{"id":7216,"date":"2017-06-04T17:06:14","date_gmt":"2017-06-04T17:06:14","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7216"},"modified":"2019-03-27T08:24:59","modified_gmt":"2019-03-27T08:24:59","slug":"da-indiferenca-na-diferenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/06\/04\/da-indiferenca-na-diferenca\/","title":{"rendered":"Da indiferen\u00e7a na diferen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/anagarretbublle.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7232\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/anagarretbublle.jpg\" alt=\"\" width=\"272\" height=\"272\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>A reflex\u00e3o de\u2026<br \/>\n<\/strong>Ana Garrett, psic\u00f3loga cl\u00ednica, neuropsic\u00f3loga no Hospital Vila Franca de Xira, e autora do programa Mo-Re-Sex (Modelo de Reabilita\u00e7\u00e3o da Sexualidade).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 de Junho de 2017<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]A atividade sexual, distinta da sexualidade, est\u00e1 fisiologicamente preparada para assegurar a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie, pelo que existe uma componente irracional, reflexa e animal. A sociedade encara exclusivamente o sexo numa perspectiva em que o p\u00e9nis assume o papel principal, e n\u00e3o considera a penetra\u00e7\u00e3o como apenas um detalhe da actividade sexual. Para a maioria das pessoas, o normal \u00e9 conseguir que o p\u00e9nis mantenha uma erec\u00e7\u00e3o de qualidade suficiente que permita o coito e, no final, o orgasmo e a ejacula\u00e7\u00e3o. A estimula\u00e7\u00e3o manual ou oral \u00e9 observada como um preliminar imediatamente antes do ato propriamente dito.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o certo, \u00e9 prov\u00e1vel que daqui parta a hip\u00f3tese de que as pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica adquirida tendem a ser consideradas assexuadas pelas sociedades em que est\u00e3o inseridas. A cren\u00e7a de que, por terem algum tipo de incapacidade, n\u00e3o s\u00e3o atrativas nem desej\u00e1veis (e, como tal, dificilmente encontrar\u00e3o parceiro), parece ser a principal culpada; um <em>mea culpa <\/em>ao pressuposto de que estas n\u00e3o possuem necessidades dessa natureza, pela incapacidade de sentir <em>fisiologicamente<\/em> desejo, tamb\u00e9m dever\u00e1 ser requerido.<\/p>\n<p>Efectivamente, a les\u00e3o medular tem implica\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas negativas no desempenho sexual. Em grosso modo, no caso dos homens as dificuldades em obter uma erec\u00e7\u00e3o eficaz e consistente para a pr\u00e1tica do coito, est\u00e3o, na maior parte das vezes, presentes. Para al\u00e9m disso, a percep\u00e7\u00e3o do orgasmo e a capacidade ejaculat\u00f3ria s\u00e3o, de igual modo, afectadas. As mulheres descrevem diminui\u00e7\u00e3o da lubrifica\u00e7\u00e3o vaginal, para al\u00e9m de aus\u00eancia de sensa\u00e7\u00e3o. Assim, deduz-se rapidamente que a maior parte das pessoas com les\u00e3o medular n\u00e3o esperam vir a recuperar a sua vida sexual conforme reconhecem ter tido antes do evento traum\u00e1tico.<\/p>\n<p>Parecem ser estas dedu\u00e7\u00f5es que encaixam na perfei\u00e7\u00e3o na <em>confort\u00e1vel<\/em> assexualidade: o sistem\u00e1tico comportamento de evitamento que transparece nas explica\u00e7\u00f5es vagas e no negligenciar de pr\u00e1ticas interventivas e orienta\u00e7\u00f5es concretas, que possam melhorar a vida sexual das pessoas com les\u00e3o medular, \u00e9 espelho disso.<\/p>\n<p>Em Portugal apesar dos profissionais de sa\u00fade transmitirem a ideia de que conversam com estas pessoas acerca da sua nova condi\u00e7\u00e3o sexual, esse facto n\u00e3o \u00e9 evidenciado nas publica\u00e7\u00f5es existentes, nem em estudos recentes que deram voz \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em causa. Temas como o amor rom\u00e2ntico, a intimidade e a sexualidade, raramente s\u00e3o abordados, negligenciando-se, assim, express\u00f5es de sexualidade como promotoras do auto-conceito e autoestima.<\/p>\n<h4><em>Em Portugal apesar dos profissionais de sa\u00fade transmitirem a ideia de que conversam com estas pessoas acerca da sua nova condi\u00e7\u00e3o sexual, esse facto n\u00e3o \u00e9 evidenciado nas publica\u00e7\u00f5es existentes, nem em estudos recentes que deram voz \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em causa <\/em><\/h4>\n<p>Convenientemente sublinham-se argumentos de que a vida sexual e a sexualidade individual s\u00e3o assuntos da esfera privada, habitualmente partilhados com pessoas afins, porquanto, abordar o tema com terceiros \u00e9, normalmente, fonte de inibi\u00e7\u00e3o, inclusive (<em>sobretudo?<\/em>) para os profissionais de sa\u00fade, mesmo quando integrada num contexto cl\u00ednico. Tamb\u00e9m porque \u00e9 dif\u00edcil dizer em que momento do processo surge a primeira preocupa\u00e7\u00e3o de \u00edndole sexual, surge outro argumento, escamoteado no luto e na aceita\u00e7\u00e3o desta nova realidade, que pode condicionar a interven\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da sexualidade. Sabe-se, contudo, que \u00e9 durante o per\u00edodo de reabilita\u00e7\u00e3o inicial que surge a redescoberta sexual, pelo que as informa\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es podem constituir um contributo importante para a obten\u00e7\u00e3o de resultados positivos em todo o processo de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no seu conjunto, o alheamento face \u00e0 problem\u00e1tica da reeduca\u00e7\u00e3o sexual das pessoas com les\u00e3o medular, pode resultar da inexist\u00eancia de um trabalho de equipa organizado e estruturado para este fim. A inseguran\u00e7a quanto aos conhecimentos e quanto ao papel de cada um, poder\u00e1 ser ultrapassada com a implementa\u00e7\u00e3o de equipas multidisciplinares de reeduca\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o da vida sexual e da sexualidade, integradas num programa hol\u00edstico de interven\u00e7\u00e3o. Mas, comum e infelizmente, ao inv\u00e9s de ser encarada como uma actividade estimulante e prazerosa, a sexualidade assume contornos de tabu e encerra s\u00f3lidos obst\u00e1culos na sua reabilita\u00e7\u00e3o, ignorando e omitindo que o experimentar e o reinventar do significado da sexualidade, s\u00e3o aspectos fundamentais para o processo de uma boa adapta\u00e7\u00e3o a uma nova realidade sexual.<\/p>\n<p>Viajando bibliograficamente no tempo, nas d\u00e9cadas de 70 e 80, encontramos optimismo nas prof\u00edcuas publica\u00e7\u00f5es, repletas de propostas de estrat\u00e9gias a implementar, nomeadamente, programas educacionais direccionados \u00e0s equipas multidisciplinares, com o intuito de incentivar a abordagem \u00e0 vida sexual destas pessoas ainda durante a fase aguda\/per\u00edodo de internamento, promovendo a sua reabilita\u00e7\u00e3o hol\u00edstica. Ap\u00f3s este per\u00edodo de proficiente produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o vazio \u00e9 encontrado na literatura, n\u00e3o havendo informa\u00e7\u00e3o clara de que os referidos programas tivessem sido implementados, nem da avalia\u00e7\u00e3o da sua efic\u00e1cia.<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] este tema situa-se, aparentemente, na esfera do academicamente pouco ou nada interessante e com fraca raz\u00e3o relevante, logo, pouco apoiado (ignorado) pela comunidade cient\u00edfica. \u00c9 uma minoria, mas n\u00e3o est\u00e1 na moda<\/em><\/h4>\n<p>Mas em bom rigor nem tudo tem corrido mal para os homens com les\u00e3o medular. A prova disso \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o assente nos meios auxiliares de interven\u00e7\u00e3o para a reabilita\u00e7\u00e3o (da fun\u00e7\u00e3o) sexual, como a medica\u00e7\u00e3o por via sist\u00e9mica (ex. sildenafil, vardenafil, tadalafil), a medica\u00e7\u00e3o por via t\u00f3pica (ex. alprostadil), os meios mec\u00e2nicos (ex. bomba de v\u00e1cuo, implante cir\u00fargico) e os meios psicoterap\u00eauticos (ex. vertentes de abordagem comportamental, psicanal\u00edtica, de orienta\u00e7\u00e3o din\u00e2mica, de grupo, hipnoterapia, cognitivo-comportamental). De salientar que dos meios psicoterap\u00eauticos, o <em>feedback<\/em> apresentado tem-se revelado praticamente nulo.<\/p>\n<p>As mulheres com les\u00e3o medular viram\/v\u00eam as investiga\u00e7\u00f5es\/interven\u00e7\u00f5es dirigidas para a descoberta do melhor e mais eficaz lubrificante vaginal (de modo a evitar les\u00f5es internas, ocasionadas pela aus\u00eancia de sensibilidade) e para a procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida. A satisfa\u00e7\u00e3o sexual feminina e a sua sexualidade, mant\u00e9m-se l\u00e1 longe, encerrada nas catacumbas da hist\u00f3ria da humanidade!<\/p>\n<p>No fundo, este tema situa-se, aparentemente, na esfera do academicamente pouco ou nada interessante e com fraca raz\u00e3o relevante, logo, pouco apoiado (ignorado) pela comunidade cient\u00edfica. \u00c9 uma minoria, <em>mas<\/em> n\u00e3o est\u00e1 na moda. Quem desenvolve actividade profissional junto destas pessoas, passa an\u00f3nimo pelos <em>intervalos da chuva da interven\u00e7\u00e3o<\/em>, esbarra nas s\u00f3lidas portas fechadas das mentalidades que insistem no foco da genitalidade e, este sim, constitui o factor mais complexo da ac\u00e7\u00e3o. Que pena!<\/p>\n<p>* Por decis\u00e3o pessoal, a autora do texto n\u00e3o escreve segundo o novo Acordo Ortogr\u00e1fico[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] A reflex\u00e3o de\u2026 Ana Garrett, psic\u00f3loga cl\u00ednica, neuropsic\u00f3loga no Hospital Vila Franca de Xira, e autora do programa Mo-Re-Sex (Modelo de Reabilita\u00e7\u00e3o da Sexualidade). &nbsp; Data 4 de Junho de 2017 [\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]A atividade sexual, distinta da sexualidade, est\u00e1 fisiologicamente preparada para assegurar a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie, pelo que existe uma componente irracional, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[816,57,56],"tags":[377,373,112,372,371,374,376,375],"class_list":["post-7216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-de-opiniao","category-cidadania-da-sexualidade","category-saude-sexual","tag-alprotadil","tag-bomba-de-vacuo","tag-deficiencia","tag-deficiencia-e-sexualidade","tag-lesao-vertebro-medular-e-sexualidade","tag-sildenafil","tag-tadalafil","tag-vardenafil"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7216"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7216\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9251,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7216\/revisions\/9251"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}