{"id":9301,"date":"2019-03-29T14:14:49","date_gmt":"2019-03-29T14:14:49","guid":{"rendered":"http:\/\/spsc.pt\/?p=9301"},"modified":"2019-03-30T10:04:26","modified_gmt":"2019-03-30T10:04:26","slug":"abstraindo-4-um-projeto-a-ouvir-profissionais-do-sexo-e-a-colaborar-com-eles-elas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/2019\/03\/29\/abstraindo-4-um-projeto-a-ouvir-profissionais-do-sexo-e-a-colaborar-com-eles-elas\/","title":{"rendered":"Abstraindo # 4 &#8211; Educa\u00e7\u00e3o de pares para trabalhadores\/as do sexo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]<strong><em>Abstraindo<\/em><\/strong> \u00e9 uma rubrica que apresenta de forma resumida a investiga\u00e7\u00e3o em sexologia que se faz em Portugal.[\/vc_column_text][vc_column_text]<span lang=\"EN-GB\"><strong>Projeto:<\/strong> <\/span><span lang=\"EN-GB\">&#8220;Implementa\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e avalia\u00e7\u00e3o de um modelo <\/span><span lang=\"EN-GB\">de educa\u00e7\u00e3o de pares para trabalhadores\/as do sexo (Fase I e II)&#8221; <\/span><\/p>\n<p><span lang=\"EN-GB\"><strong>Parceiros: <\/strong>GAT &#8211; Grupo de Ativistas em tratamentos, APDES &#8211; Ag\u00eancia Piaget para o Desenvolvimento, Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o, da Universidade do Porto, e um grupo de profissionais do sexo;<\/span><\/p>\n<p><strong>Localidade:<\/strong> Lisboa;<\/p>\n<p><span lang=\"EN-GB\"><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/AO4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9309\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/AO4-281x300.jpg\" alt=\"\" width=\"281\" height=\"300\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p><span lang=\"EN-GB\">Alexandra Oliveira analisa o Projeto, num cap\u00edtulo de um livro da Routledge, que compila investiga\u00e7\u00e3o desenvolvida no mundo em torno da Ind\u00fastria do Sexo. <\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/livro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-9303\" src=\"http:\/\/spsc.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/livro-213x300.jpg\" alt=\"\" width=\"213\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica:<\/strong><\/p>\n<p>Oliveira, A. (2019). An action research project with sex worker peer educators in Lisbon, Portugal. Collaboration as a key issue for empowerment (pp. 80-89). In S. Dewey, I. Crowhurst &amp; C. Izugbara (Eds.) <em>Routledge Handbook of sex industry research.<\/em> Abingdon, UK: Routledge.[\/vc_column_text][vc_column_text]<strong>Alexandra Oliveira<\/strong> \u00e9 professora da Universidade do Porto, na Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o. Doutorada em Psicologia na Universidade do Porto com uma investiga\u00e7\u00e3o sobre prostitui\u00e7\u00e3o de rua que deu origem \u00e0 publica\u00e7\u00e3o \u201cAndar na vida: prostitui\u00e7\u00e3o de rua e reac\u00e7\u00e3o social\u201d (2011, Almedina &#8211; Men\u00e7\u00e3o Honrosa do Pr\u00e9mio Maria Lamas 2011). Atualmente \u00e9 membro da equipa do projeto \u201cComparing the taxation of prostitution in Europe: experiences and negotiations with laws and fiscal arrangements\u201d, financiado pela Independent Social Research Foundation (UK).<br \/>\nAliada do movimento internacional de trabalhador@s do sexo, sendo ativista nesta \u00e1rea. Em Portugal, \u00e9 membro da Rede sobre Trabalho Sexual.[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;3\/4&#8243;][vc_column_text]A metodologia de investiga\u00e7\u00e3o-a\u00e7\u00e3o participativa na \u00e1rea do trabalho sexual \u00e9 um m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o que implica a colabora\u00e7\u00e3o de profissionais do sexo para que a pesquisa seja realizada &#8220;com eles&#8221; e n\u00e3o apenas &#8220;sobre eles&#8221; e tem sido considerada uma boa pr\u00e1tica metodol\u00f3gica em projetos com esta popula\u00e7\u00e3o. Este cap\u00edtulo publicado no \u201cHandbook of sex industry research\u201d descreve e discute um projeto inovador de investiga\u00e7\u00e3o-a\u00e7\u00e3o realizado com educadores pares trabalhadores do sexo que foi implementado em Lisboa: <span lang=\"EN-GB\">&#8220;Implementa\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e avalia\u00e7\u00e3o de um modelos de educa\u00e7\u00e3o de pares para trabalhadores\/as do sexo (Fase I e II)&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o de pares \u00e9 uma estrat\u00e9gia de interven\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria na qual os membros de uma comunidade recebem forma\u00e7\u00e3o sobre conhecimentos relacionados com a sa\u00fade e compet\u00eancias de comunica\u00e7\u00e3o para promover comportamentos saud\u00e1veis \u200b\u200bentre pares, e \u00e9 uma estrat\u00e9gia com efic\u00e1cia comprovada na mudan\u00e7a de comportamento em grupos de dif\u00edcil acesso.<\/p>\n<p>Com este projeto, pela primeira vez em Portugal, uma ONG promoveu um curso de forma\u00e7\u00e3o para profissionais do sexo com o objetivo de os integrar como educadores de pares em projetos de redu\u00e7\u00e3o de riscos e\/ou de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. O projeto tamb\u00e9m pretendeu a capacita\u00e7\u00e3o dos\/das profissionais do sexo para o ativismo pol\u00edtico. Assim, se o treino de educadores\/as de pares era o objetivo mais \u00f3bvio e imediato, o projeto focou-se igualmente na import\u00e2ncia de promover o ativismo e a milit\u00e2ncia dos\/das profissionais do sexo.<\/p>\n<p>O projeto consistiu no desenvolvimento e teste de um modelo e, por isso, tinha uma natureza investigativa, sendo que a metodologia qualitativa de investiga\u00e7\u00e3o-a\u00e7\u00e3o participativa se mostrou a mais adequada. Assim, foi estabelecida uma articula\u00e7\u00e3o entre a entidade promotora do projeto (o GAT &#8211; Grupo de Ativistas em tratamentos, uma organiza\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e tratamento do VIH\/SIDA), a organiza\u00e7\u00e3o formadora (a APDES &#8211; Ag\u00eancia Piaget para o Desenvolvimento, uma ONG que trabalha com utilizadores de drogas il\u00edcitas e profissionais do sexo e que havia implementado previamente um programa de educa\u00e7\u00e3o de pares para consumidores de drogas), a equipa de investiga\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto &#8211; Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o &#8211; e um grupo de profissionais do sexo de forma a implementar o projeto.<\/p>\n<h4><em>Com este projeto, pela primeira vez em Portugal, uma ONG promoveu um curso de forma\u00e7\u00e3o para profissionais do sexo com o objetivo de os integrar como educadores de pares em projetos de redu\u00e7\u00e3o de riscos e\/ou de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. O projeto tamb\u00e9m pretendeu a capacita\u00e7\u00e3o dos\/das profissionais do sexo para o ativismo pol\u00edtico<\/em><\/h4>\n<p>O projeto, que foi sendo alvo de negocia\u00e7\u00f5es e introdu\u00e7\u00e3o de reformula\u00e7\u00f5es a fim de produzir melhorias no seu design, compreendeu duas fases que envolveram quinze profissionais do sexo com diversas caracter\u00edsticas e experi\u00eancias, abrangendo nove mulheres cisg\u00e9nero, cinco homens cisg\u00e9nero e uma mulher trans. Os\/as participantes inclu\u00edam profissionais do sexo nascidos em Portugal, bem como migrantes, a trabalhar tanto na rua como em contexto de interior em v\u00e1rias partes do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o dos profissionais do sexo como educadores de pares e da sua integra\u00e7\u00e3o em organiza\u00e7\u00f5es parceiras, para alcan\u00e7ar o seu empoderamento e ativismo pol\u00edtico, foram estabelecidos v\u00e1rios objetivos, incluindo o fortalecimento do sentimento de perten\u00e7a e identifica\u00e7\u00e3o com o grupo, a consciencializa\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do ativismo como forma de alcan\u00e7ar mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas, o incentivo \u00e0 milit\u00e2ncia pelos direitos dos\/das profissionais do sexo e a facilita\u00e7\u00e3o do seu envolvimento em a\u00e7\u00f5es conjuntas e em diferentes tarefas. Para isso, conduzimos diversos grupos focais que resultaram na organiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias atividades, que inclu\u00edram, entre outras, a participa\u00e7\u00e3o com um poster numa confer\u00eancia internacional e a prepara\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o numa manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Todas as a\u00e7\u00f5es exigiram o envolvimento do grupo em tarefas espec\u00edficas para a organiza\u00e7\u00e3o de um projeto comum e isso implicou empoderamento grupal. Sabemos que participar em atividades e organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias tem sido consistentemente associado ao empoderamento, nomeadamente ao empoderamento psicol\u00f3gico. Isso ficou \u00f3bvio quando os\/as profissionais do sexo assumiram publicamente a sua atividade, se tornaram vis\u00edveis em vez de se esconderem, tiveram voz e validaram as suas experi\u00eancias. Acresce que esses ganhos foram al\u00e9m do espa\u00e7o da forma\u00e7\u00e3o e estenderam-se a outros contextos e atividades.<\/p>\n<p>Ouvir os\/as profissionais do sexo e colaborar com eles\/elas \u00e9 devolver-lhes a voz que lhes tem sido negada, \u00e9 coloc\u00e1-los no centro e combater a exclus\u00e3o e \u00e9, ao mesmo tempo, salientar as suas reais necessidades. Assim, podemos concluir que este exerc\u00edcio proporcionou uma aprendizagem em metodologias de mudan\u00e7a social e desafiou a forma como tradicionalmente concebemos a pesquisa. Acima de tudo, a relev\u00e2ncia deste projeto reside na compreens\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es da abordagem metodol\u00f3gica participativa para o campo do trabalho sexual.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_column_text]Abstraindo \u00e9 uma rubrica que apresenta de forma resumida a investiga\u00e7\u00e3o em sexologia que se faz em Portugal.[\/vc_column_text][vc_column_text]Projeto: &#8220;Implementa\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e avalia\u00e7\u00e3o de um modelo de educa\u00e7\u00e3o de pares para trabalhadores\/as do sexo (Fase I e II)&#8221; Parceiros: GAT &#8211; Grupo de Ativistas em tratamentos, APDES &#8211; Ag\u00eancia Piaget para o Desenvolvimento, Faculdade de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":500,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,36,320,55,56,1],"tags":[702,106,817,216],"class_list":["post-9301","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cidadania-da-sexualidade","category-noticias","category-outros-estudos-na-area-2","category-noticias-relacionadas","category-saude-sexual","category-variadas","tag-gat","tag-prostituicao","tag-routledge-handbook-of-sex-industry-research","tag-trabalho-sexual"],"featured_image_src":{"landsacpe":false,"list":false,"medium":false,"full":false},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/500"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9301"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9311,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9301\/revisions\/9311"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spsc.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}