{"id":7644,"date":"2018-05-28T08:19:27","date_gmt":"2018-05-28T08:19:27","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7644"},"modified":"2019-03-25T17:53:22","modified_gmt":"2019-03-25T17:53:22","slug":"estudo-sobre-resposta-sexual-masculina-e-seus-correlatos-neuronais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2018\/05\/28\/estudo-sobre-resposta-sexual-masculina-e-seus-correlatos-neuronais\/","title":{"rendered":"Estudo sobre resposta sexual masculina e seus correlatos neuronais"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/nico-e1527246217496.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8056\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/nico-e1527246217496-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\"><strong>\u00c0 conversa com\u2026<\/strong><br \/>\nNicoletta Cera, psic\u00f3loga experimental e investigadora de p\u00f3s-doutoramento no <a href=\"https:\/\/www.fpce.up.pt\/sexlab\/\">SexLab<\/a> (FPCEUP)<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Percursos\u2026<br \/>\n<\/strong>Doutorada em <em>Neuroimaging<\/em> <em>Funcional<\/em> na Universidade &#8220;G. d&#8217;Annunzio&#8221; de Chieti-Pescara (It\u00e1lia). Apaixonada pelo Imaging funcional (em particular pela resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional) e em geral por tudo o que seja imagem, express\u00e3o e cor. Os seus interesses cient\u00edficos variam dos correlatos cerebrais da resposta genital ao envelhecimento cognitivo, passando pela psicometria. Ganhou em 2017, o <em>10 Best Communications Award<\/em> no congresso da WAS. Declara-se amante de rock progressivo, girass\u00f3is, literatura latina e\u00a0atletismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n25 de Maio de 2018<\/p>\n<div><\/div>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Entrevista<br \/>\n<\/strong>Isabel Freire<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>Nicoletta Cera desenvolve desde 2015, no SexLab (Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto), um projeto de investiga\u00e7\u00e3o de p\u00f3s doutoramento que pode ser considerado o primeiro estudo portugu\u00eas de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional, na \u00e1rea da sexualidade masculina. Financiado pela FCT (Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e Tecnologia), o estudo analisa a resposta cerebral, genital e movimentos oculares de homens com disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til (de origem psicol\u00f3gica) e de homens sem disfun\u00e7\u00e3o. <\/strong><strong>A pesquisa \u00e9 desenvolvida numa parceria com o instituto IBILI, da Faculdade de Medicina <\/strong><strong>da Universidade de Coimbra (coordenado por Miguel Castelo-Branco), contando com a colabora\u00e7\u00e3o de urologistas de v\u00e1rios hospitais p\u00fablicos do pais. Para a investigadora italiana, que prefere ser chamada por Nico Cera, &#8220;n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar o passado cient\u00edfico de uma ci\u00eancia como a sexologia, mas \u00e9 preciso uma integra\u00e7\u00e3o entre o &#8216;passado&#8217; e o &#8216;presente&#8217;, para conseguirmos resultados no futuro&#8221;.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013 <\/strong><strong>Que pergunta orienta a pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nicoletta Cera \u2013 <\/strong>Quando se fala de um estudo de <em>Brain imaging<\/em> \u00e9 dif\u00edcil falar de uma s\u00f3 pergunta. O c\u00e9rebro humano \u00e9 um sistema muito complexo. Pode ser considerado como o \u201ccentro operativo\u201d das nossas emo\u00e7\u00f5es e cogni\u00e7\u00e3o, em conjunto com outras partes do sistema nervoso. Assim, \u00e9 poss\u00edvel falar de uma s\u00e9rie de perguntas que orientam a pesquisa. As nossas perguntas est\u00e3o relacionadas ao modelo da resposta genital masculina (desenvolvido e criado pelo professor Pedro Nobre), que tem a ver com os pensamentos cognitivos e as emo\u00e7\u00f5es que influenciam a resposta sexual. Estamos interessados em perceber o papel de um conjunto de regi\u00f5es cerebrais no comportamento sexual masculino, com e sem disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til. Particularmente, em perceber ao n\u00edvel do envolvimento, o que acontece quando homens est\u00e3o num contexto sexual, como seja o do visionamento de um clipe de v\u00eddeo sexualmente expl\u00edcito. Quais s\u00e3o os pensamentos e as emo\u00e7\u00f5es envolvidas? Onde est\u00e3o funcionalmente colocados no c\u00e9rebro humano? E o que acontece em pessoas com disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til psicol\u00f3gica? Parece uma pergunta simples e um ponto de partida \u00f3bvio, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que popula\u00e7\u00e3o tem por alvo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013 <\/strong>Homens com e sem disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til de origem psicol\u00f3gica, entre os 20 e 50 anos de idade.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Qual a hip\u00f3tese de que parte a investiga\u00e7\u00e3o experimental<\/strong><strong>? <\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013 <\/strong>Na \u00e1rea da neuroci\u00eancia \u00e0s vezes temos uma macro hip\u00f3tese (i.e. compara\u00e7\u00e3o do funcionamento cerebral em dois grupos, doentes vs controlos) e podemos ter muitas micro hip\u00f3teses. No nosso estudo, testamos o impacto dos pensamentos cognitivos, que podem afetar a resposta genital masculina e ao mesmo tempo a resposta cerebral e os movimentos oculares. Temos hip\u00f3teses espec\u00edficas sobre o papel de algumas regi\u00f5es cerebrais como o c\u00f3rtex da insula, pr\u00e9-frontal e parietal. Este conjunto de regi\u00f5es parecem ter (como j\u00e1 foi encontrado em alguns estudos) um papel importante, seja na resposta genital, seja na disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til psicol\u00f3gica. O nosso interesse \u00e9 tamb\u00e9m perceber o <em>gap<\/em> entre a resposta genital efetiva e a resposta subjetiva.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Em que medida \u00e9 que o recurso \u00e0 Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica Funcional \u00e9 inovador em estudos experimentais da sexualidade humana?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013 <\/strong>Durante os primeiros anos da faculdade ouvimos falar de <em>black-box<\/em>, um conceito pavloviano para indicar o sistema cognitivo \/ emotivo, os processos entre um estimulo e uma resposta. Historicamente, o homem tamb\u00e9m sempre teve a curiosidade de ver e perceber o funcionamento de um \u00f3rg\u00e3o. A fMRI (Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica Funcional, do ingl\u00eas Functional Magnetic Ressonance Imaging) \u00e9 uma t\u00e9cnica que permite ver como o c\u00e9rebro de um grupo de pessoas reage a uma estimula\u00e7\u00e3o. No nosso caso, h\u00e1 um interesse pelo comportamento sexual. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m testar modelos da sexologia cl\u00e1ssica e formular hip\u00f3teses sobre o funcionamento de uma determinada regi\u00e3o ou rede funcional de regi\u00f5es. A fMRI \u00e9 claramente um valor acrescentado, que pode integrar, mas n\u00e3o substituir a investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica (quantitativa ou psicofisiol\u00f3gica). A fMRI diz-nos onde est\u00e1 um ou mais processos mas n\u00e3o \u00e9 capaz de nos dizer \u201cquando\u201d ele acontece. Assim sendo, o dom\u00ednio temporal \u00e9 uma das limita\u00e7\u00f5es principais da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Como \u00e9 feita a experi\u00eancia, ou seja, como se desenvolve o processo de monitoriza\u00e7\u00e3o em cada volunt\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013 <\/strong>As experi\u00eancias de fMRI s\u00e3o experi\u00eancias de equipa, e s\u00e3o muito complexas. Podemos contactar um volunt\u00e1rio ou receber um email a pedir a participa\u00e7\u00e3o. No email de resposta explicamos todos os pormenores. Todos os dados recolhidos s\u00e3o anonimizados e protegidos segundo a lei da privacidade e tratamento dos dados pessoais. Depois, o participante \u00e9 convidado a responder a uma triagem com uma sex\u00f3loga especialista (somos quase todas mulheres, no SexLab) e a responder a uns question\u00e1rios. No dia do exame de resson\u00e2ncia o participante \u00e9 acolhido por mim e pelos t\u00e9cnicos de resson\u00e2ncia. Explico novamente todo o processo. Respondo a perguntas e d\u00favidas. Dou informa\u00e7\u00f5es sobre o procedimento de limpeza dos instrumentos. Tranquilizo o participante sobre a privacidade e sobre o exame, que n\u00e3o tem qualquer risco para a sa\u00fade. O participante aceita, assina o consentimento informado, e depois de uma <em>anamnese <\/em>radiol\u00f3gica, come\u00e7a a experi\u00eancia. Durante a recolha dos dados, \u00e9 mostrado um clipe com conte\u00fado sexual e um clipe neutro, tendo o participante de responder a algumas perguntas carregando num bot\u00e3o. Registamos movimentos oculares e resposta genital. A resposta genital \u00e9 recolhida com um esfigmoman\u00f3metro colocado em volta do p\u00e9nis, que tem de ser protegido com um preservativo. Todo o equipamento \u00e9 compat\u00edvel com o campo magn\u00e9tico. Quando ouvimos o primeiro <em>scanner<\/em> da resson\u00e2ncia \u00e9 uma felicidade na sala de controlo. Significa que tudo est\u00e1 a correr bem. Depois da experi\u00eancia, pedimos um <em>feedback<\/em> e no dia seguinte come\u00e7a a an\u00e1lise dos dados.<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o c\u00e9rebro, mas todo o sistema nervoso central e perif\u00e9rico, que se pode considerar o \u201cprincipal \u00f3rg\u00e3o da sexualidade\u201d<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 O c\u00e9rebro \u00e9 frequentemente identificado como uma zona er\u00f3gena. Esta ideia tem alguma rela\u00e7\u00e3o com o trabalho de pesquisa que desenvolve ou esta pergunta n\u00e3o faz sentido nenhum?\u00a0\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013<\/strong> Acho que n\u00e3o se pode falar de \u201calguma rela\u00e7\u00e3o\u201d, mas sim da chave de leitura de toda a investiga\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito da sexualidade humana. Em sexologia foram criados modelos de estudos, aplicados tamb\u00e9m na pr\u00e1tica cl\u00ednica, que tem como base v\u00e1rios aspectos da cogni\u00e7\u00e3o humana (como a aten\u00e7\u00e3o, <em>decision making<\/em>, mem\u00f3ria autobiogr\u00e1fica, etc.). Estas fun\u00e7\u00f5es t\u00eam claramente como base o sistema nervoso. O sistema nervoso \u00e9 muito mais do que o c\u00e9rebro. N\u00e3o se pode cair no erro de identificar uma regi\u00e3o cerebral como respons\u00e1vel por uma fun\u00e7\u00e3o cognitiva (como o caso de Paul Broca, que encontrou a regi\u00e3o respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica), porque o c\u00e9rebro \u00e9 um sistema complexo que faz parte do sistema nervoso. A resposta genital, que parece ser um mecanismo muito simples, \u00e9 uma resposta conjunta do sistema vascular, neuro end\u00f3crino e auton\u00f3mica. Por isso, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o c\u00e9rebro, mas todo o sistema nervoso central e perif\u00e9rico, que se pode considerar o \u201cprincipal \u00f3rg\u00e3o da sexualidade\u201d.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Por que motivo investigam a disfun\u00e7\u00e3o sexual masculina (e n\u00e3o a feminina)?<\/strong><\/p>\n<p><strong> NC \u2013<\/strong> \u00c9 uma pergunta justa. Acho que pode ser considerado um dos pr\u00f3ximos estudos da equipa do SexLab. Atualmente, o interesse est\u00e1 mais na resposta genital masculina.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Poder-se-ia aplicar o mesmo desenho de pesquisa ao caso feminino?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013 <\/strong>Em teoria sim. J\u00e1 foi objeto de estudo por outros grupos de investiga\u00e7\u00e3o. Janniko Georgiadis, por exemplo, publicou interessantes investiga\u00e7\u00f5es sobre os correlatos cerebrais da sexualidade feminina e no orgasmo. Claramente, do ponto de vista t\u00e9cnico, \u00e9 preciso adaptar o protocolo experimental a uma popula\u00e7\u00e3o de mulheres. Encontrar est\u00edmulos er\u00f3ticos (i.e. clipes de v\u00eddeo) que sejam mais espec\u00edficos para as mulheres, adaptar as t\u00e9cnicas de registo da resposta genital feminina, conforme o ambiente da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e no respeito pela privacidade das participantes.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 As evid\u00eancias em sexologia cl\u00ednica continuam a apontar para uma sexualidade masculina mais reativa a est\u00edmulos visuais er\u00f3ticos? <\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013<\/strong> N\u00e3o sou especialista em sexualidade feminina e por isso n\u00e3o posso dar-lhe uma resposta satisfat\u00f3ria. \u00c9 redutivo falar de mais re-atividade a um estimulo sexual. A resposta sexual de tipo genital, a excita\u00e7\u00e3o subjetiva s\u00e3o processos muito complexos.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Foi f\u00e1cil escolher os clipes de v\u00eddeo com material sexual expl\u00edcito ou houve dilemas envolvidos nessa defini\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013 <\/strong>A escolha dos v\u00eddeos \u00e9 um processo bastante estandardizado. Existem <em>guidelines<\/em>. Tentamos escolher clipes sexualmente expl\u00edcitos com v\u00e1rias fases (<em>petting<\/em>, coito vaginal, oral) e no nosso caso tem uma dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas minutos. Depois de editados pedimos a uma amostra (independente da que vai participar no estudo), para avaliar os v\u00eddeos, em fun\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios crit\u00e9rios (qualidade do v\u00eddeo, excita\u00e7\u00e3o percebida, etc.), com uma escala tipo <em>likert<\/em>. A posteriori s\u00e3o escolhidos os v\u00eddeos com valores mais elevados. Assim, o investigador n\u00e3o pode influenciar a experi\u00eancia desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Para muitas pessoas, um filme de terror perde parte da sua dimens\u00e3o aterrorizante, quando se lhe retira o som. Ver um filme er\u00f3tico ou pornogr\u00e1fico sem som poder\u00e1 tamb\u00e9m retirar-lhe parte da sua dimens\u00e3o er\u00f3tica? <\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013<\/strong> \u00c9 uma pergunta muito interessante. Na experi\u00eancia de vida, e tamb\u00e9m na neuroci\u00eancia das emo\u00e7\u00f5es, sabemos quanto um ru\u00eddo, uma m\u00fasica ou outras experi\u00eancias auditivas podem afetar a resposta emocional. \u00c0s vezes, somos capazes de gostar de um filme s\u00f3 por causa da banda sonora. Numa experi\u00eancia anterior que desenvolvi em It\u00e1lia e foi publicada no <em>Journal of sexual medicine<\/em> (em 2012), os est\u00edmulos er\u00f3ticos e neutros eram clipes sem \u00e1udio. Isso pode claramente afetar parte da resposta cerebral, uma vez que a imagina\u00e7\u00e3o pode ter um papel relevante. Os participantes podem imaginar sons ou di\u00e1logos entre os atores ou imaginar m\u00fasica, e isso n\u00e3o \u00e9 uma vari\u00e1vel que seja poss\u00edvel controlar. Para al\u00e9m da imagina\u00e7\u00e3o, as respostas genitais que observei n\u00e3o foram alteradas pela falta de \u00e1udio e nenhum dos participantes referiu dificuldades em atingir a ere\u00e7\u00e3o por essa aus\u00eancia. Na \u00e1rea da sexologia experimental costuma-se usar clipes audiovisuais para ter tamb\u00e9m envolvimento maior dos participantes. S\u00e3o muito mais \u201cnaturais\u201d do que os clipes de v\u00eddeo sem \u00e1udio. Este pormenor t\u00e9cnico foi ultrapassado no estudo que estamos a desenvolver aqui, com a colabora\u00e7\u00e3o da equipa do IBILI. Garantir uma experi\u00eancia o mais agrad\u00e1vel poss\u00edvel aos participantes e o mais ecol\u00f3gica poss\u00edvel, pode ajudar a minimizar o impacto das vari\u00e1veis de confundimento.<\/p>\n<h4><em>Quer\u00edamos chegar a uma mostra de 20 homens sem disfun\u00e7\u00e3o e 20 homens com disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til. Todos os participantes podem ter o benef\u00edcio de ajudar a ci\u00eancia e colaborar numa experi\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 algo comum. Os homens com disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til psicol\u00f3gica, caso queiram, podem [&#8230;] receber tratamento farmacol\u00f3gico ou terapia cognitivo-comportamental<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 De que forma este estudo pode vir a contribuir para compreender e ajudar a tratar uma disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9ctil de natureza psicol\u00f3gica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013 <\/strong>O nosso estudo pode fornecer novos <em>insights<\/em> sobre os processos que s\u00e3o afetados na disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til. Ou seja, as regi\u00f5es cerebrais envolvidas no processamento de est\u00edmulos er\u00f3ticos s\u00e3o diferentes entre os dois grupos. J\u00e1 temos resultados preliminares que foram apresentados em congressos nacionais e internacionais. Durante a recolha dos dados fMRI recolhemos tamb\u00e9m os movimentos oculares que podem dar informa\u00e7\u00f5es sobre os processos atencionais e sobre as partes do clipe er\u00f3tico que os dois grupos veem\/olham. Todo o conjunto de informa\u00e7\u00f5es derivadas desse estudo poderiam ser operacionalizadas e usadas na avalia\u00e7\u00e3o e no tratamento psicoterap\u00eautico da disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Quantos casos pretendem auscultar e que benef\u00edcios t\u00eam os volunt\u00e1rios na sua participa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013 <\/strong>Quer\u00edamos chegar a uma mostra de 20 homens sem disfun\u00e7\u00e3o e 20 homens com disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til. Todos os participantes podem ter o benef\u00edcio de ajudar a ci\u00eancia e colaborar numa experi\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 algo comum. Recebem tamb\u00e9m 30\u20ac em vales como agradecimento pela participa\u00e7\u00e3o. Os homens com disfun\u00e7\u00e3o er\u00e9til psicol\u00f3gica, caso queiram, podem ser envolvidos num <em>randomized control trial<\/em> (que tem com respons\u00e1vel a investigadora C\u00e1tia Oliveira) e gratuitamente receber tratamento farmacol\u00f3gico ou terapia cognitivo-comportamental.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Enquanto investigadora da sexualidade humana, e condutora desta pesquisa, o que \u00e9 mais intrigante para si nas realidades agora que pretende compreender?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NC \u2013 <\/strong>Enquanto condutora da presente pesquisa, \u00e9 intrigante perceber o que acontece no sistema nervoso central dos participantes, quando est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o sexual. O meu interesse principal \u00e9 integrar os modelos existentes na \u00e1rea da sexologia, a maioria dos quais criados antes da possibilidade de investiga\u00e7\u00e3o com t\u00e9cnicas de <em>neuroimaging<\/em> funcional. Os modelos de interpreta\u00e7\u00e3o do comportamento sexual tinham como base o contacto direto com pessoas com disfun\u00e7\u00f5es ou com outras problem\u00e1ticas. Atualmente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar o passado cient\u00edfico de uma ci\u00eancia como a sexologia, mas \u00e9 preciso uma integra\u00e7\u00e3o entre o \u201cpassado\u201d e o \u201cpresente\u201d, para conseguirmos resultados no futuro. Por isso queria mencionar que estamos a recolher dados, e procuramos volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre como participar no estudo de Nicoletta Cera, <a href=\"https:\/\/www.fpce.up.pt\/sexlab\/index.html\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/2-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-8055 size-full\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/2-1.png\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"880\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/SexLAb1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-8049 size-medium\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/SexLAb1-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" \/><\/a><\/p>\n<p>Equipa do SexLab (Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Lisboa), coordenada por Pedro Nobre, que tem v\u00e1rios projetos de investiga\u00e7\u00e3o a decorrer.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com\u2026 Nicoletta Cera, psic\u00f3loga experimental e investigadora de p\u00f3s-doutoramento no SexLab (FPCEUP) &nbsp; Percursos\u2026 Doutorada em Neuroimaging Funcional na Universidade &#8220;G. d&#8217;Annunzio&#8221; de Chieti-Pescara (It\u00e1lia). Apaixonada pelo Imaging funcional (em particular pela resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional) e em geral por tudo o que seja imagem, express\u00e3o e cor. 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