{"id":7339,"date":"2017-12-04T18:17:48","date_gmt":"2017-12-04T18:17:48","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7339"},"modified":"2019-03-25T18:36:55","modified_gmt":"2019-03-25T18:36:55","slug":"o-modelo-do-bem-casado-na-peninsula-iberica-nos-seculos-xvi-xvii-a-relacao-conjugal-e-a-sexualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/12\/04\/o-modelo-do-bem-casado-na-peninsula-iberica-nos-seculos-xvi-xvii-a-relacao-conjugal-e-a-sexualidade\/","title":{"rendered":"O modelo do bem-casado, na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, nos s\u00e9culos XVI-XVII: a rela\u00e7\u00e3o conjugal e a sexualidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Jose\u0301-Pacheco-1-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-7687\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Jose\u0301-Pacheco-1-1-232x300.jpg\" alt=\"\" width=\"232\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Uma reflex\u00e3o de\u2026<\/strong><br \/>\nJos\u00e9 Pacheco, sex\u00f3logo, psic\u00f3logo cl\u00ednico e ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica (1996).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Percursos\u2026<\/strong><br \/>\nTrabalhou mais de trinta anos no Servi\u00e7o de Psicoterapia Comportamental e na Consulta de Sexologia Cl\u00ednica do Hospital J\u00falio de Matos, em Lisboa. Licenciado em Psicologia pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada. Mestre em Sociologia pela Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa. Autor dos livros <em>O Tempo e o Sexo<\/em> e o <em>Sexo por C\u00e1<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jpacheco.psico@gmail.com\">jpacheco.psico@gmail.com<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 de Dezembro de 2017<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]A constru\u00e7\u00e3o e g\u00e9nese do modelo do bem-casado decorreu de uma revaloriza\u00e7\u00e3o do casamento \u2013 legitimado e sagrado pela Igreja Crist\u00e3, a partir do Conc\u00edlio de Trento (1545-1563) \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o visto como um \u00abmal menor\u00bb relativamente ao celibato. Jo\u00e3o de Barros (1540) sintetizava este esp\u00edrito: \u00abcasamentos se fa\u00e7am bem, e a servi\u00e7o de Deus e para descanso e proveito dos casantes\u00bb.<\/p>\n<p>A perfei\u00e7\u00e3o matrimonial devia observar uma s\u00e9rie de <em>crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o do futuro c\u00f4njuge<\/em> que assentavam na ideia de <em>equil\u00edbrio<\/em> et\u00e1rio, econ\u00f3mico, familiar e que se estendia \u00e0 vizinhan\u00e7a, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 personalidade, \u00e0 aus\u00eancia de consanguinidade e em prerrogativas femininas como ser honesta e medianamente formosa; na esfera sexual, \u00e0 virgindade feminina opunha-se uma experimentada e comprovada virilidade masculina. A virgindade representava uma condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non<\/em> para ser cas\u00e1vel e as \u00absa\u00eddas\u00bb uma manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica do desejo de casar e de atrair marido, com os inerentes riscos de se perder a si mesma e n\u00e3o alcan\u00e7ar o que pretendia.<\/p>\n<p>O casamento era um assunto decidido pela fam\u00edlia, ainda que j\u00e1 aflorasse a ideia de que o casamento n\u00e3o devia ser exclusivamente motivado por interesses econ\u00f3micos ou simb\u00f3licos e que os nubentes deviam ter uma palavra a dizer relativamente \u00e0 escolha que tinha sido feita. Apesar disso, o <em>amor conjugal m\u00fatuo<\/em>, dur\u00e1vel e seguro, era um garante real da unidade dos casados, da fidelidade, da harmonia, da estabilidade e da indissolubilidade matrimonial (<em>v.g.<\/em> \u00c1lvares, 1692; Andrada, 1630; Due\u00f1as, 1550; Granada, 1584; Luj\u00e1n, 1550; Puente, 1612-16; Vives, 1523). Esta constru\u00e7\u00e3o amorosa opunha-se \u00e0 paix\u00e3o que, com o passar dos anos, com o nascimento dos filhos e o gasto da fazenda desembocava \u2013 esva\u00edda a chama que ardia no peito \u2013 no adult\u00e9rio e na disc\u00f3rdia conjugal (<em>v.g.<\/em> Rivadeneira, 1589) e dependia da afei\u00e7\u00e3o progressiva (\u00abpara que o amor seja fixo, verdadeiro e seguro, h\u00e1-de ir assentando no cora\u00e7\u00e3o pouco a pouco\u2026\u00bb, Guevara, 1939). No entanto, n\u00e3o podia derrapar nem na <em>demasia <\/em>amorosa, nem na <em>falta de amor<\/em> uma vez que era por essas vias que nasciam as trai\u00e7\u00f5es, os adult\u00e9rios, as destrui\u00e7\u00f5es e as perdas dos reinos (<em>v.g.<\/em> Andrada, 1630; Puente, 1612-16; Vives, 1523).<\/p>\n<p>A <em>harmonia conjugal<\/em>, que se opunha, superficialmente, \u00e0 mais comum disc\u00f3rdia conjugal (<em>v.g.<\/em> Osuna, 1531; Molina, 1528) era uma resultante discreta do amor e um forte garante da fidelidade conjugal e decorria dos bons costumes, da companhia, da boa conversa\u00e7\u00e3o e da aus\u00eancia de ci\u00fame. Vives (1523) prescrevia, no m\u00ednimo, uma <em>aparente harmonia<\/em>, nessa arte fundamental de iludir as dificuldades matrimoniais.<\/p>\n<p>V\u00e1rios autores (Granada, 1584; Petrarca, 1516; Vives, 1539) imputavam \u00e0 mulher a responsabilidade pela <em>fidelidade conjugal<\/em>, baseada na confian\u00e7a m\u00fatua, um conceito chave na monogamia matrimonial. Para outros (<em>v.g.<\/em> Luj\u00e1n, 1550; Due\u00f1as, 1550; Guevara, 1524) o dever de fidelidade era igualit\u00e1rio, com cr\u00edticas expl\u00edcitas aos v\u00edcios do marido e \u00e0s sa\u00eddas da mulher. Para Guevara (1539) o marido devia, no in\u00edcio, cativar a mulher para prevenir infidelidades: \u00abse ela se determina de p\u00f4r os olhos noutro, outro a gozar\u00e1, ainda que pese ao marido\u00bb. Esta express\u00e3o, \u00aboutro a gozar\u00e1\u00bb situava o prazer sexual no masculino ainda que, implicitamente, a mulher, ao \u00abp\u00f4r os olhos noutro\u00bb, n\u00e3o fosse um objeto sexual t\u00e3o passivo quanto os preconceitos modernos teimam em defender.<\/p>\n<p>A<em> reprodu\u00e7\u00e3o<\/em> institu\u00eda-se como um argumento da revaloriza\u00e7\u00e3o do casamento e como uma prioridade e uma finalidade do matrim\u00f3nio (<em>v.g.<\/em> Erasmo, 1529; Due\u00f1as, 1550; papa Inoc\u00eancio III, 1955; Miranda, 1622; Osuna, 1531; Petrarca, 1516; papa Pio V, 1566; Rivadeneira, 1589; Vives, 1523) e, nessa base, a <em>esterilidade<\/em> era uma s\u00e9ria preocupa\u00e7\u00e3o, em particular para as mulheres que temiam o adult\u00e9rio e a separa\u00e7\u00e3o, enquanto repres\u00e1lias masculinas. Desaconselhavam-se as manobras (<em>v.g.<\/em> ir a feiticeiras ou usar beberagens) ou as supersti\u00e7\u00f5es para reverter a esterilidade que seriam \u00abdanosas para o corpo e para a alma\u00bb e s\u00f3 podiam dar filhos verdugos, tormento e cruz\u2026 As \u00fanicas \u00absolu\u00e7\u00f5es\u00bb admiss\u00edveis, para granjear os des\u00edgnios do Senhor e para dar sentido \u00e0 vida sem progenitura eram a entrega \u00e0 causa religiosa, a distribui\u00e7\u00e3o de bens pela Igreja e pelos pobres (<em>v.g.<\/em> Astete, 1598; Rivadeneira, 1589; cardeal D. Henrique, 1564).<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] o marido devia, no in\u00edcio, cativar a mulher para prevenir infidelidades: \u00abse ela se determina de p\u00f4r os olhos noutro, outro a gozar\u00e1, ainda que pese ao marido\u00bb. Esta express\u00e3o, \u00aboutro a gozar\u00e1\u00bb situava o prazer sexual no masculino ainda que, implicitamente, a mulher, ao \u00abp\u00f4r os olhos noutro\u00bb, n\u00e3o fosse um objeto sexual t\u00e3o passivo quanto os preconceitos modernos teimam em defender<\/em><\/h4>\n<p>Diversos autores (<em>v.g.<\/em> Azpilcueta, 1560; cardeal D. Henrique, 1564; Estevan, 1581; Osuna, 1531) condenavam como pecado mortal o recurso \u00e0 <em>contracep\u00e7\u00e3o<\/em> definida como \u00abpolu\u00e7\u00e3o fora do vaso natural\u00bb e pr\u00e1ticas que \u00abestorvam por outra via a gera\u00e7\u00e3o: fazendo que o ajuntamento, de si ordenado para engendrar, se ordene para exclusivo deleite\u00bb. Excetuavam-se Thomas Sanchez (1592), que admitia a rela\u00e7\u00e3o sexual sem fins procriativos, que autorizava \u00abos abra\u00e7os, beijos e car\u00edcias habituais, entre os esposos, para testemunhar e refor\u00e7ar o seu amor m\u00fatuo, mesmo se houver perigo e polu\u00e7\u00f5es involunt\u00e1rias\u00bb. E Pedro de Soto (1495-1563) que aceitava a limita\u00e7\u00e3o dos nascimentos, quando os pais j\u00e1 n\u00e3o tinham com que alimentar os filhos.<\/p>\n<p>O direito can\u00f3nico (<em>v.g.<\/em> Azpilcueta, 1560; cardeal D. Henrique, 1564; Due\u00f1as, 1550; Falconi, 1624-25; Mex\u00eda, 1566; Osuna, 1531; papa Pio V, 1566) atribu\u00eda \u00e0 <em>copula carnalis<\/em> e ao cumprimento do <em>d\u00e9bito conjugal<\/em> um papel significativo, que coexistia com a exalta\u00e7\u00e3o social e religiosa da castidade conjugal (<em>v.g.<\/em> Esmein, 1935). A maioria concordava com a s\u00edntese de Jo\u00e3o de Barros (1540): \u00absabido \u00e9 que toda a fornica\u00e7\u00e3o, posto que seja simples \u00e9 pecado mortal (\u2026). E para evitar este pecado introduz Deus o casamento fazendo do v\u00edcio Santa virtude\u00bb.<\/p>\n<p>Nos penitenciais, nos manuais de confessores, nos tratados sobre os v\u00edcios e as virtudes, nas sumas doutrinais, nos catecismos e nas obras did\u00e1ticas sobre o casamento, questionava-se claramente a natureza do pecado sexual (mortal <em>versus<\/em> venial). Por exemplo a licitude das rela\u00e7\u00f5es sexuais nos dias de comunh\u00e3o e os riscos dos maridos procurarem outras alternativas, ocasionando \u00abmil pecados mortais\u00bb. Quanto \u00e0 forma de interrogat\u00f3rio, o cardeal D. Henrique (1564) advertia que se deviam evitar as particularidades, para n\u00e3o os ensinar a pecar nem provocar alguma tenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, a impot\u00eancia era remediada atrav\u00e9s de feiti\u00e7os e ora\u00e7\u00f5es de \u00abreconhecida\u00bb efic\u00e1cia e a mulher era aconselhada a queixar-se ao juiz quando o marido n\u00e3o fizesse vida conjugal. Os maridos, pouco cumpridores dos \u00abdeveres\u00bb conjugais, que deixavam \u00absuas mulheres entre aus\u00eancias e necessidades\u00bb que eram os \u00abbaixios mais perigosos para naufr\u00e1gios de honestidade\u00bb. Osuna (1531) recomendava, na pr\u00e1tica, um bom par de a\u00e7oites quando a mulher \u00abapartava cama\u00bb, mas entendia que a mulher podia \u00abnegar a obriga\u00e7\u00e3o a seu marido: quando de certo sabe que lhe foi desleal\u00bb. Mas a maioria dos autores (<em>v.g.<\/em> \u00c1lvares, 1692; Andrada, 1630; Due\u00f1as, 1550; Ortiz, 1552; Rivadeneira, 1589) valorizava mais a condena\u00e7\u00e3o dos \u00abprazeres e v\u00edcios\u00bb, da sensualidade, dos \u00abfeios desejos e deleites\u00bb das \u00abdemasias\u00bb de concupisc\u00eancia carnal, enquanto amea\u00e7a \u00e0 felicidade conjugal.<\/p>\n<h4><em>A clausura dom\u00e9stica tinha em vista \u00abn\u00e3o haver suspeitas do marido, nem maledic\u00eancia de fora\u00bb. Uma sa\u00edda n\u00e3o controlada, comportava o risco de pecado e a insinua\u00e7\u00e3o p\u00fablica de adult\u00e9rio, colocando em jogo a honestidade e a boa fama da mulher<\/em><\/h4>\n<p>Achava-se que os homens eram menos continentes, nomeadamente os ricos viciosos, e que cometiam adult\u00e9rio com maior frequ\u00eancia do que as mulheres, sendo respons\u00e1veis pelas doen\u00e7as contagiosas transmitidas \u00e0 \u00ableg\u00edtima\u00bb e \u00e0 progenitura (Rivadeneira, 1589). No <em>Orto do Esposo<\/em> categorizava-se e estigmatizava-se a mulher sexualmente hiperativa, viciosa, libertina e ninfoman\u00edaca: \u00abEnquanto \u00e9 a mulher luxuriosa manceba, f\u00e1-lo (o diabo) usar do pecado da lux\u00faria e, depois que \u00e9 velha e feia f\u00e1-la usar da alcoviteirice, que estas velhas alcoviteiras trazem o fogo da lux\u00faria para acenderem o cora\u00e7\u00e3o dos homens\u00bb. Esta categoria, despenalizada, por via da influ\u00eancia de Satan\u00e1s era representada como imut\u00e1vel, essencialista e irremedi\u00e1vel.<\/p>\n<p>A <em>clausura dom\u00e9stica<\/em> tinha em vista \u00abn\u00e3o haver suspeitas do marido, nem maledic\u00eancia de fora\u00bb. Uma sa\u00edda n\u00e3o controlada, comportava o risco de pecado e a insinua\u00e7\u00e3o p\u00fablica de adult\u00e9rio, colocando em jogo a honestidade e a boa fama da mulher. Este temor profundo justificava a <em>proibi\u00e7\u00e3o de contactos <\/em>com homens e que fossem <em>bem guardadas<\/em>, no decurso dos encontros sociais. Jo\u00e3o de Barros (1540) maximizava a situa\u00e7\u00e3o com a express\u00e3o: \u00abn\u00e3o h\u00e1-de sair fora de casa sen\u00e3o quando casa e quando morre\u00bb. Era aceite que as casadas fossem a\u00e7oitadas quando bailavam com outro homem, sem autoriza\u00e7\u00e3o do marido (<em>v.g.<\/em> Andrada, 1630; Astete, 1592; Barros, 1540; Camos, 1592; Escriv\u00e1, 1613; Guevara, 1529; Luj\u00e1n, 1550; Mex\u00eda, 1566; Mora, 1589; papa Pio V, 1566; Pisano, 1518; Rivadeneira, 1589; Vives, 1523, 1539). Contudo, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, segundo Jaime Cortes\u00e3o (1975), seria frequente a mulher, em p\u00fablico, aparecer \u00ab\u2026 a entornar pelo decote os seios altos e morenos\u2026\u00bb (p.155) e que as mocinhas negras fossem buscar \u00e1guas \u00abquase nuas\u00bb (p.131); a sorte seria os nossos marinheiros ficarem completamente indiferentes a tanta exposi\u00e7\u00e3o carnal: \u00abNem os excesso de riqueza mal ganhada nem a mol\u00edcia [voluptuosidade] dos costumes estranhos abastardavam e pervertiam os fortes caracteres\u00bb (p.133).<\/p>\n<p>Condenava-se a mancebia, o concubinato, o adult\u00e9rio, a bigamia e a poligamia (<em>v.g.<\/em> Azpilcueta, 1560; Osuna, 1531; papa Pio V, 1566). No entanto era sobretudo sobre o <em>adult\u00e9rio<\/em> que os discursos eram mais incisivos. Em parte porque se vivia num mundo, perversamente, repleto de longas separa\u00e7\u00f5es conjugais (<em>v.g.<\/em> Andrada, 1630; Estevan, 1581; Luj\u00e1n, 1550; Osuna, 1531; Melo, 1651), sequentes aos empreendimentos n\u00e1uticos, que mobilizavam um sem n\u00famero de marinheiros, de soldados e de mercadores que deixavam as esposas a enfrentar um maremoto de \u00abtenta\u00e7\u00f5es\u00bb pondo \u00aba perigo a fornica\u00e7\u00e3o a si pr\u00f3prios e a ela\u00bb e, portanto, cometendo \u00abduplo pecado\u00bb. E esse era um risco real, pois alguns, traziam, a bordo das naus, escravas ex\u00f3ticas para satisfa\u00e7\u00e3o dos seus desejos sexuais (<em>v.g.<\/em> Andrada, 1630). Para outros (<em>v.g.<\/em> Barros, 1540; Guevara, 1539; papa Pio V, 1566; Vives, 1523) bastava deixar a esposa sozinha, \u00abmormente sendo mo\u00e7a\u00bb, \u00e0 noite ou permitir \u00abtenta\u00e7\u00f5es\u00bb quotidianas com estranhos, compadres, h\u00f3spedes e alcoviteiras, para que a \u00abboa fama\u00bb da casada estivesse amea\u00e7ada, numa sociedade onde o \u00abparecer\u00bb era extremamente significativo: \u00abAo homem n\u00e3o lhe pedimos mais que seja bom, mas \u00e0 mulher honrada n\u00e3o lhe basta que o seja, mas tamb\u00e9m que o pare\u00e7a\u00bb\u2026 Mas esta vigia n\u00e3o devia chegar ao ponto de aprisionar a mulher, como sucedia ao cioso excessivo que dava cr\u00e9dito ao leve ind\u00edcio e \u00e0 f\u00e9rtil imagina\u00e7\u00e3o (<em>v.g.<\/em> \u00c1lvares, 1692).<\/p>\n<p>Escriv\u00e1 (1613) afirmava, com clareza, ser maior o pecado da ad\u00faltera comparativamente ao do ad\u00faltero. Astete (1598) considerava \u00abmais grave por parte do homem, ainda que da parte da mulher mais perigoso e lesivo\u00bb. Desculpabilizava-se o adult\u00e9rio feminino motivado por necessidades econ\u00f3micas (Guevara, 1539) ou por <em>revanche<\/em> (Andrada, 1630), no caso dos maridos notoriamente devassos. Alguns como Bellarmino (1624) encontravam velhas \u00absolu\u00e7\u00f5es\u00bb para p\u00f4r cobro aos adult\u00e9rios de todos os matizes: \u00abAos ad\u00falteros <em>p\u00fablicos<\/em> com facilidade castigam e matam os ju\u00edzes ou os seus parentes. Mas aos ad\u00falteros <em>ocultos<\/em>, que s\u00e3o muito mais, o juiz supremo e omnipotente [\u2026] os castigar\u00e1 com o castigo da condena\u00e7\u00e3o eterna\u00bb.<\/p>\n<h4><em>A discuss\u00e3o das pr\u00e1ticas sexuais n\u00e3o reprodutivas e anticoncepcionais parece iluminar a possibilidade de que estas come\u00e7avam a emergir, nalguns subgrupos sociais, com o objetivo de dissociar o sexo da reprodu\u00e7\u00e3o<\/em><\/h4>\n<p>Estes discursos s\u00e3o paradigm\u00e1ticos no sentido de clarificar que, por vezes, os autores contempor\u00e2neos t\u00eam uma vis\u00e3o excessivamente simplista sobre os casamentos combinados nas sociedades antigas ou tradicionais. Faltava ent\u00e3o o namoro, encarado como perigoso e negativo, enquanto institui\u00e7\u00e3o pr\u00e9via ao casamento, para consumar a experi\u00eancia afectiva e amorosa, mas temos de admitir que, segundo os c\u00e2nones da \u00e9poca, se aceitava que o amor podia nascer a posteriori, no matrim\u00f3nio. No entanto, a atitude face ao ci\u00fame, deixa suspeitar a exist\u00eancia de viv\u00eancias amorosas, apesar da contradi\u00e7\u00e3o com as teses que, a priori, defendem que os matrim\u00f3nios \u00abarranjados\u00bb s\u00e3o incompat\u00edveis com o amor. Isso n\u00e3o invalida que o ci\u00fame fosse matizado por outros fatores como o sentimento de perda, fosse da \u00abposse\u00bb do outro, fosse da \u00abhonra\u00bb perdida.<\/p>\n<p>Em simult\u00e2neo, \u00e9 preciso ter em considera\u00e7\u00e3o que estes discursos, em parte colocam, no modelo do bem-casado, a mulher numa posi\u00e7\u00e3o mais igualit\u00e1ria do que a sociedade e a jurisprud\u00eancia admitiam: de facto a \u00abfraqueza do seu entender\u00bb funcionava como argumento para a colocar em igualdade de circunst\u00e2ncias com a crian\u00e7a e com o escravo. Deste modo, sobressai tamb\u00e9m a contradi\u00e7\u00e3o entre o que a classe clerical definia como o ideal do bem-casado e o que a sociedade defendia relativamente \u00e0s rela\u00e7\u00f5es matrimoniais.<\/p>\n<p>Germinava, pelo menos entre as classes altas, uma depura\u00e7\u00e3o te\u00f3rica que situava o relacionamento conjugal e amoroso na esfera da domesticidade e que muitos autores contempor\u00e2neos tendem a situar num per\u00edodo muito mais tardio. E adivinhava-se j\u00e1 na desejabilidade de uma fidelidade sexual m\u00fatua, prel\u00fadio da defesa da associa\u00e7\u00e3o amor \u2013 sexo que, mais tarde, viria a se instituir como o leit-motiv b\u00e1sico da maioria das vers\u00f5es rom\u00e2nticas do relacionamento heterossexual.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o das pr\u00e1ticas sexuais n\u00e3o reprodutivas e anticoncepcionais parece iluminar a possibilidade de que estas come\u00e7avam a emergir, nalguns subgrupos sociais, com o objetivo de dissociar o sexo da reprodu\u00e7\u00e3o e, entre a classe eclesi\u00e1stica, ainda existia um modelo coerente e exclusivamente condenat\u00f3rio dessas manobras contraconcetivas. Contudo, \u00e9 inequ\u00edvoco que estas pr\u00e1ticas, pouco ou nada tinham a ver com o controlo dos nascimentos que emergiu, na sociedade ocidental, a partir do \u00faltimo quartel do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>A prescri\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito conjugal era parcimoniosa e visava, apesar da cr\u00edtica ao d\u00e9fice de rela\u00e7\u00f5es sexuais, a preven\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e da educa\u00e7\u00e3o moral e religiosa, de \u00abexcessos\u00bb e \u00abv\u00edcios\u00bb sexuais: argumentando-se, em ambos os casos, que tinha consequ\u00eancias sociais perigosas e arriscadas.<\/p>\n<p>A clausura feminina, enquanto institui\u00e7\u00e3o preventiva dos desmandos sexuais das mulheres, era um \u00e1libi para enfrentar o perigo \u00abreal\u00bb dos homens que desonravam donzelas ou seduziam mulheres casadas e um modo de minimizar o impacto do mexerico s\u00f3cio-sexual, real ou ficcionado.<\/p>\n<p>Os adult\u00e9rios masculinos que conseguiam furtar-se ao escrut\u00ednio da opini\u00e3o p\u00fablica eram tolerados na medida em que o que estava em jogo era muito mais a \u00abhonra\u00bb do homem \u00abenganado\u00bb do que as bases afetivas ou amorosas em que assentava o relacionamento conjugal. Para al\u00e9m disso, na legisla\u00e7\u00e3o eram considerados crime, com o pequeno detalhe de muito raramente serem penalizados. Pelo contr\u00e1rio, no adult\u00e9rio feminino o marido tinha o direito de a matar, de a colocar em c\u00e1rcere privado e, sobretudo, de a obrigar ao recolhimento, para evitar o \u00abesc\u00e2ndalo p\u00fablico\u00bb. Ambos podiam pedir a separa\u00e7\u00e3o de pessoas e bens, mas \u00e0 mulher n\u00e3o bastava que o marido fosse ad\u00faltero, pois era preciso que tivesse sofrido sev\u00edcias graves (ser espancada, arrastada pelos cabelos ou ser tratada pior do que uma escrava) ou reclamar os bens que ele tivesse esbanjado com alguma amante.<\/p>\n<p>Muitos destes fatores foram subtilmente integrados e aceites na sociedade mesmo que a sele\u00e7\u00e3o dos parceiros amorosos se opere de uma forma n\u00e3o dita e oculta. O tabu do incesto, possivelmente, at\u00e9 foi muito mais institu\u00eddo e legitimado do que ent\u00e3o se verificava. A import\u00e2ncia da virilidade masculina at\u00e9 se viria a acentuar, mesmo que n\u00e3o seja encarada numa mera perspectiva reprodutiva.<\/p>\n<p>As maiores discrep\u00e2ncias situam-se no comportamento feminino e na condi\u00e7\u00e3o social da mulher: na atualidade a mulher surge valorizada por via da est\u00e9tica, da reatividade sexual, da desvaloriza\u00e7\u00e3o da virgindade e do t\u00e9rmino da divis\u00f3ria social que situava a mulher exclusivamente no espa\u00e7o dom\u00e9stico.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>\u00c1lvares, L.S.J. (1692) \u2013 <em>Ceo de gra\u00e7a, inferno custoso<\/em>, \u00c9vora, Officina da Universidade.<\/p>\n<p>Andrada, A.S.J. (1642) \u2013 <em>Libro de la guia de la virtude y imitation de nuestra se\u00f1ora, para todos los estados<\/em>, 1\u00aa parte, Madrid, Francisco Maroto.<\/p>\n<p>Andrada, D.P. (1630) \u2013 <em>Casamento perfeito em que contam avert\u00eancias muito importantes para viverem os casados em quieta\u00e7\u00e3o e contentamento<\/em>, Lisboa, Jorge Rodrigues.<\/p>\n<p>Astete, G.S.J. (1598) \u2013<em> Del gobierno de la fam\u00edlia y estado del matrimonio. Donde se trata de como se han de auer los casados com sus mujeres, y los padres com sus hijos, y los se\u00f1ores com sus criados<\/em> (Tercera parte de las obras), Valladolid, Alonso de Vega.<\/p>\n<p>Azpilcueta, M. de (Ed.) (1560) \u2013 <em>Manual de confessores y penitentes<\/em>, Coimbra, Jo\u00e3o de Barreira.<\/p>\n<p>Barros, J. de (1540) \u2013 <em>Espelho de casados<\/em>, Porto, 1874, Ed. de Tito de Noronha e de Ant\u00f3nio Cabral.<\/p>\n<p>Bellarmino, Cardeal (1624) \u2013 <em>Arte de bien morir<\/em>, Barcelona, Sebastian y Iayme Matevad.<\/p>\n<p>Camos, Fr. M.A. de (1592) \u2013 <em>Microscomia y gobierno universal del hombre christiano, para todos los estados y qualquiere de ellos<\/em>, Barcelona, Monasterio de Sancto Augustin.<\/p>\n<p>Cortes\u00e3o, J. (1975) \u2013 <em>P\u00e1ginas Olisiponenses<\/em>, Publica\u00e7\u00f5es da C\u00e2mara Municipal de Lisboa.<\/p>\n<p>Due\u00f1as, J. de (1550) \u2013 <em>Espejo de consol\u00e1cion de tristes<\/em>, Anvers, Martinus Nutius.<\/p>\n<p>Erasmo (1715) \u2013 <em>Le mariage chr\u00e9tien<\/em>, Paris, F. Barbuti.<\/p>\n<p>Escriv\u00e1, F. (1613) \u2013 <em>Discursos de los estados de las obligaciones particulares del estado, y officio, segun las quales ha de ser cada uno particularmente juzgado<\/em>, Val\u00eancia, Juan Chrisostomo Garriz.<\/p>\n<p>Esmein, A. (1935) \u2013 <em>Le mariage en droit canonique<\/em>, dois volumes, Paris, Lib. du Recueil Sirey.<\/p>\n<p>Estevan, J. (1581) \u2013 <em>Orden de bien casar, y avisos de casados<\/em>, Bilbao, 1595, Pedro Cole de Ybarra.<\/p>\n<p>Falconi, Fr. J. (1624-25) &#8211; \u00abEl pan nuestro de cada dia\u00bb <em>in Obras espirituales<\/em>, Madrid, 1763, Mar\u00edn.<\/p>\n<p>Granada, Fr. L. (1584) \u2013 <em>Compendio de doctrina christ\u00e3a, in Obras del V.P.M. Fr. Luis de Granada<\/em>, tomo III, Madrid, 1852.<\/p>\n<ol>\n<li>Henrique, Cardeal (1564) \u2013 <em>Decretos e determina\u00e7oens do sagrado concilio tridentino que devem ser notificadas ao povo por serem da sua obriga\u00e7\u00e3o, e se h\u00e3o de publicar nas parochias<\/em>, Lisboa, Ed. Francisco Correa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Inoc\u00eancio III, Papa ou Lothari, Cardeal (1955) \u2013 <em>De miseriae humanae conditionis<\/em>, Padova, Editrice Antenore.<\/p>\n<p>Luj\u00e1n, P. (1550) \u2013 <em>Coloquios matrimoniales, Anejos del Boletin de la Real Academia de Historia<\/em>, Madrid, 1990.<\/p>\n<p>Melo, F.M.M. (1651) \u2013 <em>Carta de guia de casados<\/em>, Lisboa, Editorial Verbo, s\/d.<\/p>\n<p>Mex\u00eda, P. (1540) \u2013 <em>Silva de varia lecci\u00f3n<\/em>, Madrid, C\u00e1tedra\/Letras Hisp\u00e2nicas, dois volumes, 1989-90.<\/p>\n<p>Miranda, M.A. (1622-24) \u2013 <em>Tempo de agora em dialogos<\/em>, Lisboa, Ed. Bento Jos\u00e9 Farinha, dois volumes, 1785.<\/p>\n<p>Molina, J. (1528) &#8211; \u00abSerm\u00f3n en loor del matrimonio\u00bb <em>in Revista de Archivos, Bibliotecas y Museos<\/em>, 1955, LXI (2): 489-530.<\/p>\n<p>Mora, J. (1589) \u2013 <em>Discursos morales<\/em>, Madrid, Pedro Madrigal.<\/p>\n<p>Ortiz, F. (1552) \u2013 <em>Epistolas familiares<\/em>, \u00c7arago\u00e7a, Bartholom\u00e9 de Nagara.<\/p>\n<p><em>Orto do Esposo <\/em>(s\/d) \u2013 adapta\u00e7\u00e3o portuguesa do <em>De vita solitaria<\/em> de Petrarca, Rio de Janeiro, Ed. de Bertil Maler, 1956.<\/p>\n<p>Osuna, F. (1531) \u2013 <em>Norte de los estados en que se da reglas de biuir a los mancebos: y a los casados: y a los biudos: y a todos los continentes: y se tratan muy por estenso los remedios del desastrado casamiento: ense\u00f1ando que tal ha de ser la vida del christiano casado<\/em>, Sevilla, Ed. Bartholom\u00e9 P\u00e9rez.<\/p>\n<p>Petrarca (1516) \u2013 <em>De los remedis contra la prospera y adversa fortuna<\/em>, Sevilla.<\/p>\n<p>Pio V, Papa (1566) \u2013 <em>Catechismo romano do papa Pio V<\/em>, Lisboa, Ed. Ant\u00f3nio Alvarez, 1590.<\/p>\n<p>Pisano, C. (1518) \u2013 <em>Espelho de Cristina<\/em>, Ed. <em>face-simile<\/em>, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1987.<\/p>\n<p>Puente, L. (1612-16) \u2013 <em>De la perfeci\u00f3n del christiano en todos sus estados<\/em>, quatro volumes (Tomo I, Valladolid, Iuan Godinez de Millis, 1612; Tomo II, Valladolid, Francisco Fern\u00e1ndez de Cordoua, 1613; Tomo III, Pamplona, Nicil\u00e1s de Assiayn, 1616; Tomo IV, Pamplona, Carlos Lab\u00e0yen, 1616).<\/p>\n<p>Rivadeneira, P. (1589) \u2013 <em>Tratado de la tribulaci\u00f3n<\/em>, Barcelona, Biblioteca Cl\u00e1sica Espa\u00f1ola, 1885.<\/p>\n<p>Sanchez, T. (1592) \u2013 <em>De sancti matrimonii. Sacramento disputationum<\/em>, Libri X, Genova.<\/p>\n<p>Vives, J.L. (1523) \u2013 <em>Formaci\u00f3n de la mujer christiana<\/em> (tradu\u00e7\u00e3o do <em>De institutione foeminae christianae<\/em>) <em>in Obras Completas<\/em>, volume I, Madrid, Aguilar, 1947-48.<\/p>\n<p>Vives, J.L. (1539) \u2013 <em>Instrucci\u00f3n de la mujer christiana: donde se contiene como se ha de criar vna donzela hasta casarla: y despues de casada como ha de regir su casa y biuir bienaventuradamente con su marido. y se fuere biuda lo que deue hacer. agora nuevamente corrigido y emendado y reduzido en buen estilo castellano<\/em>, Zamora, Pedro Tovans.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] Uma reflex\u00e3o de\u2026 Jos\u00e9 Pacheco, sex\u00f3logo, psic\u00f3logo cl\u00ednico e ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica (1996). &nbsp; Percursos\u2026 Trabalhou mais de trinta anos no Servi\u00e7o de Psicoterapia Comportamental e na Consulta de Sexologia Cl\u00ednica do Hospital J\u00falio de Matos, em Lisboa. Licenciado em Psicologia pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada. 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