{"id":8956,"date":"2019-03-08T12:48:41","date_gmt":"2019-03-08T12:48:41","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=8956"},"modified":"2019-03-21T17:34:36","modified_gmt":"2019-03-21T17:34:36","slug":"a-agressao-sexual-a-entrevista-forense-e-a-ligacao-entre-ciencia-e-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2019\/03\/08\/a-agressao-sexual-a-entrevista-forense-e-a-ligacao-entre-ciencia-e-justica\/","title":{"rendered":"A entrevista com v\u00edtimas e com agressores sexuais e a liga\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Cristina_Soeiro2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8957\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Cristina_Soeiro2-284x300.png\" alt=\"\" width=\"284\" height=\"300\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c0 conversa com&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Cristina Soeiro, psic\u00f3loga forense, professora associada do Instituto Universit\u00e1rio Egas Moniz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Percurso<\/strong><\/p>\n<p>Doutorada em psicologia na \u00e1rea da justi\u00e7a e mestre em sociologia. Integra a Escola de Pol\u00edcia Judici\u00e1ria desde 1990; coordena a Licenciatura em Psicologia e o Mestrado em Psicologia Forense e Criminal no Instituto Universit\u00e1rio Egas Moniz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Entrevista<\/strong><\/p>\n<p>Isabel Freire<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Data <\/strong><\/p>\n<p>8 de Mar\u00e7o de 2019[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]<strong>Cristina Soeiro, especialista em psicologia forense a trabalhar desde 1990 na Escola de Pol\u00edcia Judici\u00e1ria, fala-nos da forma\u00e7\u00e3o de profissionais para a realiza\u00e7\u00e3o de entrevistas com agressores e com v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual, deixa refer\u00eancias de recomenda\u00e7\u00f5es internacionais para reduzir o impacto traum\u00e1tico desta recolha de informa\u00e7\u00e3o junto de sobreviventes, e lembra a import\u00e2ncia da coordena\u00e7\u00e3o entre entidades que interv\u00e9m nestes processos. \u201cNos crimes sexuais a v\u00edtima \u00e9 a \u2018testemunha\u2019 principal, e por vezes a \u00fanica\u201d. A liga\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e justi\u00e7a precisa ser pr\u00f3xima e produtiva.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sociedade Portuguesa de Sexologia Cl\u00ednica \u2013 Falamos hoje em \u2018v\u00edtima\/sobrevivente\u2019 para designar pessoas que passaram por situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sexual. Esta conceptualiza\u00e7\u00e3o corresponde a um paradigma novo da vitimologia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cristina Soeiro \u2013<\/strong> Esta conceptualiza\u00e7\u00e3o corresponde a uma evolu\u00e7\u00e3o da vitimologia como ci\u00eancia. Define v\u00edtima como \u201ca pessoa que sofre um dano, cuja exist\u00eancia \u00e9 conhecida por todos e do qual a pessoa nem sempre est\u00e1 consciente\u201d. Desta perspectiva surgem aspetos muito importantes como o desenvolvimento de uma dimens\u00e3o interventiva (apoio social, jur\u00eddico e psicol\u00f3gico). Esta conceptualiza\u00e7\u00e3o \u00e9 centrada na viol\u00eancia e nas v\u00edtimas individuais. Trata-se de uma concep\u00e7\u00e3o individualista da cidadania. Exclui formas mais coletivas de vitima\u00e7\u00e3o (crimes ecol\u00f3gicos, contra a propriedade, outros). A nova conceptualiza\u00e7\u00e3o da vitimologia como ci\u00eancia, que tem vindo a ganhar espa\u00e7o, \u00e9 centrada nos Direitos Humanos e procura responder \u00e0s seguintes quest\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>Qual o impacto dos fen\u00f3menos na dignidade e direitos dos cidad\u00e3os?<\/li>\n<li>Em que medida a vitima\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica, direitos humanos e paz social?<\/li>\n<li>Como promover o conhecimento da realidade criminal (inqu\u00e9ritos de vitima\u00e7\u00e3o) e desenvolvimento de uma teoria explicativa do crime?<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>SPSC \u2013 Qual \u00e9 para si a \u2018regra de ouro\u2019 numa entrevista a crian\u00e7as\/jovens v\u00edtimas\/sobreviventes de abuso sexual intrafamiliar? <\/strong><\/p>\n<p><strong>CS \u2013<\/strong> Em primeiro lugar a escolha de uma t\u00e9cnica de entrevista adequada para ajudar a v\u00edtima a fazer a revela\u00e7\u00e3o da agress\u00e3o sexual. A entrevista cognitiva tem-se revelado adequada neste tipo de crime, considerando vari\u00e1veis como idade, grupo social ou grau de viol\u00eancia envolvido. Reduz a revitima\u00e7\u00e3o eventualmente associada \u00e0s situa\u00e7\u00f5es em que a v\u00edtima tem que descrever os fatos associados \u00e0 agress\u00e3o sexual. Depois de selecionada a t\u00e9cnica, \u00e9 fundamental a prepara\u00e7\u00e3o dos profissionais que v\u00e3o intervir junto destas v\u00edtimas. Devem existir dois n\u00edveis de forma\u00e7\u00e3o para estes profissionais: uma inicial (de car\u00e1cter pr\u00e1tico, com estudos de caso); e outra de reciclagem (com discuss\u00e3o de casos). Para al\u00e9m da prepara\u00e7\u00e3o profissional, \u00e9 fundamental criar salas adequadas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o das entrevistas, cumprindo normas como privacidade, conforto e seguran\u00e7a. Regressando \u00e0 entrevista, uma das linhas orientadoras \u00e9 que se realize sem a presen\u00e7a dos familiares (que devem ser informados da import\u00e2ncia deste aspeto), para que possa criar-se um espa\u00e7o promotor da revela\u00e7\u00e3o da agress\u00e3o. Outro ponto importante \u00e9 a designa\u00e7\u00e3o das entidades que devem fazer entrevista, para que a v\u00edtima n\u00e3o tenha de contar repetidamente os fatos violentos de que foi alvo. Isto implica trabalho em rede entre as entidades que interv\u00e9m no contexto da agress\u00e3o sexual (pol\u00edcias, hospitais, CPCJ, escolas, tribunais, minist\u00e9rio p\u00fablico).<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que tem\u00e1ticas devem ser integradas na forma\u00e7\u00e3o dos profissionais que lidam com este tipo de problem\u00e1tica ?<\/strong><\/p>\n<p>Aspetos legais associados \u00e0 criminalidade sexual; estatuto da v\u00edtima; contexto das v\u00edtimas (tipologia de v\u00edtimas, fatores de risco e t\u00e9cnicas de entrevista forense); contexto do agressor (perfis criminais e t\u00e9cnicas de interrogat\u00f3rio); criminalidade sexual online; e gest\u00e3o de <em>stress<\/em> em contexto profissional.<\/p>\n<h4><em>Existe um conjunto de problemas que t\u00eam que ser geridos na recolha de informa\u00e7\u00e3o sobre os atos violentos. O funcionamento da mem\u00f3ria pode falhar. O incidente pode ter sito t\u00e3o traum\u00e1tico que a pessoa tem dificuldade em recuperar a informa\u00e7\u00e3o. A testemunha considera determinado tipo de detalhes t\u00e3o triviais que n\u00e3o os vai referir. A testemunha n\u00e3o utiliza os melhores m\u00e9todos na recupera\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 Que efeitos a entrevista forense tem regularmente (ou pode ter) numa crian\u00e7a\/jovem v\u00edtima\/sobrevivente de viol\u00eancia sexual?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CS \u2013<\/strong> Existem protocolos ou <em>guidelines<\/em> para contexto forense, que podem ser utilizados pelos diferentes profissionais do sistema de justi\u00e7a (pol\u00edcias, magistrados, psic\u00f3logos, outros). Baseiam-se num alargado trabalho de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e alguns foram desenvolvidos para casos de v\u00edtimas de agress\u00e3o sexual:<\/p>\n<ul>\n<li>Child-Adapted version of Cognitive Interview (Fisher &amp; Geiselman, 1992);<\/li>\n<li>StepWise Interview (Yuille, Hunter, Joffe &amp; Zaparniuk, 1993);<\/li>\n<li>Memorandum of Good Practice (Davies &amp; Wetcott, 1999);<\/li>\n<li>National Institute of Child Health and Human Development Protocol (NICHD) (Lamb, La Rooy Malloy &amp;Katz, 2011);<\/li>\n<li>Narrative Elaboration Technique (NET) ( Saywitz &amp; Camparo, 2013);<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estes instrumentos visam reduzir o impacto da revela\u00e7\u00e3o. Pretendem que a entrevista forense seja incorporada pela v\u00edtima como algo que a ajuda a resolver o problema em que est\u00e1 envolvida. Centram-se na redu\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o, que pode resultar das caracter\u00edsticas e comportamento do entrevistador, evitando um contexto de revitima\u00e7\u00e3o. V\u00e1rios fatores, articulados entre si, promovem maior efic\u00e1cia da entrevista.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Como se pode diminuir em concreto o impacto traum\u00e1tico da entrevista nas v\u00edtimas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CS \u2013<\/strong> A entrevista deve garantir o menor impacto traum\u00e1tico para a v\u00edtima e ao mesmo tempo recolher a informa\u00e7\u00e3o de forma precisa e completa. \u00c9 um procedimento frequente para os profissionais. Mas \u00e9 um \u201cacontecimento de vida\u201d, muitas vezes traum\u00e1tico para a v\u00edtima. A postura do entrevistador deve ser neutral e objetiva. A v\u00edtima n\u00e3o deve ser entrevistada v\u00e1rias vezes ao longo do processo. V\u00e1rias linhas orientadoras devem ser consideradas para diminuir o impacto traum\u00e1tico da entrevista: avaliar e considerar o n\u00edvel de desenvolvimento da v\u00edtima; identificar e recorrer ao seu tipo de linguagem; identificar as suas no\u00e7\u00f5es de tempo, espa\u00e7o; identificar a compreens\u00e3o que a testemunha possui sobre os contextos sociais e sexuais; identificar que ideia possui sobre a verdade e a mentira; identificar e respeitar o contexto cultural da testemunha; identificar poss\u00edveis defici\u00eancias. Nos crimes sexuais a v\u00edtima \u00e9 a \u201ctestemunha\u201d principal, e por vezes a \u00fanica.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Quais os limites para trabalhar o que a v\u00edtima esqueceu, as mem\u00f3rias rasuradas? <\/strong><\/p>\n<p><strong>CS \u2013<\/strong> Recorrer \u00e0 teoria da mem\u00f3ria e investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como base para a elabora\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de entrevista, ajuda os profissionais a obter mais e melhor informa\u00e7\u00e3o, com impacto menos negativo da sua rela\u00e7\u00e3o com a v\u00edtima. \u00c9 importante perceber que um acontecimento \u00e9 reconstru\u00eddo atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o armazenada na mem\u00f3ria e do nosso conhecimento sobre o mundo. Existe um conjunto de problemas que t\u00eam que ser geridos na recolha de informa\u00e7\u00e3o sobre os atos violentos. O funcionamento da mem\u00f3ria pode falhar. O incidente pode ter sito t\u00e3o traum\u00e1tico que a pessoa tem dificuldade em recuperar a informa\u00e7\u00e3o. A testemunha considera determinado tipo de detalhes t\u00e3o triviais que n\u00e3o os vai referir. A testemunha n\u00e3o utiliza os melhores m\u00e9todos na recupera\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. Devido a especificidades associadas ao funcionamento da mem\u00f3ria, as t\u00e9cnicas de entrevista forense definem formas de questionamento que recorrem ao relato livre e perguntas abertas.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Das entrevistas que realizou a agressores\/as sexuais, qual representou um desafio mais complexo para si, porqu\u00ea, e o que percebeu de mais relevante, a posteriori, sobre esse problema?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CS \u2013<\/strong> O maior desafio foi conseguir abarcar a heterogeneidade destes agressores, em termos das dimens\u00f5es explicativas da agress\u00e3o sexual, que se refletem na defini\u00e7\u00e3o complexa das tipologias destes indiv\u00edduos. Esta heterogeneidade reflete-se na defini\u00e7\u00e3o de metodologias usadas na avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica forense e na interven\u00e7\u00e3o e tratamento. Obrigou-me a um trabalho mais detalhado de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica diferenciando grupos de agressores sexuais (abuso sexual de crian\u00e7as e adolescentes, viola\u00e7\u00e3o, agress\u00e3o sexual online, outros). Partindo da defini\u00e7\u00e3o das diferentes tipologias, obtemos linhas orientadoras para o processo de avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica forense (por exemplo, a avalia\u00e7\u00e3o de risco de viol\u00eancia para fins de elabora\u00e7\u00e3o de per\u00edcias psicol\u00f3gicas para tribunal). As caracter\u00edsticas destes agressores obrigam muitas vezes \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica sobre o formato de heteroavalia\u00e7\u00e3o, que dependem do recurso a um gui\u00e3o de entrevista estruturado e consulta de informa\u00e7\u00e3o colateral, para se conseguir realizar a avalia\u00e7\u00e3o de risco de reincid\u00eancia da viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 O que \u00e9 mais complexo na condu\u00e7\u00e3o de uma entrevista desta natureza?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CS \u2013 <\/strong>O protocolo de entrevista deve ser adequado ao contexto forense. Deve ser promotor da recolha de informa\u00e7\u00e3o sobre fatores de risco de viol\u00eancia e viol\u00eancia sexual. A recolha destes dados \u00e9 fundamental para o diagn\u00f3stico das necessidades crimin\u00f3genas e para a gest\u00e3o do risco, e portanto na defini\u00e7\u00e3o de programas de interven\u00e7\u00e3o espec\u00edficos para este tipo de agressores. Esta entrevista deve sempre ser complementada com a consulta de informa\u00e7\u00e3o colateral (processo crime, outros relat\u00f3rios periciais, relat\u00f3rio sobre indicadores de vitima\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<h4><em>V\u00e1rias linhas orientadoras devem ser consideradas para diminuir o impacto traum\u00e1tico da entrevista: avaliar e considerar o n\u00edvel de desenvolvimento da v\u00edtima; identificar e recorrer ao seu tipo de linguagem; identificar as suas no\u00e7\u00f5es de tempo, espa\u00e7o; identificar a compreens\u00e3o que a testemunha possui sobre os contextos sociais e sexuais; identificar que ideia possui sobre a verdade e a mentira; identificar e respeitar o contexto cultural da testemunha; identificar poss\u00edveis defici\u00eancias<\/em><\/h4>\n<p><strong>SPSC \u2013 Quais as compet\u00eancias essenciais que o\/a entrevistador\/a necessita desenvolver?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CS \u2013<\/strong> Prepara\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da Psicologia Forense e que implica conhecimentos cient\u00edficos sobre o comportamento criminal; dom\u00ednio e forma\u00e7\u00e3o para aplica\u00e7\u00e3o de instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica espec\u00edficos da \u00e1rea forense (instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o de risco), forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da psicopatologia; conhecimentos da componente legal; respeito pelos princ\u00edpios \u00e9ticos e deontol\u00f3gicos.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Em Portugal (ou no mundo) conhece alguma experi\u00eancia exemplar de interven\u00e7\u00e3o\/tratamento com reclusos\/as agressores\/as sexuais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CS \u2013<\/strong> No mundo existem j\u00e1 alguns programas de tratamento orientados para agressores que cometeram crimes violentos e existem programas de tratamento espec\u00edficos para alguns tipos de agressores sexuais. Os modelos de tratamento que possuem melhores resultados em termos de controlo de futuras situa\u00e7\u00f5es de agress\u00e3o sexual s\u00e3o de base cognitiva-comportamental. Devemos no entanto ter presente que na agress\u00e3o sexual possu\u00edmos um grupo heterog\u00e9neo de agressores e em alguns casos estas abordagens s\u00e3o possuem grande efic\u00e1cia. \u00c9 por isso uma \u00e1rea que integra muita investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para se dar resposta \u00e0 complexidade inerente \u00e0 interven\u00e7\u00e3o neste tipo de agressores.<\/p>\n<p>Em Portugal existe um trabalho a ser desenvolvido em mat\u00e9ria de programa de interven\u00e7\u00e3o e tratamento em agressores sexuais. As respostas s\u00e3o ainda muito espec\u00edficas. H\u00e1 trabalhos a ser realizados em contexto universit\u00e1rio e existe j\u00e1 um programa a ser aplicado nas pris\u00f5es portuguesas, promovido pela Dire\u00e7\u00e3o Geral de Reinser\u00e7\u00e3o e Servi\u00e7os Prisionais.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 Fala-se hoje mais de abuso sexual a crian\u00e7as\/jovens por padres, e do encobrimento ou da n\u00e3o den\u00fancia destes crimes por parte da Igreja, \u00e0s autoridades. J\u00e1 entrevistou algum cl\u00e9rigo agressor sexual? H\u00e1 tipologias recorrentes neste quadro de viol\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CS \u2013<\/strong> J\u00e1 fiz uma per\u00edcia e foi importante analisar o que resulta da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre este contexto. N\u00e3o se pode definir que existe uma tipologia espec\u00edfica. Aplicam-se as particularidades que est\u00e3o associadas a outros grupos profissionais que tamb\u00e9m surgem no contexto da agress\u00e3o sexual (professores, cuidadores, outros). Importa ter presente fatores de risco est\u00e1ticos (associados \u00e0 hist\u00f3ria de vida e caracter\u00edsticas pessoais\/sociais) e din\u00e2micos (trabalhar em contextos pr\u00f3ximos com crian\u00e7as, ter baixa autoestima, presen\u00e7a de problem\u00e1ticas da sa\u00fade mental) que podem explicar a exist\u00eancia de casos de agress\u00e3o sexual nestes grupos espec\u00edficos.<\/p>\n<p><strong>SPSC \u2013 De que forma sente que a ci\u00eancia e a justi\u00e7a podem comunicar\/ interagir melhor em mat\u00e9rias de viol\u00eancia sexual?<\/strong><\/p>\n<p><strong>CS \u2013<\/strong> Na agress\u00e3o sexual a liga\u00e7\u00e3o entre a ci\u00eancia e a justi\u00e7a \u00e9 muito pr\u00f3xima e produtiva. Existe cada vez mais uma procura de trabalho conjunto entre \u00e1reas do conhecimento como a psicologia e a psiquiatria, no sentido de contribuir para alterar aspetos legais, e decis\u00f5es judicial, ou seja, assessorando o trabalho que \u00e9 efetuado no sistema e justi\u00e7a. Recorre-se cada vez mais ao conhecimento cient\u00edfico para trabalhar nesta \u00e1rea espec\u00edfica.<\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text] \u00c0 conversa com&#8230; Cristina Soeiro, psic\u00f3loga forense, professora associada do Instituto Universit\u00e1rio Egas Moniz. &nbsp; Percurso Doutorada em psicologia na \u00e1rea da justi\u00e7a e mestre em sociologia. Integra a Escola de Pol\u00edcia Judici\u00e1ria desde 1990; coordena a Licenciatura em Psicologia e o Mestrado em Psicologia Forense e Criminal no Instituto Universit\u00e1rio Egas Moniz. 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