{"id":8395,"date":"2018-08-30T19:17:14","date_gmt":"2018-08-30T19:17:14","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=8395"},"modified":"2019-03-25T16:17:09","modified_gmt":"2019-03-25T16:17:09","slug":"quando-ser-vitima-nao-representa-invariavelmente-trauma-desconstruindo-mitos-em-torno-do-abuso-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2018\/08\/30\/quando-ser-vitima-nao-representa-invariavelmente-trauma-desconstruindo-mitos-em-torno-do-abuso-sexual\/","title":{"rendered":"Quando ser v\u00edtima n\u00e3o representa invariavelmente trauma: desconstruindo mitos em torno do abuso sexual"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Captura-de-ecra\u0303-2018-08-30-a\u0300s-16.03.16-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8427\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Captura-de-ecra\u0303-2018-08-30-a\u0300s-16.03.16-1-283x300.png\" alt=\"\" width=\"283\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma reflex\u00e3o de\u2026<\/strong><br \/>\nEunice Magalh\u00e3es \u00e9 doutorada em Psicologia e Professora Auxiliar na <a href=\"https:\/\/www.ulusofona.pt\/docentes\/eunice-vieira-magalhaes\">Universidade Lus\u00f3fona de Humanidades e Tecnologias &#8211; Escola de Psicologia e Ci\u00eancias da Vida<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Percurso\u00a0 <\/strong><br \/>\nOs seus interesses de investiga\u00e7\u00e3o centram-se na promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens em risco e perigo,\u00a0acolhimento residencial, vitimologia, avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e avalia\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o com crian\u00e7as e fam\u00edlias em risco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n30 de Agosto de 2018<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"page\" title=\"Page 1\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>De acordo com estati\u0301sticas sistematizadas pelo National Center for Victims of Crime (EUA), 1 em cada 5 raparigas e\u0301 vi\u0301tima de abuso sexual, sendo esta experie\u0302ncia abusiva menos prevalente nos rapazes (ainda que sejam de considerar os constrangimentos adicionais da revelac\u0327a\u0303o de vitimas masculinas). Sabemos, tambe\u0301m, que o agressor na\u0303o corresponde, tipicamente, ao estereo\u0301tipo do \u201cdesconhecido\u201d que estabelece uma relac\u0327a\u0303o com a crianc\u0327a apenas no contexto da relac\u0327a\u0303o abusiva, mas que tende a ser algue\u0301m que esta conhece bem. Ale\u0301m disso, a idade identificada como de maior vulnerabilidade ao abuso sexual situa-se entre os 7 e os 13 anos. Na\u0303o obstante, e\u0301, ainda possi\u0301vel constatar que a definic\u0327a\u0303o de abuso sexual, e respetiva operacionalizac\u0327a\u0303o, assim como os dados de prevale\u0302ncia reportados internacionalmente, variam significativamente em func\u0327a\u0303o do contexto e dos procedimentos utilizados. Ha\u0301 evide\u0302ncia que sugere que taxas de prevale\u0302ncia mais elevadas se observam no contexto africano (aproximadamente 30%) e mais reduzidas no contexto europeu (aproximadamente 10%). Uma reflexa\u0303o em torno da necessa\u0301ria contextualizac\u0327a\u0303o social e cultural das pra\u0301ticas abusivas e\u0301 assim imperativa, sendo de particular importa\u0302ncia as representac\u0327o\u0303es sociais e o seu impacto no funcionamento psicolo\u0301gico das vi\u0301timas.<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] <\/em><em>fatores individuais (e.g., compete\u0302ncias de coping, crenc\u0327as de controlo, o significado atribui\u0301do a\u0300 experie\u0302ncia, atribuic\u0327a\u0303o externa da culpa, envolvimento escolar) ou relacionais\/sociais (e.g., qualidade das relac\u0327o\u0303es familiares, suporte entre pares, suporte institucional) afiguram-se protetores neste contexto [do abuso sexual]<\/em><\/h4>\n<p>Parece ser relativamente consensual, nos diferentes contextos sociais em que nos movemos, a crenc\u0327a de que ser vi\u0301tima de abuso sexual na infa\u0302ncia e adolesce\u0302ncia representa necessariamente dano ou trauma, a curto e longo-prazo (quem nunca ouviu nas suas redes sociais a expressa\u0303o \u201cse foi vi\u0301tima de abuso sexual, ficara\u0301 traumatizada para a vida toda\u201d?). No entanto, se e\u0301 verdade que a investigac\u0327a\u0303o tem produzido um vasto conjunto de evide\u0302ncia centrado nas dificuldades evidenciadas pelas vi\u0301timas, e se tem sugerido que a experie\u0302ncia sexualmente abusiva pode, efetivamente, comprometer o desenvolvimento sauda\u0301vel da crianc\u0327a e o seu funcionamento psicolo\u0301gico (pelas, amplamente, descritas dina\u0302micas trauma\u0301ticas), tambe\u0301m sabemos que trajeto\u0301rias desenvolvimentais resilientes podem emergir. O trauma ou dano na\u0303o e\u0301 efetivamente o u\u0301nico resultado possi\u0301vel nesta equac\u0327a\u0303o. A literatura, nesta a\u0301rea, tem sugerido que fatores individuais (e.g., compete\u0302ncias de coping, crenc\u0327as de controlo, o significado atribui\u0301do a\u0300 experie\u0302ncia, atribuic\u0327a\u0303o externa da culpa, envolvimento escolar) ou relacionais\/sociais (e.g., qualidade das relac\u0327o\u0303es familiares, suporte entre pares, suporte institucional) se afiguram protetores neste contexto. Mais ainda, nesta e noutras a\u0301reas, o desafio atual para os profissionais passa por considerar um vasto portfo\u0301lio de resultados desenvolvimentais (para ale\u0301m da mera presenc\u0327a ou ause\u0302ncia de problemas psicolo\u0301gicos), considerando tambe\u0301m a possibilidade de adaptac\u0327a\u0303o e ajustamento (apesar da experie\u0302ncia abusiva).<\/p>\n<p>Se e\u0301 certo que as carateri\u0301sticas individuais das vi\u0301timas (e agressores) sa\u0303o tipicamente mais apelativas quando se tenta compreender resultados de desenvolvimento e sau\u0301de mental, as relac\u0327o\u0303es de suporte e as varia\u0301veis contextuais sa\u0303o particularmente pertinentes no contexto da vitimac\u0327a\u0303o sexual na infa\u0302ncia e adolesce\u0302ncia. Efetivamente, sabe-se que na\u0303o so\u0301 os discursos e representac\u0327o\u0303es sociais e culturais (e.g., crenc\u0327as e estereo\u0301tipos de culpabilizac\u0327a\u0303o da vi\u0301tima) podem comprometer o funcionamento psicolo\u0301gico das vi\u0301timas, como tambe\u0301m o papel significativo do sistema de justic\u0327a tem sido reconhecido pelas pro\u0301prias vi\u0301timas (e.g., enquanto mecanismo de validac\u0327a\u0303o da experie\u0302ncia abusiva atrave\u0301s da condenac\u0327a\u0303o do agressor). Por estas razo\u0303es, resultados adaptativos de funcionamento psicolo\u0301gico em vitimas de abuso sexual dependem de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, estabelecem relac\u0327o\u0303es significativas com as crianc\u0327as\/jovens. Seja qual for o papel assumido &#8211; cuidadores, professores, psico\u0301logos, me\u0301dicos, magistrados, pares ou outras figuras de suporte &#8211; todos podem, atrave\u0301s das suas pra\u0301ticas, contribuir positivamente para contrariar a inevitabilidade do dano.<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] cuidadores, professores, psico\u0301logos, me\u0301dicos, magistrados, pares ou outras figuras de suporte &#8211; todos podem, atrave\u0301s das suas pra\u0301ticas, contribuir positivamente para contrariar a inevitabilidade do dano<\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"page\" title=\"Page 2\">\n<div class=\"layoutArea\">\n<div class=\"column\">\n<p>Com efeito, sabemos que os mitos (i.e., crenc\u0327as erro\u0301neas sobre a experie\u0302ncia de abuso sexual e respetivas dina\u0302micas) podem comprometer a forma como podemos e devemos responder a\u0300s necessidades destas vi\u0301timas (assim como condicionar deciso\u0303es judiciais), e consequentemente o seu funcionamento psicolo\u0301gico. Os mitos, tipicamente, identificados envolvem o exagero do dano\/trauma (e.g., \u2018as crianc\u0327as vitimas na\u0303o sera\u0303o capazes de recuperar\u2019), a negac\u0327a\u0303o da ocorre\u0302ncia da experie\u0302ncia abusiva (e.g., \u2018o abuso sexual e\u0301 muito raro\u2019, \u2018o abuso sexual por parte de mulheres na\u0303o existe\u2019, \u2018as alegac\u0327o\u0303es de abuso sexual por parte das crianc\u0327as sa\u0303o maioritariamente falsas e fruto da sua fantasia\u2019), a desresponsabilizac\u0327a\u0303o do agressor (e.g., \u2018se a crianc\u0327a na\u0303o quisesse, teria dito para parar\u2019), e ainda as representac\u0327o\u0303es estereotipadas acerca do agressor (e.g., \u2018os agressores sa\u0303o estranhos para a crianc\u0327a\u2019, \u2018o abuso sexual e\u0301 perpetrado por agressores mais velhos e de ni\u0301vel socioecono\u0301mico baixo\u2019), e acerca das pro\u0301prias dina\u0302micas abusivas (\u2018uma crianc\u0327a vitima de abuso apresenta necessariamente marcas fi\u0301sicas\u2019, \u2018uma crianc\u0327a vi\u0301tima tende a contar imediatamente aos pais\u2019). Neste sentido, cumpre-nos reconhecer estes mitos e considerar o nosso papel enquanto agentes de mudanc\u0327a e com potencial impacto nas trajeto\u0301rias destas crianc\u0327as e adolescentes. Aos profissionais exige-se, assim, responsabilidade e comportamento e\u0301tico, atrave\u0301s da aquisic\u0327a\u0303o de conhecimento atualizado e rigoroso sobre as especificidades das dina\u0302micas abusivas, impacto psicolo\u0301gico, e do pro\u0301prio processo de revelac\u0327a\u0303o e judicial. A\u0300s figuras de refere\u0302ncia exige-se credibilizac\u0327a\u0303o, envolvimento emocional, pra\u0301ticas parentais positivas e suporte ajustado a\u0300s necessidades da vi\u0301tima. A todos, o respeito pelos direitos e dignidade das vi\u0301timas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] Uma reflex\u00e3o de\u2026 Eunice Magalh\u00e3es \u00e9 doutorada em Psicologia e Professora Auxiliar na Universidade Lus\u00f3fona de Humanidades e Tecnologias &#8211; Escola de Psicologia e Ci\u00eancias da Vida. &nbsp; Percurso\u00a0 Os seus interesses de investiga\u00e7\u00e3o centram-se na promo\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens em risco e perigo,\u00a0acolhimento residencial, vitimologia, avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica e avalia\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[816,58,36,55,56],"tags":[262,675,676,257,266,678,677,679,680],"class_list":["post-8395","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-de-opiniao","category-divulgacao-de-estudos-em-curso","category-noticias","category-noticias-relacionadas","category-saude-sexual","tag-abuso-sexual","tag-abuso-sexual-de-criancas","tag-abuso-sexual-de-jovens","tag-abuso-sexual-intrafamiliar","tag-agressores-sexuais","tag-national-center-for-victims-of-crime","tag-sobreviventes-de-abuso-sexual","tag-trauma","tag-vitima-de-abuso-sexual"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8395"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9189,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8395\/revisions\/9189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}