{"id":7240,"date":"2017-06-11T14:12:18","date_gmt":"2017-06-11T14:12:18","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7240"},"modified":"2019-03-27T08:20:14","modified_gmt":"2019-03-27T08:20:14","slug":"desconstrucao-e-redescoberta-da-sexualidade-na-deficiencia-fisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/06\/11\/desconstrucao-e-redescoberta-da-sexualidade-na-deficiencia-fisica\/","title":{"rendered":"Redescobrir a sexualidade na defici\u00eancia f\u00edsica"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/JCardoso_Foto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-7242\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/JCardoso_Foto-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 conversa com\u2026<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/sites.google.com\/site\/jorgecardosopsicologosexologo\/\">Jorge Cardoso<\/a>, Psic\u00f3logo Cl\u00ednico com o grau de Especialista, doutorado em Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas, Terapeuta Sexual e Professor Associado no Instituto Superior de Ci\u00eancias da Sa\u00fade Egas Moniz.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.si.ips.pt\/ess_si\/web_page.inicial\"><br \/>\n<\/a><strong>Email<\/strong><br \/>\njorgecardoso.psi@gmail.com<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n11 de Junho de 2017<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong>Entrevista<\/strong><\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>Isabel Freire<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>Para os cuidadores de sa\u00fade das pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica, reabilitar a funcionalidade tem ainda um \u201cestatuto\u201d diferente de reabilitar a sexualidade. Um estatuto de maior relev\u00e2ncia. \u00c9 esta a percep\u00e7\u00e3o de Jorge Cardoso, psic\u00f3logo cl\u00ednico e terapeuta sexual (professor no Instituto Superior de Ci\u00eancias da Sa\u00fade Egas Moniz), que<\/strong> <strong>desenvolveu uma <a href=\"http:\/\/repositorio.ispa.pt\/handle\/10400.12\/1621\">investiga\u00e7\u00e3o de doutoramento<\/a> pioneira sobre o tema, no nosso pa\u00eds. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O desafio de reabilita\u00e7\u00e3o sexual que se coloca a estas pessoas, passa por uma redescoberta do corpo, do erotismo e da sexualidade. Mas tamb\u00e9m por uma desconstru\u00e7\u00e3o dos discursos dominantes que \u2018hiperidealizam\u2019 o corpo, e focam a sexualidade na genitalidade e no orgasmo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013 A sexologia cl\u00ednica d\u00e1 hoje a devida aten\u00e7\u00e3o ao estudo e interven\u00e7\u00e3o na doen\u00e7a cr\u00f3nica, em geral? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jorge Cardoso \u2013 <\/strong>A sexologia em geral, e a cl\u00ednica em particular, v\u00e3o dedicando progressivamente maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0s sexualidades que se enquadram nas \u201cmargens\u201d (e que incluem n\u00e3o s\u00f3 a sexualidade na doen\u00e7a cr\u00f3nica, mas tamb\u00e9m na defici\u00eancia e no envelhecimento). Todas t\u00eam como denominador comum uma percep\u00e7\u00e3o geral (falaciosa) de n\u00e3o-sexualidade, de sexualidade disfuncional ou de secundariza\u00e7\u00e3o da mesma. Mas a realidade demonstra que estas pessoas continuam a atribuir import\u00e2ncia \u00e0 esfera sexual. Continuam a envolver-se sexualmente. E por vezes a confrontarem-se com dificuldades, para quais a sexologia tem ferramentas que podem contribuir para uma viv\u00eancia mais satisfat\u00f3ria da sua sexualidade.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Faz sentido continuar a falar de <em>defici\u00eancia f\u00edsica<\/em>? Ou h\u00e1 algum termo mais adequado? <\/strong><\/p>\n<p><strong>JC \u2013 <\/strong>Quando um termo adquire um significado desgastado pela eros\u00e3o do preconceito ao longo dos anos, h\u00e1 uma tend\u00eancia para encontrar um outro que o substitua. Atualmente tem-se vindo a impor de forma crescente o termo <em>diversidade funcional<\/em>. Infelizmente a altera\u00e7\u00e3o da terminologia n\u00e3o se faz acompanhar, \u00e0 mesma velocidade, de mudan\u00e7as nas atitudes perante as pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que estigmas desvalorizantes e discriminat\u00f3rios da defici\u00eancia f\u00edsica sente que persistem na sociedade portuguesa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JC &#8211; <\/strong>O slogan \u201ctodos diferentes, todos iguais\u201d est\u00e1 muito longe da pr\u00e1tica efetiva. Hoje, como no passado, a <em>diferen\u00e7a<\/em> tende a ser conotada com aquilo que se afasta da normatividade (e por vezes, da normalidade), desqualificando, inferiorizando e discriminando o seu portador. Este processo, na maior parte da ocasi\u00f5es, n\u00e3o reflete qualquer intencionalidade mal\u00e9fica. Apenas cristaliza o resultado de s\u00e9culos de constru\u00e7\u00e3o social negativa da defici\u00eancia f\u00edsica.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>\u201cQuando perguntei de que forma a minha condi\u00e7\u00e3o poderia afetar a minha vida sexual, responderam-me [num contexto de cuidados m\u00e9dicos]: <em>parece imposs\u00edvel que voc\u00ea, com um problema t\u00e3o grave, esteja preocupado com essas coisas<\/em>.\u201d Cita este depoimento num artigo que publicou em 2003. Que pr\u00e9-conceitos est\u00e3o contidos na observa\u00e7\u00e3o deste\/a profissional de sa\u00fade? <\/strong><\/p>\n<p><strong>JC \u2013<\/strong> Numa resposta simplificada diria que ilustra a mais elementar falta de bom senso, eventualmente acompanhada de algum tipo de constrangimento sexual de quem a proferiu. Mas \u00e9 poss\u00edvel desconstruir o significado da afirma\u00e7\u00e3o. A defici\u00eancia f\u00edsica remete para a perda ou altera\u00e7\u00e3o de uma estrutura ou fun\u00e7\u00e3o corporal, estando portanto relacionada com uma maior probabilidade de problemas de sa\u00fade (dor, mal-estar, fadiga, imprevisibilidade). A sexualidade reenvia para o prazer, satisfa\u00e7\u00e3o, partilha. As entidades defici\u00eancia\/sofrimento e sexo\/prazer tendem a ser percecionadas como de dif\u00edcil coabita\u00e7\u00e3o. Esta coexist\u00eancia (algo complexa e ambivalente) confronta-se com uma atitude ao n\u00edvel dos profissionais de sa\u00fade que privilegia a dimens\u00e3o funcional da pessoa com defici\u00eancia. Privilegia os aspectos relacionados com a maximiza\u00e7\u00e3o da autonomia. Quanto \u00e0 vertente psicol\u00f3gica \u2013 designadamente a necessidade de reestruturar o seu projeto de vida a partir de um corpo diferente daquele que existia antes do aparecimento da defici\u00eancia f\u00edsica \u2013 \u00e9 ainda (demasiadas vezes) um processo inteiramente individual. Na conflu\u00eancia destas duas dimens\u00f5es \u2013 f\u00edsica e psicol\u00f3gica \u2013, que exigem readapta\u00e7\u00f5es, emerge a esfera sexual. Por vezes (demasiadas vezes) \u00e9 esquecida, negligenciada, secundarizada, adiada.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Hoje em dia, esta vis\u00e3o ainda \u00e9 frequente? <\/strong><\/p>\n<p><strong>JC \u2013 <\/strong>Quero acreditar que mesmo quando a referida afirma\u00e7\u00e3o foi verbalizada, n\u00e3o veiculava a postura dominante. Nos \u00faltimos 10\/15 anos evoluiu-se de forma significativa. Na forma\u00e7\u00e3o em sexologia. Na disponibilidade para \u201colhar\u201d a sa\u00fade sexual como parte integrante da sa\u00fade global \u2013 ainda mais depois de in\u00fameras investiga\u00e7\u00f5es terem demonstrado a sua forte associa\u00e7\u00e3o ao bem-estar psicol\u00f3gico e \u00e0 qualidade de vida.<\/p>\n<p>Apesar da sexualidade das pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica marcar uma cada vez maior presen\u00e7a na \u201cagenda\u201d dos cuidadores de sa\u00fade, ainda existe um longo caminho a percorrer at\u00e9 que a reabilita\u00e7\u00e3o sexual tenha o mesmo \u201cestatuto\u201d da reabilita\u00e7\u00e3o funcional.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 As barreiras afetivo-sexuais que sentem \u2013 homens e mulheres \u2013 com o surgimento de defici\u00eancia f\u00edsica, \u00e9 muito diferente? H\u00e1 aspectos recorrentes nas preocupa\u00e7\u00f5es <em>deles<\/em> e <em>delas<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p>Aparentemente as mulheres revelam menores dificuldades no processo de reajustamento sexual. Uma das explica\u00e7\u00f5es poder\u00e1 advir do facto de frequentemente terem uma vis\u00e3o mais flex\u00edvel da sexualidade, o que lhes permite um maior territ\u00f3rio readaptativo. O reducionismo, por parte de alguns homens, da sexualidade ao aparecimento de ere\u00e7\u00e3o e \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o no decurso do coito, poder\u00e1 levar \u00e0 conclus\u00e3o de que se \u201cacabou para a sexualidade\u201d, quando ocorrerem circunst\u00e2ncias de altera\u00e7\u00f5es neurofisiol\u00f3gicas perturbadoras da resposta er\u00e9til. Esta vis\u00e3o em \u201cbanda curta\u201d encontra-se muito menos presente no g\u00e9nero feminino. Facilita uma postura que ultrapasse as fronteiras da sexualidade funcional.<\/p>\n<p>Por outro lado, as quest\u00f5es em torno da imagem corporal no p\u00f3s-defici\u00eancia tendem a ter um impacto mais negativo nas mulheres. Manifestam-se atrav\u00e9s de auto-desvaloriza\u00e7\u00e3o e de expectativas de baixa atratividade e de inadequa\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Como se pode trabalhar a auto-percep\u00e7\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia f\u00edsica, numa sociedade em que predominam na esfera p\u00fablica e medi\u00e1tica os discursos do corpo sem imperfei\u00e7\u00f5es? <\/strong><\/p>\n<p><strong>JC \u2013<\/strong> Muitos dos obst\u00e1culos que as pessoas com defici\u00eancia encontram na sua readapta\u00e7\u00e3o sexual resultam de estigmas, estere\u00f3tipos negativos e atitudes preconceituosas e discriminativas constru\u00eddas socialmente.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de desafiarem as barreiras sociais, f\u00edsicas, pol\u00edticas e atitudinais, estas pessoas necessitam igualmente de se auto-desafiarem nas suas representa\u00e7\u00f5es, desenvolvidas e consolidadas durante a n\u00e3o-defici\u00eancia. Do ponto de vista terap\u00eautico trabalha-se a redescoberta do corpo, do erotismo e da sexualidade, fundamentada numa base que contrarie a aceita\u00e7\u00e3o passiva e conformada dos discursos dominantes sobre a corporalidade e a sexualidade.<\/p>\n<h4><em>O alargamento do leque de interesses er\u00f3ticos e de iniciativas sexuais, poder\u00e1 contemplar a (re)valoriza\u00e7\u00e3o das zonas er\u00f3genas ditas secund\u00e1rias e da sexualidade extra-genital, a ado\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es compat\u00edveis com as aptid\u00f5es f\u00edsicas, o uso de novas t\u00e9cnicas sexuais, a amplifica\u00e7\u00e3o sensorial, entre outras<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 Defende que a reabilita\u00e7\u00e3o sexual destes pessoas deve alicer\u00e7ar-se numa matriz alargada, que ultrapasse as fronteiras de uma sexualidade genital e org\u00e1smica. Em que consiste este alargamento? <\/strong><\/p>\n<p><strong>JC \u2013 <\/strong>Esse alargamento passa por tudo aquilo que fa\u00e7a sentido ao par sexual. A reabilita\u00e7\u00e3o sexual estrutura-se atrav\u00e9s de duas linhas mestras: avalia\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias sexuais que persistem ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o da defici\u00eancia f\u00edsica e potencializa\u00e7\u00e3o dessas compet\u00eancias, que obviamente n\u00e3o se reduzem \u00e0 \u201cmec\u00e2nica sexual\u201d. A sexualidade p\u00f3s-defici\u00eancia f\u00edsica pode variar numa amplitude que vai desde o retorno \u00e0s praticas que vigoravam antes da defici\u00eancia, at\u00e9 um conjunto de readapta\u00e7\u00f5es sexuais compat\u00edveis com as exig\u00eancias da nova condi\u00e7\u00e3o. O alargamento do leque de interesses er\u00f3ticos e de iniciativas sexuais, poder\u00e1 contemplar a (re)valoriza\u00e7\u00e3o das zonas er\u00f3genas ditas secund\u00e1rias e da sexualidade extra-genital, a ado\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es compat\u00edveis com as aptid\u00f5es f\u00edsicas, o uso de novas t\u00e9cnicas sexuais, a amplifica\u00e7\u00e3o sensorial, entre outras.<\/p>\n<p>Se atentarmos na defini\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade Sexual proposta pela OMS, deparamo-nos com uma conceitualiza\u00e7\u00e3o extremamente flex\u00edvel, que nos permite entender a sexualidade \u00e0 luz de uma matriz muito diversificada de comportamentos capazes de proporcionar afetividade, intimidade e satisfa\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Esse trabalho n\u00e3o poderia ter vantagens se alargado \u00e0s pessoas em geral, com mais ou menos efici\u00eancia f\u00edsica? <\/strong><\/p>\n<p><strong>JC \u2013<\/strong> Sim, sim e sim! Mas, como diz o ditado popular, \u201ca necessidade agu\u00e7a o engenho\u201d. O falocentrismo (embora mais atenuado do que no passado) continua a ser dominante, real\u00e7ando a sexualidade funcional, centrada no desempenho. N\u00e3o obstante o reconhecimento do continuum de pr\u00e1ticas sexuais, das quais o sexo penetrativo representa apenas uma parte, persiste a fal\u00e1cia de que a verdadeira sexualidade \u00e9 genital e org\u00e1smica. Os pr\u00f3prios <em>media<\/em> transmitem-nos um modelo fantasioso da sexualidade, caracterizado por m\u00faltiplas hiperidealiza\u00e7\u00f5es e sustentado em corpos perfeitos, saud\u00e1veis, jovens, dotados das melhores t\u00e9cnicas sexuais&#8230; e de prefer\u00eancia bonitos. De facto, a desconstru\u00e7\u00e3o destes gui\u00f5es hegem\u00f3nicos que a sexualidade no p\u00f3s-defici\u00eancia pode exigir, tenderia a ser uma mais-valia em muitas outras sexualidades marcadas pela rigidez dos padr\u00f5es reducionistas e repetitivos.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 \u00c9 mais f\u00e1cil ajudar a pessoa a lidar positivamente com a sua sexualidade, se a defici\u00eancia f\u00edsica for cong\u00e9nita (do que se for adquirida)? <\/strong><\/p>\n<p><strong>JC \u2013<\/strong> As situa\u00e7\u00f5es de defici\u00eancia cong\u00e9nita em princ\u00edpio s\u00e3o mais lineares. Em grande medida por n\u00e3o existir um referencial pr\u00e9vio comparativo. A pessoa sempre se \u201cconheceu\u201d assim. Desenvolveu-se, despertou, experimentou-se e adaptou-se sexualmente sempre a partir de um \u201ccorpo alterado\u201d. Na defici\u00eancia adquirida existe um hist\u00f3rico sexual que tende a conduzir a uma (excessiva) otimiza\u00e7\u00e3o do passado \u2013 <em>dantes corria tudo muito bem <\/em>\u2013 e a uma (excessiva) \u2018pessimiza\u00e7\u00e3o\u2019 do presente \u2013 <em>agora tudo corre mal<\/em>.<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] a desconstru\u00e7\u00e3o destes gui\u00f5es hegem\u00f3nicos que a sexualidade no p\u00f3s-defici\u00eancia pode exigir, tenderia a ser uma mais-valia em muitas outras sexualidades marcadas pela rigidez dos padr\u00f5es reducionistas e repetitivos<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 Defende que a reabilita\u00e7\u00e3o sexual deve ser realizada por equipas multidisciplinares com forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em sexologia. Avan\u00e7\u00e1mos pouco, avan\u00e7\u00e1mos o suficiente ou avan\u00e7\u00e1mos muito na forma\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o destas equipas nos servi\u00e7os p\u00fablicos e privados no nosso pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>JC \u2013<\/strong> Avan\u00e7amos lentamente, com a certeza de que ainda h\u00e1 muito caminho a fazer. Considero que a reabilita\u00e7\u00e3o sexual pode ser realizada por qualquer membro da equipa multidisciplinar, desde que possua forma\u00e7\u00e3o em sexologia e esteja inteirado das especificidades associadas a cada tipo de defici\u00eancia.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o poder\u00e1 apresentar duas dimens\u00f5es complementares e simult\u00e2neas. Uma dimens\u00e3o perspectivada sintomaticamente e visando um alargamento criativo dos interesses, iniciativas e pr\u00e1ticas sexuais. Outra dimens\u00e3o conducente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma nova atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade, no sentido de ajudar a pessoa com defici\u00eancia a sentir-se realizada nesta \u00e1rea e no sentido de auxiliar o par sexual a melhorar a qualidade da rela\u00e7\u00e3o afetivo-sexual.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos contudo que pessoa portadora de defici\u00eancia (tal como a de corpo s\u00e3o) tem o direito de determinar se se quer expressar sexualmente ou n\u00e3o. Deste modo, o aconselhamento sexual dever\u00e1 orientar-se no sentido de promover a capacidade das pessoas tomarem decis\u00f5es em todos os aspectos da sua vida, incluindo a dimens\u00e3o sexual.<\/p>\n<p><strong>Publica\u00e7\u00f5es de Jorge Cardoso em torno do tema:<\/strong><\/p>\n<p>Cardoso, J. (2016). Educa\u00e7\u00e3o sexual na defici\u00eancia f\u00edsica e mental: Estrat\u00e9gias de interven\u00e7\u00e3o. <em>Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva<\/em>, 7(2), X-XIII.<\/p>\n<p>Cardoso J. (2014). Doen\u00e7a, imagem corporal e sexualidade. In: N. Monteiro Pereira (coord.).\u00a0<em>Sexologia M\u00e9dica<\/em>\u00a0(pp. 453-470). Lisboa: Lidel.<\/p>\n<p>Cardoso, J. (2010). Corporalidade e sexualidade \u2013 Discursos e pr\u00e1ticas.\u00a0<em>Acta Portuguesa de Sexologia<\/em>, V(1),\u00a021-31.<\/p>\n<p>Cardoso J. (2006).\u00a0<em>Sexualidade e Defici\u00eancia<\/em>. Coimbra: Quarteto.<\/p>\n<p>Cardoso J. (2006). (In)capacidade, g\u00e9nero e sexualidade. In: I. Leal (coord.).\u00a0<em>Perspectivas em Psicologia da Sa\u00fade<\/em>. (pp.169-185). Coimbra: Quarteto.<\/p>\n<p>Cardoso, J. (2004). Sexualidade na doen\u00e7a cr\u00f3nica e na defici\u00eancia f\u00edsica.\u00a0<em>Revista Portuguesa de Cl\u00ednica Geral<\/em>, 20(3), 383-394.<\/p>\n<p>Cardoso, J. (2003). Reabilita\u00e7\u00e3o sexual p\u00f3s-defici\u00eancia f\u00edsica: Um modelo multidimensional.\u00a0<em>Sexualidade e Planeamento Familiar<\/em>, 37, 5-10.<\/p>\n<p>Cardoso J. (2003). Sexualidade e defici\u00eancia f\u00edsica. In: L. Fonseca, C. Soares &amp; J. Machado Vaz (coord.).\u00a0<em>A sexologia \u2013 Perspectiva multidisciplinar<\/em>\u00a0(Volume I, pp. 499-511). Coimbra: Quarteto.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com\u2026 Jorge Cardoso, Psic\u00f3logo Cl\u00ednico com o grau de Especialista, doutorado em Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas, Terapeuta Sexual e Professor Associado no Instituto Superior de Ci\u00eancias da Sa\u00fade Egas Moniz. 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