{"id":8876,"date":"2019-02-28T10:54:12","date_gmt":"2019-02-28T10:54:12","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=8876"},"modified":"2019-03-21T17:44:09","modified_gmt":"2019-03-21T17:44:09","slug":"a-atracao-do-superfluo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2019\/02\/28\/a-atracao-do-superfluo\/","title":{"rendered":"A atra\u00e7\u00e3o do sup\u00e9rfluo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/mjm.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8880\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/mjm-272x300.png\" alt=\"\" width=\"272\" height=\"300\" \/><\/a>[u<\/p>\n<p><strong>A reflex\u00e3o de&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Maria Jo\u00e3o Martins, jornalista, escritora, professora de Hist\u00f3ria Social da Moda na Universidade Carlos III de Madrid.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Hist\u00f3ria-Social-da-Moda\">Facebook<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Percurso&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Professora na Universidade Carlos III de Madrid. Licenciada e Mestre em Hist\u00f3ria, pela Faculdade de Letras de Lisboa. Trabalhou como jornalista no Di\u00e1rio de Lisboa, seman\u00e1rio Sete, Jornal de Letras, Artes e Ideias, e teve um programa de autor na RDP-Antena 2.\u00a0\u00c9 autora dos ensaios: <em>O Para\u00edso Triste &#8211; A Vida Quotidiana em Portugal durante a II\u00aa Guerra Mundial;<\/em> <em>Hist\u00f3ria da Crian\u00e7a em Portugal e Luanda;<\/em> <em>Inven\u00e7\u00e3o de uma Capital. <\/em>Publicou os romances <em>Escola de Validos<\/em> (Teorema, 2007) e <em>Como o Ar que Respiras <\/em>(Porto Editora, 2012).\u00a0Organiza cursos e workshops sobre Hist\u00f3ria da Moda, em Portugal e em Espanha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><\/p>\n<p>28 de Fevereiro de 2019[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Numa can\u00e7\u00e3o a que chamou \u201cLes Dessous Chics\u201d, Serge Gainsbourg evocava certa liga que \u201clhe estalava na cabe\u00e7a como um par de bofetadas\u201d. Provocador por natureza, o autor de \u201cJe t\u2019aime, moi non plus\u201d, sabia bem do que falava \u2013 o poder simb\u00f3lico de uma pe\u00e7a de lingerie, como o cinto de ligas, que a tecnologia do t\u00eaxtil e os h\u00e1bitos de consumo h\u00e1 muito tinham tornado desnecess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Popularizado pelas mulheres mais sensuais do Cinema \u2013 desde Sofia Loren a Nastassia Kinski \u2013 este acess\u00f3rio marcou a silhueta Belle \u00c9poque, ainda ligado ao espartilho, cumprindo a fun\u00e7\u00e3o de manter as meias bem esticadas e firmes sobre as pernas das senhoras. As burguesas usavam-no no segredo do boudoir, as cortes\u00e3s passeavam-nos nos sal\u00f5es onde recebiam os clientes. Para todas, e provavelmente para os seus homens, funcionava como uma antec\u00e2mara da sedu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com esse papel simb\u00f3lico, o cinto de ligas conheceu o auge da popularidade nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950, quando as novas silhuetas delineadas por Dior e Balenciaga exigiam um suporte \u00edntimo quase arquitet\u00f3nico. Marcas como a La Perla, criada por Ada Masotti em 1954, responderam com soutiens de copas pontiagudas, cintas de meia perna e, uma vez mais, cintos de ligas. Objetivo: disfar\u00e7ar abdomens mais dilatados, definir busto, cintura e gl\u00fateos, sem, no entanto, retirar liberdade de movimentos a essa mulher que, em pleno p\u00f3s II Guerra Mundial, conquistava terreno fora de casa. Com tal capacidade de sugest\u00e3o, o cinto de ligas resistiu mesmo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o de costumes e h\u00e1bitos de consumo da d\u00e9cada de1960, quando o pr\u00eat-\u00e0-porter, a inven\u00e7\u00e3o dos <em>collants<\/em> em fibras econ\u00f3micas como o <em>nylon<\/em>, \u00e0 mistura com as reivindica\u00e7\u00f5es dos movimentos hippies e feministas, o pareciam ter atirado para a gaveta das rel\u00edquias. Tornou-se o sup\u00e9rfluo, a fantasia, o supremo luxo. A apetecida lentid\u00e3o no despir contra a velocidade imposta ao vestir pelo ritmo das manh\u00e3s.<\/p>\n<p>Coube a celebridades como Madonna conferir um segundo f\u00f4lego a lingerie que associar\u00edamos mais a objetos do fetichismo masculino do que a mulheres donas de si, do seu destino e da sua sexualidade. Empresas como a norte-americana Victoria\u2019s Secret e a brit\u00e2nica Agent Provocateur cavalgaram, com total sucesso, esta nova onda. Quem usa os seus sofisticados soutiens e cintos de ligas? Quem \u00e9 o p\u00fablico-alvo das suas car\u00edssimas campanhas publicit\u00e1rias? Uma mulher que, sob o formalismo do tailleur de cada dia, guarda em si um segredo muito especial: o de usar um par de ligas capaz de ecoar na melhor cabe\u00e7a como um par de bofetadas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/nastassia-kinski.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8879\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/nastassia-kinski-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nastassia Kinski, em <span class=\"il\">Maria<\/span>&#8216;s Lover<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/deneuve.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8878\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/deneuve-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><\/a><\/p>\n<p>Catherine Deneuve, em Belle de Jour.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text][u A reflex\u00e3o de&#8230; Maria Jo\u00e3o Martins, jornalista, escritora, professora de Hist\u00f3ria Social da Moda na Universidade Carlos III de Madrid. Facebook &nbsp; Percurso&#8230; Professora na Universidade Carlos III de Madrid. Licenciada e Mestre em Hist\u00f3ria, pela Faculdade de Letras de Lisboa. Trabalhou como jornalista no Di\u00e1rio de Lisboa, seman\u00e1rio Sete, Jornal de Letras, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[816,36,55,1],"tags":[785,784,781,783,788,789,787,782,786],"class_list":["post-8876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-de-opiniao","category-noticias","category-noticias-relacionadas","category-variadas","tag-agent-provocateur","tag-cinto-de-ligas","tag-lingerie","tag-meias-de-nylon","tag-natassia-kinski","tag-serge-gainsbourg","tag-sofia-loren","tag-soutien","tag-victorias-secret"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8876"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9113,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8876\/revisions\/9113"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}