{"id":8837,"date":"2019-02-01T11:02:07","date_gmt":"2019-02-01T11:02:07","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=8837"},"modified":"2019-03-22T17:08:20","modified_gmt":"2019-03-22T17:08:20","slug":"utentes-de-consultas-de-prep-continuam-a-reportar-hostilidade-e-discursos-moralistas-por-parte-de-clinicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2019\/02\/01\/utentes-de-consultas-de-prep-continuam-a-reportar-hostilidade-e-discursos-moralistas-por-parte-de-clinicos\/","title":{"rendered":"Utentes de consultas de PrEP continuam a reportar hostilidade e discursos moralistas por parte de cl\u00ednicos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_single_image image=&#8221;8839&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; label=&#8221;&#8221;][vc_column_text]<strong>\u00c0<\/strong> <strong>conversa com<\/strong><strong>\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Bruno Maia, M\u00e9dico especialista em Neurologia e Medicina Intensiva, da Unidade Cerebrovascular e\u00a0Laborat\u00f3rio de Neurossonologia do\u00a0Centro Hospitalar Universit\u00e1rio de Lisboa Central<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Percurso<\/strong><\/p>\n<p>Coordenador Hospitalar de Doa\u00e7\u00e3o; m\u00e9dico da\u00a0Viatura M\u00e9dica de Emerg\u00eancia e Reanima\u00e7\u00e3o de Almada; m\u00e9dico no CheckpointLX, centro comunit\u00e1rio dirigido a homens que t\u00eam sexo com homens em Lisboa, onde fez consulta de Infe\u00e7\u00f5es de Transmiss\u00e3o Sexual (2012-2017).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Entrevista<\/strong><\/p>\n<p>Isabel Freire<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><\/p>\n<p>1 de fevereiro de 2019<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>Bruno Maia <\/strong><strong>\u00e9<\/strong> <strong>m<\/strong><strong>\u00e9<\/strong><strong>dico, e uma das vozes que fala mais alto sobre PrEP (Profilaxia de Pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o da Infec\u00e7\u00e3o por VIH), em Portugal. Considera que o conflito entre evid<\/strong><strong>\u00ea<\/strong><strong>ncia e preconceito continua a existir entre profissionais. Muitas vezes de forma n<\/strong><strong>\u00e3<\/strong><strong>o-declarada. <\/strong><strong>Defende que <\/strong><strong>\u00e9<\/strong><strong> priorit<\/strong><strong>\u00e1<\/strong><strong>rio deslocalizar a PrEP para os cuidados de sa<\/strong><strong>\u00fa<\/strong><strong>de prim<\/strong><strong>\u00e1<\/strong><strong>rios e organiza<\/strong><strong>\u00e7\u00f5<\/strong><strong>es comunit<\/strong><strong>\u00e1<\/strong><strong>rias. E que falta informa<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o<\/strong><strong>. As popula<\/strong><strong>\u00e7\u00f5<\/strong><strong>es vulner<\/strong><strong>\u00e1<\/strong><strong>veis de risco acrescido ficam muitas vezes exclu<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>das desta forma de preven<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o. P<\/strong><strong>orque h<\/strong><strong>\u00e1<\/strong> <strong>ainda utentes a comprar PrEP <\/strong><strong>fora do circuito do SNS,<\/strong><strong> criou o <\/strong><a href=\"http:\/\/prep.pt\"><strong>prep.pt<\/strong><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013 H\u00e1 dez anos, come\u00e7\u00e1mos a ouvir falar de Profilaxia P\u00f3s-Exposi\u00e7\u00e3o N\u00e3o Ocupacional (PPENO) ao VIH, em certas esferas medi\u00e1ticas e p\u00fablicas. Esta era, \u00e0 \u00e9poca, uma solu\u00e7\u00e3o controversa. Alguns argumentos apontavam para o risco de poder contribuir para o aumento dos comportamentos sexuais de risco. Este discurso ainda se escuta atualmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 PrEP?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bruno Maia &#8211; <\/strong>Infelizmente sim. Os profissionais de sa\u00fade, especialmente os m\u00e9dicos, ainda misturam muito os seus preconceitos com a sua pr\u00e1tica. Mesmo quando n\u00e3o o fazem explicitamente, isso torna-se evidente \u201catr\u00e1s de portas\u201d, nas conversas de corredor ou nos detalhes do dia a dia. N\u00f3s hoje j\u00e1 sabemos, atrav\u00e9s da experi\u00eancia acumulada, especialmente a Americana, que as pr\u00e1ticas sexuais n\u00e3o assumem mais riscos por causa da PrEP ou qualquer outra estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o \u2013 o que aumenta riscos \u00e9 a aus\u00eancia de estrat\u00e9gias, a aus\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o ou pol\u00edticas de sa\u00fade moralistas que apelam \u00e0 abstin\u00eancia ou culpabilizam as pessoas. Apesar de isto hoje ser t\u00e3o evidente, este conflito entre evid\u00eancia e preconceito continua a existir nos profissionais, muitas vezes de forma n\u00e3o-declarada.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; A profilaxia evoluiu de um paradigma de p\u00f3s exposi\u00e7\u00e3o (PPENO) para a pr\u00e9 exposi\u00e7\u00e3o (PrEP). Que passos foram essenciais neste caminho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211; <\/strong>A ideia da pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o surge, sobretudo, por termos percebido ao longo das 2 \u00faltimas d\u00e9cadas que as novas infec\u00e7\u00f5es por VIH n\u00e3o desapareceram. O que s\u00f3 poderia querer dizer que aquilo que t\u00ednhamos (preservativo, p\u00f3s-exposi\u00e7\u00e3o, tratamento das pessoas com VIH) n\u00e3o chegava para acabar com a epidemia. N\u00f3s j\u00e1 sab\u00edamos desde os anos 90 (atrav\u00e9s de experi\u00eancias em animais), que era poss\u00edvel prevenir a infec\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da toma de antirretrovirais. Estes dois factos criaram, de certa forma, um espa\u00e7o para o aparecimento da PrEP. No entanto, s\u00f3 foi poss\u00edvel implement\u00e1-la (nos EUA) porque desde o in\u00edcio as popula\u00e7\u00f5es-alvo, nomeadamente os homens que t\u00eam sexo com homens, participaram ativamente nos ensaios cl\u00ednicos, na defini\u00e7\u00e3o de prioridades e se organizaram para trazerem a PrEP para as suas comunidades.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; <\/strong>A <strong>profilaxia p\u00f3s exposi\u00e7\u00e3o ainda se pratica? E que certos casos? No de viola\u00e7\u00e3o, por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211;<\/strong> A profilaxia p\u00f3s-exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel em Portugal, em todas as urg\u00eancias hospitalares. Sempre que algu\u00e9m tenha sido exposto a uma situa\u00e7\u00e3o de risco, ela deve ser disponibilizada de imediato, uma vez que quanto mais cedo for iniciada maior \u00e9 a probabilidade de evitar uma infec\u00e7\u00e3o. O contexto em que a pessoa foi exposta n\u00e3o conta para este campeonato \u2013 tenha sido uma viola\u00e7\u00e3o ou sexo consensual, desde que exista risco, a p\u00f3s-exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 indicada. Infelizmente ainda existe muito desconhecimento da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a esta profilaxia. N\u00e3o sendo exclusiva da profilaxia p\u00f3s-exposi\u00e7\u00e3o, essa falta de informa\u00e7\u00e3o pode ter consequ\u00eancias graves: se a infe\u00e7\u00e3o se estabelece teremos mais um utilizador de antirretrovirais para o resto da vida por contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 profilaxia que dura apenas um m\u00eas.<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] temos um longo caminho a percorrer na forma\u00e7\u00e3o dos nossos m\u00e9dicos de fam\u00edlia na \u00e1rea da sa\u00fade sexual. Sem esquecer que tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio dotar estes profissionais de condi\u00e7\u00f5es para exercerem a sua atividade. Ter 15 minutos de consulta por utente n\u00e3o me parece que chegue para abordar todos os aspectos da sa\u00fade daquela pessoa e uma das coisas que acaba por ficar preterida \u00e9 normalmente a sa\u00fade sexual<\/em><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>SPSC &#8211; A PrEP re\u00fane hoje amplo consenso entre os profissionais de sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211; <\/strong>A PrEP re\u00fane hoje amplo consenso cient\u00edfico. Que n\u00e3o existam d\u00favidas sobre isso. O problema \u00e9 que nem sempre isso se traduz em \u201cconsenso\u201d entre os profissionais, precisamente por causa dos preconceitos e ideias feitas dos pr\u00f3prios. N\u00e3o falo do preconceito dos profissionais para \u201cmanchar\u201d a imagem destes, fa\u00e7o-o porque visibilizar esta realidade \u00e9 necess\u00e1rio para a resolver. Varrer os problemas para debaixo do tapete n\u00e3o nos traz qualquer solu\u00e7\u00e3o. Temos tido relatos de v\u00e1rios utentes de consultas de PrEP que falam em hostilidade e discursos moralistas por parte do m\u00e9dico, mesmo sendo estes utentes um grupo de pessoas especialmente bem informadas e atualizadas sobre a sua pr\u00f3pria sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; A \u2018carreira\u2019 da PrEP \u00e9 ainda curta. A Dire\u00e7\u00e3o Geral de Sa\u00fade definiu as regras para a sua implementa\u00e7\u00e3o em 2017. Que apostas lhe parece serem priorit\u00e1rias, no ponto\/momento em que estamos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211; <\/strong>H\u00e1 dois problemas que t\u00eam que ser resolvidos de imediato. O primeiro \u00e9 a exclusividade das consultas de PrEP nos hospitais. As consultas hospitalares j\u00e1 est\u00e3o sobrecarregadas com doentes e com falta de m\u00e9dicos. N\u00e3o nos esque\u00e7amos que a PrEP \u00e9 dirigida a \u201cpessoas saud\u00e1veis\u201d, pouco habituadas \u00e0s rotinas de um hospital e que t\u00eam hor\u00e1rios de trabalho para cumprir. Obrigar estas pessoas a ir \u00e0 farm\u00e1cia hospitalar todos os meses, a uma consulta de 3 em 3 meses, a colher an\u00e1lises de 3 em 3 meses, tudo isto em hor\u00e1rio normal de trabalho, faz com que a maior parte dos potenciais benefici\u00e1rios de PrEP n\u00e3o consigam aceder a ela. Temos que deslocalizar a PrEP para os cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios e organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias rapidamente. O segundo problema \u00e9 a falta de informa\u00e7\u00e3o. E isso \u00e9 um problema sist\u00e9mico em Portugal: a aposta na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade \u00e9 muito fraca. O resultado \u00e9 que s\u00f3 pessoas altamente esclarecidas sobre VIH e sa\u00fade sexual procuram a PrEP. As popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis de risco acrescido ficam muitas vezes exclu\u00eddas desta forma de preven\u00e7\u00e3o. As ONG desta \u00e1rea tentam colmatar esta falha com muito m\u00e9rito mas a verdade \u00e9 que o Estado se demitiu desta tarefa, com consequ\u00eancias \u00f3bvias.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; No mapa do pa\u00eds, s\u00e3o suficientes as consultas a fazer triagem e refer<\/strong><strong>e<\/strong><strong>ncia<\/strong><strong>\u00e7\u00e3o para PrEP, em organiza\u00e7\u00f5<\/strong><strong>es de base comunit<\/strong><strong>\u00e1ria que trabalhem com as ditas \u201cpopula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis com risco acrescido\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211; <\/strong>N\u00e3o. N\u00e3o. N\u00e3o. Na pr\u00e1tica s\u00f3 temos organiza\u00e7\u00f5es de base comunit\u00e1ria com alcance nestas popula\u00e7\u00f5es em Lisboa e timidamente no Porto. Dependemos do sector social, o que significa que s\u00f3 haver\u00e1 interven\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria se aparecerem organiza\u00e7\u00f5es interessadas que se candidatem a financiamento p\u00fablico. Mais uma vez isso \u00e9 uma demiss\u00e3o do Estado das suas responsabilidades. Precisamos de criar servi\u00e7os p\u00fablicos que sirvam o prop\u00f3sito da proximidade a popula\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e esses servi\u00e7os t\u00eam que aprender muito com as ONG que j\u00e1 existem. No caso da PrEP precisamos de migrar as consultas para os centros de sa\u00fade e para os centros de base comunit\u00e1ria.<\/p>\n<h4><em>A profilaxia p\u00f3s-exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel em Portugal, em todas as urg\u00eancias hospitalares. Sempre que algu\u00e9m tenha sido exposto a uma situa\u00e7\u00e3o de risco, deve ser disponibilizada de imediato [&#8230;]. O contexto em que a pessoa foi exposta n\u00e3o conta para este campeonato \u2013 tenha sido uma viola\u00e7\u00e3o ou sexo consensual, desde que exista risco [&#8230;] est\u00e1 indicada.<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC &#8211; Como chegamos a pessoas que t\u00eam comportamentos sexuais desprotegidos com parceiro(s) sexual(is) com estatuto serol\u00f3gico para VIH desconhecido? Imagino que esta seja uma situa\u00e7\u00e3o recorrente, ainda nos nossos dias? <\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211; <\/strong>Aprendendo com o que j\u00e1 fazem com sucesso l\u00e1 fora e olhando para o que j\u00e1 existe em Portugal. Centros comunit\u00e1rios como o CheckpointLX em Lisboa para homens que t\u00eam sexo com homens ou o espa\u00e7o Intendente para trabalhadores do sexo j\u00e1 perceberam como nos aproximamos de determinadas popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis. \u00c9 preciso criar condi\u00e7\u00f5es &#8211; de financiamento, log\u00edsticas, entre outras \u2013 para replicar estas experi\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; O\/a m\u00e9dico\/a de fam\u00edlia est\u00e1 na primeira linha da avalia\u00e7\u00e3o do risco acrescido de exposi\u00e7\u00e3o ao VIH?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211; <\/strong>Claro. O M\u00e9dico de fam\u00edlia deveria ser o centro de qualquer servi\u00e7o de sa\u00fade. Isso significa que temos um longo caminho a percorrer na forma\u00e7\u00e3o dos nossos m\u00e9dicos de fam\u00edlia na \u00e1rea da sa\u00fade sexual. Sem esquecer que tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio dotar estes profissionais de condi\u00e7\u00f5es para exercerem a sua atividade. Ter 15 minutos de consulta por utente n\u00e3o me parece que chegue para abordar todos os aspectos da sa\u00fade daquela pessoa e uma das coisas que acaba por ficar preterida \u00e9 normalmente a sa\u00fade sexual.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; Recentemente, numa primeira consulta, num servi\u00e7o de ginecologia de um hospital p\u00fablico, foi-me perguntado (a par das quest\u00f5es sobre doen\u00e7as na fam\u00edlias, gravidezes, partos) o n\u00famero de parceiros sexuais tidos ao longo da vida. Tratou-se de uma pergunta isolada sobre comportamentos sexuais. Questionei-me. E questionei o profissional de sa\u00fade, acerca da adequa\u00e7\u00e3o da pergunta. Como perguntar, o qu\u00ea, a quem? Isto \u00e9 um assunto f\u00e1cil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211; <\/strong>\u00c9 um assunto em permanente debate. H\u00e1 quem questione, inclusive, a utiliza\u00e7\u00e3o do termo \u201crisco\u201d no contexto da sa\u00fade sexual. Sabemos que n\u00e3o existem situa\u00e7\u00f5es livres de risco a 100% &#8211; a maioria das infe\u00e7\u00f5es por VIH s\u00e3o adquiridas no contexto de relacionamentos est\u00e1veis e tidos como monog\u00e2micos. Quantificar o n\u00famero de parceiros pode ser um exerc\u00edcio f\u00fatil: em que medida \u00e9 que ter 3 parceiros \u00e9 diferente de ter 30? Se essa quantifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o for enquadrada em pr\u00e1ticas espec\u00edficas, n\u00e3o serve de nada. Em \u00faltima an\u00e1lise a sensibilidade e a aus\u00eancia de moralismo do profissional de sa\u00fade \u00e9 fundamental.<\/p>\n<h4><em>Ouvir, informar, aconselhar s\u00e3o obriga\u00e7\u00f5es dos profissionais de sa\u00fade e a forma eficaz para aproximamos as pessoas de uma sa\u00fade sexual mais plena. Dar serm\u00f5es, proibir ou \u201ccastigar\u201d s\u00e3o formas de afastar as pessoas dos servi\u00e7os e s\u00e3o m\u00e1 pr\u00e1tica<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC &#8211; O que sabemos sobre as pr\u00e1ticas do Chemex em Portugal? Que desafios de interven\u00e7\u00e3o colocam \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es que trabalham na referencia\u00e7\u00e3o para PrEP?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211; <\/strong>N\u00e3o sabemos nada porque n\u00e3o est\u00e3o a ser estudadas. Temos dados e experi\u00eancia de Londres que nos podem orientar em determinada dire\u00e7\u00e3o. Claro que temos a nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia nas comunidades de homens que t\u00eam sexo com homens, em Lisboa, que nos diz que h\u00e1 consumos associados ao sexo, que esses consumos s\u00e3o muitas vezes com v\u00e1rias subst\u00e2ncias e que existem pessoas que procuram ajuda por este consumo se ter tornado problem\u00e1tico. A abordagem do chemsex \u00e9 complexa, porque \u00e9 necessariamente multifatorial: tem a ver com sa\u00fade sexual, mas tamb\u00e9m com redu\u00e7\u00e3o de riscos, adi\u00e7\u00f5es, sa\u00fade mental e consentimento. E deveria ter a ver com preven\u00e7\u00e3o: preven\u00e7\u00e3o de IST, preven\u00e7\u00e3o de consumos problem\u00e1ticos, promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; H\u00e1 em Portugal pessoas a fazer PrEP informal, a fazer a terap\u00eautica sem prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, e a comprar a medica\u00e7\u00e3o fora do circuito do SNS? Que riscos temos envolvidos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211; <\/strong>H\u00e1. Eu at\u00e9 h\u00e1 bem pouco tempo era uma dessas pessoas. Enquanto n\u00e3o houve PrEP no SNS eu tinha um grupo informal de pessoas que encomendavam PrEP a um fabricante de gen\u00e9ricos Indiano e que se ajudavam mutuamente com informa\u00e7\u00e3o sobre que testes fazer, aonde recorrer, que sinais de alerta e sintomas poder\u00edamos detetar. Ainda existem alguns destes homens que t\u00eam sexo com homens que o fazem, ou porque est\u00e3o fora de Lisboa e t\u00eam dificuldade em vir a uma consulta, ou porque ainda est\u00e3o em lista de espera para primeira consulta. O problema desta forma \u201calternativa\u201d de PrEP tem riscos importantes, se n\u00e3o for feita com acompanhamento m\u00e9dico: a PrEP, como qualquer outro medicamento, tem riscos associados, nomeadamente de les\u00e3o renal ou \u00f3ssea que devem ser vigiados. Foi para tentar mitigar riscos que em 2015 criei o site prep.pt: para que os medicamentos fossem de empresas de gen\u00e9ricos certificadas, e para que houvesse alguma forma de vigil\u00e2ncia m\u00e9dica nos centros comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p><strong>SPSC &#8211; O que lhe diz a sua experi\u00eancia cl\u00ednica relativamente \u00e0 forma como a terap\u00eautica da PrEP \u00e9 frequentemente entendida pelos\/as pacientes a quem \u00e9 prescrita? <\/strong><\/p>\n<p><strong>BM &#8211; <\/strong>Que \u00e9 facilmente aceite pelos utentes, cuja ades\u00e3o \u00e9 muito elevada. E que al\u00e9m disso a PrEP, em muitos casos foi uma forma de \u201centrada\u201d de algumas destas pessoas num servi\u00e7o de sa\u00fade que disponibiliza informa\u00e7\u00e3o sobre sa\u00fade sexual. E isso permitiu em alguns casos modificar algumas pr\u00e1ticas de risco. Ouvir, informar, aconselhar s\u00e3o obriga\u00e7\u00f5es dos profissionais de sa\u00fade e a forma eficaz para aproximamos as pessoas de uma sa\u00fade sexual mais plena. Dar serm\u00f5es, proibir ou \u201ccastigar\u201d s\u00e3o formas de afastar as pessoas dos servi\u00e7os e s\u00e3o m\u00e1 pr\u00e1tica.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_single_image image=&#8221;8839&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; label=&#8221;&#8221;][vc_column_text]\u00c0 conversa com\u2026 Bruno Maia, M\u00e9dico especialista em Neurologia e Medicina Intensiva, da Unidade Cerebrovascular e\u00a0Laborat\u00f3rio de Neurossonologia do\u00a0Centro Hospitalar Universit\u00e1rio de Lisboa Central &nbsp; Percurso Coordenador Hospitalar de Doa\u00e7\u00e3o; m\u00e9dico da\u00a0Viatura M\u00e9dica de Emerg\u00eancia e Reanima\u00e7\u00e3o de Almada; m\u00e9dico no CheckpointLX, centro comunit\u00e1rio dirigido a homens que t\u00eam sexo com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[815,36,55,56,1],"tags":[780,777,499,778,779,776,775,774,277],"class_list":["post-8837","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","category-noticias","category-noticias-relacionadas","category-saude-sexual","category-variadas","tag-bruno-maia","tag-checkpointlx","tag-chemsex","tag-medicos-de-familia","tag-prep-pt","tag-profilaxia-pos-exposicao","tag-profilaxia-pre-exposicao","tag-vih-prep","tag-violacao"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8837","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8837"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8837\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9141,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8837\/revisions\/9141"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8837"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8837"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8837"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}