{"id":7190,"date":"2017-06-04T14:01:31","date_gmt":"2017-06-04T14:01:31","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7190"},"modified":"2019-03-27T08:35:59","modified_gmt":"2019-03-27T08:35:59","slug":"sim-nos-fodemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/06\/04\/sim-nos-fodemos\/","title":{"rendered":"Sim, n\u00f3s fodemos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/ruimachadobublle.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7233\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/ruimachadobublle.jpg\" alt=\"\" width=\"272\" height=\"272\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>A reflex\u00e3o de\u2026<br \/>\n<\/strong>Rui Machado, ativista dos direitos das pessoas com defici\u00eancia, cocriador do Movimento <em>Sim, n\u00f3s fodemos;<\/em> membro da comiss\u00e3o coordenadora dos (d)Eficientes Indignados e da direc\u00e3o do Centro de Vida Independente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Movimento<br \/>\n<\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/simnosfodemos\/\"><strong>Sim, n\u00f3s fodemos<\/strong><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 de Junho de 2017<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<em>Com franqueza, n\u00e3o havia outro nome a dar?!<\/em> N\u00e3o, tinha mesmo de ser um assim, bem polido. Como se compreender\u00e1, n\u00e3o \u00e9 um nome gratuito, \u00e9 sim pol\u00edtico-social, com a miss\u00e3o de trazer para o espa\u00e7o p\u00fablico portugu\u00eas um debate que no nosso entendimento tem sido, se n\u00e3o esquecido, pelo menos muitas vezes negligenciado, nos mais variados contextos que v\u00e3o do acad\u00e9mico ao institucional, passando, at\u00e9 mesmo, pelo pol\u00edtico. Foi esta a forma que se revelou mais produtiva para atingir os principais objetivos que nos norteiam.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 a normaliza\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 absolutamente normal, ou seja, duas pessoas estarem juntas por um sentimento \u00e9, na verdade, o acontecimento mais natural de suceder. Seja em que contexto surgir e tenham as pessoas as caracter\u00edsticas que tiverem. Nas rela\u00e7\u00f5es onde existam duas pessoas com diversidade funcional ou uma apenas, n\u00e3o h\u00e1 nada a referir ou real\u00e7ar, a n\u00e3o ser a uni\u00e3o de duas pessoas. N\u00e3o h\u00e1 her\u00f3is, nem coitadinhos a nomear.<\/p>\n<p>O segundo objetivo tem que ver com a consciencializa\u00e7\u00e3o, por parte das pr\u00f3prias pessoas com diversidade funcional, do seu direito a uma vida sexual e afetiva. Esta consci\u00eancia \u2013 por incr\u00edvel que possa parecer (ou, na verdade, n\u00e3o) \u2013 n\u00e3o \u00e9 uma efetiva realidade. Tal como outros direitos (por exemplo o do acesso ao ensino), este direito tem vindo a ser paulatinamente compreendido e reivindicado como essencial, pelas pr\u00f3prias pessoas com diversidade funcional e\/ou neurodiversidade (PCDFN). A organiza\u00e7\u00e3o <em>Sim, N\u00f3s Fodemos<\/em> quer impulsionar e dar o seu contributo nessa auto-consciencializa\u00e7\u00e3o. A assertividade da sua comunica\u00e7\u00e3o e o facto de ser feita na primeira pessoa do plural, evidencia esse mesmo prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Por fim, o terceiro objetivo prende-se com a inten\u00e7\u00e3o de denunciar e de provocar o debate acerca das grandes dificuldades e entraves que vivenciam as PCDFN na tentativa de se realizarem a n\u00edvel sexual e afetivo.<\/p>\n<h4><em><strong>De facto, em Portugal, a defici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 encarada, em regra, de forma positiva e est\u00e1 ainda contaminada pelo Modelo M\u00e9dico do s\u00e9culo anterior. [&#8230;] <\/strong><strong>O que se buscava era o \u201cnormal\u201d. [&#8230;] \u00c9 neste contexto e nesta abordagem que as PCDFN s\u00e3o percecionadas como doentes e incapazes.<\/strong> <\/em><\/h4>\n<p>Mas afinal, o que \u00e9 a sexualidade? Toda a gente sabe o que \u00e9. Pelo menos, at\u00e9 lhes ser perguntado! Quando a pergunta acontece, as respostas, muitas vezes, s\u00e3o pobres, imprecisas ou at\u00e9 erradas. Trata-se efetivamente de um conceito dif\u00edcil de definir. N\u00e3o admira, pois estamos a tentar definir (a operar no dom\u00ednio da racionalidade) algo que \u00e9 eminentemente afetivo e emocional. Mas esta dificuldade n\u00e3o pode deter o esfor\u00e7o de tentar definir e compreender o conceito de sexualidade, sob pena de a atua\u00e7\u00e3o nesse dom\u00ednio n\u00e3o ser eficaz ou eficiente. Existe uma defini\u00e7\u00e3o que consideramos bastante capaz. Trata-se da defini\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade.<\/p>\n<p><em>A sexualidade faz parte da personalidade de cada um, \u00e9 uma necessidade b\u00e1sica e um aspeto do ser humano que n\u00e3o pode ser separado de outros aspetos da vida. Sexualidade n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de coito (rela\u00e7\u00e3o sexual) e n\u00e3o se limita \u00e0 ocorr\u00eancia ou n\u00e3o de orgasmo. Sexualidade \u00e9 muito mais que isso, \u00e9 a energia que motiva a encontrar o amor, contacto e intimidade e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas, e como estas tocam e s\u00e3o tocadas. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, a\u00e7\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es e, portanto a sa\u00fade f\u00edsica e mental. Se sa\u00fade \u00e9 um direito humano fundamental, a sa\u00fade sexual tamb\u00e9m deveria ser considerada um direito humano b\u00e1sico. <\/em>(WHO TECHNICAL REPORTS SERIES, 1975)<\/p>\n<p>Nesta defini\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem patente a import\u00e2ncia do conceito e as suas principais caracter\u00edsticas e implica\u00e7\u00f5es. A grande conclus\u00e3o \u00e9 a de que a sexualidade \u00e9 verdadeiramente essencial para o desenvolvimento e equil\u00edbrio humano. N\u00e3o se pode exigir a ningu\u00e9m que viva sem esta dimens\u00e3o na sua vida. Importa ent\u00e3o abordar e tentar compreender, as dificuldades e entraves que algumas pessoas vivenciam neste dom\u00ednio, como \u00e9 o caso das pessoas com diversidade funcional e neurodiversidade. E faz sentido faz\u00ea-lo neste contexto, j\u00e1 que a sexualidade ainda \u00e9 muito encarada sobre o \u00e2mbito da motricidade\/desempenho, do pr\u00f3prio corpo e ainda das rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Pois bem, na diversidade funcional e neurodiversidade, estes aspetos encontram-se (em grau vari\u00e1vel) alterados do que se foi considerando normal. Mas ser\u00e1 que essas altera\u00e7\u00f5es inviabilizam a viv\u00eancia de uma sexualidade saud\u00e1vel e satisfat\u00f3ria? N\u00c3O, N\u00c3O e N\u00c3O! De seguida abordaremos essas tais dificuldades e entraves, porque elas efetivamente existem, e porque para alterar uma determinada realidade, primeiro h\u00e1 que conhec\u00ea-la bem. Assim, merecer\u00e3o a nossa aten\u00e7\u00e3o os seguintes aspetos: preconceitos, estere\u00f3tipos, exclus\u00e3o social, limita\u00e7\u00f5es severas ou corpos muito alterados, contexto familiar e contexto institucional.<\/p>\n<p>Relativamente aos preconceitos, existem dois tipos distintos: aqueles que s\u00e3o relativos \u00e0 sexualidade de uma forma geral e aqueles que respeitam \u00e0 defici\u00eancia e depois acabam por se refletir tamb\u00e9m na esfera sexual.<\/p>\n<p>Sobre o primeiro tipo, referimos um particularmente dram\u00e1tico, o da sexualidade ser considerada como meramente genital. Sendo o coito importante, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica forma de ter e dar prazer e por vezes (mais do que se poder\u00e1 imaginar) n\u00e3o \u00e9 a que mais prazer proporciona. Existe mais e al\u00e9m do coito, favorecendo uma compreens\u00e3o e viv\u00eancia afetiva mais saud\u00e1vel. Uma focaliza\u00e7\u00e3o excessiva no coito e uma vis\u00e3o fortemente genital da sexualidade levam ao desenvolvimento de uma sexualidade longe de se constituir como plena e at\u00e9 mesmo satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>No que respeita aos preconceitos ligados \u00e0 defici\u00eancia, temos fundamentalmente dois, e curiosamente s\u00e3o ant\u00f3nimos. Ainda existe muito pelo nosso pa\u00eds a cren\u00e7a de que as PCDFN s\u00e3o \u201cassexuadas\u201d ou \u201chipersexuadas\u201d. No primeiro caso, torna-se evidente que a forma como se v\u00ea a sexualidade na diversidade funcional e neurodiversidade \u00e9, efetivamente, a forma como se v\u00ea a diversidade funcional e neurodiversidade (defici\u00eancia) por si s\u00f3. De facto, em Portugal, a defici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 encarada, em regra, de forma positiva e est\u00e1 ainda contaminada pelo Modelo M\u00e9dico do s\u00e9culo anterior. Neste modelo, a defici\u00eancia \u00e9 encarada como um problema que o indiv\u00edduo tem e que deve ser resolvido. Foi neste contexto que surgiram os modelos de reabilita\u00e7\u00e3o que ainda v\u00e3o vigorando nos dias de hoje, naturalmente com algumas altera\u00e7\u00f5es. Importa entender que se vivia o per\u00edodo da revolu\u00e7\u00e3o industrial, onde a vis\u00e3o mecanicista do Homem dominava a ci\u00eancia. O corpo humano era uma m\u00e1quina (como as das f\u00e1bricas!) que quando avariava tinha de ser submetida a repara\u00e7\u00e3o. O que se buscava era o \u201cnormal\u201d. N\u00e3o havia espa\u00e7o para mais. Porque s\u00f3 o \u201cnormal\u201d era capaz de desempenhar as tarefas requeridas. \u00c9 neste contexto e nesta abordagem que as PCDFN s\u00e3o percecionadas como doentes e incapazes. Esta compreens\u00e3o estende-se a todos os dom\u00ednios da vida, inclusivamente nas quest\u00f5es da esfera sexual, surgindo assim a cren\u00e7a de incapacidade de sentir desejo ou sentir prazer.<\/p>\n<h4><em><strong>[&#8230;] a sexualidade \u00e9 motor de crescimento pessoal e desenvolvimento da pr\u00f3pria personalidade. N\u00e3o estamos a falar de algo menor<\/strong>.<\/em><\/h4>\n<p>Mas nos casos de neurodiversidade, a cren\u00e7a que predomina \u00e9 a da \u201chipersexualidade\u201d. \u00c9 a explica\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil e tamb\u00e9m a mais errada para explicar alguma procura de contacto e ainda manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de cariz sexual. Aquilo que \u00e9 esquecido, e que n\u00e3o deveria ser, \u00e9 que estas pessoas t\u00eam altera\u00e7\u00f5es na compreens\u00e3o, sendo muitas vezes necess\u00e1rio mais tempo e uma adequa\u00e7\u00e3o no discurso, para uma eficaz compreens\u00e3o. Isto quando t\u00eam algu\u00e9m para o fazer, o que nem sempre acontece nas quest\u00f5es da sexualidade, pois ainda existem medos e receios da sua abordagem na neurodiversidade. Assim, o que ainda vai acontecendo \u00e9 que estas pessoas n\u00e3o t\u00eam o acompanhamento necess\u00e1rio e desej\u00e1vel para compreenderem os impulsos que sentem e assim lidarem de forma mais saud\u00e1vel com a sua pr\u00f3pria sexualidade. Ainda a este respeito, a quest\u00e3o da n\u00e3o concretiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 importante. Por exemplo, quando temos muita sede, lembramo-nos constantemente de \u00e1gua e tentamos satisfazer essa necessidade assim que poss\u00edvel. Mas isso n\u00e3o nos torna obcecados ou fan\u00e1ticos por \u00e1gua. O que sucede \u00e9 que existe uma necessidade biol\u00f3gica e estamos orientados para a sua resolu\u00e7\u00e3o. Assim, salvaguardando as devidas dist\u00e2ncias, o mesmo se passa com a necessidade, desejo e impulsos sexuais que todos sentimos.<\/p>\n<p>Outro entrave encontrado s\u00e3o os estere\u00f3tipos. Desde cedo que nos v\u00e3o mostrando como devem ser as hist\u00f3rias de amor. Tudo come\u00e7a com os contos infantis, com um pr\u00edncipe num cavalo branco e um final feliz, certo? E continua depois nas novelas, filmes e na publicidade espalhada por todo o lado. Tanto \u00e9 incutida a \u201cforma correta de amar\u201d como os ideais de beleza quase sempre irrealistas e pouco saud\u00e1veis. Nestes ideais e imagens concebidas n\u00e3o existe lugar \u00e0 diversidade humana, o que acaba por criar e refor\u00e7ar mitos que deveriam ser destru\u00eddos. De facto, todos os corpos podem dar e receber prazer. Enquanto se nascer sempre com cora\u00e7\u00e3o, os afetos ser\u00e3o de todos quantos nas\u00e7am.<\/p>\n<p>A exclus\u00e3o social, indubitavelmente, tamb\u00e9m dificulta muito a viv\u00eancia dos afetos. Em Portugal, este fen\u00f3meno nas PCDFN \u00e9 ainda muito comum. Umas vezes por falta ou cansa\u00e7o da retaguarda familiar, outras vezes por dificuldades de acesso ao ensino, forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, emprego ou ao espa\u00e7o p\u00fablico mais comum, como por exemplo um caf\u00e9. Tudo isto inviabiliza uma efetiva inclus\u00e3o. Pois bem, viver socialmente est\u00e1 na g\u00e9nese e desenvolvimento de qualquer rela\u00e7\u00e3o afetiva. N\u00e3o se trata de uma certeza ou garantia, mas sim de uma possibilidade. E uma possibilidade \u00e9 j\u00e1 tanta coisa\u2026 Neste tema, o paradigma de Vida Independente, ganha import\u00e2ncia e urg\u00eancia de aplica\u00e7\u00e3o a n\u00edvel nacional. A liberdade, autonomia e autodetermina\u00e7\u00e3o em que se baseia, com a ajuda da figura do assistente pessoal, poderia resolver muita da exclus\u00e3o social existente, ao inv\u00e9s de se optar pela imoral e desumana institucionaliza\u00e7\u00e3o. Esta quest\u00e3o deve ser absolutamente central e assumida como prioridade nas pol\u00edticas para a defici\u00eancia no nosso pa\u00eds. Existe a promessa de finalmente, este ano, ser adotada no nosso pa\u00eds. Nada mais justo e digno para as PCDFN.<\/p>\n<p>O contexto familiar tamb\u00e9m exerce uma forte influ\u00eancia na viv\u00eancia afetiva. A depend\u00eancia, n\u00e3o raras vezes, leva a comportamentos de superprote\u00e7\u00e3o familiar, n\u00e3o sendo assim proporcionado espa\u00e7o e autonomia facilitadoras de emancipa\u00e7\u00e3o afetiva. \u00c9 comum, nestes casos, que o in\u00edcio da vida sexual seja feita tardiamente e acaba por ser poss\u00edvel com o importante papel facilitador que os amigos assumem. Entenda-se que as primeiras rela\u00e7\u00f5es surgem numa altura de constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade, quando nos come\u00e7amos a tornar mais independentes, o que dependendo de terceiros para desloca\u00e7\u00f5es ou idas ao wc por exemplo, se torna complicado. \u00c9 importante refletirmos nisto, pois a sexualidade \u00e9 motor de crescimento pessoal e desenvolvimento da pr\u00f3pria personalidade. N\u00e3o estamos a falar de algo menor. Dentro do dom\u00ednio familiar, existe outro aspeto importante anterior e que vai al\u00e9m da diversidade funcional. Trata-se do facto de culturalmente as fam\u00edlias portuguesas ainda terem dificuldades em falar do tema com os seus filhos. Informar \u00e9 importante, tanto mais por quem est\u00e1 pr\u00f3ximo, mas se n\u00e3o acontecer, o preju\u00edzo ser\u00e1 possivelmente maior nos que j\u00e1 se encontram em situa\u00e7\u00e3o de desvantagem ou fragilidade, como ser\u00e1 o caso dos jovens com diversidade funcional e neurodiversidade.<\/p>\n<h4><em><strong>[&#8230;] \u00e9 pertinente falar de uma figura inexistente em Portugal: a de assistente sexual<\/strong>. <strong>\u00c9 importante faz\u00ea-lo. Este \u00e9 um debate que ainda est\u00e1 por fazer no nosso pa\u00eds.<\/strong> <\/em><\/h4>\n<p>No que respeita ao contexto institucional t\u00eam havido melhorias, mas ainda muito h\u00e1 a fazer. Em muitos casos, em pouco ou nada se prev\u00ea a dimens\u00e3o sexual dos utentes, n\u00e3o existindo um espa\u00e7o com privacidade e conforto. Em contexto residencial, isto \u00e9 mais evidente ainda, sendo raro encontrar camas de casal. <strong>E<\/strong>ntrar numa institui\u00e7\u00e3o acaba como funcionar como uma senten\u00e7a de se ficar s\u00f3, e de impossibilidade de desenvolver la\u00e7os afetivos. N\u00e3o deveria ser assim, at\u00e9 porque muitas vezes as pessoas com diversidade funcional e neurodiversidade se relacionam entre si. Os t\u00e9cnicos t\u00eam aqui um importante papel na sinaliza\u00e7\u00e3o das necessidades detetadas e s\u00e3o, muitas vezes, os primeiros a querer encontrar solu\u00e7\u00f5es, pois s\u00e3o eles que contactam diretamente com os utentes. Mas sozinhos pouco poder\u00e3o fazer. Desejavelmente estas quest\u00f5es dever\u00e3o ser trabalhadas em conjunto com a institui\u00e7\u00e3o e com as fam\u00edlias dos utentes, o que nem sempre parece ser poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Outros aspetos que devem ainda merecer a m\u00e1xima aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o as fortes limita\u00e7\u00f5es funcionais\/motoras e tamb\u00e9m a exist\u00eancia de corpos muito alterados\/deformados pela doen\u00e7a, com as quais algumas pessoas vivem. Estes aspetos em conjunto com os que j\u00e1 referimos tornam dific\u00edlimo encontrar parceiro(a), existindo quase que uma impossibilidade de iniciar e desenvolver relacionamentos afetivos ou sexuais. Neste tipo de situa\u00e7\u00f5es \u00e9 pertinente falar de uma figura inexistente em Portugal: a de assistente sexual. \u00c9 importante faz\u00ea-lo. Este \u00e9 um debate que ainda est\u00e1 por fazer no nosso pa\u00eds. Um pouco por todo o mundo esta solu\u00e7\u00e3o tem vindo a ser implementada. Espanha, Su\u00ed\u00e7a, Jap\u00e3o e Estados Unidos da Am\u00e9rica s\u00e3o apenas alguns exemplos. De referir que a defini\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia sexual e a sua implementa\u00e7\u00e3o variam de pa\u00eds para pa\u00eds, n\u00e3o sendo um conceito com uma compreens\u00e3o universalmente aceite. Assim, existem modelos que classificar\u00edamos como mais assistencialistas ou m\u00e9dicos (Su\u00ed\u00e7a) e outros mais espont\u00e2neos ou comunit\u00e1rios (Espanha com a <em>Associa\u00e7\u00e3o TandemTeam<\/em>). Em todo o caso, existe uma abordagem \u00e0 assist\u00eancia sexual que consideramos particularmente interessante, referimo-nos \u00e0 vis\u00e3o de Antonio Centeno. Este ativista catal\u00e3o defende a assist\u00eancia sexual como a possibilidade de acesso ao pr\u00f3prio corpo, ou seja, quando algu\u00e9m n\u00e3o se consegue masturbar ou ter rela\u00e7\u00f5es sexuais sem a ajuda de um terceiro elemento (comum em casais em que ambos t\u00eam diversidade funcional) esta figura tem esse papel facilitador. N\u00e3o se trata da defini\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia sexual mais abrangente, mas \u00e9 para n\u00f3s aquela que melhor defende os direitos das PCDFN e promove uma vis\u00e3o da defici\u00eancia menos estigmatizadora, j\u00e1 que se distancia muito da prostitui\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o deixa de ser uma escolha poss\u00edvel, como \u00e9 para qualquer pessoa. Sobre a prostitui\u00e7\u00e3o, o desej\u00e1vel \u00e9 que se acabe com o vazio legal existente no nosso pa\u00eds e se finalmente legalize para seguran\u00e7a e dignidade tanto dos(as) profissionais como tamb\u00e9m dos(as) clientes.<\/p>\n<p>O que tentamos fazer com este texto, foi dar uma compreens\u00e3o de como a sociedade se organiza em torno da sexualidade em pessoas com diversidade funcional e\/ou neurodiversidade. Sociedade essa que \u00e9 constitu\u00edda por todos, tendo cada um de n\u00f3s responsabilidade na sua constru\u00e7\u00e3o e melhoramento. Aqui, n\u00e3o h\u00e1 inocentes. Todos sem exce\u00e7\u00e3o devem contribuir para uma sociedade compreensiva, humanista e acolhedora de toda a diversidade humana. 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