Porto, os problemas mais recorrentes <\/strong><strong>s\u00e3o a disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til e as perturba\u00e7\u00f5es da ejacula\u00e7\u00e3o. Respons\u00e1vel por este atendimento, Nuno Louro constata que muitos homens continuam a sentir de forma chocante a not\u00edcia da infertilidade. \u201cA sexualidade e a paternidade s\u00e3o dos pilares mais fortes em que assenta a ideia de masculinidade e, quando s\u00e3o abalados, todo o edif\u00edcio fica em risco\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013 Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a <em>sa\u00fade sexual e reprodutiva<\/em> do homem tem melhorado ou piorado, do ponto de vista dos problemas? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Nuno Louro \u2013<\/strong> N\u00e3o dispomos de dados cient\u00edficos claros para responder assertivamente. Existe, no entanto, a perce\u00e7\u00e3o generalizada de que tem vindo a piorar. \u00c9 poss\u00edvel que este aparente agravamento esteja contaminado de um vi\u00e9s inultrapass\u00e1vel: o facto de existir maior visibilidade e ser atualmente muito mais f\u00e1cil discutir estes assuntos, retirando-os (infelizmente ainda apenas) parcialmente, de uma certa clandestinidade onde estiveram durante d\u00e9cadas. Assim, \u00e9 poss\u00edvel que n\u00e3o exista verdadeiramente um aumento da preval\u00eancia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o o podemos descartar.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que recomenda\u00e7\u00f5es julga essenciais para que um homem possa ter uma <em>vida sexual e reprodutiva<\/em> saud\u00e1vel? <\/strong><\/p>\n<p><strong>NL \u2013<\/strong> As quest\u00f5es relacionadas com o estilo de vida s\u00e3o fulcrais. A ideia da aparente degrada\u00e7\u00e3o da sa\u00fade sexual e reprodutiva do homem est\u00e1 associada \u00e0s altera\u00e7\u00f5es na forma como vivemos e nos relacionamos com o meio, atualmente. Os principais fatores de risco conhecidos para a disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til (e que s\u00e3o os mesmos das doen\u00e7as cardiovasculares) est\u00e3o intimamente associados a uma dieta pouco saud\u00e1vel, ao tabagismo, ao sedentarismo e obesidade, com consequente desenvolvimento de doen\u00e7as como a diabetes <em>mellitus<\/em> ou a hipertens\u00e3o arterial. No \u00e2mbito da fertilidade, estes h\u00e1bitos \u2013 cada vez mais frequentes \u2013 est\u00e3o tamb\u00e9m associados a altera\u00e7\u00f5es claramente negativas, com desequil\u00edbrio de alguns mecanismos essenciais ao bom funcionamento do organismo. \u00c9 essencial manter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, associada \u00e0 pr\u00e1tica regular de exerc\u00edcio f\u00edsico, abolindo por completo alguns h\u00e1bitos perniciosos como tabagismo e a ingest\u00e3o excessiva de \u00e1lcool.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que problem\u00e1ticas da disfun\u00e7\u00e3o sexual masculina surgem mais recorrentemente na sua consulta, no Centro Hospital do Porto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NL \u2013<\/strong> A altera\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o sexual mais representada nas nossas consultas de Andrologia \u00e9, sem d\u00favida, a disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til. Isto est\u00e1 relacionado n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 elevada preval\u00eancia do problema, mas tamb\u00e9m \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos orais, com elevada taxa de sucesso e perfil de seguran\u00e7a favor\u00e1vel. Est\u00e3o hoje amplamente difundida, originando a quebra de muitos tabus que rodeavam a sexualidade e as disfun\u00e7\u00f5es sexuais, e propagando a ideia, nem sempre verdadeira, de que estes problemas s\u00e3o cur\u00e1veis. \u00c9 claro que, se o doente tem a no\u00e7\u00e3o que o seu problema poder\u00e1 ter solu\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito mais prov\u00e1vel que procure ajuda. E esta foi a grande vantagem da divulga\u00e7\u00e3o muito abrangente das \u201cnovas\u201d terap\u00eauticas para a disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til. Outro problema tamb\u00e9m frequente s\u00e3o as perturba\u00e7\u00f5es da ejacula\u00e7\u00e3o, nomeadamente a ejacula\u00e7\u00e3o prematura, que tamb\u00e9m \u00e0 boleia do <em>marketing<\/em> farmac\u00eautico, passou a ser muito mais frequentemente abordada nas nossas consultas. Apesar de serem estes os problemas mais frequentes, nunca podemos esquecer que podem coexistir (e assim \u00e9 com frequ\u00eancia) v\u00e1rias disfun\u00e7\u00f5es no mesmo indiv\u00edduo, por exemplo, a queixa de diminui\u00e7\u00e3o do desejo sexual \u00e9, muitas vezes, apenas uma consequ\u00eancia da frustra\u00e7\u00e3o sentida nos relacionamentos \u00edntimos pela presen\u00e7a duma perturba\u00e7\u00e3o da ere\u00e7\u00e3o ou da ejacula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><em>Em \u00faltima an\u00e1lise, a forma de diferentes gera\u00e7\u00f5es apresentarem e lidarem com a quest\u00e3o [da disfun\u00e7\u00e3o sexual] nem sempre \u00e9 t\u00e3o diferente como \u00e0 partida poder\u00edamos supor<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 Em qual das problem\u00e1ticas sexuais masculinas \u00e9 mais dif\u00edcil apurar se a causa \u00e9 de natureza org\u00e2nica, psicol\u00f3gica ou mista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NL \u2013<\/strong> Em todos os grupos de disfun\u00e7\u00f5es existem casos que t\u00eam uma base claramente org\u00e2nica, como por exemplo os dos doentes com uma ejacula\u00e7\u00e3o prematura prim\u00e1ria (aqueles que t\u00eam o problema desde a primeira intera\u00e7\u00e3o sexual) ou dos doentes diab\u00e9ticos e hipertensos, polimedicados, com disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til. Mas mesmo nestes casos \u00e9 imposs\u00edvel compartimentar a parte org\u00e2nica da rea\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica do doente a estas quest\u00f5es, e da forma como isso ir\u00e1 influenciar a perce\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio ou o relacionamento com os outros. Desta forma, apesar da causa da disfun\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser psicol\u00f3gica, as quest\u00f5es desta \u00edndole poder\u00e3o ser um fator de manuten\u00e7\u00e3o ou de agravamento do problema. \u00c9 evidente que, quando temos uma disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til num indiv\u00edduo muito jovem, sem patologias conhecidas, \u00e9 muito mais prov\u00e1vel que a causa seja psicog\u00e9nica, assim como nas situa\u00e7\u00f5es em que existe um evento bem definido a partir do qual o problema se manifestou. Mas, mesmo nestes casos aparentemente mais paradigm\u00e1ticos, devemos dar algum espa\u00e7o para a possibilidade de uma causa diferente e permitir ponderar todas as possibilidades.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Os pacientes que se queixam de sintomas sexuais disfuncionais v\u00eam normalmente \u00e0 consulta em casal (com a companheira ou o companheiro) ou preferem faz\u00ea-lo sozinhos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NL \u2013<\/strong> \u00c9 muito vari\u00e1vel, mas tenho a sensa\u00e7\u00e3o que cada vez mais companheiras (creio que mais do que os companheiros) querem acompanhar os pacientes e envolver-se no processo diagn\u00f3stico e terap\u00eautico. E tamb\u00e9m tenho a sensa\u00e7\u00e3o que muitas vezes n\u00e3o o fazem por quest\u00f5es profissionais, uma vez que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil obter a dispensa laboral para este acompanhamento. De qualquer forma continuamos a ver uma maioria de pacientes que v\u00eam \u00e0 consulta sozinhos. Isto nem sempre \u00e9 negativo. Por vezes acabamos por conseguir informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas, mais \u00edntimas e essenciais, que poderiam n\u00e3o ser divulgadas na presen\u00e7a da companheira\/o. Nestes casos, fica a faltar a outra vers\u00e3o, o contexto relacional, que \u00e9 bem mais f\u00e1cil de percecionar na presen\u00e7a de ambos. Uma quest\u00e3o interessante \u00e9 que n\u00e3o noto uma diferen\u00e7a significativa em diferentes gera\u00e7\u00f5es, sendo no entanto not\u00f3rias diferen\u00e7as no papel da acompanhante. Nos casais com mais idade, a mulher vem para se assegurar que ele diz tudo bem, tem as informa\u00e7\u00f5es sobre as doen\u00e7as e a medica\u00e7\u00e3o, mas participa relativamente pouco no restante processo. Nos casais mais jovens evidencia-se frequentemente nas mulheres a for\u00e7a motriz da ida \u00e0 consulta. Envolvem-se bastante mais no desenrolar da consulta e nas decis\u00f5es terap\u00eauticas.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Considerando a sua experi\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel identificar formas distintas de lidar com a ideia de \u2018n\u00e3o funcionar\u2019 sexualmente, em diferentes gera\u00e7\u00f5es de homens portugueses?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NL \u2013<\/strong> H\u00e1 quest\u00f5es que s\u00e3o transversais a qualquer gera\u00e7\u00e3o. A disfun\u00e7\u00e3o sexual faz o homem questionar a sua virilidade. Mesmo o homem de mais idade (que sente uma certa \u201cnormalidade\u201d por saber que a disfun\u00e7\u00e3o sexual est\u00e1 associada ao envelhecimento) acaba por ter grandes dificuldades em aceitar o problema. Em homens mais jovens, a maior abertura \u00e0 discuss\u00e3o das quest\u00f5es associadas \u00e0 sexualidade esbarra na sensa\u00e7\u00e3o de maior gravidade e \u201canormalidade\u201d do problema. Sentem que n\u00e3o \u00e9 suposto que um homem jovem sofra de problemas desta \u00edndole. Em \u00faltima an\u00e1lise, a forma de diferentes gera\u00e7\u00f5es apresentarem e lidarem com a quest\u00e3o nem sempre \u00e9 t\u00e3o diferente como \u00e0 partida poder\u00edamos supor.<\/p>\n<h4><em>Tenho a sensa\u00e7\u00e3o que cada vez mais companheiras (creio que mais do que os companheiros) querem acompanhar os pacientes e envolver-se no processo diagn\u00f3stico e terap\u00eautico.<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 \u00c9 verdade que no passado (ainda em meados do s\u00e9culo XX) a infertilidade do casal era tacitamente atribu\u00edda a um problema feminino?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NL \u2013<\/strong> Infelizmente n\u00e3o estamos a falar duma realidade do s\u00e9culo passado. Ainda hoje \u00e9 frequente vermos casais em que o estudo do casal inf\u00e9rtil quase se resume ao estudo da mulher ou em que o espermograma (o estudo b\u00e1sico das causas masculinas de infertilidade) apenas \u00e9 solicitado quando se comprova n\u00e3o existir qualquer problema com a mulher.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Hoje em dia, que problem\u00e1ticas est\u00e3o mais frequentemente na origem da infertilidade masculina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NL \u2013<\/strong> Apesar dos esfor\u00e7os para conseguir obter um diagn\u00f3stico, 25 a 30% dos doentes apresentam uma infertilidade idiop\u00e1tica, ou seja, sem causa conhecida. Temos depois uma pan\u00f3plia de situa\u00e7\u00f5es que podem causar ou contribuir para a infertilidade do casal. Existem v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas (como o <em>S\u00edndrome de Klinefelter<\/em>, a aus\u00eancia dos canais deferentes ou de partes do cromossoma Y essenciais para a espermatog\u00e9nese). Tamb\u00e9m algumas malforma\u00e7\u00f5es, como a <em>Criptorquidi<\/em>a (situa\u00e7\u00e3o em que um ou ambos os test\u00edculos n\u00e3o se encontram no escroto \u00e0 nascen\u00e7a) que podem conduzir, mesmo se corrigidas, a dificuldades de conce\u00e7\u00e3o. Uma das situa\u00e7\u00f5es mais prevalentes na nossa consulta \u00e9 o <em>varicocele<\/em>, condi\u00e7\u00e3o em que, por v\u00e1rios mecanismo, pode haver les\u00e3o testicular com repercuss\u00e3o na espermatog\u00e9nese (produ\u00e7\u00e3o de espermatozoides). Tamb\u00e9m vemos com alguma frequ\u00eancia situa\u00e7\u00f5es em que a infertilidade \u00e9 consequ\u00eancia do tratamento de v\u00e1rias doen\u00e7as. Os exemplos mais frequentes s\u00e3o a quimioterapia ou radioterapia, mas tamb\u00e9m as cirurgias testiculares ou cerebrais. Felizmente \u00e9 poss\u00edvel, na maioria destas situa\u00e7\u00f5es, fazer a criopreserva\u00e7\u00e3o do esperma, pr\u00e9via \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dessas terap\u00eauticas potencialmente lesivas da fertilidade. E em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til, preocupa-nos bastante a altera\u00e7\u00e3o do estilo de vida (maus h\u00e1bitos alimentares, sedentarismo, associados a h\u00e1bitos claramente nocivos como o tabagismo).<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 S\u00e3o problemas revers\u00edveis, com solu\u00e7\u00e3o m\u00e9dica? <\/strong><\/p>\n<p><strong>NL \u2013<\/strong> Depende. Em alguns casos, quando o problema est\u00e1 a n\u00edvel da hip\u00f3fise (no c\u00e9rebro) e n\u00e3o no test\u00edculo, \u00e9 poss\u00edvel, com terap\u00eautica farmacol\u00f3gica, induzir a produ\u00e7\u00e3o de espermatozoides. Na minha opini\u00e3o s\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es mais recompensadoras para quem trabalha nesta \u00e1rea. Do ponto de vista cir\u00fargico existem tamb\u00e9m algumas possibilidades, como a corre\u00e7\u00e3o do <em>varicocele<\/em> (com taxas de sucesso algo imprevis\u00edveis) ou a tentativa de recanalizar algumas situa\u00e7\u00f5es de obstru\u00e7\u00e3o. Em muitos casos, apesar de n\u00e3o ser poss\u00edvel tratar a causa da infertilidade, conseguimos recolher espermatozoides diretamente do test\u00edculo, de forma a obter g\u00e2metas para utiliza\u00e7\u00e3o em t\u00e9cnicas de procria\u00e7\u00e3o assistida. Para al\u00e9m destas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o podemos esquecer que a altera\u00e7\u00e3o de um estilo de vida nocivo, apesar de nem sempre reverter a infertilidade, aumenta as probabilidades de conce\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea ou por t\u00e9cnicas de reprodu\u00e7\u00e3o assistida.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que tipo de ansiedades e ang\u00fastias s\u00e3o recorrentes nos homens seguidos em consulta de infertilidade? \u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>NL \u2013<\/strong> Em primeiro lugar t\u00eam que lidar com a not\u00edcia, que \u00e9 frequentemente um choque. A maioria, creio, n\u00e3o estaria a prever que o problema fosse deles ou tamb\u00e9m deles, provavelmente porque socialmente continua a ser visto como um problema maioritariamente da mulher. A sexualidade e a paternidade s\u00e3o dos pilares mais fortes em que assenta a ideia de masculinidade e, quando s\u00e3o abalados, todo o edif\u00edcio fica em risco. Existe tamb\u00e9m um questionar incessante da causa, a tentativa de identificar comportamentos, atitudes que possam ser respons\u00e1veis pelo problema. Como, em muitos casos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel reverter a situa\u00e7\u00e3o, notamos algum desalento e des\u00e2nimo. Por outro lado, t\u00eam alguma dificuldade em exprimir estas d\u00favidas e emo\u00e7\u00f5es, muitas vezes porque sentem que t\u00eam que ser o elemento forte do casal, o que os impede de manifestar ang\u00fastias o que, seguramente, n\u00e3o ser\u00e1 muito ben\u00e9fico para lidar com o processo que se avizinha.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Um processo de reprodu\u00e7\u00e3o medicamente assistida pode \u2018imprimir\u2019 \u00e0 sexualidade do casal dificuldades que n\u00e3o existiam antes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NL \u2013<\/strong> Claramente. Ali\u00e1s, este grupo de homens e casais tem taxas de satisfa\u00e7\u00e3o com a sua vida sexual significativamente menores que os homens e casais da mesma idade sem problemas de fertilidade. O facto de, frequentemente, as rela\u00e7\u00f5es sexuais passarem a ser programadas diminui de forma significativa o envolvimento, podendo o ato ficar despido da componente emocional, reduzido \u00e0 componente mec\u00e2nica da insemina\u00e7\u00e3o. E vemos tamb\u00e9m com frequ\u00eancia uma diminui\u00e7\u00e3o importante do n\u00famero de rela\u00e7\u00f5es sexuais, muitas vezes confinadas ao per\u00edodo f\u00e9rtil da mulher, seguidas de semanas de ang\u00fastia \u00e0 espera do resultado, reiniciando-se continuamente o ciclo ap\u00f3s a constata\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de gravidez. A sensa\u00e7\u00e3o de que a paternidade s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel atrav\u00e9s de procedimentos t\u00e9cnicos (e n\u00e3o de forma \u201cnatural\u201d) tamb\u00e9m pode imprimir aos relacionamentos sexuais um cunho particular, como se j\u00e1 nem fossem necess\u00e1rios, diminuindo a intimidade do casal e contribuindo para uma altera\u00e7\u00e3o marcada da forma como se relacionam sexualmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com\u2026 Nuno Louro, urologista, andrologista, respons\u00e1vel da consulta de Andrologia do Centro Hospitalar do Porto, nunorlouro@gmail.com &nbsp; Data 9 de Mar\u00e7o de 2017 &nbsp; Entrevista Isabel Freire [\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]H\u00e1bitos de vida pouco saud\u00e1veis colocam em risco a vida sexual e reprodutiva do homem. 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