{"id":8143,"date":"2018-06-28T21:47:00","date_gmt":"2018-06-28T21:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=8143"},"modified":"2019-03-25T17:44:51","modified_gmt":"2019-03-25T17:44:51","slug":"quando-as-alcunhas-desnudam-a-sexualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2018\/06\/28\/quando-as-alcunhas-desnudam-a-sexualidade\/","title":{"rendered":"Quando as alcunhas desnudam a sexualidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/JMP.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8172\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/JMP-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma reflex\u00e3o de\u2026<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.ics.ulisboa.pt\/pessoa\/jose-machado-pais\">Jos\u00e9 Machado Pais<\/a>, soci\u00f3logo, investigador do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa e diretor da Imprensa de Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Percurso\u00a0 <\/strong><br \/>\nFoi Professor Visitante em v\u00e1rias universidades europeias e sul-americanas e Professor Catedr\u00e1tico Convidado do ISCTE\/Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa. Coordenou o<em> Observat\u00f3rio Permanente da Juventude Portuguesa<\/em> e o <em>Observat\u00f3rio das Actividades Culturais<\/em>. Autor de diversos livros em torno da sexualidade: <em>A Prostitui\u00e7\u00e3o e a Lisboa Bo\u00e9mia<\/em> (Lisboa, 1985); <em>Artes de Amar da Burguesia<\/em> (Lisboa, 1986); <em>Ganchos, Tachos e Biscates. Jovens, Trabalho e Futuro<\/em> (Porto, 2001); <em>Sexualidade e Afetos Juvenis<\/em> (Lisboa, 2012); <em>Enredos Sexuais, Tradi\u00e7\u00e3o e Mudan\u00e7a: as M\u00e3es, os Zecas e as <\/em>Sedutoras de Al\u00e9m-mar (Lisboa, 2016). Em 2003, recebeu o <em>Pr\u00e9mio Gulbenkian de Ci\u00eancias Sociais<\/em> e, em 2012, o <em>Pr\u00e9mio ERICS<\/em><em> (Pr\u00e9mio Est\u00edmulo e Reconhecimento da Internacionaliza\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n28 de junho de 2018<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]1. Muitos enigmas da sexualidade podem soltar-se quando exploramos o v\u00ednculo entre linguagem e sociedade. Ali\u00e1s, a linguagem \u00e9 um tesouro do conhecimento ao permitir-nos compreender a sociedade que a produz. N\u00e3o espanta o envolvimento da psican\u00e1lise no desvelamento desse tesouro do conhecimento. Por mim ficaria satisfeito se conseguisse aliciar quem agora me l\u00ea para uma pequena aventura investigativa. O alvo? As alcunhas de pendor sexual que, em suas andan\u00e7as, nos incitam \u00e0 descoberta de tens\u00f5es, simultaneamente reveladas e dissimuladas, de necessidades e desejos, normalidades e desvios. Como a viagem \u00e9 curta proponho apenas dois apeadeiros de reflex\u00e3o: o dos submundos da prostitui\u00e7\u00e3o e o dos espa\u00e7os escolares.<\/p>\n<p>2. O meu interesse pelas alcunhas surgiu quando h\u00e1 tempos explorei os meandros do fado da Lisboa bo\u00e9mia do s\u00e9culo XIX. Na sociedade respeit\u00e1vel de ent\u00e3o, o discurso sobre a sexualidade estava fortemente filtrado pela dec\u00eancia e moral. Em contrapartida, nas baiucas dos bairros populares, as linguagens subversivas tinham livre-tr\u00e2nsito. No cal\u00e3o ou na g\u00edria, o palavr\u00e3o impunha-se \u00e0 palavra ataviada, denunciando o avesso imoral de uma sociedade ideologicamente revestida de moralidade. Em versos improvisados, nem os padres devassos escapavam \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o de atentar contra o pudor de virgens e mulheres casadas: &#8220;Foi proibido o casamento aos padres \/ Por\u00e9m n\u00e3o lhes cortaram a minhoca \/ Por isso qualquer deles anda a\u0300 coca \/ Das putas, das criadas das comadres.&#8221; A alcunha dada \u00e0 cabe\u00e7a pensadora (Caixa de cornos) indiciava a recorr\u00eancia das infidelidades.<\/p>\n<p>A diferencia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica acentuava clivagens de g\u00e9nero, idade e estatuto. \u00c0 amante era dado o nome de Encosto, Pechincha, P\u00eassega ou Pente; o idoso que assediava mo\u00e7as novas era Pivinha; mulher que sustentasse um amante era Marmita, Queijada a quantia desembolsada. Entre as meretrizes, de acordo com os seus atributos ou experi\u00eancia, havia as Abelhas-mestras (donas de prost\u00edbulos), as Pataqueiras (de baixa condi\u00e7\u00e3o) e as Patrajonas (aficionadas aos soldados). Todas elas adoptavam nomes de guerra que, frequentemente, espelhavam atributos f\u00edsicos (Adelaide Mamuda, Rita Bonita, Barbuda, Bela Loirinha, Adelaide Veterana). Tra\u00e7os comportamentais tamb\u00e9m se refletiam nas alcunhas. A Teresa do Pino adquiriu notoriedade por se desnudar com ex\u00f3ticos malabarismos corporais. O reboli\u00e7o das ancas inspirava e excitava poetas: &#8220;Genoveva Fadistinha\/ O c\u00fa abana t\u00e3o bem \/ Que s\u00f3 de ver o manejo \/ A gente logo se vem&#8221;.<\/p>\n<h4><em>Alguns jovens ganham tamanha identifica\u00e7\u00e3o com as alcunhas que acabam por us\u00e1-las nas redes sociais da Internet. Outros inventam <\/em>nicknames<em> que permitem a vindica\u00e7\u00e3o de um valor simb\u00f3lico, exibido como atrativo sensual, er\u00f3tico ou sexual: Garota Rebelde (porque acho legal e muito rebelde); Xoxoteiro (por gostar de aventuras sexuais); African queen (sou cabo-verdiana e escurita); Big Cock (por ter uma p\u00e9nis grande); Tah Gatinha (por ser bonitinha); Miss Sorriso (por estar sempre a sorrir)<\/em><\/h4>\n<p>Entre os homens, as alcunhas identificavam valent\u00f5es, fanfarr\u00f5es, galantes e maric\u00f5es. Gatunos, faquistas e meliantes tinham alcunhas como M\u00e3o de Ferro, Gato Assanhado, Rei das Cabe\u00e7adas, Facada, M\u00e3o Fatal, Carrasco e Fila-Todos. Fanfarr\u00f5es afamados ganhavam alcunhas como Pimp\u00e3o, Cabe\u00e7a Falante, Papa-Fina ou Dr. Piroca. Nos galantes, tamb\u00e9m chamados <em>p\u00e3ezinhos<\/em>, destacavam-se o Fin\u00f3rio, o Catita, o Gatuno Elegante, o Bonitinho, o Av\u00f4 dos Janotas ou o Jo\u00e3o das Pegas. Os mais expostos \u00e0s alcunhas, alvos favoritos de esc\u00e1rnio social, eram os maric\u00f5es, entre os quais o Luisinha Cocote, a Espanhola, a Chica dos Marujos, a Mariquinhas Saloia, a Marquesinha do Intendente, o Perp\u00e9tua Cheirosa, a Vaidosa e muitos\/as mais.<\/p>\n<p>Os \u00f3rg\u00e3os sexuais n\u00e3o escapavam \u00e0s alcunhas. No caso do p\u00e9nis, a virilidade pautava a categoriza\u00e7\u00e3o: de um lado, Abre-alas, Bilharda, Chicote da barriga ou Mangalho; de outro lado, Minhoca ou Piegas. No caso da vagina, tendo inventariado mais de meio milhar de registos, sobressaiu uma categoria reveladora dos poderes ocultos de quem \u00e9 designada por Superpoderosa, Deusa, Milagrosa, mas tamb\u00e9m Libidinosa, Sinistra, ou Tenta\u00e7\u00e3o do Diabo. Esses poderes n\u00e3o passaram despercebidos ao Tribunal do Santo Of\u00edcio quando, no Brasil seiscentista, identificou mezinhas feitas a partir das segrega\u00e7\u00f5es do &#8220;vaso da mulher&#8221;. Numa pesquisa que realizei sobre o movimento das M\u00e3es de Bragan\u00e7a constatei que as prostitutas brasileiras tamb\u00e9m eram acusadas de seduzir os homens com um &#8220;ch\u00e1 de amarra\u00e7\u00e3o&#8221; dessa mesma esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>3. Sendo artefactos de subjetividade, as palavras criam mundos de significado ao serem tricotadas nas intera\u00e7\u00f5es quotidianas. Disso mesmo me dei conta numa pesquisa recente sobre o significado simb\u00f3lico das alcunhas em escolas do ensino secund\u00e1rio de Portugal e Brasil (Estado do Cear\u00e1). No espa\u00e7o escolar, a sexualidade aparece significativamente vinculada \u00e0 imagem corporal. Dos p\u00e9s a\u0300 cabe\u00e7a o corpo e\u0301 uma fonte meton\u00edmica. Um jovem e\u0301 apelidado Cabe\u00e7\u00e3o por ter cabe\u00e7a grande; outro \u00e9 Capuchinho Vermelho por corar com facilidade. Dentes de Mula recorreu a servi\u00e7os odontol\u00f3gicos para corrigir as sali\u00eancias dentais, pois a alcunha causava-lhe complexos. O tratamento resultou mas a alcunha n\u00e3o o abandonou. O corpo \u00e9 investido como instrumento de sedu\u00e7\u00e3o, num clima de disputas e conquistas. As mo\u00e7as s\u00e3o as mais penalizadas com as ousadias. Foi identificada uma Amiga fura olho (por roubar namorados) e uma Chiclete (por grudar nos meninos). Ainda no universo feminino, enquanto no Brasil a bunda aparece como referente mais invocado (dependendo do volume, Bunda Seca ou Mulher Melancia), em Portugal as alcunhas s\u00e3o mais estimuladas pelas mamas (Happy Boobs, Sweet Boobs ou Maxi Boobs). Circunst\u00e2ncias acidentais podem tamb\u00e9m originar alcunhas. Uma jovem \u00e9 Vaquinha porque dan\u00e7ou imitando uma vaca; outro \u00e9 Braguilhas por uma vez se ter esquecido de apertar o fecho das cal\u00e7as. Alcunhas deste g\u00e9nero cumprem uma fun\u00e7\u00e3o integrativa. Ao punirem comportamentos rid\u00edculos geram risos que apelam \u00e0 ordem social.<\/p>\n<h4><em>Os \u00f3rg\u00e3os sexuais n\u00e3o escapavam \u00e0s alcunhas. No caso do p\u00e9nis, a virilidade pautava a categoriza\u00e7\u00e3o: de um lado, Abre-alas, Bilharda, Chicote da barriga ou Mangalho; de outro lado, Minhoca ou Piegas. No caso da vagina, tendo inventariado mais de meio milhar de registos, sobressaiu uma categoria reveladora dos poderes ocultos de quem \u00e9 designada por Superpoderosa, Deusa, Milagrosa, mas tamb\u00e9m Libidinosa, Sinistra, ou Tenta\u00e7\u00e3o do Diabo<\/em><\/h4>\n<p>As orienta\u00e7\u00f5es sexuais s\u00e3o tamb\u00e9m sinalizadas pelas alcunhas. As mais recorrentes retratam o sucesso ou a gabarolice dos rapazes, como o Kido delas (querido das meninas) ou o Playboy americano (come bu\u00e9 [muita] gaja e fala muito bem ingl\u00eas). Alguns jovens portugueses dizem conviver bem com alcunhas de \u00edndole sexual potencialmente ofensivas, como Pilas (cara de pila [p\u00eanis]), Sexopata ou Frango (gay). Todavia, n\u00e3o sabemos se a aceita\u00e7\u00e3o verbalizada \u00e9 real. O mesmo acontece no Brasil, com alcunhas como Laleska (veado, gay), Farofa (todo mundo mete a lingui\u00e7a) ou Gilete (corta dos dois lados; bissexual). Uma Chichola Pilada (vagina depilada) diz n\u00e3o se importar com a alcunha que porta, nem uma Crica (considerada tarada sexual). Contudo, h\u00e1 alcunhas que n\u00e3o s\u00e3o bem aceites. \u00c9 o caso de um jovem apelidado de Cocks (apanhado v\u00e1rias vezes a masturbar-se numa sala de aula).<\/p>\n<p>Alguns jovens ganham tamanha identifica\u00e7\u00e3o com as alcunhas que acabam por us\u00e1-las nas redes sociais da Internet. Outros inventam <em>nicknames<\/em> que permitem a vindica\u00e7\u00e3o de um valor simb\u00f3lico, exibido como atrativo sensual, er\u00f3tico ou sexual: Garota Rebelde (porque acho legal e muito rebelde); Xoxoteiro (por gostar de aventuras sexuais); African queen (sou cabo-verdiana e escurita); Big Cock (por ter uma p\u00e9nis grande); Tah Gatinha (por ser bonitinha); Miss Sorriso (por estar sempre a sorrir). Por aqui vemos que a imagem corporal se inscreve numa produ\u00e7\u00e3o discursiva onde as alcunhas cintilam c\u00f3digos sem\u00e2nticos que descriminam distintas classes de identidades simb\u00f3licas.<\/p>\n<p>Os professores tamb\u00e9m n\u00e3o fogem \u00e0s alcunhas de cunho sexual. No Brasil temos, por exemplo, um Sexy (diz que tem excesso de gostosura), um Espermatozoide (tem uma cabe\u00e7ona e \u00e9 bem magrinho) e um Robocope Gay (\u00e9 gay). Em Portugal, surgem tamb\u00e9m v\u00e1rios perfis: Toda Boa (professora boa e sexy), Borracho (o <em>stor<\/em> \u00e9 um <em>borracho<\/em>), Gostos\u00e3o (tem um corpo lind\u00edssimo), Tusas (estava de pau feito nas aulas), L\u00e9sbica (tem um site a admitir que \u00e9 l\u00e9sbica), Piroca (olha muito para os meninos), Ped\u00f3filo (tem atos de ped\u00f3filo) ou Putinha (vem para a escola muito produzida e anda em cima dos rapazes).<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] as alcunhas s\u00e3o preciosos instrumentos de aferi\u00e7\u00e3o do modo como as identidades juvenis s\u00e3o constru\u00eddas em contexto escolar. Elas sinalizam tamb\u00e9m tens\u00f5es quanto \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de diferentes orienta\u00e7\u00f5es sexuais, para al\u00e9m de revelarem faces ocultas da realidade escolar, como o uso de salas de aula para pr\u00e1ticas de masturba\u00e7\u00e3o, manifesta\u00e7\u00f5es subtis de ass\u00e9dio e bullying sexual<\/em><\/h4>\n<p>4. Concluindo, vimos que as alcunhas s\u00e3o preciosos instrumentos de aferi\u00e7\u00e3o do modo como as identidades juvenis s\u00e3o constru\u00eddas em contexto escolar. Elas sinalizam tamb\u00e9m tens\u00f5es quanto \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de diferentes orienta\u00e7\u00f5es sexuais, para al\u00e9m de revelarem faces ocultas da realidade escolar, como o uso de salas de aula para pr\u00e1ticas de masturba\u00e7\u00e3o, manifesta\u00e7\u00f5es subtis de ass\u00e9dio e <em>bullying<\/em> sexual.<\/p>\n<p>No seu conjunto, e tendo tamb\u00e9m em conta as incurs\u00f5es realizadas pela Lisboa bo\u00e9mia do s\u00e9culo XIX, as alcunhas de teor sexual exploram importantes conex\u00f5es entre linguagem, sexualidade e sociedade. Sendo emana\u00e7\u00f5es da vida social, as alcunhas n\u00e3o integram um sistema arbitr\u00e1rio. Produzem-se no mundo de que fazem parte. Escondem e revelam enigmas que deslizam dos atos de nomea\u00e7\u00e3o para as coisas nomeadas, e vice-versa. Por isso mesmo, constituem um tesouro de conhecimento por explorar.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>Autor An\u00f3nimo, <em>Dicion\u00e1rio das Alcunhas Alfacinhas<\/em>. Lisboa, Livros Horizonte, 2001.<\/p>\n<p>Pais, Jos\u00e9 Machado, <em>A Prostitui\u00e7\u00e3o e a Lisboa Bo\u00e9mia do s\u00e9c. XIX aos In\u00edcios do s\u00e9c. XX<\/em>. Lisboa, Editorial Querco, 1985 (Porto, \u00c2mbar, 2008).<\/p>\n<p>Pais, Jos\u00e9 Machado, &#8220;<em>M\u00e3es de Bragan\u00e7a<\/em> e feiti\u00e7os: enredos luso-brasileiros em torno da sexualidade&#8221;,\u00a0<em>Revista de Ci\u00eancias Sociais<\/em>, Universidade Federal do Cear\u00e1, volume 41, n\u00famero 2, 2010, pp. 9-23.<\/p>\n<p>Pais, Jos\u00e9 Machado, <em>Sexualidade e Afectos Juvenis<\/em>. Lisboa, Imprensa de Ci\u00eancias Sociais, 2012.<\/p>\n<p>Pais, Jos\u00e9 Machado, \u201cDas nomea\u00e7\u00f5es \u00e0s representa\u00e7\u00f5es: os palavr\u00f5es numa interpreta\u00e7\u00e3o inspirada por H. Lefebvre\u201d, <em>Etnogr\u00e1fica<\/em>, vol. 19 (2), 2015, pp. 267-289.<\/p>\n<p>Pais, Jos\u00e9 Machado, <em>Enredos sexuais, Tradi\u00e7\u00e3o e Mudan\u00e7a: as m\u00e3es, os zecas e as sedutoras de al\u00e9m-mar<\/em><em>.<\/em> Lisboa, Imprensa de Ci\u00eancias Sociais. 2016.<\/p>\n<p>Pais, Jos\u00e9 Machado, &#8220;A simbologia dos apelidos na vida cotidiana escolar&#8221;, <em>Educa\u00e7\u00e3o &amp; Realidade<\/em>, Porto Alegre, v. 43, n. 3, jul.\/set. 2018, pp. 909-928.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] Uma reflex\u00e3o de\u2026 Jos\u00e9 Machado Pais, soci\u00f3logo, investigador do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa e diretor da Imprensa de Ci\u00eancias Sociais. &nbsp; Percurso\u00a0 Foi Professor Visitante em v\u00e1rias universidades europeias e sul-americanas e Professor Catedr\u00e1tico Convidado do ISCTE\/Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa. 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