{"id":7209,"date":"2017-06-04T15:56:44","date_gmt":"2017-06-04T15:56:44","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7209"},"modified":"2019-03-27T08:32:08","modified_gmt":"2019-03-27T08:32:08","slug":"doenca-cronica-e-sexualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/06\/04\/doenca-cronica-e-sexualidade\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7a cr\u00f3nica e sexualidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/patriciapascoal.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9098\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/patriciapascoal-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>A opini\u00e3o de\u2026<\/strong><br \/>\nPatr\u00edcia Pascoal, terapeuta sexual e vice-presidente da SPSC<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 Junho 2017<\/p>\n<p><strong>Foto de <a href=\"https:\/\/500px.com\/LailaTorres\">Laila Torres<\/a><\/strong>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Falar de sexualidade e doen\u00e7a cr\u00f3nica \u00e9 uma tarefa matematicamente condenada ao insucesso, devido aos m\u00faltiplos fatores envolvidos. S\u00e3o muitas as doen\u00e7as cr\u00f3nicas. De acordo com o relat\u00f3rio <em>A Sa\u00fade dos Portugueses, Perspectiva 2015<\/em> da Dire\u00e7\u00e3o Geral da Sa\u00fade, as estimativas da carga global atribu\u00edvel a doen\u00e7as e les\u00f5es incluem por exemplo as neoplasias (17%), as perturba\u00e7\u00f5es mentais e do comportamento (10%), as doen\u00e7as respirat\u00f3rias cr\u00f3nicas (6%), entre outras.<\/p>\n<p>Adicionalmente, ter\u00edamos de considerar que s\u00e3o v\u00e1rias as fases da vida em que as doen\u00e7as se manifestam. E n\u00e3o nos podemos esquecer que algumas pessoas nascem j\u00e1 com uma doen\u00e7a cr\u00f3nica ou recebem o diagn\u00f3stico ainda na inf\u00e2ncia. O percurso e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a e ao impacto da doen\u00e7a na sexualidade, caso haja, ser\u00e1 necessariamente diferente nos\/as jovens e naqueles\/as que recebem um diagn\u00f3stico j\u00e1 na idade adulta. S\u00e3o tamb\u00e9m muitos os est\u00e1dios e manifesta\u00e7\u00f5es de cada doen\u00e7a. E s\u00e3o, habitualmente, muitos os tratamentos. Assim como as consequ\u00eancias dos tratamentos. E al\u00e9m disso, varia muito a rela\u00e7\u00e3o que cada pessoa tem com o seu corpo, e a sua sexualidade, antes e depois do diagn\u00f3stico. As combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre estes fatores s\u00e3o imensas.<\/p>\n<p>Se falar de forma compreensiva e completa acerca de sexualidade e doen\u00e7a cr\u00f3nica \u00e9 uma tarefa destinada ao insucesso (pela infinitude de combina\u00e7\u00f5es), n\u00e3o falar de todo de sexualidade na doen\u00e7a cr\u00f3nica \u00e9 impens\u00e1vel. \u00c9 impens\u00e1vel porque a pessoa com doen\u00e7a cr\u00f3nica n\u00e3o \u00e9 a doen\u00e7a, \u00e9 uma pessoa com uma doen\u00e7a. Ou seja, a doen\u00e7a \u00e9 uma componente da sua vida e a vida continua, apesar da doen\u00e7a. Continua&#8230; com a doen\u00e7a. O que quero dizer, \u00e9 que a pessoa com doen\u00e7a cr\u00f3nica tem de integrar a doen\u00e7a na sua vida. Tem de adquirir uma nova vida (ou uma extens\u00e3o da sua outra vida), agora com tratamentos, com sequelas, com sinais, com sintomas. E com toda a parafern\u00e1lia afetiva, social e interpessoal, que acompanha o processo. O processo de n\u00e3o tornar doen\u00e7a a pr\u00f3pria vida. Por isso, \u00e9 impens\u00e1vel n\u00e3o reconhecer e n\u00e3o assumir que a sexualidade \u00e9 uma das componentes e dimens\u00f5es da vida das pessoas que tem\/deve ser considerada.<\/p>\n<h4><em>Sabe-se que os\/as doentes cr\u00f3nicos\/as que mant\u00eam uma vida sexual satisfat\u00f3ria, t\u00eam uma melhor adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a e apresentam melhores n\u00edveis de qualidade de vida. \u00c9 portanto impens\u00e1vel n\u00e3o falar de todo de sexualidade em contexto de doen\u00e7a cr\u00f3nica<\/em><\/h4>\n<p>Mas ser\u00e1 esta tarefa poss\u00edvel sem que abordemos a dimens\u00e3o aparentemente mais distante, mas extremamente relevante, que \u00e9 a estigmatiza\u00e7\u00e3o da vida sexual das pessoas com uma doen\u00e7a cr\u00f3nica? Ser\u00e1 esta tarefa poss\u00edvel sem se admitir a nega\u00e7\u00e3o social do corpo doente enquanto corpo sexual \u2013 nega\u00e7\u00e3o e ostraciza\u00e7\u00e3o que se revela na comunica\u00e7\u00e3o entre amigos\/as, companheiro\/as e profissionais de sa\u00fade? Podemos pensar que &#8211; na tradi\u00e7\u00e3o do <em>n\u00e3o h\u00e1 fumo sem fogo<\/em> &#8211; esta estigmatiza\u00e7\u00e3o se ancora fortemente nos dados. E os dados dizem que pessoas com doen\u00e7as cr\u00f3nicas diminuem, ou excluem, a vida sexual da sua vida. Se assim \u00e9, ent\u00e3o a ideia de que as pessoas com doen\u00e7a cr\u00f3nica n\u00e3o t\u00eam vida sexual estaria certa, ou quase certa, ou certa na maioria dos casos. Mas n\u00e3o \u00e9 assim. Melhor, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 assim. Sabe-se que os\/as doentes cr\u00f3nicos\/as que mant\u00eam uma vida sexual satisfat\u00f3ria, t\u00eam uma melhor adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a e apresentam melhores n\u00edveis de qualidade de vida. \u00c9 portanto impens\u00e1vel n\u00e3o falar de todo de sexualidade em contexto de doen\u00e7a cr\u00f3nica.<\/p>\n<p>Mas poder\u00e1 uma pessoa que v\u00ea o seu corpo ser apropriado pela doen\u00e7a, e por aqueles que dela tratam, sentir-se sexual? Pode. Essa possibilidade existe devido a caracter\u00edsticas da pr\u00f3pria pessoa, da doen\u00e7a, das rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas (erotizadas ou n\u00e3o) que tenha, mas tamb\u00e9m ao trabalho que os profissionais de sa\u00fade podem desenvolver. Contudo, a maioria dos profissionais de sa\u00fade que atua na doen\u00e7a cr\u00f3nica n\u00e3o se sente \u00e0 vontade com a tem\u00e1tica da sexualidade, n\u00e3o tem forma\u00e7\u00e3o ou compet\u00eancia na \u00e1rea da sexologia e\/ou n\u00e3o aborda o impacto que a doen\u00e7a ou tratamentos podem ter a curto, m\u00e9dio ou longo prazo, na express\u00e3o sexual. Deixando muitas vezes os\/as doentes a boiar no mar das d\u00favidas e dos medos.<\/p>\n<p>Por outro lado, mesmo com profissionais formados em sexologia, com compet\u00eancias e \u00e0-vontade para elucidar e apoiar, s\u00e3o os\/as pr\u00f3prios\/as doentes que se sentem desconfort\u00e1veis. Receiam que de baixo do espetro da incapacidade, do sofrimento e\/ou da morte, reclamar o direito ao prazer sexual possa parecer inadequado ou ileg\u00edtimo. Receiam que possa parecer uma pervers\u00e3o ou inadequa\u00e7\u00e3o sexual. Uma dificuldade que forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida em sexualidade humana, com treino de compet\u00eancias comunicacionais ao n\u00edvel das licenciaturas, ajuda a diminuir.<\/p>\n<h4><em>Na doen\u00e7a, a rela\u00e7\u00e3o com o corpo, com o mundo, com a outra pessoa, muda. E isso permite muitas vezes sair de rotinas e gui\u00f5es conhecidos, explorar novas posi\u00e7\u00f5es, novas sensa\u00e7\u00f5es. Emergem novas formas de express\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o sexual<\/em><\/h4>\n<p>Pode-se ainda olhar para a viv\u00eancia da doen\u00e7a e sexualidade de outro prisma: o conhecimento da express\u00e3o sexual em contexto de doen\u00e7a tem um potencial enorme para nos ajudar a compreender a sexualidade humana. Na doen\u00e7a, a rela\u00e7\u00e3o com o corpo, com o mundo, com a outra pessoa, muda. E isso permite muitas vezes sair de rotinas e gui\u00f5es conhecidos, explorar novas posi\u00e7\u00f5es, novas sensa\u00e7\u00f5es. Emergem novas formas de express\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o sexual, de afirma\u00e7\u00e3o sexual, de conflito e ajustamento aos\/\u00e0s parceiros\/as.<\/p>\n<p>Neste contexto, o de participar enquanto cidad\u00e3os e cidad\u00e3s ou cuidadores\/as de algu\u00e9m com uma doen\u00e7a cr\u00f3nica, importa lembrar que n\u00e3o sabemos nada daquela pessoa, do que o sexo \u00e9 ou pode ser para ela. Ainda que n\u00e3o possa ser escamoteada a presen\u00e7a da doen\u00e7a, esta n\u00e3o define a pessoa nem as suas significa\u00e7\u00f5es, necessidades e o seu prazer. Estes s\u00e3o exclusivos e podem precisar de tempo e espa\u00e7o para se expressar. Aceitar, reconhecer e respeitar este processo \u00e9 fundamental.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] A opini\u00e3o de\u2026 Patr\u00edcia Pascoal, terapeuta sexual e vice-presidente da SPSC Data 4 Junho 2017 Foto de Laila Torres[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Falar de sexualidade e doen\u00e7a cr\u00f3nica \u00e9 uma tarefa matematicamente condenada ao insucesso, devido aos m\u00faltiplos fatores envolvidos. S\u00e3o muitas as doen\u00e7as cr\u00f3nicas. 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