{"id":7222,"date":"2017-06-05T10:55:38","date_gmt":"2017-06-05T10:55:38","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7222"},"modified":"2019-03-27T08:22:23","modified_gmt":"2019-03-27T08:22:23","slug":"as-pessoas-portadoras-de-deficiencia-mental-tambem-sao-seres-sexuados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/06\/05\/as-pessoas-portadoras-de-deficiencia-mental-tambem-sao-seres-sexuados\/","title":{"rendered":"As pessoas portadoras de defici\u00eancia mental tamb\u00e9m s\u00e3o seres sexuados"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Exp16c-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-7224\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Exp16c-1-285x300.jpg\" alt=\"\" width=\"285\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 conversa com\u2026<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.degois.pt\/visualizador\/curriculum.jsp?key=1129347039377712\">Ant\u00f3nio Manuel Marques<\/a>, soci\u00f3logo e psic\u00f3logo social, Professor-Coordenador na <a href=\"http:\/\/www.si.ips.pt\/ess_si\/web_page.inicial\">Escola Superior de Sa\u00fade do Instituto Polit\u00e9cnico de Set\u00fabal<br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><strong>Email<\/strong><br \/>\nantonio.marques@ess.ips.pt<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n6 de Junho de 2017<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong>Entrevista<\/strong><\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>Isabel Freire<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>O soci\u00f3logo e psic\u00f3logo social Ant\u00f3nio Manuel Marques (professor na Escola Superior de Sa\u00fade do Instituto Polit\u00e9cnico de Set\u00fabal) tem um vasto curr\u00edculo em mat\u00e9rias de educa\u00e7\u00e3o sexual em geral, e no contexto da defici\u00eancia mental, em particular. Nesta entrevista ficamos a saber que h\u00e1 mudan\u00e7as positivas na forma de se encarar o direito \u00e0 sexualidade das pessoas portadoras de defici\u00eancia mental no nosso pa\u00eds (PPDM). As fam\u00edlias est\u00e3o mais atentas e preocupadas em pensar e discutir o tema, muito embora mais no caso dos filhos, do que no caso das filhas. Na academia o tema \u00e9 mais estudado. Nas institui\u00e7\u00f5es h\u00e1 j\u00e1 profissionais \u00e0 procura de respostas para as m\u00faltiplas quest\u00f5es e problemas. Um deles \u00e9 o abuso sexual. Em 2014, metade das raparigas e mulheres portadoras de defici\u00eancia no nosso pa\u00eds, sofreram-no no contexto da fam\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013 Que mitos (ou ideias equ\u00edvocas) temos ainda acerca da sexualidade das pessoas com defici\u00eancia mental?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Manuel Marques \u2013<\/strong> Existem alguns sinais de mudan\u00e7a na aceita\u00e7\u00e3o de que a dimens\u00e3o sexual est\u00e1 presente, inevitavelmente, nas pessoas portadoras de defici\u00eancia mental (PPDM). Mas outros sinais mostram que essa aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 mais concetual do que efetiva. Gen\u00e9rica e infelizmente, poder\u00e3o estar ainda muito difundidas representa\u00e7\u00f5es sociais que associam as PPDM \u00e0 infantilidade. Essa estrutura de pensamento acentua as suas limita\u00e7\u00f5es cognitivas e psicossociais (e, \u00e0s vezes, f\u00edsicas). Sustenta a nega\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es e necessidades de natureza sexual. Da\u00ed, serem prescind\u00edveis a\u00e7\u00f5es concretas por parte de quem cuida e tem responsabilidades sobre essas pessoas.<\/p>\n<p>Em aparente contradi\u00e7\u00e3o, outra conce\u00e7\u00e3o acerca das PPDM que ainda \u00e9 expressa representa-as como seres sem autodom\u00ednio sobre as puls\u00f5es sexuais, em geral, exacerbadas. Essa conce\u00e7\u00e3o recorre \u00e0 evid\u00eancia quotidiana (ou a ideias do senso comum) para construir epis\u00f3dios em que a aus\u00eancia de aprendizagens formalmente conduzidas proporcionou comportamentos sexuais socialmente desadequados e indesej\u00e1veis (exibi\u00e7\u00e3o do corpo, realiza\u00e7\u00e3o de comportamentos sexuais, ass\u00e9dio a outras pessoas, por exemplo). Prevalecem, portanto, estas duas formas extremadas de olhar para as PPDM, ambas do campo representacional, com repercuss\u00f5es nas formas de nos relacionarmos com elas, de organizar os seus percursos educativos, profissionais e relacionais. A denomina\u00e7\u00e3o de pessoa portadora de defici\u00eancia mental abrange uma multiplicidade de situa\u00e7\u00f5es, sob os pontos de vista f\u00edsico, cognitivo, psicossocial e socioecon\u00f3mico, pelo que a generaliza\u00e7\u00e3o ter\u00e1 de ser, sempre, cautelosa. Admitamos, contudo, que existe um facto inilud\u00edvel que as torna semelhantes: s\u00e3o seres sexuados e essa caracter\u00edstica b\u00e1sica h\u00e1-de manifestar-se, de uma forma ou de outra. Assim, as estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o, envolvendo as PPDM, as fam\u00edlias e os profissionais, s\u00e3o absolutamente necess\u00e1rias e ter\u00e3o de ser sempre adaptadas a cada situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que conquistas recentes foram feitas no nosso pa\u00eds, ao n\u00edvel das viv\u00eancias da sexualidade das pessoas com defici\u00eancia mental?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AMM \u2013<\/strong> Nos contactos com familiares de jovens e jovens-adultos PPDM, tenho constatado alguma mudan\u00e7a nas suas preocupa\u00e7\u00f5es e nos princ\u00edpios que defendem. Ainda que sejam mais as fam\u00edlias dos rapazes\/homens a express\u00e1-lo, considero muito positivo o seu grau de abertura para falar sobre o assunto e para debater quest\u00f5es pr\u00e1ticas sobre a sexualidade dos seus filhos (de sexo masculino). Expressam o desejo de apoio para dialogarem sobre o tema com eles, encontrarem solu\u00e7\u00f5es para que estes consigam aproximar-se do padr\u00e3o dos jovens e jovens-adultos ditos \u2018normais\u2019, incluindo a sua autonomiza\u00e7\u00e3o face \u00e0 fam\u00edlia e a constitui\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es conjugais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a partir desses eventos p\u00fablicos, tenho-me cruzado com profissionais e ativistas que reivindicam medidas para que a discuss\u00e3o seja aprofundada e sejam efetivamente reconhecidos os direitos sexuais \u00e0s pessoas portadoras de defici\u00eancia (f\u00edsica ou mental). Destacaria a associa\u00e7\u00e3o <em>Sim, N\u00f3s Fodemos<\/em> e o <em>Observat\u00f3rio da Defici\u00eancia e Direitos Humanos <\/em>(ISCSP-Universidade de Lisboa).<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Entre os profissionais que trabalham no contexto da defici\u00eancia mental prevalecem ainda muitos dos velhos preconceitos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AMM \u2013<\/strong> Os meus contactos mais diretos com profissionais at\u00e9 h\u00e1 cerca de dez anos, mostraram-me as dificuldades dos profissionais das v\u00e1rias \u00e1reas, apesar da manifesta vontade em ultrapass\u00e1-las. Atualmente, existe procura e ades\u00e3o a forma\u00e7\u00f5es espec\u00edficas por parte de profissionais de diferentes \u00e1reas \u2013 como a Associa\u00e7\u00e3o para o Planeamento da Fam\u00edlia (pioneira nesse trabalho) tem dado conta.<\/p>\n<p>As minhas perce\u00e7\u00f5es e experi\u00eancia profissional sugerem-me que as forma\u00e7\u00f5es pr\u00e9-graduadas e mesmo p\u00f3s-graduadas nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o, anima\u00e7\u00e3o social, ci\u00eancias sociais e humanas e da sa\u00fade n\u00e3o garantem as compet\u00eancias essenciais para que os profissionais tenham a seguran\u00e7a suficiente para intervir de forma sustentada, refletida e consensualizada. Mas destacaria ainda como sinal de mudan\u00e7a, o interesse acad\u00e9mico crescente sobre esta tem\u00e1tica. A lista de trabalhos de licenciatura e mestrado sobre a sexualidade das PPDM tem vindo a aumentar nos \u00faltimos dez anos. Os contributos das \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o e das ci\u00eancias sociais e humanas, de institui\u00e7\u00f5es de ensino superior de todo o pa\u00eds, poder\u00e3o assinalar um interesse crescente sobre a problem\u00e1tica, o que poder\u00e1 vir a contribuir para que os profissionais ajam positivamente para garantir que o conhecimento acad\u00e9mico se traduza em pr\u00e1ticas desej\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 H\u00e1 ainda quem defenda a esteriliza\u00e7\u00e3o de jovens com defici\u00eancia mental, como forma de evitar gravidezes indesejadas. O que pensa destas propostas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AMM \u2013<\/strong> A denomina\u00e7\u00e3o de PPDM \u00e9 demasiado gen\u00e9rica e, logo, facilmente geradora de equ\u00edvocos e desrespeitadora da individualidade. As solu\u00e7\u00f5es para promover a sa\u00fade sexual e reprodutiva das jovens e mulheres portadoras de defici\u00eancia mental n\u00e3o devem ser uniformizadas, sem pondera\u00e7\u00e3o das suas especificidades e direitos. Atualmente, existem recursos contracetivos menos radicais, como o implante contracetivo, que n\u00e3o carece de compet\u00eancias complexas para assegurar a sua efic\u00e1cia. Todavia, \u00e9 desej\u00e1vel que a decis\u00e3o sobre a contrace\u00e7\u00e3o das jovens e mulheres portadoras de defici\u00eancia mental seja seriamente tratada, considerando a probabilidade de estas poderem envolver-se em atividades sexuais potencialmente geradoras de uma gravidez, bem como as suas condicionantes f\u00edsicas e psicossociais.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Em mat\u00e9rias de educa\u00e7\u00e3o sexual, que conselhos daria aos pais de crian\u00e7as\/jovens com defici\u00eancia mental?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AMM \u2013<\/strong> Como princ\u00edpio orientador b\u00e1sico, conv\u00e9m que os pais, as m\u00e3es e outros cuidadores integrem a inevitabilidade de refletirem sobre a dimens\u00e3o sexual da PPDM pela qual s\u00e3o respons\u00e1veis. Essa dimens\u00e3o n\u00e3o pode anular-se. Em algum momento emerge a necessidade de pensar e agir sobre ela. Por muito complexa que seja a condi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, jovem ou adulto, a dimens\u00e3o sexual dever\u00e1 ser sempre considerada para ambos os sexos.<\/p>\n<p>As d\u00favidas e inseguran\u00e7as dos pais, das m\u00e3es e doutros cuidadores sobre a necessidade e os modos de concretizar a educa\u00e7\u00e3o sexual das PPDM s\u00e3o habituais e compreens\u00edveis. Ainda que as particularidades de cada PPDM exijam diferentes a\u00e7\u00f5es, \u00e9 sempre poss\u00edvel e desej\u00e1vel identificar as que mais se adequam a cada caso. A partilha das d\u00favidas e procura de orienta\u00e7\u00e3o junto de profissionais (ainda que, como disse, alguns sintam igual inseguran\u00e7a) poder\u00e1 ser um caminho a ensaiar.<\/p>\n<p>A partilha de d\u00favidas e de solu\u00e7\u00f5es com outros pais, m\u00e3es e cuidadores, pode ser uma via muito positiva, pelo que se justifica a cria\u00e7\u00e3o de momentos formais que a facilitem.<\/p>\n<p>Quando a condi\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, jovem ou adulto o permite, as estrat\u00e9gias de educa\u00e7\u00e3o sexual genericamente difundidas no contexto da dita \u2018normalidade\u2019 t\u00eam toda a validade, tamb\u00e9m para as PPDM: comunica\u00e7\u00e3o informal, quotidiana, e simples sobre a sexualidade e disponibiliza\u00e7\u00e3o de recursos pedag\u00f3gicos impressos ou audiovisuais. Tal como na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e adolescentes ditos normais, a garantia de comunica\u00e7\u00e3o entre as fam\u00edlias e os profissionais acerca das atividades de educa\u00e7\u00e3o sexual formal contribui para a sua efic\u00e1cia. No contexto da DM, essa articula\u00e7\u00e3o entre a fam\u00edlias e os profissionais\/institui\u00e7\u00f5es poder\u00e1 ser mais premente, uma vez que, genericamente, mensagens contr\u00e1rias ou contradit\u00f3rias com diferentes origens ser\u00e3o, possivelmente, contraproducentes e, logo, ineficazes e indesej\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Entre adolescentes com defici\u00eancia mental encontramos as mesmas problem\u00e1ticas que encontramos entre os jovens em geral (gravidez precoce, Infec\u00e7\u00f5es Sexualmente Transmiss\u00edveis, por exemplo)? <\/strong><\/p>\n<p><strong>AMM \u2013<\/strong> N\u00e3o tenho dados fi\u00e1veis sobre estes temas e, suponho, que poder\u00e3o ser dif\u00edceis de identificar. Informalmente, atrav\u00e9s de contactos pessoais, circulam narrativas acerca de um dos efeitos da desejada inclus\u00e3o de algumas PPDM. Ou seja, dando cumprimento ao desejo e ao direito dessas pessoas acederem a contextos antes vedados (o ensino regular, o emprego, a participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica, os momentos l\u00fadicos e o espa\u00e7o p\u00fablico), as PPDM poder\u00e3o ter mais oportunidades para se relacionarem entre si e tamb\u00e9m com as pessoas ditas \u2018normais\u2019. Se essa inclus\u00e3o n\u00e3o for sustentada pelo desenvolvimento de compet\u00eancias sociais e informa\u00e7\u00f5es essenciais sobre a sexualidade, haver\u00e1 um n\u00edvel superior de exposi\u00e7\u00e3o ao risco de uma gravidez precoce ou n\u00e3o planeada ou a uma IST.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m informalmente, t\u00eam-me chegado narrativas que d\u00e3o conta da ades\u00e3o de alguns jovens (de ambos os sexos) PDM \u00e0s redes sociais. Essa realidade pode ser encarada como uma oportunidade de desenvolvimento pessoal a v\u00e1rios n\u00edveis. Contudo, tem associados alguns problemas, quando n\u00e3o est\u00e3o garantidos o acompanhamento b\u00e1sico e as compet\u00eancias necess\u00e1rias para avaliar os riscos potenciais associados aos contactos com desconhecidos, facilitando situa\u00e7\u00f5es de abuso e de explora\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 O abuso sexual \u00e9 recorrente entre pessoas com defici\u00eancia mental?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AMM \u2013<\/strong> Os contextos familiares comportam tamb\u00e9m alguns riscos quanto ao abuso e viol\u00eancia sexuais (como no contexto da dita \u2018normalidade\u2019). Um estudo apresentado em 2014 pelo <em>Observat\u00f3rio da Defici\u00eancia e Direitos Humanos <\/em>(ISCSP-Universidade de Lisboa), conduzido por Paula Campos Pinto, apontou para que metade das raparigas e mulheres portadoras de defici\u00eancia seja v\u00edtima de abuso sexual, frequentemente por parte de familiares. Este estudo confirma tamb\u00e9m a presen\u00e7a e os efeitos das desigualdades de g\u00e9nero nesta popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 E a quest\u00e3o da homossexualidade. Registam-se tamb\u00e9m dificuldades de <em>come out<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AMM \u2013 <\/strong>A homossexualidade das PPDM \u00e9 um tema que tem vindo a ganhar alguma visibilidade nos debates acerca da sexualidade destas pessoas. Tenho conhecimento de situa\u00e7\u00f5es ocorridas em contexto organizacional em que houve necessidade de refletir sobre ele. Pelo que entendo, este tema tem surgido por duas vias: a explicita\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o homossexual por parte dos jovens (de ambos os sexos) e o questionamento dos profissionais acerca do que devem assumir quando existem comportamentos expl\u00edcitos em contexto institucional.<\/p>\n<p>Diria que alguns jovens PDM tomam conhecimento de que a homossexualidade \u00e9 uma orienta\u00e7\u00e3o sexual admiss\u00edvel e sentem-se suficientemente empoderados para expressar os seus sentimentos e vontade. Por seu lado, os profissionais poder\u00e3o (hoje mais do que h\u00e1 alguns anos) questionar o seu direito em subalternizar ou condenar essa orienta\u00e7\u00e3o sexual, mas, ao mesmo tempo, podem sentir-se inseguros quanto aos modos como os seus posicionamentos poder\u00e3o gerar conflitos intra-organizacionais ou na rela\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Se a sexualidade das PPDM \u00e9 um tema ainda n\u00e3o totalmente integrado (em termos efetivos), mais dificilmente ser\u00e1 aceite se esta envolver a orienta\u00e7\u00e3o homossexual. Gostaria, todavia, que a minha opini\u00e3o estivesse errada.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Raramente ouvimos falar de pessoas com defici\u00eancia mental que tenham desenvolvido rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis, com filhos. Estas situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o realmente raras?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AMM \u2013<\/strong> Julgo que em Portugal n\u00e3o sejam situa\u00e7\u00f5es muito comuns, e que tal se deva \u00e0 conjuga\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos fatores. Desde a d\u00e9cada de 80 que os servi\u00e7os p\u00fablicos canadianos implementaram recursos espec\u00edficos para suporte especial e espec\u00edfico a estes casos.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 H\u00e1 figuras de refer\u00eancia (ou institui\u00e7\u00f5es de refer\u00eancia), que tenham marcado positivamente o tema da sexualidade na defici\u00eancia mental, no nosso pa\u00eds, contribuindo para novas perspetivas \u2013 positivas \u2013 sobre o tema?<\/strong><\/p>\n<p><strong>AMM \u2013<\/strong> Com base no meu conhecimento, a Associa\u00e7\u00e3o para o Planeamento da Fam\u00edlia (APF) tem sido pioneira no desenvolvimento desta tem\u00e1tica, com contributos de \u00e2mbito te\u00f3rico, educativo e formativo. Desde a d\u00e9cada de 80, tem produzido artigos e publica\u00e7\u00f5es neste dom\u00ednio, fomentando e apoiando profissionais que se lhe associam no desenvolvimento de projetos e de forma\u00e7\u00f5es, bem como de a\u00e7\u00f5es dirigidas a jovens PDM. Destacaria, como iniciativa que englobou todas essas dimens\u00f5es, o <em>Projeto Ser + : Programa de Desenvolvimento Pessoal e Social para Crian\u00e7as, Jovens e Adultos Portadores de Defici\u00eancia Mental<\/em>. Tratou-se de uma iniciativa da APF (com a minha coordena\u00e7\u00e3o, em parceria com as APPACM de Lisboa e de Set\u00fabal, com suporte financeiro do Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a Social). Desse projeto resultou um manual pr\u00e1tico com o mesmo nome, composto por atividades criadas e ensaiadas por profissionais da APPACDM de Set\u00fabal, depois de a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o e de apoio t\u00e9cnico-cient\u00edfico. Esse manual est\u00e1 atualmente dispon\u00edvel na APF.<\/p>\n<p>Considero que, nos \u00faltimos anos, se destacam tr\u00eas mulheres que deram contributos individuais importantes: Ivone F\u00e9lix (Diretora-Executiva da CERCI Oeiras), Maria de F\u00e1tima Forreta (Investigadora e Docente do Agrupamento de Escolas Lu\u00edsa Todi) e Paula Campos Pinto (Observat\u00f3rio da Defici\u00eancia e Direitos Humanos &#8211; ISCSP-Universidade de Lisboa). Na minha \u00f3tica, cada uma delas, a seu tempo e em diferentes contextos, foram e s\u00e3o respons\u00e1veis pela lenta mudan\u00e7a dos pensamentos e das pr\u00e1ticas de reconhecimento dos direitos sexuais das PPDM.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Publica\u00e7\u00f5es de Ant\u00f3nio Manuel Marques em torno da quest\u00e3o da Sexualidade e Defici\u00eancia Mental:<\/strong><\/p>\n<p>F\u00e9lix, I. &amp; Marques, A.M., (Coord.) (1995<strong>)<\/strong>. <em>\u2018E N\u00f3s&#8230; Somos Diferentes?\u2019<\/em> &#8211; <em>Sexualidade e Educa\u00e7\u00e3o Sexual na Defici\u00eancia Mental.<\/em> Lisboa. A.P.F.<\/p>\n<p>Marques, A.M. &amp; F\u00e9lix, I., (1995). Uma experi\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o sexual com jovens e adultos deficientes mentais da APPC-Lisboa. In I. F\u00e9lix &amp; A.M. Marques (Coord), <em>\u2018E N\u00f3s&#8230; Somos Diferentes?\u2019<\/em> &#8211; <em>Sexualidade e Educa\u00e7\u00e3o Sexual na Defici\u00eancia Mental.<\/em> Lisboa. A.P.F., pp.133-43.<\/p>\n<p>Marques, A.M. (Coord.) (2005). <em>Ser +. Programa de Desenvolvimento Pessoal e Social para Crian\u00e7as, Jovens e Adultos Portadores de Defici\u00eancia Mental<\/em>. Lisboa, APF.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com\u2026 Ant\u00f3nio Manuel Marques, soci\u00f3logo e psic\u00f3logo social, Professor-Coordenador na Escola Superior de Sa\u00fade do Instituto Polit\u00e9cnico de Set\u00fabal Email antonio.marques@ess.ips.pt &nbsp; Data 6 de Junho de 2017 &nbsp; Entrevista Isabel Freire [\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]O soci\u00f3logo e psic\u00f3logo social Ant\u00f3nio Manuel Marques (professor na Escola Superior de Sa\u00fade do Instituto Polit\u00e9cnico de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,815,36,56],"tags":[382,381,379,378,380],"class_list":["post-7222","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cidadania-da-sexualidade","category-entrevistas","category-noticias","category-saude-sexual","tag-abuso-sexual-na-deficiencia-mental","tag-homossexualidade-na-deficiencia-mental","tag-pessoas-portadoras-de-deficiencia-mental","tag-ppdm","tag-sexualidade-e-deficiencia"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7222"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7222\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9250,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7222\/revisions\/9250"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}