{"id":8925,"date":"2019-03-02T10:21:02","date_gmt":"2019-03-02T10:21:02","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=8925"},"modified":"2019-03-21T17:38:15","modified_gmt":"2019-03-21T17:38:15","slug":"para-uma-noite-livre-de-sexismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2019\/03\/02\/para-uma-noite-livre-de-sexismo\/","title":{"rendered":"Para uma noite livre de sexismo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_Texto-site-sexologia_autoras.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8931\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_Texto-site-sexologia_autoras-286x300.png\" alt=\"\" width=\"286\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Cristiana Pires e Maria Carmo Carvalho<\/strong><\/p>\n<p>Psic\u00f3logas doutoradas em Antropologia e Psicologia, respetivamente. S\u00e3o tamb\u00e9m membros-fundadores da Associa\u00e7\u00e3o Kosmicare. Juntas constituem a equipa de investiga\u00e7\u00e3o do Projeto <a href=\"http:\/\/www.fep.cedh.porto.ucp.pt\/pt\/sexism-free-night\"><em>Sexism Free Night<\/em><\/a> atualmente em curso no CEDH\/Research Centre for Human Development da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data<\/strong><\/p>\n<p>28 de fevereiro de 2019[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Sair \u00e0 noite e usar drogas s\u00e3o dois fen\u00f3menos que cresceram de forma assinal\u00e1vel na sociedade portuguesa nas \u00faltimas d\u00e9cadas, crescimento que nem mesmo o per\u00edodo de crise econ\u00f3mica conseguiu travar. Disso evid\u00eancia \u00e9 o facto de, em pleno per\u00edodo da crise, o valor investido pelos portugueses\/as em sa\u00eddas noturnas ter crescido 5.5%, superando amplamente a despesa investida pelas fam\u00edlias em educa\u00e7\u00e3o no mesmo per\u00edodo (Pordata, 2014). O nosso projeto come\u00e7ou por considerar o significado da participa\u00e7\u00e3o feminina nos ambientes recreativos noturnos e o contexto dos problemas e desafios que afetam, de forma espec\u00edfica, as mulheres que frequentam ambientes de lazer noturno.<\/p>\n<p>Enquanto espa\u00e7os tempo de lazer onde a divers\u00e3o noturna quebra com a rotina da vida quotidiana oferecendo socializa\u00e7\u00e3o e procura ativa de prazer (Goulding &amp; Shankar, 2011), estes ambientes n\u00e3o deixam de reproduzir e por vezes hiperbolizar, por\u00e9m, din\u00e2micas sociais transversais sobre as diferen\u00e7as de g\u00e9nero, idade ou classe (Meashow &amp; \u00d8stergaard, 2009 citado por Gunby, 2016). Assim, e se num momento inicial, a expans\u00e3o do movimento da m\u00fasica eletr\u00f3nica de dan\u00e7a no in\u00edcio dos anos 90 foi entendida como uma oportunidade libertadora para as mulheres que permitiu a sua passagem a participantes de pleno direito nesta cena, contando com maiores liberdades do que as que gozavam noutros contextos de \u00f3cio (Romo, 2004), as desigualdades estruturais de g\u00e9nero n\u00e3o se dissiparam, mas reconfiguraram-se. A massifica\u00e7\u00e3o destes ambientes acabou por acarretar um novo arrastamento das mulheres para pap\u00e9is mais tradicionais, afirmando os homens como figuras centrais enquanto empreendedores, produtores e consumidores culturais. Sinais disto mesmo foram o aumento do consumo de subst\u00e2ncias e sua desideologiza\u00e7\u00e3o, o aumento da viol\u00eancia, e o crescimento da necessidade de seguran\u00e7a que refor\u00e7ou o protagonismo de agentes masculinos (porteiros, seguran\u00e7as, promotores). Este movimento resultou numa progressiva erotiza\u00e7\u00e3o que diminuiu as vantagens da participa\u00e7\u00e3o feminina inicial nestes ambientes (McRobbie, 1993).<\/p>\n<h4><em>Numa fase inicial este projeto procedeu ao diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o portuguesa no que se refere \u00e0 experi\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sexual por pessoas que frequentam ambientes de lazer noturno em Portugal. [&#8230;] Alguns dos resultados preliminares [&#8230;] comprovam que de facto as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sexual, principalmente as de baixa intensidade, s\u00e3o bastante expressivas e prevalentes nestes ambientes em Portugal<\/em><\/h4>\n<p>N\u00e3o tendo, ent\u00e3o, contribu\u00eddo para o equil\u00edbrio das diferen\u00e7as de g\u00e9nero de que outros significados se revestiu a participa\u00e7\u00e3o feminina no lazer noturno? Assegurada que foi a reprodu\u00e7\u00e3o de normas hegem\u00f3nicas de masculinidade e feminilidade acentuou-se uma alarmante desigualdade entre os g\u00e9neros, com as mulheres a enfrentarem in\u00fameras tens\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es potencialmente desempoderadoras: se por um lado \u00e9 expect\u00e1vel que ajam de uma forma \u201cn\u00e3o-prom\u00edscua\u201d, por outro devem apresentar-se de uma forma sexy (Griffen e cols. (2013). Se, por um lado se mant\u00eam algumas tens\u00f5es como a procura de autonomia e o consumo recreativo e social, por outro, o receio da perda de controlo (enquanto se preserva uma atitude feminina) constitui preocupa\u00e7\u00e3o (Lopes et al., 2008). Proliferam desigualdades de g\u00e9nero traduzidas na divulga\u00e7\u00e3o de conte\u00fados sexistas e hiper sexualizados como a \u201cNoite da Mulher\u201d, a publicidade de promo\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel do consumo de bebidas alco\u00f3licas, os dress codes, e os temas musicais com conte\u00fados sexualmente violentos (Gunby et al., 2016). Assim, e ao mesmo tempo que se populariza a cren\u00e7a de que as mulheres que frequentam ambientes recreativos s\u00e3o mais empoderadas e t\u00eam uma maior liberdade sexual, dissemina-se uma defini\u00e7\u00e3o redutora de liberdade sexual, a remeter unicamente para um maior consumo sexual (frequ\u00eancia e n\u00famero de parceiros sexuais), excluindo da defini\u00e7\u00e3o dimens\u00f5es como a experimenta\u00e7\u00e3o de outras pr\u00e1ticas sexuais e a explora\u00e7\u00e3o do prazer feminino (Noctambul@s 2016). Uma maior liberdade sexual \u00e9 confundida com disponibilidade sexual, acessibilidade, pelo que se justificam e legitimam formas de intera\u00e7\u00e3o sexualizadas (com ou sem consentimento). Toques ou outros contactos sexuais de menor intensidade (por exemplo, ro\u00e7ar) tornam-se norma. E apesar de as mulheres aceitarem esses comportamentos como condi\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel para a sua participa\u00e7\u00e3o no lazer noturno, muitas vezes sentem-se zangadas e invadidas na sua privacidade (Gunby et al, 2016).<\/p>\n<p>H\u00e1 j\u00e1 evid\u00eancia sobre a extens\u00e3o destes problemas. Os resultados do Eurobar\u00f3metro da viol\u00eancia com base no g\u00e9nero (TNS Opinion and Social, 2016) revelam que em determinadas situa\u00e7\u00f5es a viol\u00eancia ainda \u00e9 legitimada e justific\u00e1vel por uma franja significativa da popula\u00e7\u00e3o &#8211; cerca de 1 em 5 respondentes (22% a n\u00edvel Europeu e 19% em Portugal) tendem a culpabilizar a v\u00edtima de exagerar nas suas acusa\u00e7\u00f5es e consideram que a viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 frequentemente provocada pela v\u00edtima (17% a n\u00edvel Europeu, 11% em Portugal). Mais do que um quarto dos respondentes consideram que as rela\u00e7\u00f5es sexuais n\u00e3o-consentidas podem ser justific\u00e1veis quando a vitima est\u00e1 embriagada ou sob o efeito de drogas (12% a n\u00edvel Europeu, 19% em Portugal), quando vai para casa com algu\u00e9m voluntariamente a seguir a uma festa ou encontro (11% EU, 15% Portugal), quando veste roupa reveladora (10% EU, 12% Portugal), quando n\u00e3o diz n\u00e3o claramente ou n\u00e3o resiste fisicamente (10% EU, 10% Portugal), quando anda sozinha \u00e0 noite na rua (7% EU; 15% Portugal), ou quando tem m\u00faltiplos parceiros sexuais (7% EU, 13% Portugal).<\/p>\n<h4><em>Neste processo afastamo-nos da abordagem tradicional que toma as mulheres como alvo das interven\u00e7\u00f5es dirigidas a esta problem\u00e1tica e que acabam por reproduzir din\u00e2micas sexistas com a apologia de uma certa \u201cmoralidade de precau\u00e7\u00e3o\u201d [&#8230;], e que assim se arriscam a promover a culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, a promover a re-vitimiza\u00e7\u00e3o de quem j\u00e1 viveu a viol\u00eancia sexual, e que excluem sistematicamente a figura do agressor [&#8230;] &#8211; o \u00fanico respons\u00e1vel pelas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sexual<\/em><\/h4>\n<p>Complementarmente \u00e0 naturaliza\u00e7\u00e3o da mulher frequentadora de ambientes recreativos enquanto potencial v\u00edtima de v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es no espectro de viol\u00eancia sexual assiste-se \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o do comportamento do agressor. O seu comportamento \u00e9 frequentemente desculpabilizado por via do escrut\u00ednio do comportamento da v\u00edtima e sob pretexto de uma hipersensibilidade masculina que se traduz numa menor capacidade de resistir aos impulsos sexuais (Noctambul@s, 2017). Em caso de agress\u00e3o sexual esta desigualdade traduz-se tamb\u00e9m na culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima que \u201cse p\u00f4s a jeito\u201d ou n\u00e3o se protegeu o suficiente.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto de normaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sexual e do ass\u00e9dio sobre as mulheres que frequentam ambientes recreativos noturnos que o projeto Sexism Free Night encontra a sua motiva\u00e7\u00e3o. O <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/SexismFreeNight\/\">projeto<\/a> \u00e9 levado a cabo pelo <a href=\"http:\/\/www.fep.cedh.porto.ucp.pt\/en\/cedh-projects?nid=18883&amp;token=4e8e81dd981aafddfe6d22b0aea4f9ad\">CEDH &#8211; Research Centre for Human Development da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<\/a> , \u00e9 financiado pelo programa POISE, Portugal 2020 e Fundo Social Europeu (POISE-03-4437-FSE-000127) e tem a parceria estrat\u00e9gica da <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/akosmicare\/\">Associa\u00e7\u00e3o Kosmicare<\/a>, do Observat\u00f3rio Noct@mbulas e da C\u00e2mara Municipal do Porto. Este projeto surge com o objetivo produzir conhecimento sobre as intersec\u00e7\u00f5es entre a viol\u00eancia sexual, a frequ\u00eancia de ambientes recreativos noturnos e o consumo de subst\u00e2ncias psicoativas entre pessoas que saem \u00e0 noite em Portugal, intervindo com o objetivo de promover a cria\u00e7\u00e3o de um roteiro de lazer noturno mais seguro e igualit\u00e1rio na cidade do Porto. Numa fase inicial este projeto procedeu ao diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o portuguesa no que se refere \u00e0 experi\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sexual por pessoas que frequentam ambientes de lazer noturno em Portugal. O question\u00e1rio online utilizado foi traduzido e adaptado a partir do question\u00e1rio originalmente concebido pelo projeto catal\u00e3o Observat\u00f3rio Noctambul@s. Este instrumento permitiu a recolha de dados de uma amostra de n=550 participantes que partilharam connosco as suas experi\u00eancias de vitima\u00e7\u00e3o, testemunho e agress\u00e3o sexual em ambientes recreativos noturnos. Os resultados constituem n\u00e3o s\u00f3 um esfor\u00e7o pioneiro na caracteriza\u00e7\u00e3o deste fen\u00f3meno no nosso pais, como tornar\u00e3o poss\u00edvel uma an\u00e1lise comparada com aquele outro contexto geogr\u00e1fico. Alguns dos resultados preliminares resultantes do instrumento est\u00e3o j\u00e1 dispon\u00edveis atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de uma factsheet concebida especialmente para a dissemina\u00e7\u00e3o de evid\u00eancia mais saliente (<strong>imagem 1, ver no final do artigo<\/strong>), e comprovam que de facto as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sexual, principalmente as de baixa intensidade, s\u00e3o bastante expressivas e prevalentes nestes ambientes em Portugal.<\/p>\n<h4><em>Uma maior liberdade sexual \u00e9 confundida com disponibilidade sexual, acessibilidade, pelo que se justificam e legitimam formas de intera\u00e7\u00e3o sexualizadas (com ou sem consentimento). Toques ou outros contactos sexuais de menor intensidade (por exemplo, ro\u00e7ar) tornam-se norma. E apesar de as mulheres aceitarem esses comportamentos como condi\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel para a sua participa\u00e7\u00e3o no lazer noturno, muitas vezes sentem-se zangadas e invadidas na sua privacidade<\/em><\/h4>\n<p>O este projeto uma proposta multicomponente que procura apoiar a transi\u00e7\u00e3o para ambientes de lazer noturno mais seguros e igualit\u00e1rios com o objetivo de dar visibilidade aos\/\u00e0s empres\u00e1rios\/as e produtores\/as culturais que se apresentam comprometidos com a oferta de um lazer mais seguro e igualit\u00e1rio na noite da invicta. Neste processo afastamo-nos da abordagem tradicional que toma as mulheres como alvo das interven\u00e7\u00f5es dirigidas a esta problem\u00e1tica e que acabam por reproduzir din\u00e2micas sexistas com a apologia de uma certa \u201cmoralidade de precau\u00e7\u00e3o\u201d (Burges et al, 2009 citado por Gunby et al., 2016), e que assim se arriscam a promover a culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, a promover a re-vitimiza\u00e7\u00e3o de quem j\u00e1 viveu a viol\u00eancia sexual, e que excluem sistematicamente a figura do agressor (Andric, 2012; Warren, 2015; Gunby et al., 2016) &#8211; o \u00fanico respons\u00e1vel pelas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sexual. As metodologias selecionadas neste processo s\u00e3o todas elas de cariz participativo incluindo a educa\u00e7\u00e3o informal, a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-formal e a preven\u00e7\u00e3o ambiental (ou seja, a orienta\u00e7\u00e3o para estrat\u00e9gias que visam a modifica\u00e7\u00e3o dos ambientes culturais, sociais, f\u00edsicos e econ\u00f3micos que podem influenciar os comportamentos individuais) (OEDT, 2011; Carvalho, 2016). Para oferecer ambientes de lazer noturno mais seguros e igualit\u00e1rios apostamos no envolvimento de empres\u00e1rios\/as, trabalhadores\/as, Dj e produtores\/as culturais \u00e0 ligados\/as \u00e0 divers\u00e3o noturna com este objetivo de promover a transi\u00e7\u00e3o para uma noite n\u00e3o-sexista. Nesse sentido vai ser feito um trabalho conjunto com os\/as propriet\u00e1rios\/as ou gerentes dos estabelecimentos de lazer noturno que aderiram a esta iniciativa de forma a que contemplem a igualdade de g\u00e9nero e a preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sexual nas suas pol\u00edticas da casa, evitando o uso de conte\u00fados sexistas para a promo\u00e7\u00e3o dos seus eventos ou produtos. Paralelamente est\u00e3o previstas a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edficas, inspiradas em metodologias de interven\u00e7\u00e3o <em>bystander, <\/em>que pretendem capacitar os\/as profissionais (bartenders, seguran\u00e7as, etc.) que trabalham nos estabelecimentos aderentes, para sinalizarem e intervirem\/interromperem de forma n\u00e3o-violenta situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio ou abuso sexual ou outros tipos de viol\u00eancia de g\u00e9nero, promovendo-se tamb\u00e9m a implementa\u00e7\u00e3o de um atendimento n\u00e3o-discriminat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Como forma de reconhecer e dar visibilidade ao comprometimento com a promo\u00e7\u00e3o de um ambiente noturno mais seguro e igualit\u00e1rio, os estabelecimentos aderentes ir\u00e3o receber a sinal\u00e9tica \u201cLivre de Sexismo\u201d <strong>(Imagem 2<\/strong>), com o objetivo de criar um roteiro de noite igualit\u00e1ria na cidade do Porto. No esfor\u00e7o de envolver os\/as v\u00e1rios\/as intervenientes no lazer noturno, Dj\u2019s e produtores\/as de v\u00e1rios g\u00e9neros e estilos musicais est\u00e3o tamb\u00e9m a aderir a esta iniciativa disponibilizando um conte\u00fado musical e uma mensagem igualit\u00e1ria para serem partilhadas nas redes sociais (#ZonaFunParaTodxs). Adicionalmente, sendo que os principais produtos comercializados em ambientes s\u00e3o bebidas alco\u00f3licas e tendo em conta que a literatura relaciona o consumo excessivo desta subst\u00e2ncia psicoativa a v\u00e1rias formas de viol\u00eancia de g\u00e9nero, foi proposto um workshop com as equipas de comunica\u00e7\u00e3o a trabalhar para empresas de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o e bebidas alco\u00f3licas em Portugal. O principal objetivo desta a\u00e7\u00e3o \u00e9 discutir o papel da publicidade na perpetua\u00e7\u00e3o de normas hegem\u00f3nicas de g\u00e9nero que d\u00e3o substrato a formas de viol\u00eancia que afetam desproporcionalmente as mulheres, enquanto se discute e pensa nos requisitos necess\u00e1rios para a cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fados publicit\u00e1rios n\u00e3o sexistas.<\/p>\n<h4><em>[&#8230;] viol\u00eancia ainda \u00e9 legitimada e justific\u00e1vel por uma franja significativa da popula\u00e7\u00e3o &#8211; cerca de 1 em 5 respondentes (22% a n\u00edvel Europeu e 19% em Portugal) tendem a culpabilizar a v\u00edtima de exagerar nas suas acusa\u00e7\u00f5es e consideram que a viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 frequentemente provocada pela v\u00edtima (17% a n\u00edvel Europeu, 11% em Portugal)<\/em><\/h4>\n<p>Finalmente, tendo em conta que as principais intervenientes nas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sexual em ambientes de lazer noturno s\u00e3o as pessoas que a frequentam, o projeto prev\u00ea tamb\u00e9m a implementa\u00e7\u00e3o de uma campanha de sensibiliza\u00e7\u00e3o que prev\u00ea a disponibiliza\u00e7\u00e3o de 3 tipos diferentes de materiais informativos &#8211; um dirigido a potenciais vitimas (<strong>Imagem 3<\/strong>), outro a potenciais agressores (<strong>imagem 4<\/strong>) e outro a espetadores\/as (<strong>imagem 5<\/strong>). Estes materiais disponibilizam conte\u00fados informativos que pretendem empoderar potenciais v\u00edtimas, desincentivar ou reprovar o comportamento de potenciais agressores e motivar as pessoas que assistem a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia a reagirem e interromper a situa\u00e7\u00e3o de forma n\u00e3o-violenta.<\/p>\n<p>Finalmente, para al\u00e9m de outras a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-formal, vai ser constru\u00eddo e proposto \u00e0 C\u00e2mara Municipal do Porto um protocolo de Atua\u00e7\u00e3o em Viol\u00eancias Sexistas associadas ao lazer noturno da cidade, de forma a envolver o munic\u00edpio no esfor\u00e7o aumentar o alcance e garantir a sustentabilidade do trabalho implementado.<\/p>\n<p>Sublinhamos, por fim, que este \u00e9 um projeto-piloto e o primeiro em Portugal que trabalha de forma consertada sobre a viol\u00eancia sexual intercecionada com a frequ\u00eancia de ambientes de lazer noturno e o consumo de subst\u00e2ncias psicoativas. Nesta medida o projeto junta-se aos esfor\u00e7os j\u00e1 implementado por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que, em Portugal, t\u00eam vindo a trabalhar para desconstruir desigualdades de g\u00e9nero estruturais que ainda persistem em todas as esferas da vida humana e contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais igualit\u00e1ria e segura para todos\/as.<\/p>\n<p><strong>Imagem 1<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_Texto-Site-Sexologia_Imagem-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8926\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_Texto-Site-Sexologia_Imagem-1-212x300.png\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Imagem 2<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_Texto-site-sexologia_imagem-2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8927\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_Texto-site-sexologia_imagem-2-300x145.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"145\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Imagem 3<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_texto-site-sexologia_imagem-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8928\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_texto-site-sexologia_imagem-3-227x300.jpg\" alt=\"\" width=\"227\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Imagem 4<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_Texto-site-sexologia_Imagem-4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8929\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_Texto-site-sexologia_Imagem-4-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Imagem 5<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_Texto-site-sexologia_Imagem-5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8930\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/2019_POISE_Texto-site-sexologia_Imagem-5-226x300.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>Andric, A. (2012). When anti-drinking campaigns become victim blaming campaigns, Lip Magazine. Dispon\u00edvel online em: http:\/\/lipmag.com\/culture\/when-anti-drinking-campaigns-become-victim-blaming- campaigns\/<\/p>\n<p>Goulding, C. &amp; Shankar, A. (2011). Club culture, neotribalism and ritualised behaviour. Annals of Tourism Research, 38(4): 1435-1453.<\/p>\n<p>Gunby, C., Carline, A. &amp; Taylor, S. (2016). Location, Libation and Leisure: An examination of the use of licensed venues to help challenge sexual violence. SAGE Publications. Dispon\u00edvel no endere\u00e7o: https:\/\/lra.le.ac.uk\/handle\/2381\/37256 . [Consultado em: 17\/04\/2017]<\/p>\n<p>Lopes, J.T. (coord.), Boia, P., Ferro, L. &amp; Guerra, P. (2010). G\u00e9nero e M\u00fasica de Dan\u00e7a. Experi\u00eancias, Percursos e &#8220;Retratos&#8221; de Mulheres Clubbers. Lisboa: Comiss\u00e3o para a Cidadania e a Igualdade de G\u00e9nero.<\/p>\n<p>McRobbie, A. (1993). Shut up and dance: youth culture and changing modes of femininity. Young, (1)13, 13-31.<\/p>\n<p>Noctambul@s (2016), Informe 2014\/2015. Fund\u00e1cion Salud y Comunidad. Dispon\u00edvel no endere\u00e7o: http:\/\/www.drogasgenero.info\/noctambulas\/informes\/#fb1=1. [Consultado em: 04\/04\/2017].<\/p>\n<p>Noctambul@s (2017), Tercer Informe Anual 2015\/2016. Dispon\u00edvel online em: http:\/\/www.drogasgenero.info\/noctambulas\/informes\/#fb1=1. [Consultado em: 10\/04\/2017].<\/p>\n<p>Observat\u00f3rio Europeu das Drogas e Depend\u00eancias [OEDT](2011) European drug prevention quality standards. Luxembourg: Publications Office of the European Union.<\/p>\n<p>Pordata (2014). Conhecer a crise. Obtido de: http:\/\/www.pordata.pt\/Pesquisa\/Lazer.<\/p>\n<p>Romo, N. (2001). G\u00e9nero y etnograf\u00eda entre personas usuarias de drogas: el caso del \u201cext\u00e1sis\u201d en la \u201ccultura del baile\u201d. Trabajo social y salud, 39, 321-332.<\/p>\n<p>TNS Opinion &amp; Social (2016) Special Eurobarometer Report 449: Gender-based violence, Directorate-General for Communication of European Commission. Dispon\u00edvel no endere\u00e7o: http:\/\/ec.europa.eu\/COMMFrontOffice\/publicopinion\/index.cfm\/Survey\/getSurveyDetail\/instruments\/SPE CIAL\/surveyKy\/2115. [Consultado em: 12\/03\/2017]<\/p>\n<p>Warren, R. (2015). We asked an expert what was wrong with these anti rape posters, BuzzFeedNews. Dispon\u00edvel no endere\u00e7o: https:\/\/www.buzzfeed.com\/rossalynwarren\/we-asked-an-expert-what-was- wrong-with-these-anti-rape-poste?utm_term=.ocvNPq1Pj#.moGG8w98k. \u00a0[Consultado em: 15\/04\/2017].[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] Cristiana Pires e Maria Carmo Carvalho Psic\u00f3logas doutoradas em Antropologia e Psicologia, respetivamente. 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Juntas constituem a equipa de investiga\u00e7\u00e3o do Projeto Sexism Free Night atualmente em curso no CEDH\/Research Centre for Human Development da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa. &nbsp; Data 28 de fevereiro de 2019[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]Sair \u00e0 noite [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[816,57,36,55,56],"tags":[260,798,280,799,795,797,258,796],"class_list":["post-8925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-de-opiniao","category-cidadania-da-sexualidade","category-noticias","category-noticias-relacionadas","category-saude-sexual","tag-agressor-sexual","tag-consentimento","tag-direitos-humanos","tag-sexism-free-night","tag-sexismo","tag-sobrevivente","tag-violencia-sexual","tag-vitima"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8925"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9110,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8925\/revisions\/9110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}