{"id":8466,"date":"2018-09-27T18:37:56","date_gmt":"2018-09-27T18:37:56","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=8466"},"modified":"2019-03-25T16:15:47","modified_gmt":"2019-03-25T16:15:47","slug":"saude-perineal-e-sexualidade-na-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2018\/09\/27\/saude-perineal-e-sexualidade-na-mulher\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade perineal e sexualidade na mulher"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/PB-e1538074078716.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8469\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/PB-e1538074078716-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 conversa com\u2026<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.pelviccare.pt\">Soraia Coelho<\/a>, Fisioterapeuta Especialista em Reabilita\u00e7\u00e3o P\u00e9lvica e Uroginecol\u00f3gica<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"wpb_text_column \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Percurso\u00a0 <\/strong><br \/>\nLicenciada em Fisioterapia, p\u00f3s graduada em Fisioterapia na Sa\u00fade da Mulher (Escola Superior de Sa\u00fade de Alcoit\u00e3o), mestre em Sexologia (Universidade Lus\u00f3fona). Diversas forma\u00e7\u00f5es na \u00e1rea de Reeduca\u00e7\u00e3o perineal e Pelviperineologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p><strong>Entrevista<br \/>\n<\/strong>Isabel Freire<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><br \/>\n27 de Setembro de 2018<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>Soraia Coelho \u00e9 fisioterapeuta. <\/strong><strong>Especializou-se em Reabilita\u00e7\u00e3o P\u00e9lvica e Uroginecol\u00f3gica.<\/strong><strong> Ajuda mulheres a re\/conhecer e a fortalecer a musculatura p\u00e9lvica, parte do corpo essencial para a sua sa\u00fade sexual. Algumas chegam-lhe com disfun\u00e7\u00f5es sexuais. Outras com incontin\u00eancia urin\u00e1ria ou fecal, muitas vezes vividas com medo e vergonha. Considera que em Portugal persiste a desvaloriza\u00e7\u00e3o social (e nalguns casos m\u00e9dica) dos problemas<\/strong><strong> da sa\u00fade p\u00e9lvica, que afetam mulheres em fases diferentes da vida. Para a fisioterapeuta a aposta na preven\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013 Em que momentos do desenvolvimento da mulher faz sentido uma abordagem sobre a sa\u00fade perineal? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Soraia Coelho \u2013<\/strong> Em qualquer fase da vida. Devemos cuidar da sa\u00fade perineal, como cuidamos de outros aspectos da nossa sa\u00fade f\u00edsica ou mental. Podemos abord\u00e1-la de forma preventiva, minimizando poss\u00edveis consequ\u00eancias do parto. Podemos prevenir les\u00f5es do pavimento p\u00e9lvico, em atletas de alta competi\u00e7\u00e3o. Em Fran\u00e7a, todas as mulheres s\u00e3o avaliadas no p\u00f3s parto. Em caso de necessidade, realizam tratamento de reabilita\u00e7\u00e3o (comparticipado) para fortalecer e desenvolver a funcionalidade dos m\u00fasculos p\u00e9lvicos. A Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, oferece um servi\u00e7o de avalia\u00e7\u00e3o p\u00e9lvica em caso de partos traum\u00e1ticos. Mas as listas de espera s\u00e3o enormes, e s\u00e3o poucos os profissionais. Em Portugal temos de olhar para as bases dos cuidados de sa\u00fade p\u00e9lvicos, e melhorar a preven\u00e7\u00e3o. A abordagem e interven\u00e7\u00e3o sobre a sa\u00fade perineal deve ser realizada por fisioterapeutas especializados na \u00e1rea de reabilita\u00e7\u00e3o p\u00e9lvica e uroginecol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>E na menopausa&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Com a diminui\u00e7\u00e3o de estrog\u00e9nio circulante, ocorre uma flacidez que pode levar a incontin\u00eancia urin\u00e1ria\/fecal, prolapsos e dispareunia. Podemos ajudar a evitar estas situa\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 preciso uma mudan\u00e7a no paradigma. \u00c9 preciso mudar a ideia de que \u00e9 normal e comum acontecerem estes problemas nesta idade. E a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer. At\u00e9 porque n\u00e3o \u00e9 de todo verdade. Apesar de ainda existir um tabu em torno da sa\u00fade perineal, as mulheres est\u00e3o mais conscientes do seu corpo. E exigem melhores cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] por vezes os profissionais n\u00e3o ouvem ativamente as queixas das utentes. Se uma mulher se encontra na menopausa e se queixa de dor, sim \u00e9 comum, mas n\u00e3o significa que n\u00e3o possamos melhorar a qualidade de vida sexual<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 H\u00e1 atividades desportivas comuns que sejam particularmente ben\u00e9ficas para a musculatura perineal feminina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> Depende sempre de diversos fatores (aptid\u00e3o f\u00edsica, gen\u00e9tica, paridade, tipo de partos, idade, etc.). Em geral, s\u00e3o ben\u00e9ficos os exerc\u00edcios que impliquem baixo impacto e que n\u00e3o forcem uma hiperpress\u00e3o na zona abdominal, sobre os m\u00fasculos p\u00e9lvicos. \u00c9 famosa a <a href=\"https:\/\/xx-miss-benzema-xx.skyrock.com\/1789835242-emilie-le-pennec.html\">fotografia da atleta francesa Emilie Le Pennec <\/a>em que se revela a perda de urina durante um salto, nos jogos ol\u00edmpicos. Muitas destas situa\u00e7\u00f5es ocorrem por falta de treino desta \u00e1rea espec\u00edfica. Os desportos em que queixas de perda urin\u00e1ria s\u00e3o mais recorrentes s\u00e3o o <em>Crossfit<\/em>, trampolim, corrida. Exerc\u00edcios como Ioga, Pilates, Tai Chi, t\u00e9cnica abdominal hipopressiva, revelam-se ben\u00e9ficos nas disfun\u00e7\u00f5es p\u00e9lvicas. Ali\u00e1s, se a mulher sofrer de disfun\u00e7\u00e3o sexual, o trabalho hiperpressivo (quando fazemos demasiada for\u00e7a com o abd\u00f3men) est\u00e1 completamente desaconselhado.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Podemos evitar problemas dos \u00f3rg\u00e3os p\u00e9lvicos com exerc\u00edcios simples, realizados em casa? <\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> Imaginemos que o nosso tronco \u00e9 um cilindro. O diafragma \u00e9 a parte de cima. A musculatura p\u00e9lvica \u00e9 a parte inferior. A bexiga, o \u00fatero e o intestino encontram-se acima da\/apoiados na camada muscular do pavimento p\u00e9lvico. Ter estes m\u00fasculos fortes d\u00e1-nos controle sobre estes \u00f3rg\u00e3os e sobre a nossa sexualidade. Se apresentamos fraqueza dos m\u00fasculos do pavimento p\u00e9lvico, significa que os \u00f3rg\u00e3os internos n\u00e3o est\u00e3o a ser totalmente suportados e poder\u00e1 haver dificuldade em controlar a urina, fezes e\/ou flatul\u00eancia. Al\u00e9m disso, os orgasmos n\u00e3o ser\u00e3o t\u00e3o intensos.<\/p>\n<p>Os exerc\u00edcios de Kegel fortalecem os m\u00fasculos do pavimento p\u00e9lvico. Podem ser realizados a qualquer hora e em qualquer lugar. No entanto, nem todas as mulheres os podem fazer. As que sofrem de dor durante o ato sexual, possivelmente ter\u00e3o uma hipercontractibilidade (hiperatividade) dos m\u00fasculos do pavimento p\u00e9lvico, e estes exerc\u00edcios podem exacerbar a sintomatologia. Aconselho sempre a procurar um profissional de sa\u00fade especializado se quiser aprender a contrair corretamente os m\u00fasculos. No entanto, poder\u00e1 realizar 2 s\u00e9ries de 8 a 10 contra\u00e7\u00f5es (mantidas por um per\u00edodo m\u00e1ximo de 8 segundos), e duas s\u00e9ries de 8 a 10 contra\u00e7\u00f5es (r\u00e1pidas), duas a tr\u00eas vezes por semana (alguns sites listados no final da entrevista possuem dicas de exerc\u00edcios).<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] perdas urin\u00e1rias ou fecais no p\u00f3s parto imediato s\u00e3o comuns, mas se passados 3 a 4 meses o problema persiste, \u00e9 importante avaliar e perceber a sua origem<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que situa\u00e7\u00f5es\/circunst\u00e2ncias s\u00e3o potencialmente lesivas da sa\u00fade dos \u00f3rg\u00e3os p\u00e9lvicos femininos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> Algumas pessoas correm mais risco de desenvolver problemas no pavimento p\u00e9lvico. Os fatores de risco incluem: gravidez ou p\u00f3s parto; partos instrumentalizados ou traum\u00e1ticos; mulheres que est\u00e3o ou j\u00e1 passaram pela menopausa; mulheres que fizeram cirurgia ginecol\u00f3gica (por exemplo, histerectomia), atletas de elite e alta competi\u00e7\u00e3o (por exemplo ginastas). Entre os fatores que podem aumentar o risco de uma mulher desenvolver problemas no pavimento p\u00e9lvico est\u00e3o: hist\u00f3ria de dor nas costas; trauma anterior na regi\u00e3o p\u00e9lvica, como queda ou radioterapia p\u00e9lvica; obstipa\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica; tosse ou espirro cr\u00f3nicos (devido a asma, tabagismo ou alergias); estar acima do peso recomendado, ou ter um \u00edndice de massa corporal acima de 25; levantamento de pesos regular.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Sabemos quais s\u00e3o as problem\u00e1ticas p\u00e9lvicas mais recorrentes na mulher, em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> A Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Urologia indica que a incontin\u00eancia urin\u00e1ria afeta 1 em cada 5 portugueses com mais de 40 anos, sendo que apenas 10% recorre ao m\u00e9dico. Na disfun\u00e7\u00e3o sexual, a sua preval\u00eancia \u00e9 elevada (25% a 63%) e est\u00e1 associada a diversos fatores. No entanto, apenas 11% a 30% das mulheres procuram ajuda profissional e 68% revelam-se satisfeitas com o seu relacionamento sexual global. A grande maioria n\u00e3o se sente ouvida pelos profissionais. Relembro que persistem cren\u00e7as sociais que \u00e9 tudo normal. <em>Se as nossas m\u00e3es e av\u00f3s passaram pelo mesmo, porque n\u00e3o haver\u00edamos n\u00f3s de passar?<\/em> Esta \u00e9 uma ideia errada.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Quando lhe chegam mulheres com dificuldades p\u00e9lvicas, para fazer reabilita\u00e7\u00e3o, que emo\u00e7\u00f5es e sentimentos revelam frequentemente? <\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> Um dos maiores sentimentos \u00e9 a vergonha e o desespero. Muitas levam anos at\u00e9 pedir ajuda. Em muitos casos foi-lhes dito que \u00e9 normal. No caso das disfun\u00e7\u00f5es sexuais, tamb\u00e9m encontro muita culpabiliza\u00e7\u00e3o. Porque sentem que n\u00e3o conseguem manter uma vida sexual ativa e prazerosa. Porque sentem press\u00e3o dos companheiros. Porque s\u00e3o mal informadas por profissionais de sa\u00fade. Em muitos casos existe uma total aus\u00eancia de avalia\u00e7\u00e3o f\u00edsica, para se realizar um diagn\u00f3stico correto.<\/p>\n<p>No que toca \u00e0 sa\u00fade p\u00e9lvica, por vezes os profissionais n\u00e3o ouvem ativamente as queixas das utentes. Se uma mulher se encontra na menopausa e se queixa de dor, sim \u00e9 comum, mas n\u00e3o significa que n\u00e3o possamos melhorar a qualidade de vida sexual.<\/p>\n<p>Outro dos grandes tabus da nossa sociedade \u00e9 a incontin\u00eancia fecal. Na grande maioria das vezes \u00e9 vivida em total segredo.<\/p>\n<h4><em>Apesar de ainda existir um tabu em torno da sa\u00fade perineal, as mulheres est\u00e3o mais conscientes do seu corpo. E exigem melhores cuidados de sa\u00fade<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 Na reabilita\u00e7\u00e3o perineal, entre terapeuta e paciente, h\u00e1 quest\u00f5es particularmente delicadas, cuidados acrescidos, preocupa\u00e7\u00f5es deontol\u00f3gicas, que \u00e9 preciso ter em conta? <\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> Acima de tudo temos que respeitar o corpo da mulher que se apresenta \u00e0 consulta. A avalia\u00e7\u00e3o ginecol\u00f3gica \u00e9 importante, mas se a mulher nesse dia n\u00e3o se sente capaz, n\u00e3o devemos for\u00e7ar. \u00c9 fundamental manter a utente tapada, sempre que poss\u00edvel, e exp\u00f4-la apenas o necess\u00e1rio. \u00c9 importante explicar cada toque, cada movimento. Inform\u00e1-la de todos os passos do tratamento, sem nunca esquecer o consentimento informado. Por vezes, \u00e9 dif\u00edcil manter um distanciamento profissional. O terapeuta \u00e9 visto como confidente, porque as sess\u00f5es s\u00e3o muito intimas e intimistas. Da\u00ed a import\u00e2ncia de se trabalhar sempre em conjunto com um sex\u00f3logo e nunca de forma individual.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que problem\u00e1ticas perineais femininas prejudicam a viv\u00eancia da sexualidade, e em que medida? <\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> Todas as que j\u00e1 foram referidas. Se a mulher tiver tido um parto vaginal que envolveu episiotomia ou lacera\u00e7\u00e3o, a cicatriz pode desencadear dor durante a penetra\u00e7\u00e3o, assim como altera\u00e7\u00f5es significativas na funcionalidade dos m\u00fasculos p\u00e9lvicos. Na incontin\u00eancia, a vergonha sentida pelas perdas urin\u00e1rias pode levar a que a mulher se torne \u2018reclusa\u2019 de si mesma, n\u00e3o se envolvendo intimamente. H\u00e1 medo de perdas ou do odor da urina. No caso da incontin\u00eancia fecal tamb\u00e9m. A envolv\u00eancia sexual pode ser acompanhada de medo de n\u00e3o se conseguir suster a perda.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 O orgasmo feminino pode ser muito afetado pela falta de sa\u00fade p\u00e9lvica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013 <\/strong>As contra\u00e7\u00f5es que sentimos aquando do orgasmo s\u00e3o produzidas pela musculatura p\u00e9lvica. Se estes m\u00fasculos s\u00e3o saud\u00e1veis e fortes, o orgasmo tamb\u00e9m poder\u00e1 ser. M\u00fasculos fortes, orgasmos intensos. O fortalecimento da musculatura p\u00e9lvica permite-nos controlar o nosso orgasmo. Sempre que contra\u00edmos os m\u00fasculos durante a rela\u00e7\u00e3o sexual, potencializamos o orgasmo, quando relaxamos, minimizamos a sensa\u00e7\u00e3o. Quando o t\u00f3nus da musculatura p\u00e9lvica melhora, o canal vaginal torna-se mais estreito, conduzindo a uma rela\u00e7\u00e3o sexual mais satisfat\u00f3ria. Mas o orgasmo tamb\u00e9m pode ser alterado por uma hipertonia da musculatura p\u00e9lvica. O importante \u00e9 perceber que o m\u00fasculo tem de ser funcional, isto \u00e9, contrair e relaxar na sua amplitude total de movimento.<\/p>\n<h4><em>M\u00fasculos fortes, orgasmos intensos<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 \u00c9 complexo ajudar a paciente a ter consci\u00eancia desta musculatura e trabalh\u00e1-la? <\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> A nossa pr\u00e1tica cl\u00ednica e a evid\u00eancia cient\u00edfica dizem-nos que sim. S\u00e3o m\u00fasculos que n\u00e3o vemos, e por vezes vem da\u00ed a falta de consci\u00eancia corporal. Os estudos dizem-nos que mais de 30% das mulheres n\u00e3o s\u00e3o capazes de contrair os m\u00fasculos p\u00e9lvicos, 49% conseguem aumentar a press\u00e3o uretral durante a contra\u00e7\u00e3o, e que 25% simulam o movimento de evacua\u00e7\u00e3o em vez de contra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 H\u00e1 instrumentos usados na reabilita\u00e7\u00e3o p\u00e9lvica que sejam tamb\u00e9m vendidos como \u2018brinquedos sexuais\u2019? <\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> Quando dou alta \u00e0s minhas utentes, aconselho a comprarem o <a href=\"https:\/\/joyontoys.com\/es\/ejercitador-pelvico-con-app-kehel\/\"><em>biofeedback kehel<\/em><\/a>. Para al\u00e9m de se ligar ao telem\u00f3vel e funcionar como treino para a musculatura do pavimento p\u00e9lvico (permitindo-nos observar no ecr\u00e3 as contra\u00e7\u00f5es), tamb\u00e9m pode ser usado como vibrador (aten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o substitui tratamento quando existe necessidade para tal). Outro objeto \u00e9 o dildo, que podemos usar como dilatador vaginal. H\u00e1 diferentes tamanhos e texturas de forma a melhorar a sensibilidade e permitir um alongamento da musculatura.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que disfun\u00e7\u00f5es sexuais femininas s\u00e3o regularmente encaminhadas para a reabilita\u00e7\u00e3o p\u00e9lvica? Estas pacientes chegam-lhe referenciadas por sex\u00f3logos cl\u00ednicos ou por referencia\u00e7\u00e3o de outros especialistas? <\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> Temos um misto de situa\u00e7\u00f5es. No caso das disfun\u00e7\u00f5es sexuais, a grande maioria vem encaminhada por um sex\u00f3logo. Outras por auto-referencia\u00e7\u00e3o, sendo que neste caso, pe\u00e7o sempre para serem seguidas tamb\u00e9m por um sex\u00f3logo. No caso da dor p\u00e9lvica n\u00e3o sexual e da incontin\u00eancia, podem vir por auto-referencia\u00e7\u00e3o, ou por urologistas ou ginecologistas. Em cidades do interior, por desconhecimento ou falta de informa\u00e7\u00e3o entre profissionais, muitas vezes as pessoas n\u00e3o s\u00e3o referenciadas para a reabilita\u00e7\u00e3o p\u00e9lvica, n\u00e3o se oferecendo assim a possibilidade de tratamento.<\/p>\n<h4><em>Em muitos hospitais e cl\u00ednicas realizam-se rastreios e eventos informativos sobre op\u00e7\u00f5es n\u00e3o cir\u00fargicas. Maioritariamente os rastreios ocorrem em institui\u00e7\u00f5es privadas.\u00a0Este tipo de eventos deveriam ter lugar mais recorrente em centros de sa\u00fade<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 Na prepara\u00e7\u00e3o para o parto ou na assist\u00eancia p\u00f3s-parto, as quest\u00f5es da sa\u00fade p\u00e9lvica s\u00e3o suficientemente abordadas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> N\u00e3o. Nos c<em>ursos de prepara\u00e7\u00e3o para o nascimento e parentalidade<\/em> fala-se um pouco sobre a tem\u00e1tica, mas n\u00e3o se focam os cuidados necess\u00e1rios durante a gravidez e no p\u00f3s parto. \u00c9 importante explicar que durante a gravidez a mulher deve manter os m\u00fasculos fortes e flex\u00edveis, tal como uma bailarina. Logo n\u00e3o nos podemos s\u00f3 focar em fazer os exerc\u00edcios de kegel, mas tamb\u00e9m realizar a massagem perineal, a fim de minimizar as lacera\u00e7\u00f5es. A prepara\u00e7\u00e3o p\u00e9lvica para o parto \u00e9 bem distinta da prepara\u00e7\u00e3o para a parentalidade. Nestas sess\u00f5es deve ajudar-se a melhorar a funcionalidade muscular p\u00e9lvica, seja por fortalecimento, seja por alongamento. Mas n\u00e3o s\u00f3. \u00c9 importante ajudar a melhorar a qualidade da flexibilidade da anca, a minimizar as consequ\u00eancias normais do parto (como desconfortos ao n\u00edvel da coluna, edemas, etc.). No caso do p\u00f3s parto, a maioria das mulheres queixa-se que n\u00e3o lhes foi ensinado a massajar a cicatriz da episiotomia ou cesariana, nem como estas podem ter um impacto negativo na vida sexual, se n\u00e3o forem tratadas e mobilizadas. N\u00e3o lhes \u00e9 ensinado como lidar com a incontin\u00eancia: perdas urin\u00e1rias ou fecais no p\u00f3s parto imediato s\u00e3o comuns, mas se passados 3 a 4 meses o problema persiste, \u00e9 importante avaliar e perceber a sua origem. Esperar n\u00e3o leva \u00e0 cura.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Conhece a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o das dificuldades\/problemas perineais, realizadas por entidades de sa\u00fade, em Portugal ou no mundo, e que sejam dignas de destaque? <\/strong><\/p>\n<p><strong>SC \u2013<\/strong> O dia internacional da incontin\u00eancia urin\u00e1ria, a 14 de Mar\u00e7o. Em muitos hospitais e cl\u00ednicas realizam-se rastreios e eventos informativos sobre op\u00e7\u00f5es n\u00e3o cir\u00fargicas. Maioritariamente os rastreios ocorrem em institui\u00e7\u00f5es privadas. Este tipo de eventos deveriam ter lugar mais recorrente em centros de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sites, portugueses e n\u00e3o s\u00f3, relacionados com a sa\u00fade p\u00e9lvica: <\/strong><\/p>\n<p>-\u201c<a href=\"http:\/\/nabexigamandoeu.pt\/\">Na bexiga mando eu<\/a>\u201d &#8211; informa\u00e7\u00e3o sobre a bexiga hiperativa;<\/p>\n<p>-\u201c<a href=\"https:\/\/centradaemsi.pt\/\">Centrada em si<\/a>\u201d, de Tena &#8211; informa\u00e7\u00e3o sobre incontin\u00eancia urin\u00e1ria;<\/p>\n<p>&#8211;<a href=\"https:\/\/www.continence.org.au\/\">Continence Foundation of Australia<\/a> &#8211; informa\u00e7\u00e3o sobre incontin\u00eancia urin\u00e1ria;<\/p>\n<p>&#8211;<a href=\"https:\/\/inconfidence.org.au\/\">Continence in confidence<\/a> &#8211; informa\u00e7\u00e3o para jovens;<\/p>\n<p>&#8211;<a href=\"http:\/\/www.pelvicfloorfirst.org.au\/\">Pelvic floor first<\/a> &#8211; informa\u00e7\u00e3o sobre o pavimento p\u00e9lvico;<\/p>\n<p>&#8211;<a href=\"https:\/\/pelvicpain.org\/IPPS\/Patients\/Patient_Handouts\/IPPS\/Content\/Professional-Patients\/Patient_Handouts.aspx\">International Pelvic Pain Society<\/a> &#8211; informa\u00e7\u00e3o sobre dor p\u00e9lvica;<\/p>\n<p>&#8211;<a href=\"https:\/\/www.issm.info\/\">International society for sexual medicine<\/a> &#8211; informa\u00e7\u00e3o sobre disfun\u00e7\u00e3o sexual;<\/p>\n<p>&#8211;<a href=\"https:\/\/www.tightlywoundfilm.com\/\">Tightly wound<\/a> &#8211; informa\u00e7\u00e3o sobre a tem\u00e1tica do vaginismo.<\/p>\n<p>-Comediante que desenvolve stand-up comedy sobre a tem\u00e1tica:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.laughwithoutleaking.com.au\/\">Laugh without leaking<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.gussetgrippers.co.uk\/\">Gusset Grippers<\/a>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com\u2026 Soraia Coelho, Fisioterapeuta Especialista em Reabilita\u00e7\u00e3o P\u00e9lvica e Uroginecol\u00f3gica &nbsp; Percurso\u00a0 Licenciada em Fisioterapia, p\u00f3s graduada em Fisioterapia na Sa\u00fade da Mulher (Escola Superior de Sa\u00fade de Alcoit\u00e3o), mestre em Sexologia (Universidade Lus\u00f3fona). Diversas forma\u00e7\u00f5es na \u00e1rea de Reeduca\u00e7\u00e3o perineal e Pelviperineologia. &nbsp; Entrevista Isabel Freire &nbsp; Data 27 de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[815,36,56],"tags":[303,695,694,691,692,291,693,690],"class_list":["post-8466","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","category-noticias","category-saude-sexual","tag-gravidez","tag-incontinencia-fecal","tag-incontinencia-urinaria","tag-musculatura-pelvica","tag-orgaos-pelvicos","tag-parto","tag-pos-parto","tag-saude-pelvica"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8466"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9188,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8466\/revisions\/9188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}