{"id":7727,"date":"2018-01-12T12:34:55","date_gmt":"2018-01-12T12:34:55","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=7727"},"modified":"2019-03-21T13:17:03","modified_gmt":"2019-03-21T13:17:03","slug":"eu-tu-e-o-virus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2018\/01\/12\/eu-tu-e-o-virus\/","title":{"rendered":"Eu, tu e o v\u00edrus"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][us_single_image image=&#8221;7801&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Uma reflex\u00e3o de\u2026<\/strong><br \/>\nGon\u00e7alo Lobo, presidente da <a href=\"http:\/\/abraco.pt\/\">ABRA\u00c7O<\/a>, psic\u00f3logo cl\u00ednico e sex\u00f3logo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Percursos\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9 licenciado em psicologia, com especialidade em psicologia cl\u00ednica e da sa\u00fade e subespecialidade em sexologia. \u00c9 p\u00f3s-graduado em psicopatologia da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia, em neuroci\u00eancias e t\u00e9cnica de Rorschach e encontra-se, atualmente, a finalizar a sua especialidade em psicoterapia existencial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n12 de janeiro de 2018<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]J\u00e1 assisti, e vivi na primeira pessoa, a v\u00e1rios in\u00edcios de rela\u00e7\u00f5es amorosas, por isso falo com conhecimento de causa. Ali\u00e1s, creio que muitos de n\u00f3s sabem o que \u00e9 viver o in\u00edcio e o fim de uma rela\u00e7\u00e3o. J\u00e1 vi rela\u00e7\u00f5es nascerem de uma noite de sexo, do tradicional \u201cs\u00f3 no terceiro encontro \u00e9 que h\u00e1 beijinhos e no quinto \u00e9 que vamos para a cama\u201d, assim como, dos eternos amigos que se tornam um casal. Seja no jantar de amigos, seja nas redes sociais ou num bar qualquer, hoje em dia, onde nos conhecemos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o importante, mas sim o que se faz depois com a rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto parece, empiricamente falando, haver um <em>zeitgeist <\/em>que paira sobre n\u00f3s. O receio e medo de nos entregarmos, de genuinamente entregarmo-nos ao outro e de sermos magoados. Ali\u00e1s, creio que esse \u00e9 um dos grandes males contempor\u00e2neos. Fugimos da dor, da frustra\u00e7\u00e3o e da entrega ao outro. H\u00e1 que reconhecer que \u00e9 dif\u00edcil e j\u00e1 todos n\u00f3s pens\u00e1mos ou verbaliz\u00e1mos um, dois ou mais do que dois \u201cn\u00e3o estou para isto\u201d. Parece que \u00e9 dif\u00edcil haver um ch\u00e3o de entendimento comum quando ambas (ou mais) partes envolvidas est\u00e3o neste processo de fuga ou de aparente prote\u00e7\u00e3o. Teorias de vincula\u00e7\u00e3o \u00e0 parte, a verdade \u00e9 que d\u00f3i, que machuca, que angustia, que nos deixa ansiosos e completamente fora de n\u00f3s e que nos faz pensar, quando j\u00e1 temos uma idade mais adulta, se vamos nestes disparates das rela\u00e7\u00f5es ou se ficamos no nosso cantinho, seguros e sem grandes chatices.<\/p>\n<p>Quando trabalhamos com casais serodiscordantes, isto \u00e9, quando um dos elementos do casal vive com a infe\u00e7\u00e3o pelo VIH e o outro n\u00e3o, h\u00e1, para al\u00e9m de todos os outros fatores anteriormente enunciados, um sentimento de vergonha e de culpa, e uma sobre preocupa\u00e7\u00e3o relativamente ao ato sexual. Vergonha porque n\u00e3o soubemos tomar conta de n\u00f3s, porque permitimos que um outro nos infetasse. Apesar da revolta inicial ser frequentemente dirigida ao outro, muitas das vezes pelo sentimento de injusti\u00e7a e do \u201cporqu\u00ea \u00e9 que tinha que ser eu\u201d, ao longo do tempo, este sentimento de agress\u00e3o transforma-se em responsabilidade. Em autorresponsabilidade pela preserva\u00e7\u00e3o do nosso pr\u00f3prio bem-estar e sa\u00fade e \u00e9 aqui que se instaura a vergonha. Vergonha por termos sido irrespons\u00e1veis, por termos sido ing\u00e9nuos, vergonha at\u00e9 por termos confiado e termos sido cegados pelo desejo, pela tes\u00e3o ou pelo amor. Aqui a raiva j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 dirigida a um outro, mas contra n\u00f3s pr\u00f3prios. Com esta posi\u00e7\u00e3o de autorresponsabilidade vem a culpa, pois ningu\u00e9m se pode sentir culpado se se retirar da equa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, parece que este sentimento \u00e9 constante na vida das pessoas que vivem com VIH (PVVIH). \u00c9 como se a toma de uma medica\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, e o constante receio de nas rela\u00e7\u00f5es sexuais haver a \u00ednfima e mais remota possibilidade de vir a infetar o outro, reavivassem constantemente a mem\u00f3ria de um comportamento passado que \u00e9 desaprovado ou repudiado segundo os padr\u00f5es de valores e princ\u00edpios de cada um (que bons neur\u00f3ticos que n\u00f3s somos).<\/p>\n<p>Aqui gostaria de abrir um par\u00eantesis para recordar a import\u00e2ncia de quem trabalha no \u00e2mbito das infe\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis (IST), de abordar a quest\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es e fazer um trabalho emocional de fundo referente \u00e0 viv\u00eancia da sexualidade. Durante d\u00e9cadas, tanto os profissionais de sa\u00fade, como a comunidade cient\u00edfica abordou, maioritariamente, a quest\u00e3o das IST na base do racional: dos conhecimentos e se sabemos utilizar adequadamente os m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o. Claro que considero este trabalho importante, mas na verdade trabalhar no \u00e2mbito das IST \u00e9 trabalhar com a sexualidade e fazer sexo \u00e9 uma quest\u00e3o muito emocional e se fosse racional j\u00e1 n\u00e3o seria sexo, seria outra coisa.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 quest\u00e3o da culpa. No casal serodiscordante, a PVVIH, vive com o receio de infetar o(s) seu(s) parceiro(s) e n\u00e3o conseguiria sobreviver na rela\u00e7\u00e3o com o sentimento de culpa por tal ato, por isso, assistimos \u00e0 restri\u00e7\u00e3o ou coarta\u00e7\u00e3o da vida sexual. A contamina\u00e7\u00e3o da vida sexual por tais sentimentos, produz efeitos de diminui\u00e7\u00e3o da l\u00edbido e do desejo e prazer sexual. Trabalhar no \u00e2mbito das IST \u00e9 por isso um trabalho no \u00e2mbito da corporalidade, da intimidade, da comunica\u00e7\u00e3o entre o casal, da finitude, da depend\u00eancia, da parentalidade e das emo\u00e7\u00f5es. No entanto, existe atualmente uma mensagem que est\u00e1 a empoderar as pessoas que vivem com o VIH que se resume \u00e0 equa\u00e7\u00e3o U=U em ingl\u00eas, ou i=i em portugu\u00eas, isto \u00e9\u2026 <em>indetet\u00e1vel<\/em> igual a <em>intransmiss\u00edvel<\/em>, ou seja, se a pessoa que vive com o VIH tem uma carga v\u00edrica indetet\u00e1vel, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de transmitir a infe\u00e7\u00e3o ao seu parceiro. Por isso est\u00e1 na altura de dizermos: <em>eu, tu e o v\u00edrus: sim eu quero!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][us_single_image image=&#8221;7801&#8243;][vc_column_text] Uma reflex\u00e3o de\u2026 Gon\u00e7alo Lobo, presidente da ABRA\u00c7O, psic\u00f3logo cl\u00ednico e sex\u00f3logo. &nbsp; Percursos\u2026 \u00c9 licenciado em psicologia, com especialidade em psicologia cl\u00ednica e da sa\u00fade e subespecialidade em sexologia. \u00c9 p\u00f3s-graduado em psicopatologia da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia, em neuroci\u00eancias e t\u00e9cnica de Rorschach e encontra-se, atualmente, a finalizar a sua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[816,57,56,1],"tags":[533,534,538,539,535,536,537],"class_list":["post-7727","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-de-opiniao","category-cidadania-da-sexualidade","category-saude-sexual","category-variadas","tag-abraco","tag-hiv","tag-ii","tag-pvvih","tag-seropositivo","tag-sida","tag-uu"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7727"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7727\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7803,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7727\/revisions\/7803"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}