{"id":7642,"date":"2017-12-04T19:40:41","date_gmt":"2017-12-04T19:40:41","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7642"},"modified":"2019-03-25T18:33:30","modified_gmt":"2019-03-25T18:33:30","slug":"o-problema-da-confianca-nos-relacionamentos-intimos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2017\/12\/04\/o-problema-da-confianca-nos-relacionamentos-intimos\/","title":{"rendered":"O problema da confian\u00e7a nos relacionamentos \u00edntimos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/thumb_OUTUBRO-2006-247_1024-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-7684\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/thumb_OUTUBRO-2006-247_1024-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma reflex\u00e3o de\u2026<\/strong><br \/>\nM\u00e1rio Louren\u00e7o, psiquiatra, sex\u00f3logo cl\u00ednico e ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica (1999)<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Percursos\u2026<\/strong><br \/>\nPsiquiatra no Hospital da Sra. da Oliveira, no Hospital da Luz de Guimar\u00e3es (onde coordena a Unidade de Psiquiatria e \u00e9 Vice-Presidente da Comiss\u00e3o de \u00c9tica). Foi Professor Auxiliar Convidado da Faculdade de Medicina Dent\u00e1ria da Universidade do Porto (FMDUP), docente do Mestrado em Sexologia do Instituto Universit\u00e1rio da Maia e do Mestrado em Sexualidade Humana da Faculdade de Medicina da U.L.. \u00c9 um dos editores internacionais do <em>Journal of Sex &amp; Marital Therapy<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n4 de Dezembro de 2017<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]As rela\u00e7\u00f5es amorosas s\u00e3o sempre constitu\u00eddas por duas pessoas. Nem sempre h\u00e1 coincid\u00eancia das raz\u00f5es individuais que aproximam aquelas duas pessoas e, muitas vezes, em psicoterapia de casal, \u00e9 preciso reviver os fatores de vincula\u00e7\u00e3o, aquilo que leva as pessoas a ficar juntas (1). Para todos os efeitos, a rela\u00e7\u00e3o em si mesma acaba por ser o compromisso entre o passado e o futuro de duas pessoas.<\/p>\n<p>Em teoria, a d\u00edade amorosa abarca 4 componentes fundamentais, que denominamos: compromisso, intimidade, paix\u00e3o er\u00f3tica e paix\u00e3o rom\u00e2ntica (2). A satisfa\u00e7\u00e3o conjugal define-se no equil\u00edbrio inst\u00e1vel desses 4 pilares. \u00c9 como se a felicidade correspondesse a um conjunto de experi\u00eancias e atitudes que levam ao crescimento pessoal e do casal.<\/p>\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o de um relacionamento com v\u00ednculos amorosos envolve a motiva\u00e7\u00e3o e o empenhamento dos intervenientes, al\u00e9m da atra\u00e7\u00e3o f\u00edsica e dos afetos positivos. Os dois elementos t\u00eam que envolver-se para uma causa comum chamada projeto de vida, que vai sendo constru\u00eddo paulatinamente pelas duas partes. Quando isso n\u00e3o acontece emergem os individualismos e, mais tarde ou mais cedo, os conflitos e o afastamento afetivo.<\/p>\n<p>Da minha experi\u00eancia cl\u00ednica acumulada \u00e9 poss\u00edvel concluir que, regra geral, as mulheres esfor\u00e7am-se para salvar as rela\u00e7\u00f5es disfuncionais, enquanto, tantas vezes, os homens se acomodam, adotam um papel de espectador ou apenas se esfor\u00e7am minimamente numa mudan\u00e7a de comportamentos, \u00e0 espera que o outro lado se decida. Esta \u00e9 a receita perfeita para a infelicidade e, sempre que isso acontece, debaixo do mesmo teto, passam a coabitar dois estranhos.<\/p>\n<p>Amar d\u00e1 trabalho. Renovar a rela\u00e7\u00e3o permanentemente exige tempo, energia e aten\u00e7\u00e3o (3). Os amantes compartilham interesses, gostos, comprometem-se um com o outro, cooperam e ajudam-se mutuamente. Assim, a rela\u00e7\u00e3o amorosa pode ser caracterizada como uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima, m\u00fatua e volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>O suave encanto da intimidade<\/strong><\/p>\n<p>A intimidade gera proximidade, desvenda desejos profundos e cria uma atmosfera especial no casal. Para existir, deve haver autonomia pessoal e capacidade para receber o que \u00e9 do outro no nosso territ\u00f3rio, sem nos sentirmos invadidos, postos em causa. A intimidade \u00e9 o elemento m\u00e1gico que torna tudo significativo. Um Santo Graal!<\/p>\n<p>A qualidade daquilo que diz respeito \u00e0 intimidade de cada casal \u00e9 o que d\u00e1 \u00e0 vida um sabor especial.<\/p>\n<p>Sexo e intimidade est\u00e3o intrinsecamente interligados. Entretanto, desde a revolu\u00e7\u00e3o sexual na d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo XX que o discurso p\u00fablico apenas se debru\u00e7a sobre os comportamentos sexuais, o desempenho, as disfun\u00e7\u00f5es sexuais, as quest\u00f5es de G\u00e9nero e acabou por enfatizar o prazer f\u00edsico dissociando-o da intimidade (4; 5).<\/p>\n<p>Os meandros da intimidade humana ainda n\u00e3o ganharam a notoriedade que merecem. Talvez porque s\u00e3o complexos (6)! Envolvem a m\u00fatua aceita\u00e7\u00e3o, a abertura ao outro, a proximidade afetiva, a vol\u00fapia dos sentidos, a entrega completa, para al\u00e9m do que \u00e9 f\u00edsico! (7). O que requer trabalho, criativo e \u00e1rduo, das partes interessadas.<\/p>\n<p><strong>As barreiras para a intimidade<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da sua import\u00e2ncia nos relacionamentos amorosos, a intimidade, muitas vezes, enfrenta obst\u00e1culos criados por limita\u00e7\u00f5es e medos.<\/p>\n<p>A falta de controlo \u00e9 o maior desafio da modernidade, disse o conhecido Dr. Oz na Web Summit (Lisboa, 7\/11\/17). Precisamente, a intimidade est\u00e1 associada ao despojamento do autocontrolo sensorial e afetivo, \u00e0 entrega plena, sem o receio das consequ\u00eancias que da\u00ed possam advir. As experi\u00eancias de fracasso sentimental e as viv\u00eancias traum\u00e1ticas facilitam o aparecimento da rigidez, da inseguran\u00e7a, do medo da perda de controlo. Quem n\u00e3o est\u00e1 seguro de si pr\u00f3prio ou do seu corpo, sente-se intimidado quando vai partilhar aquilo que \u00e9 com a outra pessoa. A confian\u00e7a \u00e9 um elemento estruturante da intimidade. A intimidade implica n\u00e3o s\u00f3 a proximidade f\u00edsica mas tamb\u00e9m a cumplicidade e a conex\u00e3o entre dois adultos (8).<\/p>\n<p>Essa mala voadora a que chamamos intimidade n\u00e3o se deve confundir com a intera\u00e7\u00e3o sexual. Pode haver intimidade sem sexo e atividade sexual sem intimidade. Uma n\u00e3o pressup\u00f5e for\u00e7osamente a outra. No filme muito interessante \u2013 <em>O amor \u00e9 um lugar estranho \u2013<\/em> vemos como Bill Murray e Scarlett Johansson est\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximos um do outro e n\u00e3o precisam tocar-se para o sentirem. Tudo ali nasce do interior para fora dos corpos. Acontece devagar. A est\u00f3ria de amor nascida de coisas simples, nascida do tempo e da aten\u00e7\u00e3o. A verdade \u00e9 que muitas pessoas, regra geral mulheres, s\u00f3 est\u00e3o preparadas e s\u00f3 tiram proveito do contacto sexual quando se sentem pr\u00f3ximas e emocionalmente comprometidas com uma dada pessoa.<\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas que receiam expor e verbalizar os seus sentimentos, as suas necessidades mais profundas, porque sentem que, ao faz\u00ea-lo, tornam-se vulner\u00e1veis e, como tal, pass\u00edveis de manipula\u00e7\u00e3o (9). As vulnerabilidades da autoestima dificultam os relacionamentos interpessoais. Nalguns casos, s\u00e3o pessoas que parecem estar sempre &#8220;pulando de galho em galho&#8221;, s\u00e3o consideradas prom\u00edscuas ou incapazes de amar. Mais do que fugirem a um relacionamento s\u00e9rio, sentem um verdadeiro pavor em se comprometer com algu\u00e9m. \u00c9 conveniente enfatizar que a intimidade come\u00e7a no pr\u00f3prio indiv\u00edduo. S\u00f3 estamos bem com os outros, se a nossa personalidade estiver est\u00e1vel. A autonomia e a flexibilidade s\u00e3o dois requisitos para o bem-estar pessoal e relacional (10).<\/p>\n<p>Seja qual for a abordagem proposta, uma certeza tem que ser assumida: a intimidade \u00e9 o que de mais profundo (\u00edntimo!) existe em cada pessoa.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que esteja escondida num s\u00edtio rec\u00f4ndito, secreto ou obscuro (como por exemplo, no inconsciente!). Mas \u00e9 algo que s\u00f3 revelamos em rela\u00e7\u00f5es de grande proximidade, que nos inspiram confian\u00e7a e nos transmitem seguran\u00e7a. Quando sentimos que n\u00e3o vamos amachucar a nossa forma de ser e de estar no Mundo.<\/p>\n<p>Por ser t\u00e3o especial a intimidade d\u00e1 um colorido muito pr\u00f3prio \u00e0s rela\u00e7\u00f5es amorosas. A verdadeira <em>petit mort<\/em>!<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7a-se que a intimidade deixa de ser saud\u00e1vel quando as necessidades de seguran\u00e7a suplantam as necessidades de proximidade. Como acontece nalgumas personalidades disfuncionais.<\/p>\n<p>Acima de tudo, na acep\u00e7\u00e3o de W. Pasini, a intimidade ser\u00e1 sempre a capacidade de nos colocarmos na pele do outro sem perdermos a nossa (11).<\/p>\n<p><strong>Notas bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n<p>(1) Kernberg, O. F., &amp; Piatigorsky, J. (1995). <em>Relaciones amorosas: normalidad y patolog\u00eda<\/em>. Paid\u00f3s.<\/p>\n<p>(2) Yela Garc\u00eda, C. (1997). Curso temporal de los componentes b\u00e1sicos del amor a lo largo de la relaci\u00f3n de pareja. <em>Psicothema<\/em>, <em>9<\/em>(1).<\/p>\n<p>(3) Costa, M. E. (1996). A intimidade \u00e0 procura de um psicoterapeuta.<\/p>\n<p>(4) Foucault, M. (1990). The history of sexuality: An introduction, volume I. <em>Trans. Robert Hurley. New York: Vintage<\/em>.<\/p>\n<p>(5) Altheide, D. L. (2009). Moral panic: From sociological concept to public discourse. <em>Crime, Media, Culture<\/em>, <em>5<\/em>(1), 79-99.<\/p>\n<p>(6) Lima, V., Vieira, F., &amp; Soares, I. (2006). Vincula\u00e7\u00e3o em casais: avalia\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o da intimidade e da interac\u00e7\u00e3o conjugal. <em>Psicologia<\/em>, <em>20<\/em>(1), 51-63.<\/p>\n<p>(7) Giddens, A. (1998). <em>La transformaci\u00f3n de la intimidad<\/em>. Ediciones C\u00e1tedra.<\/p>\n<p>(8) Moss, B. F., &amp; Schwebel, A. I. (1993). Defining intimacy in romantic relationships. <em>Family relations<\/em>, 31-37.<\/p>\n<p>(9) Clinebell, H. J., &amp; Clinebell, C. H. (1970). <em>The intimate marriage<\/em>. Harpercollins College Div.<\/p>\n<p>(10) Oattes, M. K., &amp; Offman, A. (2007). Global self-esteem and sexual self-esteem as predictors of sexual communication in intimate relationships. <em>The Canadian Journal of Human Sexuality<\/em>, <em>16<\/em>(3\/4), 89.<\/p>\n<p>(11) Pasini, W. (1990). Intimidade. O Outro Espa\u00e7o da Afectividade (trad. J. Gama). Lisboa: Difus\u00e3o Cultural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] Uma reflex\u00e3o de\u2026 M\u00e1rio Louren\u00e7o, psiquiatra, sex\u00f3logo cl\u00ednico e ex-Presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica (1999) &nbsp; Percursos\u2026 Psiquiatra no Hospital da Sra. da Oliveira, no Hospital da Luz de Guimar\u00e3es (onde coordena a Unidade de Psiquiatria e \u00e9 Vice-Presidente da Comiss\u00e3o de \u00c9tica). 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