{"id":8135,"date":"2018-06-25T15:38:47","date_gmt":"2018-06-25T15:38:47","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=8135"},"modified":"2019-03-25T17:47:22","modified_gmt":"2019-03-25T17:47:22","slug":"mulheres-agressoras-sexuais-o-mito-da-inocencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2018\/06\/25\/mulheres-agressoras-sexuais-o-mito-da-inocencia\/","title":{"rendered":"Mulheres agressoras sexuais &#8211; o mito da inoc\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/foto-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8139\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/foto-1-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma reflex\u00e3o de\u2026<\/strong><br \/>\nJoana Carvalho, Psic\u00f3loga, Investigadora em Sexologia e Sexologia Forense.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Percurso\u00a0 <\/strong><br \/>\nProfessora Auxiliar de Psicologia e diretora do Mestrado em Psicologia Forense da <a href=\"https:\/\/www.ulusofona.pt\/mestrado\/psicologia-forense?gclid=Cj0KCQjwpcLZBRCnARIsAMPBgF3rzfFwHtBY_4yAQIgVaUkyDEE712y286EYpz-xK4QyySOkRBebJdIaAgfeEALw_wcB\">Universidade Lus\u00f3fona de Humanidades e Tecnologias<\/a>. Investigadora Principal do projeto <em>FEMOFFENCE &#8211; The myth of innocence: A mixed methods approach toward the understanding of female sexual offending behavior<\/em> (Funda\u00e7\u00e3o para a Ci\u00eancia e Tecnologia). Editora Associada do <em>Journal of Sexual Medicine<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n28 de junho de 2018<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Os crimes sexuais s\u00e3o talvez das formas mais hediondas de viol\u00eancia, e por isso alvo de grande fasc\u00ednio e inquieta\u00e7\u00e3o. Refiro-me a fasc\u00ednio intelectual, e a inquieta\u00e7\u00e3o, na medida que os crimes sexuais s\u00e3o considerados das piores formas de viol\u00eancia interpessoal. \u00c9 por isso comum, mediante not\u00edcias acerca de um violador ou de um abusador sexual de menores, sermos confrontados com express\u00f5es de repugn\u00e2ncia e espanto, quase como se n\u00e3o houvesse explica\u00e7\u00e3o para estes atos. Ora, explica\u00e7\u00f5es existem. H\u00e1 muito que a ci\u00eancia re\u00fane evid\u00eancia que permite entender e intervir nestes casos, ainda que tal seja um trabalho sempre em evolu\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 uma exce\u00e7\u00e3o para a qual a ci\u00eancia, e a Sexologia Forense em particular, continuam sem respostas. Trata-se das mulheres agressoras sexuais.<\/p>\n<p>Quando comparada com o homem, a mulher \u00e9 vista como o ser \u201cpassivo\u201d, \u201ca m\u00e3e\u201d e \u201ca v\u00edtima\u201d. S\u00e3o-lhe socialmente reconhecidas caracter\u00edsticas de cuidadora\/protetora, contrastando assim com a figura masculina. J\u00e1 o homem, \u00e9 visto recorrentemente como o \u201cagressor\u201d, e mesmo em caso de vitima\u00e7\u00e3o, assume-se que ele \u00e9 v\u00edtima de outro homem, mas nunca de uma mulher. Esta ideia protot\u00edpica subsiste mesmo ap\u00f3s d\u00e9cadas de evid\u00eancia emp\u00edrica sobre mulheres agressoras sexuais. Desengane-se quem acha que o tema \u00e9 novo, pois j\u00e1 desde a d\u00e9cada de 70 que os relatos nos chegam pelos meios cient\u00edficos e judiciais internacionais (e.g., Denov 2003) sem, contudo, ter eco na sociedade, ou ganharem revelo no contexto cient\u00edfico, incluindo na Sexologia. A t\u00edtulo de exemplo, e salvaguardando que as mulheres e crian\u00e7as s\u00e3o as principais v\u00edtimas de crimes sexuais onde o homem \u00e9 o agressor, verificou-se que as mulheres estiveram envolvidas em 12% dos crimes sexuais contra menores de 6 anos (Snyder, 2000), 20% de homens v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual foram vitimizados por mulher (Allen, 1991), ou, que no contexto norte americano, \u00e9 esperada a condena\u00e7\u00e3o de 10.000 mulheres por ano, devido a crimes sexuais com recurso a viol\u00eancia severa (Oliver, 2007). Creio ser nesta fase, onde muitos se perguntam, <em>mas pode uma mulher violar ou agredir sexualmente algu\u00e9m? <\/em>Pode, e isso remete para a natureza dos crimes sexuais.<\/p>\n<h4><em>\u00c9 de salientar na literatura, a falta de modelos conceptuais, de avalia\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o nestas mulheres. \u00c9 tamb\u00e9m de salientar a falta de forma\u00e7\u00e3o sobre esta tem\u00e1tica nos curr\u00edculos acad\u00e9micos em \u00e1reas como a Psicologia, Sociologia, Criminologia ou Sexologia<\/em><\/h4>\n<p>Sobre a natureza destes crimes, importa salientar a sua apresenta\u00e7\u00e3o heterog\u00e9nea. Se nalguns crimes sexuais s\u00e3o utilizadas estrat\u00e9gias <em>hands-on <\/em>(i.e., \u00e9 aplicada for\u00e7a f\u00edsica sobre a v\u00edtima deixando marcas ou ferimentos como prova), em muitos dos casos s\u00e3o utilizadas estrat\u00e9gias <em>hands-off<\/em> (i.e., coage-se a v\u00edtima verbalmente, sob amea\u00e7a, press\u00e3o\/manipula\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, ou fazendo-se aproveitamento quando ela n\u00e3o est\u00e1 em plena posse da sua consci\u00eancia). Isto significa, que para que ocorra viol\u00eancia sexual, o agressor n\u00e3o tem de ter superioridade f\u00edsica sobre a v\u00edtima, mas sim poder. E s\u00e3o estas estrat\u00e9gias <em>hands-off<\/em>, as mais utilizadas pelas mulheres agressoras. Mas alguns, ainda estar\u00e3o a pensar, se poder\u00e1 um homem ser violado, se n\u00e3o quiser (i.e., no sentido de haver ere\u00e7\u00e3o que propicie penetra\u00e7\u00e3o sexual). Ora, um erro muito comum \u00e9 confundirmos ere\u00e7\u00e3o com consentimento sexual ou vontade de ter sexo. E o certo \u00e9, que um homem saud\u00e1vel, mediante um contexto ansiog\u00e9nico ou at\u00e9 de amea\u00e7a, pode ter uma ere\u00e7\u00e3o como resposta fisiol\u00f3gica ao medo. \u00c9 exatamente este mecanismo que \u00e9 aproveitado em casos de viola\u00e7\u00e3o de homem por mulher, ou grupo de mulheres. J\u00e1 no caso de menores v\u00edtimas de abuso sexual por parte de mulher, \u00e9 comum o cen\u00e1rio onde a mulher (geralmente m\u00e3e ou cuidadora), retira gratifica\u00e7\u00e3o sexual pela masturba\u00e7\u00e3o do(a) menor, inser\u00e7\u00e3o de objetos nas cavidades genitais do(a) menor, de se masturbar, fazer a higiene \u00edntima ou ter rela\u00e7\u00f5es sexuais na presen\u00e7a do(a) menor.<\/p>\n<p>Uma forma de organizarmos conhecimento sobre as mulheres agressoras sexuais \u00e9 agrupando-as por classes, de acordo com o seu <em>modus operandi<\/em> e eventuais caracter\u00edsticas sociais e psicol\u00f3gicas. Assim sendo, foi poss\u00edvel identificar quatro tipologias:<\/p>\n<p>1) cuidadora, que engloba uma rela\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, e onde geralmente se encontra a m\u00e3e que abusa sexualmente dos pr\u00f3prios filhos;<\/p>\n<p>2) co-ofensora, onde a mulher assume um papel passivo, assistindo o companheiro no abuso dos filhos ou de mulheres adultas;<\/p>\n<p>3) adulto-adulto, isto \u00e9, mulher adulta coage homem, geralmente quando este est\u00e1 intoxicado (e.g., \u00e1lcool), tamb\u00e9m s\u00e3o conhecidos fen\u00f3menos de <em>gang rape<\/em> feminino;<\/p>\n<p>4) criminal, ou seja, a mulher recruta outras mulheres e crian\u00e7as para fins de prostitui\u00e7\u00e3o (Johnson, 2007).<\/p>\n<p>Tratam-se de tipologias com pouca validade, devido ao parco investimento cient\u00edfico na \u00e1rea. Ali\u00e1s, este parco investimento, qui\u00e7\u00e1 fruto dos pr\u00f3prios mitos de investigadores e acad\u00e9micos, resulta na falta de enquadramentos conceptuais adequados \u00e0 compreens\u00e3o deste fen\u00f3meno. E se n\u00e3o compreendemos um fen\u00f3meno, ent\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o estamos aptos a intervir no mesmo. \u00c9 de salientar na literatura, a falta de modelos conceptuais, de avalia\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o nestas mulheres. \u00c9 tamb\u00e9m de salientar a falta de forma\u00e7\u00e3o sobre esta tem\u00e1tica nos curr\u00edculos acad\u00e9micos em \u00e1reas como a Psicologia, Sociologia, Criminologia ou Sexologia. Ora, a ignor\u00e2ncia tem custos. Os crimes sexuais s\u00e3o aqueles que apresentam das mais altas taxas de atrito. Ou seja, a percentagem de casos que se perde no sistema de justi\u00e7a, entre uma queixa ou den\u00fancia, e uma condena\u00e7\u00e3o, pode chegar aos 90%. Isto significa, que apenas cerca de 10% dos casos \u00e9 julgado, e poder\u00e1 resultar numa condena\u00e7\u00e3o (Kelly, Lovett, &amp; Regan, 2005). Logo, a maior parte dos agressores sexuais n\u00e3o chega sequer a passar pelo sistema de justi\u00e7a, e isto poder\u00e1 ser tanto maior para o caso das mulheres agressoras sexuais.<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] um erro muito comum \u00e9 confundirmos ere\u00e7\u00e3o com consentimento sexual ou vontade de ter sexo. E o certo \u00e9, que um homem saud\u00e1vel, mediante um contexto ansiog\u00e9nico ou at\u00e9 de amea\u00e7a, pode ter uma ere\u00e7\u00e3o como resposta fisiol\u00f3gica ao medo. \u00c9 exatamente este mecanismo que \u00e9 aproveitado em casos de viola\u00e7\u00e3o de homem por mulher, ou grupo de mulheres<\/em><\/h4>\n<p>Mas os custos n\u00e3o s\u00e3o apenas \u201clegais\u201d. Os custos s\u00e3o sobretudo humanos. Ao contr\u00e1rio daquilo que as pessoas possam pensar, v\u00edtimas de mulheres agressoras sexuais, tamb\u00e9m evidenciam sequelas emocionais e potencialmente traum\u00e1ticas. Por\u00e9m, ao contr\u00e1rio das v\u00edtimas de homens agressores, as v\u00edtimas de mulheres agressoras sexuais deparam-se com um sistema de profissionais (seja de sa\u00fade, seja judiciais), que n\u00e3o se encontram preparados para lidar mediante estas situa\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s, existe evid\u00eancia de homens, v\u00edtimas de mulheres agressoras sexuais, que foram humilhados aquando a solicita\u00e7\u00e3o de ajuda ou queixa judicial (e.g., King, &amp; Woolett, 1997). Ilustro este ponto com dados de alguns estudos experimentais sobre perce\u00e7\u00f5es sociais acerca da viol\u00eancia sexual perpetrada por mulheres. Nestes, os participantes eram confrontados com cen\u00e1rios (geralmente, narrativas) onde era descrito um epis\u00f3dio de coa\u00e7\u00e3o sexual, variando o g\u00e9nero do agressor e da v\u00edtima (i.e., num cen\u00e1rio a v\u00edtima era mulher e o agressor homem, no outro sucedia o contr\u00e1rio). Verificou-se que nos cen\u00e1rios onde o homem era o agressor, este era conotado como \u201cviolador\u201d, \u201cagressor\u201d, enquanto as mulheres, no mesmo papel, eram conotadas como \u201cprom\u00edscuas\u201d, ou como estando \u201capaixonadas pelo homem\u201d (e.g., Oswald &amp; Russel, 2006; Struckman-Johnson, D. &amp; Struckman-Johnson, C., 1991). Existe, portanto, um duplo padr\u00e3o na forma como julgamos estas situa\u00e7\u00f5es, bastante alinhado com os estere\u00f3tipos de g\u00e9nero. \u00c9 neste sentido que urge, n\u00e3o s\u00f3 compreender os fatores psicossociais que motivam as mulheres agressoras sexuais, como tamb\u00e9m as din\u00e2micas sociais que, por este duplo padr\u00e3o, fazem desta realidade, um mito.<\/p>\n<p>Os <em>scripts<\/em> sociais e sexuais sobre o papel da mulher e da sua sexualidade, bem como as lacunas cient\u00edficas sobre a caracteriza\u00e7\u00e3o das mulheres agressores sexuais e respetivos fatores de risco, mascaram este fen\u00f3meno criminal, contribuindo para emerg\u00eancia de novas v\u00edtimas &#8211; e v\u00edtimas desprotegidas pelo sistema &#8211; ou ainda para a aus\u00eancia de diretrizes que permitam avaliar e reabilitar mulheres agressoras sexuais. Afinal, se a criminalidade sexual existe, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 devido aos agressores, \u00e9 tamb\u00e9m devido \u00e0 forma como os nossos estere\u00f3tipos sociais legitimam esta forma de viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>Allen, C. (1991). <em>Women and men who sexually abuse children: A comparative analysis<\/em>. Orwell, VT: The Safer Society Press.<\/p>\n<p>Denov, S. (2003). Sexual scripts and the recognition of child sexual abuse by female perpetrators. <em>Journal of Sex Research, 40,<\/em> 303-314.<\/p>\n<p>Johnson, S.A. (2007). <em>Physical abusers and sexual offenders: Forensic and clinical strategies<\/em>. New York: Taylor &amp; Francis Group.<\/p>\n<p>Kelly, L., Lovett, J., &amp; Regan, L. (2005). A gap or a chasm. Attrition in reported rape cases. Retrived from: <a href=\"http:\/\/citeseerx.ist.psu.edu\/viewdoc\/download?doi=10.1.1.131.8325&amp;rep=rep1&amp;type=pdf\">http:\/\/citeseerx.ist.psu.edu\/viewdoc\/download?doi=10.1.1.131.8325&amp;rep=rep1&amp;type=pdf<\/a><u>.<\/u><\/p>\n<p>King, M, &amp; Woolett, E. (1997). Sexually assaulted males: 115 men consulting a counseling service. <em>Archives of Sexual Behavior, 26<\/em>, 579-583.<\/p>\n<p>Oliver, B. (2007). Preventing female-perpetrated sexual abuse. <em>Trauma, Violence, and Abuse<\/em>, <em>8,<\/em> 19-32.<\/p>\n<p>Oswald, D.L., &amp; Russel, B. L. (2006). Perceptions of sexual coercion in heterosexual dating relationships: The role of aggressor gender and tactics. <em>The Journal of Sex Research, 43<\/em>, 87-95.<\/p>\n<p>Snyder, H. N. (2000). <em>Sexual assault of young children as reported to law enforcement: Victim, incident, and offender characteristics<\/em>. Washington, DC: U.S. Department of Justice, Bureau of Justice Statistics.<\/p>\n<p>Struckman-Johnson, D., &amp; Struckman-Johnson, C. (1991). Men and women\u2019s acceptance of coercive sexual strategies varied by initiator gender and couple intimacy. <em>Sex Roles, <\/em><em>25<\/em>, 661- 676.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] Uma reflex\u00e3o de\u2026 Joana Carvalho, Psic\u00f3loga, Investigadora em Sexologia e Sexologia Forense. &nbsp; Percurso\u00a0 Professora Auxiliar de Psicologia e diretora do Mestrado em Psicologia Forense da Universidade Lus\u00f3fona de Humanidades e Tecnologias. 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