{"id":7269,"date":"2017-07-03T13:17:24","date_gmt":"2017-07-03T13:17:24","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7269"},"modified":"2019-03-25T19:17:57","modified_gmt":"2019-03-25T19:17:57","slug":"precisamos-de-muito-pouco-para-incendiar-a-imaginacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/07\/03\/precisamos-de-muito-pouco-para-incendiar-a-imaginacao\/","title":{"rendered":"&#8220;Precisamos de muito pouco para incendiar a imagina\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Foto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-7270\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Foto-222x300.jpg\" alt=\"\" width=\"222\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong>\u00c0 conversa com\u2026<\/strong><br \/>\nIsabel Cristina Pires, <a href=\"http:\/\/alfarrabio.di.uminho.pt\/vercial\/ipires.htm\">escritora<\/a>, psiquiatra e terapeuta sexual (aposentada). Foi diretora cl\u00ednica do Hospital do Lorv\u00e3o. Cofundou a consulta de Sexologia na maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra. <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/autor\/isabel-cristina-pires\/7886\">Publica prosa e poesia<\/a> desde 1987.<\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Email<\/strong><br \/>\n<a href=\"mailto:ic.pires@sapo.pt\">ic.pires@sapo.pt<\/a><\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n6 de Julho de 2017<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong>Entrevista<\/strong><\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>Isabel Freire<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>As \u201ccenas de t\u00f3rridas rela\u00e7\u00f5es sexuais que aparecem sistematicamente em toda a literatura dita \u2018para mulheres\u2019, em telenovelas ou em filmes de Hollywood\u201d padecem de falta de vis\u00e3o. Falta-lhes variedade. S\u00e3o mecanicistas e apressadas. Resolvem-se em \u201cmeia d\u00fazia de movimentos e em grandes orgasmos simult\u00e2neos\u201d. A perspectiva \u00e9 de Isabel Cristina Pires, psiquiatra, terapeuta sexual e escritora. \u201cS\u00e3o contos de fadas estereotipados e simplistas\u201d, que t\u00eam \u201cpouco t\u00eam a ver com a realidade\u201d. Embora considere que precisamos de muito pouco para incendiar a imagina\u00e7\u00e3o, Isabel Cristina Pires n\u00e3o cr\u00ea que os livros possam ter fun\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas. Apesar disso, s\u00e3o essenciais na forma\u00e7\u00e3o do terapeuta sexual. A \u201cgrande literatura\u201d amplifica o conhecimento das riqu\u00edssimas contradi\u00e7\u00f5es humanas\u201d e espelha uma \u00e9poca.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013 O encontro entre a psiquiatria e a sexologia \u00e9\u2026<\/strong><br \/>\n<strong>Isabel Cristina Pires \u2013<\/strong> O encontro entre a psiquiatria e a sexologia \u00e9\u2026 uma grande surpresa. H\u00e1 uma zona em que os dois campos se entrecruzam, claro, mas a grande diferen\u00e7a reside na postura do terapeuta. Enquanto que na psiquiatria h\u00e1 uma patologia que tem de ser identificada e tratada (e que se encaixa num padr\u00e3o reconhec\u00edvel), na sexologia existe uma problem\u00e1tica muito mais vasta, muito mais inesperada, porque estamos a lidar n\u00e3o com sintomas e doen\u00e7as, mas com valores de toda a ordem e com uma din\u00e2mica de casal sempre complexa. Al\u00e9m disso, muitos dos pr\u00e9-conceitos que habitualmente temos sobre valores e pr\u00e1ticas sexuais (que variam com idade, classe social, grau de instru\u00e7\u00e3o, etc.), revelam-se completamente errados. O esfor\u00e7o e a modifica\u00e7\u00e3o na abordagem que tive de fazer para passar de m\u00e9dica de doen\u00e7as org\u00e2nicas para m\u00e9dica de doen\u00e7as mentais foi semelhante ao que tive de fazer quando passei de psiquiatra a terapeuta sexual.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que sil\u00eancios continuamos a escutar no s\u00e9culo XXI, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a (ou \u00e0 sa\u00fade) psiqui\u00e1trica?<\/strong><br \/>\n<strong>ICP<\/strong> \u2013 Podemos chamar-lhes sil\u00eancios, mas eu falaria em ignor\u00e2ncia e medo. Ignor\u00e2ncia, porque a psiquiatria continua a ser vista como uma esp\u00e9cie de arremedo da medicina, uma cole\u00e7\u00e3o de anedotas polvilhadas de jarg\u00e3o psiqui\u00e1trico que n\u00e3o merecem muita confian\u00e7a. Ignor\u00e2ncia, quando muitos opinam que a \u201cfor\u00e7a de vontade\u201d pode vencer a doen\u00e7a psiqui\u00e1trica.<br \/>\nIgnor\u00e2ncia, por muitos pensarem que se trata apenas de uma chamada de aten\u00e7\u00e3o ou de uma \u201cmanha\u201d. E medo, porque as pessoas n\u00e3o recorrem a um psiquiatra por receio de perder o controle das suas vidas, falando a estranhos e tomando medica\u00e7\u00e3o psicotr\u00f3pica, sem se aperceberem que uma depress\u00e3o \u00e9 mais grave e invasiva que uma pneumonia ou uma fratura \u00f3ssea.<br \/>\nMedo, sobretudo da parte dos homens, que veem a depress\u00e3o ou outros sintomas como uma fraqueza, inaceit\u00e1vel para o papel que desempenham socialmente. Falo sobretudo da depress\u00e3o, porque \u00e9 a patologia mais comum e a mais sujeita a falsos conceitos.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Em que circunst\u00e2ncias hoje falamos de sexo a contra-luz (express\u00e3o que usa no seu Poema er\u00f3tico)?<\/strong><br \/>\n<strong>ICP \u2013<\/strong> A met\u00e1fora d\u00e1 ao leitor a liberdade de a ler como quiser. O tal sexo a contra-luz pode significar tudo aquilo que nos invade de repente, a pontada de desejo cego, o adivinhar do outro, um olhar repentino de cumplicidade: precisamos de muito pouco para incendiar a imagina\u00e7\u00e3o. Pode significar tudo o que est\u00e1 escondido na sombra e que apenas suspeitamos ou imaginamos, toda a complexidade de emo\u00e7\u00f5es que uma intera\u00e7\u00e3o sexual implica, seja ela casual ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que hist\u00f3ria cl\u00ednica mais desconcertante (em mat\u00e9rias de sexualidade) viveu no seu percurso como psiquiatra e como sex\u00f3loga?<\/strong><br \/>\n<strong>ICP \u2013<\/strong> Qualquer sexologista tem dezenas de hist\u00f3rias para contar, umas engra\u00e7adas, outras tr\u00e1gicas. A que mais me marcou foi a de um casal jovem, de origem rural, em que a rapariga come\u00e7a assim a sua hist\u00f3ria: \u201cSra. Dra., quando eu tinha 14 anos, o meu av\u00f4 violou-me num descampado\u201d. Nunca mais esqueci estas palavras, ditas com tristeza, mas sem dramatismo nem raiva. Naturalmente que havia problemas graves na vida sexual deste casal, mas gra\u00e7as \u00e0 persist\u00eancia, amor e boa-vontade de ambos, foi poss\u00edvel ultrapass\u00e1-los.<br \/>\nOutra hist\u00f3ria engra\u00e7ada foi a de uma sessentona, rechonchuda, toda bem-posta, que na primeira consulta disparou: \u201cEnt\u00e3o a senhora \u00e9 que \u00e9 a doutora dos prazeres?\u201d.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 H\u00e1 obras liter\u00e1rias que considere importantes (e que recomendaria) a quem faz forma\u00e7\u00e3o em terapia sexual\/sexologia cl\u00ednica?<\/strong><br \/>\n<strong>ICP \u2013<\/strong> Penso que toda a grande literatura \u00e9 importante na forma\u00e7\u00e3o de um terapeuta sexual, na medida em que nos amplifica o conhecimento das riqu\u00edssimas contradi\u00e7\u00f5es humanas, e n\u00e3o porque trate de assuntos especificamente sexuais. At\u00e9 porque a literatura \u00e9 o espelho de uma \u00e9poca, reflete os seus valores, e houve tal mudan\u00e7a de mentalidades e comportamentos sexuais nos \u00faltimos tempos que n\u00e3o \u00e9 a\u00ed que estar\u00e3o os ensinamentos. No entanto, devo referir que o romance O Amante de Lady Chatterley, de D. H. Lawrence, publicado em 1928 em It\u00e1lia, e em Inglaterra apenas em 1960, me tocou pela candura e pela beleza com que fala da descoberta do prazer por ambos os amantes \u2013 embora, \u00e0 \u00e9poca, tenha sido considerado escandaloso. Muito mais do que o conhecimento liter\u00e1rio, \u00e9 o conhecimento humano, a maturidade, que s\u00e3o atributos indispens\u00e1veis a um terapeuta sexual.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 A literatura pode ter efeitos terap\u00eauticos ao n\u00edvel da sexualidade? Em que medida?<\/strong><br \/>\n<strong>ICP \u2013<\/strong> Eu n\u00e3o diria isso. A grande literatura \u00e9 como qualquer arte, tem os mesmos fins e as mesmas motiva\u00e7\u00f5es de um processo criativo.<br \/>\nPoder\u00e1 eventualmente sugerir, provocar fantasias, mas isso s\u00e3o efeitos colaterais, que n\u00e3o s\u00e3o exatamente \u201cterap\u00eauticos\u201d.<br \/>\nO que me parece \u00e9 que, na pr\u00e1tica sexol\u00f3gica, devemos ajudar os doentes a tornarem-se adultos, no sentido em eles pr\u00f3prios s\u00e3o respons\u00e1veis pelos seus comportamentos, pelos seus valores, e n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas que os modifiquem se eles pr\u00f3prios n\u00e3o se puserem em quest\u00e3o. Claro que h\u00e1 muitos livros de autoajuda neste campo que poder\u00e3o ser \u00fateis, mas n\u00e3o s\u00e3o literatura.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que livro aconselharia a um casal que n\u00e3o se encontra no desejo sexual?<\/strong><br \/>\n<strong>ICP \u2013<\/strong> Nenhum. Como disse anteriormente, se as respostas para os desencontros entre seres humanos a n\u00edvel sexual estivessem num livro, que bom seria. Mas n\u00e3o \u00e9 assim: a din\u00e2mica de um dado casal \u00e9 \u00fanica e complexa. Os desencontros resolvem-se com toler\u00e2ncia, imagina\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo, n\u00e3o com solu\u00e7\u00f5es escritas.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que livro aconselharia a uma mulher que sofre de desejo sexual hipoativo? E a um homem?<\/strong><br \/>\n<strong>ICP \u2013<\/strong> Da mesma maneira, n\u00e3o aconselharia nenhum livro. Se n\u00e3o descobrirmos as causas do desejo hipoativo em mulheres e homens \u2013 e elas s\u00e3o v\u00e1rias \u2013 nunca conseguiremos encontrar a solu\u00e7\u00e3o adequada para cada caso. Porque n\u00e3o h\u00e1 receitas prontas a usar, e \u00e9 preciso dizer isso mesmo \u00e0s pessoas que nos procuram.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Quando \u00e9 que a literatura \u00e9 er\u00f3tica?<\/strong><br \/>\n<strong>ICP \u2013<\/strong> Quando qualquer tema do \u00e2mbito da sexualidade \u00e9 escrito com criatividade e com qualidade, deixando entrever v\u00e1rias leituras poss\u00edveis, sublinhando as contradi\u00e7\u00f5es e complexidades do ser humano. Uma amiga falou-me com entusiasmo do best seller As 50 Sombras de Grey e eu li algumas p\u00e1ginas. \u201cDesculpa l\u00e1\u201d, disse eu, \u201cisto \u00e9 soft porn!\u201d \u2013 o tema do<br \/>\nsadomasoquismo era tratado de maneira estereotipada e superficial. Mas isto \u00e9 apenas a minha opini\u00e3o\u2026<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 O erotismo n\u00e3o est\u00e1\u2026<\/strong><br \/>\n<strong>ICP \u2013<\/strong> nas cenas de t\u00f3rridas rela\u00e7\u00f5es sexuais que aparecem sistematicamente em toda a literatura dita \u201cpara mulheres\u201d, nas telenovelas ou nos filmes de Hollywood. S\u00e3o quase sempre todas iguais, com uma ard\u00eancia mec\u00e2nica e apressada, meia d\u00fazia de movimentos e grandes orgasmos simult\u00e2neos. S\u00e3o contos de fadas estereotipados e simplistas, pensados e filmados geralmente por homens, que ignoram as diferen\u00e7as entre sexualidade de homens e mulheres e pouco t\u00eam a ver com a realidade da maioria dos casais. Podem ser pontualmente excitantes a n\u00edvel sexual, mas n\u00e3o as considero er\u00f3ticas, no sentido em que o erotismo \u00e9 muito mais \u00edntimo, muito mais subtil e desafiante.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Viveu a sua juventude nos anos 1970. O que se vivia naquele momento, em Portugal, do ponto de vista da dial\u00e9tica do corpo, do erotismo e da sexualidade?<\/strong><br \/>\n<strong>ICP \u2013<\/strong> As coisas eram bem diferentes do que s\u00e3o agora. Talvez uma das mudan\u00e7as mais r\u00e1pidas na segunda metade do s\u00e9c. XX tenha sido a mudan\u00e7a a n\u00edvel dos costumes e moral sexual. Com o advento da p\u00edlula, j\u00e1 era aceit\u00e1vel ter rela\u00e7\u00f5es com o namorado, mas sempre \u00e0s escondidas: \u201cparecia mal\u201d. \u00c9ramos ensinadas a ter \u201cmedo dos homens\u201d, porque eles estavam sempre \u201cprontos para atacar-nos\u201d. \u00c9ramos ensinadas a considerar o sexo um pecado, quando fora do casamento. Muitas mulheres ainda tinham a primeira rela\u00e7\u00e3o sexual com a pessoa com quem casavam. Quase ningu\u00e9m vivia em \u201cuni\u00e3o de facto\u201d, a n\u00e3o ser que houvesse um obst\u00e1culo, porque a regra invari\u00e1vel era casar, e portanto havia uma enorme reprova\u00e7\u00e3o social para os solteiros, vi\u00favos e divorciados que vivessem juntos. Ningu\u00e9m falava em sexo, nem pensar. No curso de medicina, n\u00e3o havia qualquer cadeira que se debru\u00e7asse sobre a sexualidade humana. A press\u00e3o social era tremenda: ainda me lembro, j\u00e1 era eu universit\u00e1ria, que a minha tia me ralhou por eu andar de m\u00e3o dada com um amigo em plena aldeia\u2026 mas a partir de 74, com o fim da ditadura, houve uma enorme abertura nesse aspeto, nomeadamente no grafismo de revistas, jornais, capas dos livros e nos temas que subitamente inundaram o mercado. E o aparecimento das telenovelas nessa d\u00e9cada, com outro tipo de costumes, ajudou a disseminar uma maior liberdade e toler\u00e2ncia sexuais.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Como v\u00ea o mundo em que hoje vivemos, desse mesmo ponto de vista?<\/strong><br \/>\n<strong>ICP \u2013<\/strong> Muit\u00edssimo melhor: as rela\u00e7\u00f5es entre os sexos s\u00e3o mais igualit\u00e1rias, mais honestas, e a atividade sexual \u00e9 abertamente aceite, embora ainda falte muita informa\u00e7\u00e3o e ainda haja imensas ideias erradas e clich\u00eas. Mas este tipo de de mudan\u00e7a nunca \u00e9 homog\u00e9nea nem repentina.<br \/>\nH\u00e1, no entanto, um fen\u00f3meno que me preocupa: a viol\u00eancia entre casais de adolescentes. Isso poder\u00e1 estar relacionado com o facto de muitas crian\u00e7as n\u00e3o terem sido ensinadas a respeitar limites e normas, e a serem consideradas pelos pais como o centro do mundo. Essas crian\u00e7as tornam-se profundamente egoc\u00eantricas, e em adolescentes facilmente recorrem \u00e0 viol\u00eancia quando contrariadas ou frustradas.<\/p>\n<p><strong>UM POEMA ER\u00d3TICO<\/strong><br \/>\nAlgu\u00e9m me mandou escrever<br \/>\num corpo er\u00f3tico. Algu\u00e9m disse:<br \/>\no sal da vida! A labareda! Escreve.<br \/>\nFala-me do sexo a contra-luz, ou, se quiseres,<br \/>\nda macieza da boca. Da adivinha<br \/>\nde um dedo, das perguntas<br \/>\nrespiradas que depois caem na pele.<br \/>\nFaz com que dois corpos colidam,<br \/>\nque os seios baloicem, que bravos<br \/>\ngemidos sejam o ber\u00e7o de outros<br \/>\nuivos, tudo isto para que a alma<br \/>\nsaiba o que l\u00e1 vem e consinta no ocaso.<br \/>\nN\u00e3o fales do muco que brota cegamente,<br \/>\nde m\u00fasculos vulc\u00e2nicos, da velha cavalgada;<br \/>\nentr\u00e1mos num rasg\u00e3o do universo!<br \/>\nO erotismo \u00e9 isso, disse o mandante do poema:<br \/>\nuns olhos dilatados de gato \u00e0 procura da luz.<br \/>\n(Isabel Cristina Pires, in\u00e9dito)<\/p>\n<p><strong>Obra publicada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u2013 Rasura no Ar (2016), poesia;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Cidade das Imagens (2015), poesia c\/ ilustra\u00e7\u00f5es;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 O Pa\u00eds das Ondas \u00e0 Janela (2013), poesia;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Deserto Pintado (2007), poesia;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 O Nome do Poeta (2003), romance;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Todas as Cores do Azul (2001), poesia;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Cobra de Papel (1997), poesia;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 \u00c0 Porta de N\u00e1rnia (1995), poesia;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 A Roda do Olhar (1993), poesia;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 A Casa em Espiral (1991), contos;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 A \u00c1rvore das Marionetas (1989), romance;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Universal Limitada (1987), contos \u2013 pr\u00e9mio Caminho de Fic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e pr\u00e9mio Revela\u00e7\u00e3o da revista Mulheres;<\/em><\/p>\n<p><em>Isabel Cristina Pires est\u00e1 representada em in\u00fameras antologias de poesia e conto, quer em Portugal, quer no estrangeiro (tradu\u00e7\u00f5es em catal\u00e3o, franc\u00eas, ingl\u00eas e alem\u00e3o).<\/em>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com\u2026 Isabel Cristina Pires, escritora, psiquiatra e terapeuta sexual (aposentada). Foi diretora cl\u00ednica do Hospital do Lorv\u00e3o. Cofundou a consulta de Sexologia na maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra. Publica prosa e poesia desde 1987. Email ic.pires@sapo.pt &nbsp; Data 6 de Julho de 2017 &nbsp; Entrevista Isabel Freire &nbsp; [\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]As \u201ccenas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[815,36,55],"tags":[389,390,111],"class_list":["post-7269","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","category-noticias","category-noticias-relacionadas","tag-literatura","tag-paiquiatria","tag-sexualidade"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7269","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7269"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7269\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9246,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7269\/revisions\/9246"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}