{"id":7480,"date":"2017-09-05T14:16:02","date_gmt":"2017-09-05T14:16:02","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7480"},"modified":"2019-03-25T18:59:04","modified_gmt":"2019-03-25T18:59:04","slug":"7480","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/09\/05\/7480\/","title":{"rendered":"Uma terapia a dois"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Captura-de-ecra\u0303-2017-09-4-a\u0300s-19.41.17-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-7488\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Captura-de-ecra\u0303-2017-09-4-a\u0300s-19.41.17-1-273x300.png\" alt=\"\" width=\"273\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 conversa com\u2026<\/strong><br \/>\nAnt\u00f3nio Santos Pereira, psiquiatra, terapeuta conjugal, s\u00f3cio fundador e <a href=\"http:\/\/spsc.pt\/index.php\/team\/\">vice-presidente da Dire\u00e7\u00e3o da Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div>\n<p><strong>Percursos\u2026<br \/>\n<\/strong>Exerce cl\u00ednica privada (e dirige) o Centro de Cl\u00ednica e Forma\u00e7\u00e3o Psicol\u00f3gica no Porto. Fez carreira m\u00e9dica no Hospital do Conde Ferreira. Foi docente convidado da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, entre 1980 e 2005. Integrou a <em>Comiss\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o para mudan\u00e7a de sexo<\/em>, da Ordem dos M\u00e9dicos, entre 2004 e 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n5 de Setembro de 2017<\/p>\n<div><\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Entrevista<br \/>\n<\/strong>Isabel Freire<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>A terapia conjugal n\u00e3o funciona se cada elemento do casal esperar que a mudan\u00e7a venha do outro. A mudan\u00e7a tem de come\u00e7ar em n\u00f3s, defende Ant\u00f3nio Santos Pereira, psiquiatra, terapeuta conjugal e\u00a0vice-presidente da Dire\u00e7\u00e3o da SPSC. Al\u00e9m disso, a finalidade desta psicoterapia a dois &#8211; cada vez mais procurada em Portugal &#8211; \u201cn\u00e3o \u00e9 tentar unir ou conciliar a tudo o custo\u201d. Atualmente h\u00e1 j\u00e1 casais que procuram ajuda para se separarem com o menor sofrimento (e com os menores custos ao n\u00edvel da comunica\u00e7\u00e3o), sobretudo se tiverem filhos. Denominada (\u201cpr\u00f3pria ou impropriamente\u201d) de <em>terapia de div\u00f3rcio<\/em>, deriva da consci\u00eancia de que a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor (ou \u00fanica) solu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013<\/strong><strong> Que elementos s\u00e3o habitualmente muito \u2018erosivos\u2019 da rela\u00e7\u00e3o conjugal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Santos Pereira \u2013<\/strong> N\u00e3o se pode falar de um elemento respons\u00e1vel, mas h\u00e1 uma patologia de comunica\u00e7\u00e3o que \u00e9 um fator frequentemente importante na \u201cintoxica\u00e7\u00e3o\u201d conjugal: a <em>escalada<\/em>. Falamos de <em>escalada<\/em> em rela\u00e7\u00f5es sim\u00e9tricas (como s\u00e3o teoricamente as conjugais), quando cada um dos elementos agride comunicacionalmente o outro, postulando que essa agress\u00e3o \u00e9 a resposta natural a um comportamento semelhante pr\u00e9vio do parceiro. Costumo dizer que estes casais t\u00eam o piloto autom\u00e1tico em posi\u00e7\u00e3o de agressividade. E o jogo comunicacional esgota-se nisso. \u00c9 uma forma de tentar vencer o outro pela for\u00e7a, e assim controlar a rela\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 porventura (em termos estat\u00edsticos) a mais frequente exterioriza\u00e7\u00e3o das disfun\u00e7\u00f5es conjugais, mas h\u00e1 muitas outras: a rigidifica\u00e7\u00e3o, a incapacidade de dialogar \u201csem pedras no sapato\u201d, ou ainda, perspectivas dissonantes em rela\u00e7\u00e3o ao que cada um espera da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>A terapia conjugal faz muito sentido quando\u2026<\/strong><\/p>\n<p><strong>ANSP \u2013<\/strong> Quando existe investimento afetivo, mas \u2013 por um conjunto variado de circunst\u00e2ncias, a que n\u00e3o s\u00e3o alheias caracter\u00edsticas pessoais, inseguran\u00e7as, medos ou preconceitos individuais \u2013 esse afeto n\u00e3o \u00e9 positivamente expresso, seja por um ou por ambos os elementos do casal. Temos que tentar identificar os erros de comunica\u00e7\u00e3o e encontrar (em conjunto) alternativas comunicacionais mais \u201csaud\u00e1veis\u201d e adequadas, que permitam uma intera\u00e7\u00e3o gratificante. Na terapia conjugal podemos identificar padr\u00f5es transacionais disfuncionais e dar pistas para a sua substitui\u00e7\u00e3o (por outros mais eficazes), mas o trabalho de os p\u00f4r em pr\u00e1tica depende do casal. O modelo de terapia de casal n\u00e3o \u00e9 um modelo m\u00e9dico, em que se faz o diagn\u00f3stico e se prescreve a solu\u00e7\u00e3o (farmacol\u00f3gica, cir\u00fargica, ou outras). Exige a implica\u00e7\u00e3o e a necessidade de mudan\u00e7a de comportamento dos elementos do casal. Responsabiliza-os. F\u00e1-los os agentes de mudan\u00e7a. O boicote sistem\u00e1tico \u00e0s prescri\u00e7\u00f5es tende a constituir um ind\u00edcio de que a situa\u00e7\u00e3o pode ter chegado a um ponto de n\u00e3o retorno (por parte de um ou de ambos os c\u00f4njuges). E se fazemos essa leitura, temos de os confrontar com isso, declarando, por exemplo, a nossa incapacidade de ajudar. N\u00e3o \u00e9 raro acontecer que, ao sentir-se \u201cabandonado\u201d, o casal se esforce, finalmente, por mudar alguma coisa. Esta \u00e9 uma prescri\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica que pode desbloquear o impasse.<\/p>\n<p>A terapia conjugal n\u00e3o faz sentido quando um dos membros do casal sofre de quadros psic\u00f3ticos (por exemplo, del\u00edrio de ci\u00fame, esquizofrenia) ou patologia grave (depress\u00e3o, doen\u00e7a bipolar descompensada), circunst\u00e2ncias em que \u00e9 necess\u00e1rio fazer tratamento psiqui\u00e1trico pr\u00e9vio. Tamb\u00e9m \u00e9 contraindicado em perturba\u00e7\u00f5es psicop\u00e1ticas da personalidade, pela incapacidade de \u201cinsight\u201d destas pessoas. O mesmo acontece quando n\u00e3o h\u00e1 um pedido comum (ajude-nos a separar-nos ou ajude-nos a recuperar a rela\u00e7\u00e3o). Podemos, neste caso, contemplar duas ou tr\u00eas sess\u00f5es para tentar conciliar os pedidos, mas se isso n\u00e3o acontecer, n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o para terapia conjugal.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>O que \u00e9 que se entende que \u00e9 priorit\u00e1rio trabalhar\/requalificar na rela\u00e7\u00e3o do casal que vem pedir ajuda?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASP \u2013<\/strong> A terapia de casal \u00e9 sempre uma terapia de comunica\u00e7\u00e3o, e o foco tem de ser nas \u00e1reas que se consideram menos funcionais. Podemos ter de atuar sobre o fen\u00f3meno de escalada, por diferentes m\u00e9todos (em fun\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas do casal e das \u00e1reas de conflito). Sobre a rigidifica\u00e7\u00e3o, outra perturba\u00e7\u00e3o comunicacional que consiste em se ser incapaz de flexibilizar as rela\u00e7\u00f5es, \u00e0 medida que as circunst\u00e2ncias mudam. Um exemplo t\u00edpico (que tem vindo a mudar, lentamente) \u00e9 o dos casais em que a mulher fica em casa a cuidar dos filhos, mas sente a necessidade de trabalhar fora de casa, quando estes crescem e se autonomizam, sendo impedida pelo marido (por vezes de forma dura e mesmo violenta). Noutros casos, \u00e9 necess\u00e1rio adequar as expectativas de cada face \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, tornando-as mais realistas e partilh\u00e1veis. Tudo isto exige um investimento forte e uma grande capacidade para a intimidade, j\u00e1 que o paradigma atual do casamento se baseia no investimento afetivo \u2013 <em>amor<\/em>, chamam-lhe alguns, mas h\u00e1 quem ache muito dif\u00edcil e perigoso defini-lo \u2013 e n\u00e3o no contrato social que definia bem, na rela\u00e7\u00e3o, o papel da mulher e do homem (cuidar da casa e dos filhos, garantir o bem estar econ\u00f3mico), e que era bem mais f\u00e1cil de assegurar. No novo paradigma \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 gostar, mas mostrar que se gosta, dando ao outro o que ele pretende e como gosta de o receber. A verdade \u00e9 que por vezes o di\u00e1logo \u00e9 t\u00e3o pobre que nenhum dos dois sabe o que o outro gosta, apenas advinha, baseando-se sabe-se l\u00e1 em qu\u00ea. Isto \u00e9 frequente na \u00e1rea da sexualidade, mas n\u00e3o se confina a ela, \u00e9 mais abrangente. Resumindo, temos de trabalhar sobre \u00e1reas que parecem ser \u201cpatol\u00f3gicas\u201d e pass\u00edveis de melhorar, sem padr\u00f5es predeterminados, que s\u00e3o sempre redutores.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>Que regras \u00e9 que se estabelecem com os pacientes, no in\u00edcio do processo terap\u00eautico conjugal? <\/strong><\/p>\n<p><strong>ASP <\/strong><strong>\u2013<\/strong> Em terapia, deixo claro na primeira consulta que n\u00e3o sou juiz. Nem perito de companhia de seguros, para avaliar a culpa de cada um no \u201csinistro conjugal\u201d. Por isso, podem-se dispensar de me tentar convencer que (e como) o outro \u00e9 o culpado. T\u00eam de aceitar, que se n\u00e3o se sentem bem na rela\u00e7\u00e3o, ambos s\u00e3o, seguramente, respons\u00e1veis por essa disfuncionalidade. T\u00eam de aceitar que necessitam mudar comportamentos, j\u00e1 que (como \u00e9 moda dizerem os nossos pol\u00edticos) n\u00e3o h\u00e1 inocentes \u201cnessa mat\u00e9ria\u201d. E h\u00e1 que pensar no que podem mudar, sem esperar que o outro mude primeiro. Eis uma situa\u00e7\u00e3o t\u00edpica \u00e9:<\/p>\n<p><em>&#8211;<\/em><em>Ele n\u00e3o dialoga.<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211;<\/em><em>Claro! Se dou uma opini\u00e3o, ela manda-se ao ar, est\u00e1 sempre nervosa&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211;<\/em><em>Claro que estou nervosa, mas como \u00e9 que havia de estar, se tu n\u00e3o dialogas?<\/em><\/p>\n<p><em>&#8211;<\/em><em>Como hei de dialogar se tu est\u00e1s sempre nervosa e \u00e9 imposs\u00edvel falar contigo?<\/em><\/p>\n<p>E cada um fica \u00e0 espera que o outro mude. Claro que devem esperar sentados, como medida de preven\u00e7\u00e3o das varizes. Logo, a primeira regra obrigat\u00f3ria \u00e9: \u201ca mudan\u00e7a come\u00e7a em mim\u201d. Ambos t\u00eam de a aceitar e cumprir, condi\u00e7\u00e3o sem a qual n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o para terapia de casal.<\/p>\n<p>Outra regra fundamental \u00e9 que a viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 (de maneira nenhuma) compagin\u00e1vel com a continua\u00e7\u00e3o do processo psicoterap\u00eautico. A sua exist\u00eancia \u00e9 um ind\u00edcio p\u00e9ssimo da sa\u00fade da rela\u00e7\u00e3o. E a manter-se, n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para a prossecu\u00e7\u00e3o do processo de ajuda.<\/p>\n<p>Outra regra \u00e9 n\u00e3o poder haver rela\u00e7\u00f5es extraconjugais ap\u00f3s o in\u00edcio do apoio. A existir (ou a continuar a existir) tamb\u00e9m inviabiliza a terapia de casal. \u00c9 claro que podemos ser enganados, e a este prop\u00f3sito apetece-me falar de um casal que segui h\u00e1 alguns anos, a pedido de uma amiga. Achava que o irm\u00e3o necessitava de ser ajudado, em termos de casal. Durante o processo, apercebi-me que o elemento masculino do casal colaborava pouco. Mostrava-se sempre muito simp\u00e1tico, mas boicotava as prescri\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a. Por isso, falei individualmente com ele. Cheguei a perguntar-lhe se n\u00e3o haveria outro investimento afetivo (real ou fantasiado). Respondeu que n\u00e3o, indignado. Ao fim de quase dois anos de terapia, faltaram a uma sess\u00e3o sem aviso pr\u00e9vio. Por essa altura contactou-me a minha amiga, revelando que o irm\u00e3o tinha sa\u00eddo de casa para ir viver com outra mulher, de quem j\u00e1 tinha uma filha de 5 anos.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>Que papel pode\/deve a sexualidade ter no processo terap\u00eautico do casal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASP <\/strong><strong>\u2013<\/strong> A sexualidade \u00e9 uma das \u00e1reas da rela\u00e7\u00e3o conjugal. Evidentemente, tem relev\u00e2ncia, mas em termos gerais porventura n\u00e3o t\u00e3o grande como alguns esperariam. A sua import\u00e2ncia \u00e9 muito vari\u00e1vel de casal para casal, e em fun\u00e7\u00e3o do desenvolvimento da rela\u00e7\u00e3o, assim como da idade e da hist\u00f3ria relacional.<\/p>\n<p>A funcionalidade e gratifica\u00e7\u00e3o conjugal geral afetam a sexualidade e s\u00e3o afetadas por ela. Conhe\u00e7o muitos casais que se sentem gratificados (mesmo com uma sexualidade pobre), mas que raramente se sentem bem com uma sexualidade razo\u00e1vel ou boa, num deserto relacional a outros n\u00edveis.<\/p>\n<p>A terapia sexual pode ser parte integrante da terapia conjugal. Uma disfun\u00e7\u00e3o sexual pode alastrar, \u201cem marcha\u201d, a outras \u00e1reas da rela\u00e7\u00e3o, podendo o inverso ser tamb\u00e9m verdadeiro (uma disfun\u00e7\u00e3o conjugal geral constituir um fator mais ou menos importante de ativa\u00e7\u00e3o ou de manuten\u00e7\u00e3o de uma disfun\u00e7\u00e3o sexual).<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>H\u00e1 casais que permanentemente discutem e se agridem com as palavras. Esta \u00e9 uma forma de viol\u00eancia socialmente tolerada?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASP <\/strong><strong>\u2013<\/strong> As discuss\u00f5es num casal n\u00e3o s\u00e3o necessariamente patol\u00f3gicas. Discutir as coisas \u00e9 uma das formas de as clarificar, pode at\u00e9 dizer-se que casais ou fam\u00edlias onde discutir (isto \u00e9, manifestar opini\u00f5es diversas) \u00e9 proibido, podem indiciar disfuncionalidade. \u00c9 um erro confundir discuss\u00e3o com falta de afeto. Discutir n\u00e3o significa agredir, mas h\u00e1 casais em que as discuss\u00f5es cont\u00eam uma agressividade, que as torna disfuncionais e isso pode ter a ver com o seu conte\u00fado (sarc\u00e1stico, desqualificador, insultuoso) ou com elementos que n\u00e3o s\u00e3o verbais (por exemplo, um tom de voz exacerbado). Esta forma de intera\u00e7\u00e3o tende a ser t\u00f3xica para a rela\u00e7\u00e3o. J\u00e1 fal\u00e1mos da <em>escalada<\/em> e da sua espiral de manuten\u00e7\u00e3o, que constitui um jogo perverso, em que o objetivo \u00e9 magoar o outro, e faz\u00ea-lo pagar por alegadas agress\u00f5es anteriores. Pode nem sequer haver raz\u00f5es profundas que justifiquem a agressividade \u2013 ela deriva do pr\u00f3prio \u201cjogo\u201d, que, evidentemente, devemos estimular a parar.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se a agress\u00e3o com as palavras d\u00f3i mais ou menos que a f\u00edsica. Agride de maneira diferente. N\u00e3o temos como as comparar. Geralmente, \u00e9 socialmente mais toler\u00e1vel, at\u00e9 porque n\u00e3o deixa marcas t\u00e3o evidentes ou vis\u00edveis. \u00c9 mais \u201cdemocr\u00e1tica\u201d e praticada tanto por homens como por mulheres, dependendo mais das caracter\u00edsticas individuais e da rela\u00e7\u00e3o, do que do g\u00e9nero. A f\u00edsica \u00e9 sobretudo do homem, que \u00e9 normalmente o elemento do casal fisicamente mais forte. At\u00e9 por isso, por ser cobarde e cometida sobre algu\u00e9m mais fr\u00e1gil, \u00e9 absolutamente conden\u00e1vel, socialmente. Claramente, mais que a psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>O amor pode morrer e ressuscitar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASP \u2013<\/strong> N\u00e3o tenho f\u00e9 suficiente para acreditar na ressurrei\u00e7\u00e3o, nem da do amor. Se morreu, morreu. Aproveitando a met\u00e1fora, apetece-me dizer que ele [o amor] pode entrar em coma ou em estado estuporoso e, assim, porque o seu cora\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o parou e o c\u00e9rebro n\u00e3o tem les\u00f5es suficientemente graves para inviabilizar o recobro, este [o amor] \u00e9 uma possibilidade. Mas rara e dif\u00edcil, em minha opini\u00e3o. <em>N\u00e3o nos banhamos duas vezes na mesma \u00e1gua de um rio<\/em>, disse Her\u00e1clito. Se o desinvestimento aconteceu, se um ou ambos os elementos do casal sentem que n\u00e3o vale a pena manter a rela\u00e7\u00e3o, dificilmente surge o \u2018quase milagre\u2019 que permita a recupera\u00e7\u00e3o. Mas, por vezes, as pessoas s\u00f3 descobrem o que perderam ap\u00f3s a perda, podendo revalorizar a rela\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s uma experi\u00eancia de separa\u00e7\u00e3o. Essas circunst\u00e2ncias podem conceder uma nova oportunidade, mas raramente (ou nunca) as coisas voltam a ser o que eram. O desencanto tende a crescer novamente e a inquieta\u00e7\u00e3o a corroer o equil\u00edbrio emocional e relacional. Podem conformar-se com isso por raz\u00f5es sociais ou pragm\u00e1ticas, mas n\u00e3o se voltam a banhar na mesma \u00e1gua do rio, dando raz\u00e3o a Her\u00e1clito.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>H\u00e1 casais que chegam \u00e0 terapia com o objetivo, n\u00e3o de reconciliar, mas de concretizar a separa\u00e7\u00e3o, facilitando o processo e menorizando os danos emocionais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASP \u2013<\/strong> Fazer terapia conjugal n\u00e3o \u00e9 tentar unir ou conciliar casais a tudo o custo, mas ajud\u00e1-los a perceber o que \u00e9 mais adequado. E o mais adequado pode ser a separa\u00e7\u00e3o. Por isso, uma terapia de casal que termina em separa\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o ser propriamente um fracasso. \u00c9 verdade que j\u00e1 h\u00e1 casais (poucos, h\u00e1 que diz\u00ea-lo) que nos procuram para que os ajudemos a separar-se da melhor forma poss\u00edvel (com o menor sofrimento) e, sobretudo se t\u00eam filhos, mantendo abertos os canais de comunica\u00e7\u00e3o, que lhes permitam continuar a funcionar eficazmente enquanto educadores. No entanto, a maioria das vezes em que fazemos aquilo que (pr\u00f3pria ou impropriamente) se pode denominar <em>terapia de div\u00f3rcio<\/em>, deriva da continua\u00e7\u00e3o do processo, que desembocou na consci\u00eancia do casal de que a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor (ou \u00fanica) solu\u00e7\u00e3o. Este tipo de apoio pode ser tamb\u00e9m a consequ\u00eancia de um pedido de ajuda, em que cada um dos c\u00f4njuges tem um objetivo diferente e antag\u00f3nico: um pretende a dissolu\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o e o outro a sua recupera\u00e7\u00e3o. Este quadro pode evoluir para uma compatibiliza\u00e7\u00e3o dos pedidos (no sentido da separa\u00e7\u00e3o) e a nossa ajuda pode ser requerida para isso.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>Quais s\u00e3o os sinais mais evidentes de uma rela\u00e7\u00e3o sem possibilidades de reparo? <\/strong><\/p>\n<p><strong>ASP \u2013<\/strong> Esses sinais s\u00e3o muitos. \u00c9 imposs\u00edvel nome\u00e1-los a todos. At\u00e9 pela variabilidade das situa\u00e7\u00f5es conjugais. Mas apontaria os que, em termos estat\u00edsticos, me parecem mais relevantes. Um sinal importante \u00e9 o desinvestimento \u2013 que pode ser dif\u00edcil de identificar (at\u00e9 pelo pr\u00f3prio) \u2013 ou o desrespeito, e a desqualifica\u00e7\u00e3o de um (ou ambos) em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Tamb\u00e9m pode ocorrer quando se deixa de admirar o companheiro \u2013 fundamentalmente s\u00f3 se ama ou investe em quem se admira. Curiosamente, a desilus\u00e3o e o \u201cdesamor\u201d podem instalar-se com o tempo. \u00c0s vezes o entusiasmo inicial escondeu os sinais de inviabilidade do casamento (por exemplo grandes diferen\u00e7as culturais, que v\u00e3o ganhando import\u00e2ncia \u00e0 medida que o tempo passa e a rela\u00e7\u00e3o evolui). Outras vezes n\u00e3o h\u00e1 disparidade not\u00e1vel aquando do inicio da rela\u00e7\u00e3o, mas no decorrer dela um dos elementos vai investindo culturalmente, enquanto o outro se deixa ficar nas suas \u201ctamanquinhas ancestrais\u201d, cavando um fosso eventualmente inultrapass\u00e1vel.<\/p>\n<p>A confian\u00e7a m\u00fatua \u00e9 a base para uma rela\u00e7\u00e3o afetiva funcional. Isto n\u00e3o se compagina com n\u00edveis m\u00f3rbidos de ci\u00fame que infernizam a vida do casal \u2013 h\u00e1 quem considere que todos os ci\u00fames s\u00e3o m\u00f3rbidos, mesmo os mais leves, com o que tendo em n\u00e3o concordar. Existem tratamentos (farmacol\u00f3gicos, psicoterap\u00eauticos&#8230;) que podem minor\u00e1-los, mas quando eles dependem sobretudo de fatores de personalidade s\u00e3o virtualmente imposs\u00edveis de \u201ccurar\u201d.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>Faz sentido falar de compatibilidade relacional? Se sim, o que \u00e9 que lhe parece mais capitalizante para um bom relacionamento\u2026 a \u2018diferen\u00e7a\u2019 ou a \u2018semelhan\u00e7a\u2019?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASP <\/strong><strong>\u2013 <\/strong>N\u00e3o me parece fazer muito sentido falar de compatibilidade relacional. Gosta-se das pessoas por terem caracter\u00edsticas semelhantes a n\u00f3s, mas tamb\u00e9m por as terem diferentes. As semelhan\u00e7as de interesses, mas sobretudo de personalidades, podem ser confort\u00e1veis, mas as diferen\u00e7as \u2013 num contexto de partilha, seguran\u00e7a, toler\u00e2ncia e investimento afetivo \u2013 tamb\u00e9m podem ser enriquecedoras. Parece-me mais importante o que se faz, os equil\u00edbrios que se criam e a forma como se p\u00f5em ao servi\u00e7o da rela\u00e7\u00e3o as semelhan\u00e7as e as diferen\u00e7as, do que elas por si s\u00f3s. Para al\u00e9m de que a aprecia\u00e7\u00e3o e valora\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas individuais do parceiro v\u00e3o mudando ao longo do tempo e \u00e0 medida que a rela\u00e7\u00e3o evolui. Quando o investimento afetivo \u00e9 alto, ser calado e introvertido \u00e9 lido como sinal de pondera\u00e7\u00e3o. Se se desinveste, ent\u00e3o, ele (ou ela) passa a ser um \u201cmono\u201d. E a pessoa n\u00e3o mudou, o que se alterou foi o julgamento de c\u00f4njuge. Inversamente, conheci muitos casais que transformaram as evidentes semelhan\u00e7as entre eles num \u201c banho-maria \u201c afetivo que inviabilizou as rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>Em Portugal a procura da terapia conjugal \u00e9 expressiva?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASP \u2013<\/strong> \u00c9 tendencialmente mais expressiva. A consci\u00eancia de que duas pessoas educadas, cordatas e investidas na rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o formam necessariamente um casal funcional, \u00e9 cada vez mais aceite.<\/p>\n<p>O casal \u00e9 um sistema que articula e supera a mera soma das caracter\u00edsticas dos seus constituintes, ainda que tamb\u00e9m dependa delas. Assim como dois bons jogadores de t\u00e9nis podem formar um par inesperadamente pouco consistente (se n\u00e3o forem articulados, solid\u00e1rios e empenhados), o mesmo pode acontecer com alguns casais.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o deve incidir sobre os elementos conjugais, identificando as patologias comunicacionais e tentando ajudar a modific\u00e1-las no sentido de as tornar mais adequadas. A consci\u00eancia disto tem vindo a aumentar progressivamente, o que explica a maior procura desta figura terap\u00eautica, tamb\u00e9m no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 <\/strong><strong>A terapia conjugal \u00e9 amplamente praticada pelos mais diversos paradigmas psicoterap\u00eauticos (das terapias breves \u00e0s longas)? Em que modelo se inscreve a sua interven\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>ASP <\/strong><strong>\u2013<\/strong> O que cada pessoa tende a ser nas rela\u00e7\u00f5es (rom\u00e2nticas ou outras) n\u00e3o \u00e9 independente das suas cren\u00e7as, da sua vis\u00e3o do mundo, das influ\u00eancias educativas e experi\u00eancias vivenciais, bem como da gen\u00e9tica, levando a que cada pessoa seja um ser \u00fanico, com uma vida ps\u00edquica peculiar. Muitas das dificuldades relacionais assentam em idiossincrasias individuais, ou se quisermos dizer de outra forma, do seu intra-ps\u00edquico. Cada casal \u00e9 um sistema (duas pessoas em intera\u00e7\u00e3o), que faz parte de sistemas mais vastos (fam\u00edlia nuclear e alargada, amigos, ambientes de trabalho, entre outros) que o influenciam numa rela\u00e7\u00e3o de rede, em que h\u00e1 intera\u00e7\u00f5es que se v\u00e3o modificando mutuamente atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o humana. Os sistemas tendem para um equil\u00edbrio din\u00e2mico, por um lado com regras mais ou menos estabelecidas, mas tamb\u00e9m com a capacidade de encontrar padr\u00f5es alternativos de resposta, quando as circunst\u00e2ncias se alteram. \u00c9 atrav\u00e9s deste jogo \u2013 entre a tend\u00eancia para atuar segundo regras prestabelecidas e a capacidade para as transformar \u2013 que a sua din\u00e2mica \u00e9 condicionada. As comunica\u00e7\u00f5es conjugais cont\u00eam elementos sist\u00e9micos. Quando atuamos com casais, temos de ter tamb\u00e9m uma vis\u00e3o sist\u00e9mica. A disfuncionalidade conjugal pode originar-se e manter-se pelo condicionamento da ansiedade. Um dos exemplos t\u00edpicos \u00e9 a disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til, de origem psicol\u00f3gica, que cria a ansiedade que \u00e9, ent\u00e3o, o seu mais importante fator de manuten\u00e7\u00e3o. Por isso, temos de tentar descondicionar esse insucesso, modificando comportamentos e cogni\u00e7\u00f5es disfuncionais, para cortar o c\u00edrculo vicioso entre ansiedade e fracasso, melhorando, assim, a disfun\u00e7\u00e3o sexual Esta \u00e9 uma vis\u00e3o cognitivo-comportamental da interven\u00e7\u00e3o. Em cada situa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de terapia conjugal parece-me necess\u00e1rio intervir em fun\u00e7\u00e3o dos problemas a resolver e da evolu\u00e7\u00e3o do processo, segundo o modelo din\u00e2mico (valorizando o intra-ps\u00edquico, as cren\u00e7as e os esquemas mentais de cada elemento), os fatores sist\u00e9micos e os cognitivos comportamentais, num esquema que poder\u00edamos denominar de \u201cintegrativo\u201d. \u00c9 neste esquema, que eu me revejo, enquanto terapeuta conjugal. Num paradigma de psicoterapia breve, de periodicidade flex\u00edvel (em fun\u00e7\u00e3o dos casais e dos seus problemas), dando tempo suficiente entre as consultas para eles experimentarem e vivenciarem as prescri\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a, e trazerem, para a consulta seguinte, o relato dessas experi\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com\u2026 Ant\u00f3nio Santos Pereira, psiquiatra, terapeuta conjugal, s\u00f3cio fundador e vice-presidente da Dire\u00e7\u00e3o da Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica. &nbsp; Percursos\u2026 Exerce cl\u00ednica privada (e dirige) o Centro de Cl\u00ednica e Forma\u00e7\u00e3o Psicol\u00f3gica no Porto. Fez carreira m\u00e9dica no Hospital do Conde Ferreira. 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