{"id":7600,"date":"2017-11-06T11:37:48","date_gmt":"2017-11-06T11:37:48","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7600"},"modified":"2019-03-21T13:20:14","modified_gmt":"2019-03-21T13:20:14","slug":"a-metafora-dos-oculos-cor-de-rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/11\/06\/a-metafora-dos-oculos-cor-de-rosa\/","title":{"rendered":"A Met\u00e1fora dos \u00f3culos cor-de-Rosa"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][us_single_image image=&#8221;7633&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong>Uma reflex\u00e3o de\u2026<\/strong><br \/>\nMarta Crawford, Psic\u00f3loga cl\u00ednica, terapeuta sexual, terapeuta familiar, autora e apresentadora de televis\u00e3o.<\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Percursos\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9 autora do projeto <em>Sex&amp; Museu Pedag\u00f3gico e Interativo da Sexualidade. <\/em>Apresentou os programas de televis\u00e3o <em>AB Sexo <\/em>(TVI),<em> Aqui h\u00e1 Sexo <\/em>(TVI24)<em> 100 Tabus <\/em>(SIC Mulher) e<em> 5 Para a Meia Noite <\/em>(RTP1). \u00c9 autora dos livros <em>Sexo Sem Tabus<\/em>; <i>Viver o Sexo com Prazer &#8211; Guia da Sexualidade Feminin<\/i>a; <i>Di\u00e1rio Sexual e Conjugal de um Casal<\/i>, editados pela Esfera dos Livros. Pertenceu \u00e0 equipa de aconselhamento e encaminhamento da linha SOS Dificuldades Sexuais. Colaborou no acompanhamento psicol\u00f3gico no Servi\u00e7o de Psicoterapia Comportamental do Hospital J\u00falio de Matos. Foi professora na Universidade Lus\u00f3fona.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n7 de Novembro de 2017<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Artur queixava-se frequentemente da Rosa, criticando-a nas suas compet\u00eancias e habilidades. Nunca a elogiava, nem mesmo quando ela se sentia bonita com aquele vestido especial. A Rosa ouvia o Artur com tristeza e, regra geral, antecipava o que ele ia dizer. Por vezes, interiorizava as cr\u00edticas, outras vezes, nem ouvia o seu conte\u00fado. Esta des-conversa era comum e, dia ap\u00f3s dia, a Rosa ouvia sempre algo desagrad\u00e1vel do \u201cseu\u201d Artur. O Artur continuava a dizer as mesmas coisas porque achava que ela n\u00e3o o ouvia. E, por isso, repetia at\u00e9 sentir que as suas palavras tinham algum impacto nela. As l\u00e1grimas dela, por vezes, faziam-no parar. N\u00e3o gostava de a ver chorar, fazia-lhe sentir-se mal. Mas, ao mesmo tempo, chateava-lhe profundamente que ela n\u00e3o respondesse, ou ent\u00e3o, que respondesse com aquelas palavras todas, gritadas sem sentido. Ele continuava a dizer o que dizia, da forma como o fazia, \u00e0 espera que ela o entendesse. A Rosa n\u00e3o percebia porque \u00e9 que ele insistia, porque \u00e9 que ele n\u00e3o a entendia. Ser\u00e1 que j\u00e1 n\u00e3o a amava? Com o tempo come\u00e7ou a criar desamor ao \u201cseu\u201d Artur. Como era poss\u00edvel dizer-lhe aquelas coisas todas e, ao mesmo tempo, am\u00e1-la? \u201cSe ele n\u00e3o percebe como me sinto \u00e9 por que n\u00e3o gosta de mim\u201d, pensava ela todas as noites ao encostar a cabe\u00e7a no travesseiro.<\/p>\n<p>A Rosa n\u00e3o se queixava do Artur, mas, lentamente, come\u00e7ou a critic\u00e1-lo &#8211; naquele dia em que ele se esqueceu de levar o lixo para o contentor, depois, por causa das n\u00f3doas no casaco. Pouco a pouco, a suave Rosa passou a ver o \u201cseu\u201d Artur como um homem que n\u00e3o se cuidava, que era desastrado, incompetente, porco. O Artur, ao ver que a mulher o desconsiderava, come\u00e7ou a achar que ela j\u00e1 n\u00e3o gostava dele. \u201cAfinal, como era poss\u00edvel que a \u201csua\u201d Rosa dissesse aquelas coisas a seu respeito\u201d. Em todas as trocas de palavras mais acesas, ela acabava a discuss\u00e3o repetindo as cr\u00edticas que cada vez eram maiores e mais afirmativas. Ele reagia, dizendo-lhe todos os disparates que lhe ocorriam. Acabavam amuados, zangados e, nessa noite, dormiam separados. Com o tempo, o Artur come\u00e7ou a acostumar-se ao sof\u00e1. Esticava-se ao comprido de comando na m\u00e3o direita a fazer zapping toda a noite. A Rosa ficava na cama, encolhida no seu lado habitual e tinha sempre alguma dificuldade em adormecer, pois receava que ele aparecesse durante a noite e que ela sentisse a m\u00e3o mansa que tentava convenc\u00ea-la a ter sexo. O tempo foi passando e os sil\u00eancios nos intervalos das discuss\u00f5es aumentaram. \u00c0s vezes j\u00e1 nem lhes apetecia discutir. Certo dia, numa visita \u00e0 fam\u00edlia, enquanto esperavam pelo <em>ferryboat<\/em> que os levaria ao outro lado, um vendedor aproximou-se do carro e tentou vender-lhes uns \u00f3culos escuros. Prontamente, o Artur disse que n\u00e3o, mas a Rosa, contrariando a sua decis\u00e3o, resolveu experimentar os \u00f3culos de arma\u00e7\u00e3o dourada com umas lentes cor-de-Rosa. Experimentou-os, viu-se no espelho do carro e sorriu. O Artur observou-a e disse: \u201cficam-te bem\u201d. E ela virou-se para ele e voltou a sorrir. O vendedor pegou noutro par de \u00f3culos e sugeriu que ele os experimentasse tamb\u00e9m. Hesitou, mas acabou por aceitar. Olharam-se atrav\u00e9s daquelas lentes cor-de-Rosa e ambos sorriram. A visita correu bem e, ao voltarem a casa, pareciam diferentes. A Rosa elogiou o Artur por ter sido t\u00e3o prest\u00e1vel com a m\u00e3e dela e por ter ajudado o pai com o carro. \u201cPareces o <em>Bono<\/em> com esses \u00f3culos\u201d, disse ela. E ele cantou: \u201c<em>In the name of love, one man in the name of love\u201d<\/em>. Ela riu-se e fizeram coro. Nessa noite o jantar foi divertido e nem sequer ligaram a televis\u00e3o, como habitualmente. Apetecia-lhes falar daquele dia: do facto da av\u00f3 da Rosa estar surda e confundir os sentidos de tudo o que ouvia, do gato do vizinho estar completamente cego, mas encontrar sempre o caminho. Cada relato provocava uma pequena gargalhada, um elogio e at\u00e9 uma car\u00edcia. Tagarelaram at\u00e9 tarde e de forma espont\u00e2nea deitaram-se juntos. A Rosa sentiu a m\u00e3o mansa do Artur e pareceu-lhe muito macia&#8230; <em>e <\/em><em>foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como n\u00e3o se ouvia mais, que o mundo compreendeu e o dia amanheceu em paz <\/em>(<em>Valsinha<\/em> de Chico Buarque e Vinicius de Moraes).<\/p>\n<p>A autora recomenda que se escute a <em>Valsinha<\/em> de Chico Buarque e Vinicius de Moraes, no final da leitura texto.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][us_single_image image=&#8221;7633&#8243;][vc_column_text] Uma reflex\u00e3o de\u2026 Marta Crawford, Psic\u00f3loga cl\u00ednica, terapeuta sexual, terapeuta familiar, autora e apresentadora de televis\u00e3o. &nbsp; Percursos\u2026 \u00c9 autora do projeto Sex&amp; Museu Pedag\u00f3gico e Interativo da Sexualidade. 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